Escritas

I-LXV Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Tempo indomesticável sob céus superestimados,

que diz me ver sem que eu queira saber,

no que me esforço humilha-me por ter que crer.

Crente na igreja que se fecha por não ter o que presta,

vejo por vocês quando não há o que resta,

sob um futuro que nos leva sem trégua.

 

Apressados, disseram-me ir construir seus lares,

a noite está perfeita, mas temem presságios de maus olhares.

Os disse ser eu o último visto por Deus,

e que nenhum traço de desagrado ouvi sobre o que os envolveu.

Mas crianças são sempre espantadas temendo dias que se acabam,

me pergunto ser esta a razão dos cruéis castigos que as matam.

 

Partilharia minha mente com quem queira,

se, dado a mim, fosse um corpo que me deleita.

Não sei o que fazer, mas é instintivo querer,

é sofrer por tentar ser, e perder por simplesmente viver.

Fascinado, perco-me na época das poucas coisas que me agradam.