Lista de Poemas
das indivíduas razões presentes
ninguém há de consumir
a solidão da gente
pois de querê-la tal
como imberbe exercício
melhor seria te-la solta
como pássara notícia
fica assim assente
ninguém há de carpir
o pranto da gente
pois de te-lo avaro
no útero dos olhos
melhor compreende-lo
como ineficácia do ócio
fica assim assente
a gente é sempre tudo
quando nada é melhor
que ser presente
Das avenças vitais em grave solilóquio
o quanto me caiba
dos contrários que tenho
nas esquinas da alma
é que assim inconcluso
completo a sentença
de parecer-me humano
com grave insistência
a vida é só um plano
de construir o que se pensa
Rondó de verbos em palavras e vertentes
palavras são, de repente,
os barcos e portos da gente
num mar que já se pressente
e que se teima em atravessar
palavras são fatos diferentes
resvalam nas almas e, geralmente,
escorrem da garganta impunemente
como se fossem cachoeiras displicentes
que jorram nas costas desse mar
palavras são fardos inconsequentes
que jazem na língua adredemente
como um destino que se consente
aos verbos que queiram voar
palavras têm da memória
a mesma compreensão
de um esquecimento compassado
nas curvas do ser em vão
palavras têm vida
quando postas em cabides
quando teimam em ficar nas línguas
onde nunca se admitem
palavras são roçados
de um aceiro incontrolado
que se limitam com céus
e mares desgovernados
Da jurídica ação das ruas
maternamente autuado
deixo meus autos no mundo
para todos os despachos
tramito pelas ruas
nos urgentes mandados
em que cobro meus sonhos
e as tutelas de serem fatos
e ouso despachar-me
das ações intempestivas
que teimam em alimentar
os agravos contra a vida
embargando o cumprimento
das manhãs não coletivas
as ruas apenas cobram
sua adimplência intempestiva
Do pátrio desconforto
é quase sempre
um vago e efêmero
desconforto
e se contrange
a quem lhe ama
é que a pátria nem sente
aquilo que proclama
apenas resta no peito
como medalha indevida
desgovernada solução
das vielas da vida
no vão da rua
a pátria existe
como ícone
no vão do peito
a pátria insiste
em dizer-se norma
do que é triste
a pátria é só a certeza
dos futuros em que não esteja
Dueto botânico em humano relato
com a mesma qualidade
com que explode o riso
pelo vão da tarde
ainda ssim
usina de ti mesma
nem adivinhas a razão
por que estejas
se já repousas
em noites que não vivas
o vento lavra meus sonhos
no ritmo em que deslizas
e quero-me planta
como se humana fosses
para caber num horizonte
com toda tua pose
ode central de amor ao povo
de ser composto assim
como uma grande semelhança
não lhe sobre porque vário
qualquer resquício de inconstância
flua como um rio caudaloso
e que tão calmo, e grave, e forte
diga-se mais estrada do futuro
e que tanto caminho lhe comporte
junte em cada esgar e cada riso
as nesgas do humano que lhe importem
e medre como medra qualquer culpa
que se escapa de um grito de revolta
seja no seu peito e sua norma
um quê de pássaro, um tanto de resposta
e voe sua lida em voo raso
enviesado albatroz de nossa história
queira-se lídimo apesar de inconstante
que mesmo legal seu estatuto
subverta a razão por que se invoque
a extrema tarefa de ser puro
e que seja lama de boa amolgadura
e lâmina frequente de seu susto
e que se construa numa mesma forma
guardada a compreensão de quem a usa
que osso e carne
seja pouco
como invólucro formal
do meu esforço
que carne e sonho
não contente
a exata medida
de quem sente
que eu e a consciência
convenhamos
o vasto estatuto
que nós somos
diz que o homem
é um prazer absoluto
desde que não mantenha
as medidas do seu susto
Das avenças do tempo em célere movimento
de rever as empreitadas
e consumir como tudo
o que é quase nada
há um tempo
de recrutar a vida
e merecê-la plena
pelas avenidas
e há de haver um tempo
para pentear os cabelos
com o mesmo desfastio
com que os velhos canoeiros
fingem dominar os rios
há um tempo
de sonhar as madrugadas
como um dia inexato
pelas calçadas
e haverá um tempo
de rever os risos
não apenas como músculos
distraídos
e há de haver um tempo
no peito dos homens
em que a paz apenas seja
e adredemente se conforme
e haverá um tempo
a desoras
no mais íntimo grito
de quem chora
há de haver um tempo
que assim não medre
como as dessemelhanças
do que apenas deve
Das usinas da vida no fragor do tempo
quem se engane
a dizer do homem
o que lhe tange
porque de rês assim caiba
a magra intransigência
de consumir-se avaro
num mar de opulência
usineiro da morte
quem assim garante
uma vida engastada
num desvão do horizonte
dão-se como bastantes
usineiros do futuro
nas vidas que amontoam
derrubando todos os muros
a necessária contrafação do querer
nem é necessidade
quando posta apenas
no invólucro da vontade
assim indisposta
é mais vau de descaminho
resposta de cada compleição
de cada desatino
a necessidade
nem constrange
nem punge e nem tange
a quem de tê-la, assim, urgente
exploda a razão inteira
do que ainda surge
nas encostas do presente
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.