Lista de Poemas
das datações impacientes da espera
já estava
cravado no espaço
que eu me dava
e de repente
fez continência
e já nem era julho
na paciência
tinhas mais de abril
um jeito atrasado
de um presente em que eu me fiz
com o futuro atravessado
Da insônia em transversa pose
escorrega do olho
e escuta a cidade
como desconforto
o sonho
nem se apercebe
que a realidade
é uma pálpebra inerte
e o tempo
monta a madrugada
como um quebra cabeça
dos cochilos de quem tarda
dos barcos em mar com fingimento
assim noturnos
barcos são bandeiras
de tremular a esperança
pela noite brasileira
assim dançando
pela noite imensa
escrevem no peito
os mares que se queira
e nem a lua
no mar se arrime
para conter qualquer soluço
daquilo que se finge
Ode à catarata
o poeta exalta
o que da luz escapa
em sua alma
é-lhe estranho
o que divisa
o palmo que vê
e multiplica
meio cego
o poeta estanca
nas esquinas do olho
as esperanças
e não lhe agride a norma
de estar entre neblinas
o que o vento discursa
em tempos e adrenalinas
como resta no peito
uma vida embranquecida
mas que estertora de luz
nas lembranças que avisa
Digressão sobre a culatra
como pássaro conciso
compreenda tua lógica
paciente e contida
assim avessa
à precisão e ao tato
tens mais de impulsão
do que é exato
pois se revelas o mister
em que te tens inata
permites aos autores
o constrangimento das balas
a vida nem adivinha
o quanto tem de culatra
da inconstância das fugas em mares próprios
quando ainda a hora
é pouca para ser tarde
e muita para tanto cedo
se ainda nem cabe no peito
o artifício do mêdo?
fugir é admitir os rios
que os mares da gente fingem
como se fossem artérias gastas
em praças impossíveis
fugir é só um atalho
que o medo da gente exige
quando a vontade no peito
naufraga os barcos possíveis
Ode aos 40 anos, retirante da mágoa
é um trânsito enorme
e nem é preciso
que o corpo lhe informe
sou aos borbotões
meus gestos mais próprios
e um verbo que teima
em dizer-se lógico
apanho
as 15000 madrugadas
que lavraram o tempo
em minha face
e as empilho largas
numa eventual felicidade
e consumo as horas
já tardio
emborar rebentem indícios
de que ardo
apesar do frio
em braços de almas baldias
eu tinha uma alma
e não sabia
não dessas que se soletram
em verbos continentes
e que se prosternam aos ventos
como dormentes
não dessas instituídas
na solerte noite da insapiência
e que transitam inócuas
no exercício da consciência
não dessas imerecidas
pelo que de humano se sinta
e que não traspasse o vau
dos rios que não se pressinta
algum dia
eu tinha uma alma
e nem sabia
alma histórica
definida
do tamanho das emoções
que alinhavo na vida
alma país
desenfreada
nas geografias que o peito
às vezes há de
alma manhã
atemporal
basta como a cabeleira
do canavial
alma usina
adrede armadura
de conjugar os risos
e a amargura
algum dia
não terei uma alma
apenas uma porta
por onde escapará a noite
como ineficiente gaivota
Das demarches do rito vivente
é uma crise lógica
distribuída nas ruas
pelo vão das portas
inexata
nem lhe chega ao exercício
a mesma compleição
de um grande comício
torta
vige a prumo
em ruas que não dita
em todos os seus rumos
a vida
é uma crise lógica
que se finge vasta
em limitada posse
incauta
não se presta ao rito
de desmanchar-se isenta
pelo infinito
urgente
nem se admite
como coisa temporária
e sempre em riste
a vida
é uma crise lógica
e, quase sempre,
só desagua em ombros
de quem sente
talvez a vida seja só uma serpente
que vige em moratória
e enrosca-se na gente
como pose da história
dos quantos josés nas avenidas
por não se-lo há muito
resta no vão da vida
de sentimento em punho?
quem agora José
por não se-lo tanto
tinge os ombros da alma
em desencanto?
quem agora José
por sempre te-lo sido
é maior que qualquer dor
de todo e qualquer sentido?
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.