Lista de Poemas
ode ao retirante
é um sol falido
na concordata geral
dos seus sentidos
não se crava no peito
como uma âncora de sangue
é muito mais uma medalha
que teima em ser do homem
e se ainda tramita
pelos passos da vida
é porque teima em ser carne
de armazenar alegria
Poema à transeunte
punhados de felicidade
e poucas eram as sentinelas
que punha em seus olhares
e assim, a pouco e pouco,
eu a vi derramar-se pela avenida
como uma bandeira escancarada
do tamanho largo de toda sua vida
Palavras a Seu Andrade na morte de sua amada
vaza a vida
salgada sem razão
da despedida
pelo verbo
jorra a alma
usina de muitas léguas
oficina que nem usavas
pelas rugas
escorre a mágoa
vadia emoção
agora inexata
pelo homem
corre o indício
de que a tarde
é um grande precipício
Ode à pequena Ana
que entre tuas tranças
mora o ócio
e que são cabelos
como impostos
na vida infante
que suportas
e jazem no dia
como óbvios
apesar das armarguras
que te informam
Do comprimento dos mortos
tem léguas de sentimento
que é difícil arrumá-los todos
no exíguo espaço do peito
Dos avessos de mim em trânsito
é o esforço
de parecer em mim
tudo do outro
o próximo
é o vínculo
entre o que sou
e o que sinto
a vida é só o laço
entre o avesso e o que faço
Ode ao urso polar em nado esvoaçante
hás de ser alvo
de minha retina ingovernável
na compostura engenhosa e incauta
com que desenhas o teu nado
e hás de remoer a paisagem
e inventá-la em ti mesmo
com a desfaçatez e a lassidão
com que alisas meu cérebro
hás de ter a monotonia
de uma revolução inerte
na contração de tua paz
nesse quê de paquiderme
das vertentes coronárias da dor
que balança
e que sente mais
do que é preciso
a esperança
e que porque sinta
deixe-me assim desavisado
de que a vida é só um tempo
que nem sempre é tarde
e nunca me perceba
como se recebe
essa mania inata
de sofrer em tese
De Nínive em mísseis e história
por sobre Nínive
uma reta
ângulo tenaz e reticente
como se fora esquina
do coração da gente
e lança-se fulvo
em eletrônica voragem
e nem se pergunta da vida
como há de
Nínive, assim deitada,
é, no deserto de si,
uma quase paisagem
rouca arquitetura
de ingente norma
Nínive não comenta
apenas informa
e na cabeça do míssil
afoga-se
como uma rosa que explodisse súbito
no rio da história.
Das mortes em dias de vida
nem pressinto
o quanto de vida houve
nesse labirinto
antes a repasso
como complacência
para que a morte enfim
nunca me convença
e se não a aquilato
ou revelo seu jeito
é que é mais fácil morrer
com vida no peito
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.