Lista de Poemas

I-LXXIII Jaezes de vida e morte

Motivação que me faz criar-te de novo,

para que me faça sempre de princípio do todo:

Esqueci-me dos que oram por minhas escolhas,

confundo-me com os rancores que me atoam.

 

Parte da alma esse lado que queima em brasa,

e parte de mim o instinto de ir ao fim.

Que haja quem faça o que o desespero para,

que vida surja pelos ódios que me franzem a cara.

 

E a todos os fins que aguardam algo de mim,

que eu os possa sentir como feitos de honra,

uma vida para criar-me e um dia para que me vá embora.
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I-LXXII Jaezes de vida e morte

No fim dos tempos, procuro por quem

intente viver neste descontento.

Se há salvação no único mal do coração,

que eu caia em tentação, e perca-me neste abrigo

apertado e restrito, mas sem dimensão.

 

É loucura pensar na lonjura, pois perdemos vidas carregando repulsas,

e andamos de bom ou mau grado, e insistimos correr do acaso.

Como se a alguém a vida pendesse ao bem,

e à ventura, sobrasse o caos das dúvidas:

É genuíno o amor que sinto, é evidente que sou carente,

inevitável o fracasso dos bens escassos, e a morte de meu ente amado.

 

Então se por ventura livrar-me do paraíso, que eu esteja contigo.

Pois lembro-me das vezes que juraste ao infinito:

cada mal a mim, far-te-ias mais cravado ao canhoto amigo.

 

Amo-te com medo, e como já padeço,

resta-me o tempo que me arrasta ao desfecho.
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I-LXVIII Jaezes de vida e morte

Levarão vossas almas aos porcos se aos amigos voltarem,

pois o mundo que carrega é o mesmo que pisa,

não faça por mim o que mal faz por tua vida:

Ambos viemos por péssimos motivos,

e nos afogaríamos se ao precipício resistirmos.

 

O fim se alastra por portas abertas

sem que mude a realidade de uma vida eterna.

Me perdi sabendo que venci,

já não vivo sem o inverno que me solidou aqui.

Doo ambas as mãos ao fogo se livrar-me do arroubo,

já não forço o ceticismo ao bom gosto dos outros.

 

E se já mal fascina-me dizer o privilégio que vivi,

temo resistir ao delírio de dar-me a ti.

É a sensatez que me tira a paz, pois sei que

de mim nada se faz, nem na terra, nem no céu,

nem nesta paixão que ameaça meu enfado cruel.
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I-LXXVII Jaezes de vida e morte

Não percebo mais trilhas sobre a terra,

já vou-me perdido desde que me apontaram o caminho.

Giro sem norte, tudo que reconheço já vi, e lembram-me morte.

Mas sempre que ouso perder-me, pergunto o porquê de aqui perecer-me:

Se é pela selva húmida, ou pelo frio incessante,

se é por capricho ou por minha ânsia de ser amante.

 

Mal tenho o tempo de existir,

nem dinheiro que lapide a carcaça que nasci.

Tenho poucos sonhos humanos, vejo-me sempre

como alvo dos assombros do cotidiano.

Temo a vergonha, o vexame,

temo confiar as fraquezas em quem,

por direito, vive sob seus ânimos.

 

Há dias que amo sem retorno.

Hoje o revejo, para que recupere um pouco do anelo,

atando meu mundo de palavras gamadas,

para que o excesso não nos desfaça.
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I-LXXI Jaezes de vida e morte

Tantas cruzes decorrem esta mente, mas nada a protege de julgar,

ainda assim se entristece, se faz por calar.

Se importa com o que querem, mas há dinheiro a se considerar,

que o natal dê-me oportunidade de me ausentar.

 

Há muito cobram-me provas,

estar entre o carinho que recebo e o anseio por adeus,

faz de mim incoerente com as razões que recebi de Deus.

Nada nos protege de julgar, vir por amizade ou por rancor voltar,

vivo um presente conciso atrás do futuro que irá me privilegiar.

 

Então faz de ti embora, pois se com outros terei que lidar,

ao menos sei que meu mal perdeu-se em seu lugar.

Que venham os próximos direto ao peito,

sem que cogitem ao meu amor causar algum sofrimento.

Amo-te vida que me trouxe cura após a ferida,

amo-te razão que faz minha vida ser vivida.
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I-LXXIV Jaezes de vida e morte

Com o mundo tirado de minhas costas, mal me movo ainda.

Com a minha verdade transformada em distância,

ainda perco-me sem esperança.

O fundo da realidade perfeita sem que me convença,

pois não necessita que funcione, nem que eu seja este com meu nome.

 

E quando, sobre a distância, me sinto cansado,

olho para trás e me sinto abalado.

Abandonei tudo para descobrir o que foi tudo,

e, talvez, se eu confiasse, ao invés de evoluir,

eu seria feliz, pois hoje sou corpo do que jaz aqui.

 

No fim, mantive minha idoneidade,

ansioso por quem me ame por esta verdade.

Em que parte da história eu seria, se não tenho sido e não serei?

Constranjo-me por mentiras que criei, temo ser responsável

por um futuro que matei.
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I-LVII Jaezes de vida e morte

Nas minhas piores ideias,

atrevi dar-me mais que sete dias.

Montei o que me tire a culpa,

mas palavras têm se enferrujado na covardia.

Sobra quem peça perdão pela bagunça que

fazemos dos dias.

 

Lembro-me do ar escasso de Sodoma,

havia ainda tanto a ser discutido antes daquela escolha.

Mãe estava certa ao dar-me menos de uma semana,

pois já não havia onde por esperança.

 

O mundo sabia que eu jamais seria como ela,

eu carregava um futuro que seria enterrado depressa.

Por Deus, como foi bom viver,

um dia se desculpará por o que me fez perder.
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I-LIX Jaezes de vida e morte

Lastimo nervoso nas revanches que levantam meu nome,

estive sonhando com outro mundo em silêncio, e notei meu desespero.

Se eu perder uma única vez, não me restará vida para rogar,

e, de novo, a mentira é a saída para me safar.

 

Na última noite bebi, e exaltei os homens

que me forçaram o que fiz.

Um em particular, recordo de implorar para que

o verão não dure até nos secar.

Para que decida desconciliar,

se é o que nos prende ao altar.

 

Nada nos faz rico no escuro,

soamos tão lúcidos quanto incultos,

e a mente nós seguramos no mar,

não é que usaremos isto,

mas é o que nos resta amar.
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I-LVIII Jaezes de vida e morte

Os dias que têm vindo

não me levam tão longe quanto cobiço.

Derramando virtudes à medida que preciso,

anseio voltar por este caminho.

 

Curando, adoecendo, fingindo ver o que não vejo:

As vestes caras não combinam com minhas marcas imaginadas,

e minhas palavras falsas fazem-me um oportunista camarada.

 

Leve-me ou não a mal, eu irei de qualquer forma ao caos.

Todos meus discípulos se perderão,

tento a presunção antes de estar sob o chão.
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I-LXIII Jaezes de vida e morte

Se coragem teve, aposto esta alma sobre

o que contou aos teus pais: vida e vida.

Acredito, então, que ouviste o que ouvi,

que sucumbiste pelo que me leva aqui.

Descreva-me, Pai, a sensação de quem

guarda os mesmos segredos que eu,

e de quem emerge, tão lento, que

o derrotismo perde seu eixo, e se encontra,

neste dia, livre de falsos conceitos.

 

Queres levar-me a estorvar as rodovias novamente.

É mais uma da mesma oportunidade de vida que,

todas as vezes que digo não, soo em vão.

Me irrito por pressupor o que anseio fazer,

me ira acreditar me conhecer.
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