Lista de Poemas
SOLIDÃO
SOLIDÃO anda sozinha
Sem vivalma andar por perto
Nem sombra se avizinha
Como parecendo um deserto
SOLIDÃO não tem amigo
Vive longe de um olhar
Como se estivesse de castigo
Não se querendo libertar
O silêncio e a SOLIDÃO
Juntos formam um par
Andam sempre de braço dado
No escuro gostam de estar
Ouvindo o barulho do mar
E a ideia tão longínqua
Sente-se o espírito a relaxar
E a SOLIDÃO é profícua
Abstraída do mundo
Mesmo no meio da multidão
SOLIDÃO é sobretudo
Liberdade por opção
Às vezes perde-se da vida
Por ser rebelde e cruel
Na SOLIDÃO fica protegida
Sua amiga mais fiel
Também pode ser agradável
A SOLIDÃO por companhia
Tornando-se aconselhável
Mudar sempre de moradia
Quando se quer inspiração
Para as ideias nascerem
Refugiando-se na SOLIDÃO
Virá as palavras tecerem
Para não sentir SOLIDÃO
Na idade da velhice
Invente do que tem à mão
Viva a vida sem chatice
Se houver mais a dizer
Estou aqui para ouvir
E se quiser contradizer
Não se prive para intervir
30-10-2012 Maria Antonieta Matos
CARÁTER
Vincado na personalidade
O carácter é temperamento
Demonstrado pelo sentir
Comandado pelo pensamento
E pela forma de agir
A importância do que se pensa
Sobre tudo o que se faz
Na fisionomia e na ética
O carácter é o seu cartaz
No poder se atesta o carácter
Bastante difícil de perceber
Só mostra a face no perder
Jogando o que for para tudo ter
Com conduta indestrutível
Baseada na virtude e na moral
Em cada dia irreversível
Não faz diferente no que é igual
O carácter tem grande valor
Na definição de cada ser
Do coração e do interior
Todos se dão a conhecer
Exteriorizar as emoções
respeitando seja quem for
Fazer do carácter a marca
Que mais demonstre rigor
17-08-2013 Maria Antonieta Matos
A LEITURA
Em cada dia que leio
Alimento o meu saber
É assim que eu premeio
A instrução que vou ter
Um dia estou motivada
Tudo consigo aprender
Outro, não aprendo nada
Pareço desaprender
Assim com pequeno passo
Um para trás dois para frente
Aprendo neste compasso
A leitura me fará
diferente
Maria Antonieta Matos 29-08-2012
MENDIGO
Desgrenhado, corres as ruas da cidade
Todos te rejeitam pelo ar de podridão
Enquanto há quem te roube, na impunidade
Vão camuflados e fingidores te dar a mão
Sofres no silêncio, tuas lágrimas, engoles
Empedernido, ao relento disfarças que dormes
Lençóis de calor e vento, com que te cobres
Calando as dores por pensamentos nobres
Humilhas-te pedindo na serenidade
Questionas os dias se tens para comer
Se te olham nos olhos com olhos de ver
Precisas um pouco de carinho e dignidade
Um sorriso, um gesto, uma mão amiga
Proteção de quem pode, que a pedir te obriga
15-07-2013 Maria Antonieta Matos
SILÊNCIO
Mudo, sem um sequer pensamento
Nem ruído por companhia
Tombado num sono lento
Sem qualquer arritmia
Há silêncio que dá medo
Quando não há comunicação
Porque mais tarde ou mais cedo
Pode resultar na decepção
Quanta pessoa está caída
No silêncio por opção
Porque a voz não é fluída
E pode causar impressão
Na calada do escuro da noite
Nem vivalma se augura
Por medo não há quem se afoite
Enquanto o silêncio perdura
O silêncio é oração
É música para os ouvidos
É querer estar em comunhão
Com os seus próprios sentidos
Sentir a forma tão terna
Do silêncio de um olhar
Que mudo diz coisas tão belas
Impossível não amar
O silêncio reacende
A busca de conhecimento
A escrita dele depende
Deste precioso momento
Às vezes quero respostas
O silêncio não me ouve
Até me vira as costas
Por não querer que o estorve
27-10-2012 Maria Antonieta Matos
A TEIA
Escondes-me em caminhos curvilíneos, com pedras e bicos,
turbulentos, movediços, escorregadios com buracos e picos,
com torrões, confusões, labirintos…
E vens convencer-me a passar por aí
E eu, cega… enfeitiçada na tua lábia … por aí…caí
Queres decidir o meu destino, falas-me de mansinho,
Estrelado de promessas… e eu no triste fado, tropeço sem ti
Ah! Quantas falsas histórias, inventadas, forjadas
Com falas entoadas me veem cativar?
Que tarde do mau sonho eu consigo acordar
Mas aí, estou arruinada, acabada,
alucinada, caída na podridão… e de ti só recebo humilhação
Compras-me com ofertas, para saciares teus desejos,
cúmplices de pejos, para me deslumbrar, e eu que não vejo….!
Só consigo ver… o que posso ganhar… o meu bem-estar!
Delicias-me com muitos sorrisos, afagos atrevidos, ousadias,
Depois quando me dou … tu me atrofias
Vens cheio de maldade, falsidade, habilidade, que desculpo!
Por ânsia deste VÍCIO que me tortura a mente….!
Sou alma penada, caída prostrada sem vida sem nada
Sou troça da gente, que se diz decente, sou perigo eminente
Vivo à margem da incompreensão, sou fraca de expressão
Não oiço ninguém e maltrato quem me quer bem
Teias da vida, enleios que me vejo metida, sem guarida, ferida
Na má sorte prometida, mal escolhida, sem que me deixe uma alternativa
Maria Antonieta Matos, 31-03-2014
In NPE " Eternamente Poeta"
ÉVORA
Linda cidade alentejana
Cheia de história e cultura
Situada em zona plana
Suas casas, uma brancura
No século doze nasceu
Tem o Templo de Diana
Praça do Geraldo o apogeu
Linda cidade Alentejana
Muito tem para apreciar
Nesta cidade sem igual
Monumentos, para visitar
Boa cozinha tradicional
Tem ruas, vielas, portais
Descendo a díspar calçada
Mostra azinheiras e olivais
Brilha o sol à alvorada
Mar de campo florido
Anda o gado a navegar
No mais belo colorido
Sobre manto azul do ar
Descobre vinhas e montes
O aqueduto da água de prata
Os chafarizes e fontes
E o jardim com sua mata
Muito apreciados os vinhos
O queijo e a azeitona
Os enchidos e petisquinhos
E a açorda alentejana
O ensopado de borrego
Sopa de tomate e de cação
As gentes com seu apego
Aquecem-lhe seu coração
Sopa da panela ou migas
Carne de porco à alentejana
Há bons sabores e boas vistas
Nesta cidade romana
O gaspacho no calor tórrido
Tem perfume e vai refrescar
O sabor não será esquecido
Com o alentejano a cantar
O doce conventual
Permanecer na memória
Como um mundo espiritual
Revolvendo anos na história
17-02-2013
Maria Antonieta Matos
Comentários (2)
obrigado por me ler
Gostei , escreves bem :)
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão" - Delírios de Outono" "Poesia na Escola" Verso & Prosa
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