Escritas

Lista de Poemas

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
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Poema ao meu avô Osório

meu avô

nunca me disse

que o avesso da vida

não existe

é que não lhe cabia

como transeunte

dizer de ruas em que não mais passava
tudo que lhe cabia então

nem era mais palavra

jazia apenas em minha saudade

como uma vontade avara

de olhar em seus olhos

e navegar nos mares de sua fala

os barcos que nós dois nem pudemos
atracar no porto das palavras.
 
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Identitário trajeto

interajo,
tudo de mim
é a exata proporção
em que me basto
largado nos confins
de quem abraço
interajo,
nada de mim
deixa o coletivo
sou um tanto do outro
por ser indiviso
coisa de ser autuado
nas brincadeiras do infinito
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Saudade

meus pedaços
afrontam a noite
inventando sonhos
na saudade que permito
gerente de mim
desobedeço a vida
na contradição intensa
de sentir o tempo
em convalescença
as horas do mundo
dormem tua presença
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Origem em vazão concreta

a origem
é só trajeto
dos fins que teima
pelo universo
dita início
como traço histórico
é só ilação
dos infinitos que posta
o fim
ao avesso
é só um seguir
do novo começo
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Reminiscência

o mar
alvoroçado
abraçava as pedras
em líquido abraço
o menino
mergulhado
boiava seus sonhos
no abraço
Olinda tangia o tempo
com o mar em sobressalto
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Materna saudade

minha mãe
habita o tempo
âncora fincada
no pensamento
imaterial
em grave manifesto
abraça o mundo
nos meus gestos
assim urgente
dada aos encantos
joga tudo de mim
ao seu encontro
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Das vias de defesa mundana

o mundo
em manifesto acinte
deixa-se militante
nos vincos da crise
informa dobraduras
dá-se a tsunamis
em busca de ouvidos
tementes a seus transes
como terra
sistemicamente inumana
tenta achegar-se
ao futuro que chama
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Dos avulsos bólides

dado assim ao espaço
bólide incontroverso
o foguete ilude o tempo
nos espaços que adestra
finca-se no cosmos
como um brinquedo
de perscrutar o infinito
e desmanchar o medo
inventa assim pelo homem
o voo exato do seu rito
de ser cérebro da natureza
apesar de tão contrito
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Paisagem marinha

o pescador,
semeando a jangada,
planta um mar pela face
desdobrando a paisagem
as ondas, dançarinas,
no regaço das horas,
molham peixes e sonhos
no vão das demoras
as nuvens, tangendo o céu,
inventando telas,
montam todos os ventos
como para abraçar a vela
o pescador, grávido do tempo,
deixa a eternidade à espera
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !