Lista de Poemas
Ler é sonhar sonhos doutros …

Ler é sonhar o sonho dum outro,
Ler é sonhar o sonho doutro,
Invejo quem que não sonha
Simplesmente o sonho dele,
Pois não sei se se reproduz
Um sonho sonhado por mim nele,
Eu nunca sonharei sonhos
Doutros, não me cabem
Nem jamais saberia como
Caber neles à noitinha,
Rejeito o sonhar alheio, se leio
O que me faz é não dormir,
Assisto desperto ao ritual
Que os sonhos tecem na mente,
Assim como o pêndulo,
Que regula o tempo que se vai
E a mim me aborrece,
Aborrecem-me sonhos sem de mim
Serem e ler não é sonhar,
É pensar que se sonha um sonho
Destinado a ser coisa outra,
Ler é sonhar um sonho morto,
Sonhar é tão claro que separa
Do real o que não sendo assumo.
Falso o sonhar que não sou eu
A ter, sonho sonhado em primeiro
Não em segundo ou terceiro,
Defino os meus sonhos pela
Novidade e estranheza não pelo
Conteúdo que se explica,
Mas por nada terem a dizer
Ao outro, ler é sonhar um sonho
Parado adormecido e porque se
Folheia ao de leve, não sofro
Com ele, ignoro-o, só isso
É não ler ...
Jorge Santos (03/2017)
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M’inunda o mar na terra …

Me inunda o mar na terra
Me inunda o mar na terra por já velha
Salvo onde subo pra ser visto, esta vista...
Uma vida qualquer parada semelhante
Ao sonhar dentro do útero da terra mãe
Um outro Universo, luas no pensamento
Me inunda o mar mas tendo coração
Tudo em mim é ser coberto de manso dia
Nesta Terra que é velha e arrefece dia
A dia salvo onde subo pra ser visto,
Desperto noutro universo ou neste
Onde há fim, o fim que há em mim
Desde que me reconheço órfão da serra
Mãe se é que há vida em mim também
Até nem sei se tenho rosto de gente
Mas até onde o mar alaga a pele, sei...
Sei que subo para ter visão única
Do que está no cimo e tantas vezes imagino
Como sendo meu coração de baleia, a última
Que se banha no oceano que trago no que me
Lembra e fiz ser meu peito - flor de Liz-
Me inunda o mar na terra e o meu sonho
É partir pra mar aberto com a cheia, ela
Simboliza tudo o que a paisagem tem de milhas
Em redor embalando meus olhos e corpo
Ao som das ondas a partir mansas, feridas da areia...
Joel Matos (03/2017)
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Bizarro

Bizarro
Uma bizarra noção, a da palavra dita,
Pronuncia-se e acabou, se a escrevo
Se fixa, se vale ou não, depende do
Compositor e não da validade oportuna
E do espécime, mas bizarras, quanto
Mais melhor e belas, as ditas por nós
E os silêncios pelo meio e dentro, graças
À voz, outra noção bizarra, fraca ou grossa,
Dependendo do conjunto, corpo e alma
E a faculdade de ouvir, a crença, se de noite
Quando sente ou nota o coração mais,
Se dia, dita perfeita e com fé que haja
Alguém ou algum caminho tal como o meu,
Bizarro, igual a ninguém, apenas a uma
Lembrança que em minha pronuncia há,
Bizarra noção a da palavra escrita,
Magnífica quando nem o entendimento
Entende, quanto mais o coração que
Não soa ao eu poético, mas à razão, bizarra qb
Para ser poesia e ilusão de pertencer a gente
Duma bizarra nação, a da palavra "ditada-
-Por-mim" ...
Joel Matos (02/2017)
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A onze graus da esperança toda

Faltam sonhos
Nas casas da esperança,
Voltam calmos quando
Deles se fala pra dentro,
A outra fase do silencio,
É a lembrança partida,
Que destes tenho e dessa sobrevivo
Instante a instante,
Momento a momento,
Quando os sonhos voltam aos anjos,
A casa dos sonhos é ao fundo,
Na estrada
Para Entepfuhl,
A onze graus North-West
De toda a esperança e que me levará
Até ao fim do mundo ...
Jorge santos (02/2017)
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Sempre que desta falo …

Sempre que desta falo,
Metade é dom do luar, a ilusão,
A outra, humana completa,
A fala, ela com que conto
Como e do que é feito o pensar,
Tal é o caso daqui e agora,
Os sentidos mais são sobra,
Atraiçoam a imaginação,
Como ind'agora ao sonhar
Sonhos múltiplos disto pintados
De fresco e framboesa citrinos,
Todos em tons de laranja,
Omiti infelizmente do luar o tom
Metade e o espírito deste conversa
Não expressa, o que deveras
Sinto na humana metade minha
Que resta, que fala sempre que
Falo e me detesta sempre que
Falo desta na voz que Deuses
M'emprestam e consentem em
Parte, a palavra pequena, pequenina,
Pequenininha, minha ...
Jorge Santos (02/2017)
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Fim de sessão …

Torno sem palavras, dos turnos
Que as alvoradas fazendo vão, sulcos
Nos meus olhos vãos,embora
Não digam nada as mãos me falam
Sem entusiasmo do tempo longe
A vida que vivo de tarde substitui
A que vã tive ind'agora manhã cedo
Daqui a pouco acabo as palavras
Então não sei mais ser,trono não tenho
Ceptro ou manto de monarca do Tempo
Sulcos nos meus olhos se vêm
Só eu vejo o coração, casa fria, triste
Sem palavras em torno, torno
Sem palavras, fim de sessão ...
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Joel Matos (04/2017)
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Em silêncio

Em silêncio as guerras,
Os navios sem velas
E o mar vencido nas guelras
Dos peixes, a tristeza também
De não ter o mar imenso
Na imaginação e escrever
Com ela em guerra,
Como ela em mim,
Em silêncio as guerras
Mas não em mim, as ilhas
Por certo, distancio-me delas
Com silêncios plo'meio,
Meu barco vazio nem tem velas,
Os ruídos são dos nós duros
Dos meus dedos dez,
Na madeira do velame
Navegando em vão,
Em silencio as guerras,
E o trovão que esta alma
Nega ser,
Navio sem vela,
Barca de lenho e eu sem arder,
Quanto mais escritor
Do que azul é, eu sem ouro
Com ele enterrado algures
Como qualquer outra coisa,
O sagrado ou um tesouro,
Desses com brilho de fumo,
Efémero e termo...
Jorge Santos (03/2017)
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Diário dos imperfeitos

Diário dos imperfeitos
Às vezes preciso tanto de saber
Porque ponho todas as minhas
esperanças nas rosas e ignoro
os malquereres, fazem-me lembrar
O aroma perdido da natureza, a seiva
O desejo de não saber o que quero,
Qual dos caminhos tomo, o coração
Ou o cérebro que não vê, nem tem
Dor odor, imagino milhares na minha
Campa quando não puder mais ver
Nem saber sequer quem as pôs, não
Preciso estar indeciso no que preenche
A divisão da minha alma nem agora,
Nem para sempre, digo quem me dera
Ter a esperança que tinha, líquida
Quanto no parque infantil e criança
Depois demiti-me de ser da terra
Pedaço chão, pedra e encarnei do poeta
O ofício de sonhar um mundo completo
E novo e é nele que ponho esperanças
E dele cuido, como se fosse jardim meu
E todo mundo, mesmo neste imperfeito
Tempo,às vezes preciso mesmo é de
Tempo e de ânimo onde deposite este
Sonho que fiz meu, este é o meu ofício ...
Jorge Santos (02/2017)
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Valham-me as palavras boas …

Valham-me as palavras boas,
E tudo que haja a devolver
Seja composto do falar,
Natural tanto como o dia
Ao nascer e a hora que foi,
Valham-me as palavras,
As maduras e as outras
Azuis da cor dos beiços
Que trago neste lugar,
Que pra mim é a alma
E a devolvo porque real
Existe e o falar é vão e
Compósito demais, valham-
-me as palavras e o dever
De pôr o coração à frente
Das costas quando digo:
-Valham-me as palavras
Em tudo que haja a devolver
Por mais pesado ou leves
Tanto quanto folhas mortas,
Cabelos de prata, horas que fui
Real, postiça a ilusão, inútil sou
Eu só, valham-me palavras,
As más...as doces e as boas.
Jorge Santos (04/2017)
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Pois que eu desapareça

Pois que eu desapareça.
Anseiam por noticias da minha morte,
Dou-vos o estéril, devo-vos a dor
Que não me vem, não a tenho real,
Essa não, o real é sal e eu só sou um tal,
Anseiam por notícia da minha morte,
Pois que guardem a vida vossa a sete,
Oito trancas, pois eu não morri no começo,
Nem morrerei no final do acto, só depois,
Esta minha alma fria é aço e não chora
Com o nascer do dia, nem morre agora
Com o ultimo bocado do sol, pra morrer á
É preciso somente parar de sonhar
E eu não paro, canto até me deixar dormir
Ou quando não tiver mais remédio,
Como outros estéreis, ou vontade de viver,
Que a tenho de real e imensa,
Anseiam por noticias da minha morte,
Dou-vos a agonia minha em prosa
E o sal provém desta lágrima que teima
Em não parar, é realmente água falsa
E flui, fluirá depois que eu desapareça...
Jorge Santos (04/2017)
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Comentários (4)
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nilza_azzi
2019-08-22
É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
namastibet
2019-01-09
obrigado a todos que me leram
ricardoc
2018-04-23
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
131992
2017-10-26
muito intenso seus poemas, adorei.
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