Escritas

Lista de Poemas

AS EMOÇÕES DO TEMPO

Ó tempo, que trocaste teus hábitos,
Que me enganas em cada estação,
Que atormentas os povos com errada decisão,
Mas que nos trazes às vezes a luz da razão.

Eram quatro as estações do ano,
Que aprendi desde muito cedo,
Cada uma ostentava emoção,
De alegria, tormenta e medo.

No inverno intensa chuva,
Dia e noite lavravam ribeiros,
Choravam os beirais no chão,
Acenando o arvoredo.

Trovejava… gritavam luzes no céu,
Rugia o vento altivo,
Pintava-se o dia de breu,
Encharcado ficava o corpo,
Resfriado até ao osso,
Rodopiava o chapéu.

Alagada a terra frutífera,
Geminava a semente,
Lançada com mãos de “guerra”,
Um corrupio permanente.

Na chaminé estalava a chama,
O café perfumava a casa,
Os mais velhos contavam “estórias”,
Ia-se cedo para cama.

E lá vinha a primavera,
Colorida e luminosa,
Tudo era verde e florido,
A cada canto uma rosa.

Seduziam as andorinhas no céu,
Chilreando de contentes,
Olhares concebiam véus,
Traçando linhas cadentes.
Às vezes tinha chuva, tinha vento,
Tempo ameno, trovoada,
A cultura agradecia,
Nos regos, a vida surgia,
P’ la terra tão bem estrumada.

Espreitava o verão trazia chama,
O corpo exausto transpirava,
A hora da sesta só a cama,
Acalma a sonolência obstinada.

No campo o chapéu e o lenço,
Ensopavam o suor a dilacerar,
E aliviavam o sol ardente,
Tão baixo, tão eminente,
Difícil de suportar.

O outono vinha cansado,
Da secura do calor,
As árvores despiam a ramagem,
Punham o chão multicolor.

Ficava triste o outono,
De frio e nuvens cinzentas,
As noites longas de sono,
Tinham manhãs rabugentas.

Aclamava o vento e a chuva,
Com vontade de sorrir,
De mudar o seu vestido,
Num tom verde divertido,
Das suas árvores vestir.

Maria Antonieta Matos 26-01-2019
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PAREM LOUCOS…

Parem loucos… desvairados,
Sem nenhuma complacência,
A “jogar” sempre inflamados,
Sem pensar nas consequências.

Parem… para pensar um pouco,
Dominem os maus pensamentos,
Não façam o mundo mais louco,
Só feito de horríveis momentos.

Parem… supliquem ajuda,
Não entranhem essa loucura,
Num instante de crise aguda.

Parem… com tanta tortura,
Que ninguém têm culpa de nada,
Não façam a vida dura.

Parem… Que mundo é tão belo,
Sonhem façam castelos,
Amem…! Que o amor tudo cura.

Parem… busquem a luz que mais brilha,
Concebam dias de partilha,
Tenham momentos de aventura.

Não entrem em desespero,
Deem à vida doce tempero,
Caminhem na boa ventura.

06-02-2019 Maria Antonieta Matos
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A MÁSCARA – O Maltrato

- Diz mal do trato que te faço,
Da sombra, sente ciúme,
Prende-me com um curto laço,
Trata-me com azedume.

- Diz que me amas, nessa cegueira,
Alimenta o teu estigma doentio,
Faz-me acreditar que é passageira,
E não mudes esse teu mau feitio.

- Zomba de mim, que me aquieto,
Repete!... O que faço, nada é prolífico,
Que já nasci sem horizontes e, por aqui fico,
E estagnarei na água podre, como um dejeto!

- Muda de tom, conforme o plano que te dá jeito,
Que eu moribunda e serena tudo aceito,
Como uma tola, que eternamente deve respeito!

- Mede a distância que de mim tem, o teu olhar,
Esfria o afeto que ainda tenho, para te dar,
Que tarde ou nunca,
Quando me quiseres,
me vás achar!

18-11-2014 Maria Antonieta Matos
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ÁRVORE DE NATAL

Já alindei a minha árvore natal,
Ofereci-lhe um toque de magia,
Ficou alegre… e, tão especial,
Do jeitinho que eu mais queria.

Dei-lhe vida, muita saúde,
Serenidade, carinho e amor,
Um brilho de festa e virtude,
Sorrisos de cascata em flor.

Dei-lhe justiça… e, humanidade,
Uma luz brilhante celestial,
Esperança, companhia, amizade.

Dei-lhe quanta alma, podia,
Uma aspiração jovial,
E o respeito de cada dia-a-dia.

05-12-2017 Maria Antonieta Matos
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ÁRVORE

Na profundidade da terra
A semente desabrochou
Saindo por uma cratera
Ali no chão despontou

Fortalece as suas raízes
Desenvolve a sua estrutura
Do tronco saem directrizes
Enfeitadas de verdura

Nascem flores muito formosas
Geram os frutos apetecidos
Passam por cores preciosas
Á espera de serem colhidos

Sempre à chuva ou ao vento
Oferece a sombra quando há sol
Cresce buscando alimento
Aninha os pássaros ao pôr-do-sol

Solidária noite e dia
Vai dormindo sempre de pé
Suas folhas, rodopia
Dança sem dali arredar o pé


17-08-2013 Maria Antonieta Matos
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ALENTEJANA

De repente surge alentejana bela e jubilosa,
S’ agiganta e floresce no vítreo olhar, tela famosa,
Braçada de louro trigo enfeita o seu regaço,
Que ilumina o tempo, os dias dos meus cansaços.

Alentejana que o calor tosta e zurze tua pele como fogo,
Que a energia não falta e irradia o dia todo,
Que a par dos homens versejas e entoas essa lucidez,
E a originalidade fascina o mundo ufano outra vez.

17-02-2017 Maria Antonieta Matos
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Aguadeira do Alentejo

Aguadeira do Alentejo,
Tão esbelta assim nasceu,
Que o vento atrevido, tua veste sopra,
E nesses contornos adormeceu.

Maria Antonieta Matos 31-10-2016
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AH! PINTOR

Ah! Pintor… poema de sulcos,
Sempre além a conceber,
Essência que só grandes vultos,
Assim riscam sem aprender.

Vem da alma tanta beleza
Rodopia o lápis certeiro
Anseia a mente com destreza
Ah! Pintor artista inteiro!

07/01/2016 Maria Antonieta Matos
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Alentejo é natureza

Alentejo é natureza,
Onde se avista o infinito,
O mar, o céu, a terra é beleza,
E o cante é tão bonito! 

Alentejo a sua gente,
É contada com humor,
Pelo modo de falar,
Pela forma de expor!

Alentejo veste-se de branco,
De azul e ocre a enfeitar,
E o vermelho para alegrar.

Cada estação tem um encanto,
No inverno correm rios de pranto,
E no verão é sol e mar.

No Outono as folhas dançam,
Ao toque da ventania,
Ó vento que tanto assobias.

Pões alegre o tapete do teu chão,
Com tão harmoniosas cores,
São as folhas, mas parecem flores,
Ah! Ofereces tanta emoção!

Primavera cobre-se de colorido,
De luz e olhares curiosos,
Os pássaros cantam divertidos,
Alentejo primoroso!

Maria Antonieta Matos 29-01-2017
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MÃE

Tens cuidadores de excelência,
Carinhosos e responsáveis,
Que a cada tua ocorrência,
Reduzem a dor implacável.

Como seria em meu querer,
Ficares em casa junto a mim,
Chorando sem saber que fazer,
Num desconforto sem fim.

Bendito o Ser humano,
Que pensou o remédio pr’a dor,
Que baniu desconforto e abandono,
E ditou dignidade, pra quem for.

Esse mal que muito afronta,
Que vem sem dó, nem piedade,
Que o remédio desencanta,
Que faz a dor sua vaidade

O sentir de cada um,
É tão difícil de ver,
Naqueles que se escondem na sombra,
E não se dão a conhecer.

Outros, as emoções sobressaem,
No seu rosto ou no seu gesto,
Ou quando as lágrimas caem,
De alegria ou de protesto.

Mas se houver quem nos espere,
De braços abertos e coração cheio,
Vivemos de todo mal libertos,
E do sofrimento… alheios.

24-08-2018 Maria Antonieta Matos
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Comentários (2)

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namastibet
namastibet
2017-10-23

obrigado por me ler

Val
Val
2014-09-22

Gostei , escreves bem :)