Escritas

Lista de Poemas

A PANDEMIA – COVID19

Ai …! O mundo no mesmo barco
Num balançar que dá medo
Sozinhos sem um abraço
Que nos conforte tão cedo
Um pavor do invisível
Um confronto sem igual
A um vírus destemido
Tão diferente do habitual
Não escolhe pobres, nem ricos
Nem local, nem País
Na terra, ar ou mar
Não escapa gente por aí …
Há uma união mundial
Com esporádica resistência
Que aos poucos tomam consciência
Do risco fenomenal

Todos se unem pr’ o combate
Ao surto que nos invadiu
Que dispara a cada instante
Com esforços como ninguém viu

Todo o mundo se debate
Para evitar a pandemia
Onde o sobre-humano é real
No universo de assimetrias

Sem carinho sem piedade
E sem dignidade gente pr’a cova
Sem um ai que nos comova
Sem a despedida que resolva
Num tempo de ambiguidade

Com receio uns dos outros
A distância é obrigatória
Para que o vírus não se pegue
E se propague sem demora

Calem-se as armas de guerra
Centrem-se em exterminar o monstro
Que cego em qualquer caminho
A qualquer vai ao encontro

A sanidade e a economia
Estão a par nesta desgraça
Que a humanidade não previa
E que a todos ultrapassa.

Na esperança que tudo passe
Outra alma se levanta
Atentos, mas confiantes
Que outro mundo vai renascer
Mais humano, mais solidário
Todos livres para crescer

Entretanto fique em casa
Não ponha em risco ninguém
Para o bem dos nossos guerreiros
Que nos protegem tão bem

24-03-2020 Maria Antonieta Matos
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LÁGRIMAS CAEM DOS BEIRAIS

Lágrimas caem dos beirais
Em pranto as almas perdidas
Que voam aos tombos aos ais
No céu em longas corridas

Ilumina-se o céu e a terra
Ouvem-se estrondos tamanhos
Sai tristeza atrás da serra
Num véu escuro muito estranho

Mete medo o horizonte
Apagaram-se todos os sois
Ruge o vento no mudo monte

Surge um perfume no ar
Da terra molhada guiam faróis
Os pequenos barcos a navegar

13-11-2019 Maria Antonieta Matos
👁️ 540

MIGRANTES

Veem de longe, de muito longe,
Pelo mar desconhecido,
Agitados, cheios de esperança,
Deslocam um punhado de nada,
Veem sofrendo nessa estrada,
Empilhados sem segurança,
Trazem os filhos, as mulheres grávidas,
Fogem da guerra, da triste ventura,
No peito uma agonia tão dura…
Sua reação serena e impávida.

A fome, o frio, a falta de amor os faz mais fortes,
A secura a doença, a morte não se lh’ figura,
Mas a ânsia de mudar essa amargura,
Supera tudo e almejam toda a sorte.

No desconhecido o sonho perdura,
A saudade corre-lhe nas veias,
Carregam a história da terra, da sua aldeia,
Um desejo breve que só o tempo cura.

Muitos não conseguem experimentar o sonho,
As ondas agitam bravas a embarcação,
O medo e o cansaço lhe cria ilusão,
E apaga-se a vida num grito medonho.

Outros o seu olhar encontra outro caminho,
Às vezes tão sinuoso, íngreme e escorregadio,
Mas não desistem sempre em frente, por um fio,
Resistindo e desafiando cada etapa do seu destino.


14-12-2019 Maria Antonieta Matos
👁️ 404

BRILHO DOS OLHOS…

Quando o brilho dos olhos meus,
Comunicam com os teus,
Agitam-se mil sensações,
Enternecem o desejo,
o sabor dum doce beijo,
Um pulsar de corações,
Envolve a cumplicidade,
no puro amor de verdade.

Quando o brilho dos olhos meus,
Fitam de frente os teus,
Perco-me do mundo das normas,
Dou-te a alma e o coração,
Encho o peito de emoção,
Dedilhando as tuas formas.

Quando o brilho dos meus olhos,
Fita os teus olhos e me cega,
Sinto o sonho realizado,
E o tempo pára nessa entrega,
Abraço a alegria esse amor,
A explosão de tanta cor,
A felicidade que aconchega.

Quando o olhar acaricia,
Seja quem for neste mundo,
Esvai-se toda a melancolia,
Num semblante carrancudo.

12-12-2019 Maria Antonieta Matos
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DIZEM GOSTAR DOS MEUS VERSOS

Dizem gostar dos meus versos
Penso ser pra m’ agradar
Porque ao lê-los na dor imersos
Muitas vezes fico a chorar

Falo o que vejo e o que sinto
E em mágoas ando perdida
No enredo d’ um labirinto
Onde a saída é proibida

Canto neles o que vai n’alma
As injustiças do mundo inteiro
Todo o podre que ninguém fala

Canto o sonho, o amor, a natureza
Revivo o meu beijo primeiro
E o coração exalta essa nobreza

12-11-2019 Maria Antonieta Matos
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O POETA

O poeta não tem dia,
Para ordenar ao pensamento,
Que apreciada poesia,
Desponte a cada momento.

O poeta de olhos fechados,
Há noite quando se deita,
Tem o cérebro revirado
Com tanta ideia escorreita.

Se não se levanta e escreve,
Tudo aquilo que criou,
O sono voa tão leve,
Que sem querer tudo enjeitou.

O poeta vive o sonho,
Sente a dor e a injustiça,
Almeja um mundo risonho,
Livre de agir, sem cobiça.

O poeta é clave de melodia,
Cobre as palavras de sentimentos,
Remexe e sente o dia-a-dia,
De olhos e ouvidos atentos.

O poeta contempla as coisas,
Tão perto da emoção,
Que as multiplica e ousa,
Na mais bela criação.

Fantasia uma pedra,
Ou uma flor encarquilhada,
Um temporal que descerra,
Numa serra arborizada.

Vive a tristeza e a alegria,
O amor e o desamor,
Faz nascer com ousadia,
O poema que faz clamor.

11-10-2016 Maria Antonieta Matos
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FUI À FONTE BEBER ÁGUA

Fui à fonte beber água,
Unimos as nossas bocas,
Abalou a minha mágoa,
Que de sede estava louca.

A fonte não se esgotou,
E voltei a ter loucura,
Da minha boca ter sede,
Da tua, que mata a secura.

Não sacio a minha boca,
Receio que a fonte s’ esgote,
E a nascente já não volte.

Com este tempo de seca,
E o calor tão resistente,
Não há fonte que s’ aguente.

Maria Antonieta Matos 23/09/2016
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CORAÇÃO EMPEDERNIDO

Coração empedernido
Baralhado cheio de rancor
Que faz coisas sem sentido
Demente vazio de amor

Agosto 2016 Maria Antonieta Matos
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CORAÇÃO INCONTROLADO

Quão coração incontrolado
Sem gerir os sentimentos
Vive à margem perturbado
Esmagando dias… momentos

Ah! Força que tudo meneias
Quando existe um abrir d’alma
Que nada, t’ impede e receias
Com amor, carinho e calma

É tão grande a emoção
A caber dentro do peito
Que festejo onde me deito

Inteira… abrasada de paixão
Combinado amor-perfeito
Coração clama refeito

25-08-2016 Maria Antonieta Matos
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CORAÇÃO NÃO SE CONTROLA

Coração não se controla,
Sabe lá por que razão,
De repente mata esfola,
Provocando a confusão.

Ah! Se te pudesse acalmar,
Nesse instante tão severo,
Baterias ao meu ritmo,
A dizer… tanto que te quero!

E se mais… ainda dissesse,
Um arrepio teria,
Amava-te como quisesse,
Estando os dois, em sintonia!

18/09/2016 Maria Antonieta Matos
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Comentários (2)

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namastibet
namastibet
2017-10-23

obrigado por me ler

Val
Val
2014-09-22

Gostei , escreves bem :)