Lista de Poemas
Alma e lírica …

A alma lírica dá passadas vastas como sínteses,
Que é feito do mundo, porque breve meu olhar é
E antes que esqueça envelhecida a voz e o senso
Que se perde como se fosse pele do céu, eu víbora
A alma lírica de partida que se pensa num auge,
Embora eu mal seja réptil corvo, outro a sonhar
A própria voz em homenagem a quem não serei,
Vasto como síntese porque o nada é impossível,
Nem os sei descrever, distrai-me do que é viver
Passadas curtas ou caminhar a par doutros seres
Que não conheço, de cabelo mais vasto que o meu,
Incómodo o meu desejo de no infinito haver fim
E saber do que é feito tudo, havendo céu por-de-meio,
Ou então por-de-baixo um mundo que-se-não sabe,
Templo Ilusório, alma lírica, extracto de tristeza,
Loucura sem perdão, sou somente homilia, sentindo
Que sou nem quem, mas quem nem pareço, ausência
Sem remédio e antes que o vento vença o cerro, antes
D'antes mesmo da cigarra e as semelhanças morrerão
comigo, anatómicas, como acontece a quem enlouquece
Triste por a última vida ter sido gasta num ápice,
Porém fiz ao sonhar triste aparência de tão pouco,
De facto o que sou, quando exilo de-dentro de mim
O ruído de todo o mundo e mais o outro todo ...
Joel matos ((02/2017)
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o Outro
Na parede d'alguém
Escrevi, - eu existo -
Na parede da frente
Alguém mais baixo,escreveu:
-"Embora Zé, sem visto
Eu ninguém sou, nem
Aqui nem lá donde
Vim e prond'me vou,
Nem o Cristo me visita,
Ou o outro indiferente,
Ostentando o crucifixo
Torto"
Jorge santos (02/2017)
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Fim de sessão …

Torno sem palavras, dos turnos
Que as alvoradas fazendo vão, sulcos
Nos meus olhos vãos,embora
Não digam nada as mãos me falam
Sem entusiasmo do tempo longe
A vida que vivo de tarde substitui
A que vã tive ind'agora manhã cedo
Daqui a pouco acabo as palavras
Então não sei mais ser,trono não tenho
Ceptro ou manto de monarca do Tempo
Sulcos nos meus olhos se vêm
Só eu vejo o coração, casa fria, triste
Sem palavras em torno, torno
Sem palavras, fim de sessão ...
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Joel Matos (04/2017)
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Gostei de preencher de sonhos, instantes

Gostei de encher de sonhos pequenas nações
E o que atrás eram pombas dormindo apenas,
Deixei um tear de instantes, paixões do que entre
Mim e elas há ou houve e nos pacifica de veludo,
Gostei de encher de sonhos os que conheço,
Indivíduos que lembram sem querer, pombos.
Imito as próprias vozes deles todos a falar,
Depois talvez eu endoideça, há um sexto sentido
Que me diz não serem pombas dormindo em
Camas de veludo, mutantes doutros mundos
Que não este de pequenas nações, calmas pombas,
Pensar eu que tudo é assim, espécie de sonho
Enchendo sonhos e outras nações pequenas,
Imaginações e paisagens suspensas, suspeitas,
Mar que seja de penas, tear d'aves feitas,
Nem sei do que estou falando, veludo e dia.
Jorge Santos (04/2017)
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O sabor da terra …

sabor da terra ...
O sabor da terra é parecido ao da água,
A acrescentar os meus sentidos a chuva
Que cai e molha, não importa de que mar
Distante ela é, de que mundo que não vejo
Mas sinto cheiro de terra molhada e cerro
Os olhos pra que não fuja por eles o desejo,
O prazer do odor que nunca foi meu, mas inunda
O meu sossego e leva-me pela mão,
Longe da terra não existo nem soa real
O sonho que tento viver, imerso no verde
A pastar gado na bruma, indistinto é o serro,
Ermo o pensamento meu, quando escuto
É apenas o meu coração batendo ou não,
O sabor da terra é parecido com o a água,
O que eu não esperava é a própria imitação
De silêncio com que chuva cai no meu rosto,
Como se conhecesse meus inúteis segredos,
Ou sabendo da ausência de ruído no meu peito
Real ou faso. Ausente abaixo dum céu
Que lembra o que pra lá dele há, pressinto outro céu,
O meu ...
Joel Matos (03/2017)
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Ler é sonhar sonhos doutros …

Ler é sonhar o sonho dum outro,
Ler é sonhar o sonho doutro,
Invejo quem que não sonha
Simplesmente o sonho dele,
Pois não sei se se reproduz
Um sonho sonhado por mim nele,
Eu nunca sonharei sonhos
Doutros, não me cabem
Nem jamais saberia como
Caber neles à noitinha,
Rejeito o sonhar alheio, se leio
O que me faz é não dormir,
Assisto desperto ao ritual
Que os sonhos tecem na mente,
Assim como o pêndulo,
Que regula o tempo que se vai
E a mim me aborrece,
Aborrecem-me sonhos sem de mim
Serem e ler não é sonhar,
É pensar que se sonha um sonho
Destinado a ser coisa outra,
Ler é sonhar um sonho morto,
Sonhar é tão claro que separa
Do real o que não sendo assumo.
Falso o sonhar que não sou eu
A ter, sonho sonhado em primeiro
Não em segundo ou terceiro,
Defino os meus sonhos pela
Novidade e estranheza não pelo
Conteúdo que se explica,
Mas por nada terem a dizer
Ao outro, ler é sonhar um sonho
Parado adormecido e porque se
Folheia ao de leve, não sofro
Com ele, ignoro-o, só isso
É não ler ...
Jorge Santos (03/2017)
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Diário dos imperfeitos

Diário dos imperfeitos
Às vezes preciso tanto de saber
Porque ponho todas as minhas
esperanças nas rosas e ignoro
os malquereres, fazem-me lembrar
O aroma perdido da natureza, a seiva
O desejo de não saber o que quero,
Qual dos caminhos tomo, o coração
Ou o cérebro que não vê, nem tem
Dor odor, imagino milhares na minha
Campa quando não puder mais ver
Nem saber sequer quem as pôs, não
Preciso estar indeciso no que preenche
A divisão da minha alma nem agora,
Nem para sempre, digo quem me dera
Ter a esperança que tinha, líquida
Quanto no parque infantil e criança
Depois demiti-me de ser da terra
Pedaço chão, pedra e encarnei do poeta
O ofício de sonhar um mundo completo
E novo e é nele que ponho esperanças
E dele cuido, como se fosse jardim meu
E todo mundo, mesmo neste imperfeito
Tempo,às vezes preciso mesmo é de
Tempo e de ânimo onde deposite este
Sonho que fiz meu, este é o meu ofício ...
Jorge Santos (02/2017)
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👁️ 698
Pois que eu desapareça

Pois que eu desapareça.
Anseiam por noticias da minha morte,
Dou-vos o estéril, devo-vos a dor
Que não me vem, não a tenho real,
Essa não, o real é sal e eu só sou um tal,
Anseiam por notícia da minha morte,
Pois que guardem a vida vossa a sete,
Oito trancas, pois eu não morri no começo,
Nem morrerei no final do acto, só depois,
Esta minha alma fria é aço e não chora
Com o nascer do dia, nem morre agora
Com o ultimo bocado do sol, pra morrer á
É preciso somente parar de sonhar
E eu não paro, canto até me deixar dormir
Ou quando não tiver mais remédio,
Como outros estéreis, ou vontade de viver,
Que a tenho de real e imensa,
Anseiam por noticias da minha morte,
Dou-vos a agonia minha em prosa
E o sal provém desta lágrima que teima
Em não parar, é realmente água falsa
E flui, fluirá depois que eu desapareça...
Jorge Santos (04/2017)
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A onze graus da esperança toda

Faltam sonhos
Nas casas da esperança,
Voltam calmos quando
Deles se fala pra dentro,
A outra fase do silencio,
É a lembrança partida,
Que destes tenho e dessa sobrevivo
Instante a instante,
Momento a momento,
Quando os sonhos voltam aos anjos,
A casa dos sonhos é ao fundo,
Na estrada
Para Entepfuhl,
A onze graus North-West
De toda a esperança e que me levará
Até ao fim do mundo ...
Jorge santos (02/2017)
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M’inunda o mar na terra …

Me inunda o mar na terra
Me inunda o mar na terra por já velha
Salvo onde subo pra ser visto, esta vista...
Uma vida qualquer parada semelhante
Ao sonhar dentro do útero da terra mãe
Um outro Universo, luas no pensamento
Me inunda o mar mas tendo coração
Tudo em mim é ser coberto de manso dia
Nesta Terra que é velha e arrefece dia
A dia salvo onde subo pra ser visto,
Desperto noutro universo ou neste
Onde há fim, o fim que há em mim
Desde que me reconheço órfão da serra
Mãe se é que há vida em mim também
Até nem sei se tenho rosto de gente
Mas até onde o mar alaga a pele, sei...
Sei que subo para ter visão única
Do que está no cimo e tantas vezes imagino
Como sendo meu coração de baleia, a última
Que se banha no oceano que trago no que me
Lembra e fiz ser meu peito - flor de Liz-
Me inunda o mar na terra e o meu sonho
É partir pra mar aberto com a cheia, ela
Simboliza tudo o que a paisagem tem de milhas
Em redor embalando meus olhos e corpo
Ao som das ondas a partir mansas, feridas da areia...
Joel Matos (03/2017)
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Comentários (4)
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nilza_azzi
2019-08-22
É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
namastibet
2019-01-09
obrigado a todos que me leram
ricardoc
2018-04-23
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
131992
2017-10-26
muito intenso seus poemas, adorei.