Escritas

Lista de Poemas

19. o Desenlace (Aqui) Petrificado

19
O desenlace (aqui) petrificado
isto de istmo, era de hera
a qualidade em resultado absoluto

aqui reverdecendo — o jorro e a perna
na só imagem que unifica a frase
no extremo sopro da velocidade.

— Verbo de pedra em profecia, sem
a pedra — substância, no não do sopro
que ilumina a terra no interior da terra.
👁️ 1 033

46. Uma Indelicadeza de Flor Ou o Nada Poético

46
Uma indelicadeza de flor ou o nada poético
não nega a prosa da coisa viva e verde
não é o contraste é o sereno ardente
de energia em espiral (.)

De quando não cesse o fogo ou
negação
da árvore incandescente indo à sombra
nas raízes na inversão do sim do sempre.

Qual será o principal princípio
que não procure o oposto o ausente o pouco
não destruindo a destruição e destruindo-a.
👁️ 869

26. Aprendi o Jogo E o Não Jogo

26
Aprendi o jogo e o não jogo
com a lâmpada obscura na nudez das ervas
declinando sempre a perda das palavras
e a prática pedestre das pernas obscenas.

Restituir e não restituir ou seja o rastro
os joelhos negros o incêndio límpido
e sóbrio membro o único unicórnio.

A figura é isto: os quatro membros: e o membro
branco e erecto sol sal e sangue
e a interrupção dos aspectos prática poética.
👁️ 812

56. Mancha da Perna Maternal

56
Mancha da perna maternal
robusta
no pomar secreto na recente vinda
do pai descendo um pouco tímido na água.

Dir-te-ei pela água sexual
do não crime de ver-te
pela vez absoluta do olhar negro
como se não fosses a pequena deusa que não és.

Não tímida não secreta mas pobre de água
olho de um joelho límpido
prosa da terra não sulcada ainda.
👁️ 907

68. Descontínuas, Desfechadas Linhas

68
Descontínuas, desfechadas linhas
cintilam no lugar no não-lugar
e o indefinido incêndio da folhagem
desfaz as sílabas da visão igual.

Uma cavidade do encontro, o sim,
ou a coluna ou as colunas, umas linhas
solares que dividem o lugar
poderiam multiplicar-se, renovar

o sopro essencial do ser (azul interno)
e a pulsação da terra sobre as linhas livres
libertar o tempo da não-razão de ser.
👁️ 993

58. o Arvoredo E a Água Subjacente

58
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.

Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.

Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
👁️ 994

29. o Lápis — Esta É a Escrita do Lápis

29
O lápis — esta é a escrita do lápis
que escreve a tortura lapidar
os ossos na neve os nervos lapidares.

Quem negará a pobreza desta escrita
que busca a pobreza essencial
a terra nunca vista e vista
sempre na cegueira essencial de sempre.

Direi diremos o que dissermos nunca
o nunca do nunca a brancura do deserto
o lápis aqui aqui sem água e nus.
👁️ 919

40. o Cão Sem Sombra E a Face Oblíqua

40
O cão sem sombra e a face oblíqua
na infância azul da face
uma janela alta o vazio os astros.

Um gesto da matéria amorosa negra
a flecha do não ser na ferrugem do muro
a questão interrompida o sexo nu.

Quando no opaco a oblíqua ferida
rasga as paralelas do ser e a flecha fere
a outra flecha vermelha na ferrugem.
👁️ 980

38. Tu Sabes o Sabor do Sono E a Pausa

38
Tu sabes o sabor do sono e a pausa
do sono sobre as pernas luminosas
e mais a secreta terra não vermelha.

Não ardente a escrita aqui: do campo
aranha inocente
de patas musicais
silenciosa deusa na verdura.

Condensando a cabeça e o tronco branco
decepado sobre o não sentir ou não viver
eis o braço o pedaço ardente e frio.
👁️ 1 008

50. o Claro Rumor Do

50
O claro rumor do
anúncio de altitude a forma
do fragmento (de)

Que a mão repercutindo
a mão e a mão de
novo ilumine o espaço deste espaço.

Que terra em terra da palavra
fragmente o frio o bloco
branco
e a forma seja a mão da forma.
👁️ 896

Comentários (10)

Iniciar sessão ToPostComment
ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-08-09

Muito belo este este homem , que esperou e tentou mudar sua vida e se transformou mais leve que sua sombra.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-27

Como já anotei; conheci o poeta António Ramos Rosa, já no outono da sua vida, indo a minha num aproximar-se do mesmo tempo natural. Tempo em que já não fumava, mas gostava da bica e do queque, sempre antes, em um amável sorriso, fazia o gesto de que alguém pagasse, aliás, era de um "espírito franciscano, em muitas dimensões". Lembro a nossa ida ao café, ele sorrindo e falando baixo, sobe o sua barba branca, imperfeitamente, aparada. Sentado, escolhia uma conversa de informação e gostava, muitas vezes de contar a história do nome "queque" para o bolo que mais gostava. Era de uma atmosfera serena simples "e vegetal" o pouco tempo da sua companhia.

Luis Rodrigues
Luis Rodrigues
2022-10-26

Obrigado pela contribuição, irei arranjar um espaço para colocar estes apontamentos.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-26

Conheci este génio da poesia já nos íamos em idade. Visitava-o sempre em companhia, talvez, como privilégio comum. No seu espaço pilhas de livros literários, de autores de algumas nacionalidades. O seu dia de poesia passava-o relendo em inspiração e pela noite, até não muito tarde, escrevia meia dúzia de poemas, quase sempre, extensos. Certas vezes achava-se em interrogação de dúvida e queria saber de nós se "ainda era poeta". Com a grandeza que a humildade concede aos génios Ramos Rosa sorria, sorria quase sempre, emitindo nele certos sons de garganta, que provavelmente lhe ficara do tempo em que ainda não tinha deixado de fumar. Agora António Ramos Rosa era um ser de leveza, - embora tocado pelos anos, mas o seu ESPÍRITO subia; subia com as palavras escritas.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-25

Continuação de parte do mesmo doc. "(...) Se conto este sonho é porque me parece que representa o meu desejo de um paraíso vegetal ou de um retorno a uma simplicidade elementar. (...).