Escritas

POEMA DAS PALAVRAS RASGADAS - II

José João Murtinheira Branco

A poesia das palavras rasgadas,

galga a cancela do medo,

afastando o nevoeiro que impede

a razão de ultrapassar o centro dos conflitos,

recuando até às circunstâncias

injuriosas, onde habita a essência

dos homens grotescos.

Aqueles que se gostam de ouvir,

murmurando em segredo

pérfidas formas de denegrir!

Pedantes na sua formade falar,

julgam-se deuses da razão,

donos de todas as importâncias.

São depravados do verbo

que nos seus gorjeios pitorescos,

estão devorando as palavras

em farta verborragia! Uma a uma,

temperadas na ironia, regadasa copos do ópio

das gramáticas com a sua espuma

letal, transbordando vicio,

deceção e sarcasmo pelochão.

Verso a verso, prosa aprosa,

vão rasgando palavras eletras

que são servidas ao vivo,

aos antropófagos das mil tretas,

em bruta e sádica orgia verbal!

Não fossem eles os doutos da opinião!

Rasgam-se as palavras,

o verso esvai-se, mas não termina

a poesia não falece! Floresce.

O poema não germina! Mina.

Estará sempre presente erguendo os punhos

contra aqueles que na sua falsa verdade,

disfarçam a maledicência,

sob os ornatos da modernidade.

João Murty

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