Rondó de verbos em palavras e vertentes
AurelioAquino
palavras não são entes
palavras são, de repente,
os barcos e portos da gente
num mar que já se pressente
e que se teima em atravessar
palavras são fatos diferentes
resvalam nas almas e, geralmente,
escorrem da garganta impunemente
como se fossem cachoeiras displicentes
que jorram nas costas desse mar
palavras são fardos inconsequentes
que jazem na língua adredemente
como um destino que se consente
aos verbos que queiram voar
palavras têm da memória
a mesma compreensão
de um esquecimento compassado
nas curvas do ser em vão
palavras têm vida
quando postas em cabides
quando teimam em ficar nas línguas
onde nunca se admitem
palavras são roçados
de um aceiro incontrolado
que se limitam com céus
e mares desgovernados
palavras são, de repente,
os barcos e portos da gente
num mar que já se pressente
e que se teima em atravessar
palavras são fatos diferentes
resvalam nas almas e, geralmente,
escorrem da garganta impunemente
como se fossem cachoeiras displicentes
que jorram nas costas desse mar
palavras são fardos inconsequentes
que jazem na língua adredemente
como um destino que se consente
aos verbos que queiram voar
palavras têm da memória
a mesma compreensão
de um esquecimento compassado
nas curvas do ser em vão
palavras têm vida
quando postas em cabides
quando teimam em ficar nas línguas
onde nunca se admitem
palavras são roçados
de um aceiro incontrolado
que se limitam com céus
e mares desgovernados
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