Lista de Poemas
Lembra-me dois Unicórnios …

Lembra-te dos Unicórnios ...
Lembras-te dos momentos
Divinos e dos outros tão sós,
Dividíamos o tempo plo que
Somos-criaturas povoadas
Por sonhos, lembras-te da
Entrega e da declaração
Lembras-te que morríamos
D'amor junto ao portão
Lembras-te da sensação
De intimidade consentida
Da sedução em que cada
qual era mariposa e vela
Lembras-te da desmedida
Sensibilidade que da pele
Vinha e era bem-vinda,
Quase com a doçura a mel,
O prazer do toque na curva
Do braço, falávamos do que
Não doía e duma alma a dois
Presa a fio de guita e do que
Somos - criaturas povoadas por
Sonhos reais, lembram-me
Unicórnios do mar...
Joel Matos (01/2018)
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👁️ 615
O meu reino é ser lembrado …

O meu reino é ser lembrado,
O meu reino é mais que profundo
E cobre-se de tantos grãos d'prata
De quanto é feito o mundo
Em pingos de chuva, pântanos ...
O meu reino é puro quanto o espírito
De todos os seres humanos
Tão quanto eu, areais e grão-
-Mestres escondidos em pantanais
Profanos, meu reino é d'ouro
E palha quanto de breu e sem brilho
O meu reino, o meu divino reino
Vai do pensamento à criação,
Pois o existir não é o pensar ser,
Mas o ser lembrado, "O Incriado"
Cobre-me de tantas lembranças
De quantas o mundo meu é gerado
Sem um Deus dourado e de falso
Estuque ou barro mole, podre e pobre,
Bastardo sem nome,
O meu reino é ser lembrado ...
Joel Matos (11/2017)
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👁️ 720
(Do que me vai na alma)
(Do que me vai na alma)
O que me vale no fundo
É nem alma ter, falo novo
Numa linguagem sem futuro,
Tão pobre quanto as flores
Que crescerão na tumba,
Depois de morto qualquer dia,
Todos têm pose, eu quero posar
Um dia onde mora a luz,
Como um rito que em mim sinto,
O que me vale no fundo,
É ter consciência de Zodíaco,
E seguir nos rios como que signos
Onde mora a luz, é nem alma ter,
Ser quando eu quiser
A ultima jornada e à roda nada
Nas voltas que o mundo dá,
Numa viagem sem futuro,
(Do que me vai na alma )
Joel Matos (09/2017)
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👁️ 777
Gosto do silêncios dos Mormon’s …

Se dou as palavras é porque
São feitas dos silêncios meus
Em compósito, nada assaz
Importante, decomposto ...
Gosto dos silêncios fétidos
Mais do que falas caladas
A meio, as palavras têm
Um rosto, o silêncio varia,
É Composto de intenções,
Multidões de ínfimos insectos
Zumbindo, decompondo
Cintilantes a minha visceral
Saliva noutra forma
D'arte e em puro sonho,
Nada sério, sobretudo a
Poesia rítmica dos Mormon's,
Porque do céu chove assim,
Quem dera houvesse chuva dentro
Em mim, chuva sem fim nem
Princípio...
Joel Matos (01/2018)
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👁️ 656
Em lugar primeiro …

(Em lugar primeiro,)
Não quero nada inteiro,
Como uma criança o giz
Ou um brinquedo dado,
Uma completa dor de cabeça,
O sol ou o céu abertos de par-em-par,
A morte certa ou o pão mole por partir,
O encanto do azul-marinho esbatido na praia,
A miragem do deserto em faixas ocre e amarelo,
Inteiro é o doer
Que ninguém deseja,
É o sofrer que convive contigo,
O brinquedo da loja, que queria ter,
O céu e o sol porque são meus
Que os conheço,
Sobre a cabeça ponteiros
Como pensamentos, lanças d'África,
Não quero por espontânea geração
O que sinto e lá não está,
Nem o que trago em trapos rasgados,
Mal cosidos ao peito,
Não quero inteiro nada, nem a vida
Dividida, não quero lugar terceiro,
Não quero nada por inteiro,
Quero todo o erro que eu possa ser,
Em lugar primeiro ...
Joel Matos (01/2018)
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👁️ 698
Nêsperas do meu encanto…

Nespereiras, o meu encanto...
Entendo mal todo o pomar,
Nespereiras do meu encanto,
Folhas pregadas a um tronco,
Firmes, sossegadas, nenhuma
Se destaca, o meu pensar não
Também, fez-me "Soba" o circular
Sono e as folhas tapam o solo
Nu, postiça a sensação de paz,
Remota a glória que me coroa não
E às vespas douradas pretas,
Entendo mal o sacro pomar só,
Faz-me falta o ar liso, a vigília
Morro sem razão concreta, aparente
Ou epidémica, pregado ao tronco,
Decorativo, sossegado, perpétuo
Nespereiras do meu encanto
Que despidas nunca pude admirar
Escuta-as débil o ouvido meu
E é só...
Entendo mal o pomar todo
De perto poderiam representar
Um sentido oculto antigo que
Eu quero sentir, mas não,
Nespereiras do meu encanto,
Folhas pregadas ao tronco
Impedidas de abalar do mundo
Assim eu, humano rude, manco, feio,
Nespereiras do meu encanto,
Nêsperas, o meu canto...
Joel Matos (09/2017)
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👁️ 722
As estradas fora d’alcance …

As estradas fora d'alcance ao Homem,
Eu sou o oposto de tudo que é nítido, sonho déjà-vu,
Que não procura factos verídicos no seu conteúdo,
Desejo e Sonho a sequela do sonho que detesto,
Sou aquele que procura semear em terra alheia
A discórdia por deuses que não tiveram seguidores,
Sou o engaço de mim mesmo, margem de rio-
-Meio. Sinto-me um contabilista ilógico
E contar ouro, não sendo importante,
A bem da verdade não conto, faltam-me números,
E os axiomas que afirmo, meus não são
Mas d'outros, assim como a opinião, pouca
Tenho, creio no que conheço por simpatia,
Mas principalmente se tiver "patine" preta,
E um pouco mais que eu, em altura ao peito,
Flutuo sobre cidades e serras ao jeito de um mago.
Acima delas me inspiro ainda que poucos percebam
O sentido que é imperceptível a olho nu, o buraco
Da agulha e o palheiro, não existiriam fábulas
Sem mim, nem lugar pra Aleister Crowley no cais
Dos Infernos. O paradoxo é um sufismo com 4 vias,
Todas elas escolhas adequadas, explicam a criação
Do bem e do mal, do real e do sonhado, do mistério
Ancestral dos anjos terem asas nas costas e voarem
E os homens pés, meias e botas que prendem ao chão
Cientes das estrelas se acharem eternamente no céu,
Fora d'alcance ao Homem, não às gaivotas do mar
Pra quem as estrelas são estrada e o temporal casa...
Joel Matos (02/2018)
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👁️ 677
Meu cabelo é água e pêlo, sonho é sentir vê-lo…

Meu cabelo é água e pêlo,
Acho-me estranho da ponta do pé à raiz
Do cabelo, dilui-me como água a ignorância
De não percebê-lo a pensar, será que
Estou doente ou dói realmente cada pêlo,
Desperta-me antes que desperte o dia
E antes que comece a ser ou não eu,
Meu cabelo é de água e sonho feito pêlo,
Assim sendo o que penso é infiel à boca,
Fala numa língua estranha que só eu entendo,
A não ser que caia chuva e neve de gelo
No meu rosto demente de actor sem público,
Mostro que sei qualquer coisa útil apoiado
Nos ombros de cegos com real visão de tudo,
Excepto do próprio eu, entre nós um muro
Que apenas cai quando durmo ao relento,
Caindo sou outra pessoa, noutro universo além,
Meu cabelo é água e pêlo, sentirá ele meu pensar
Ou quantas vezes sonhei entre florestas d'almas,
O enigma é minha alma seguir numa direcção
Que ninguém conhece, como uma confissão celeste
Definida plas linhas da mão que são Leste/Oeste,
Apenas "esses e zês" ao acaso a palma da mão toda
E da ponta dos dedos, às raízes do pouco cabelo,
Acho isso tão estranho como vê-lo a brilhar,
No espelho e os destinos por abrir, sonho é o sentir
Numa língua que só eu entendo porque não existo
Nem tenho forma, quando estou de mim fora,
Sou uma soma de tudo quanto posso nem ser,
Meu cabelo é água e pêlo ...
Joel Matos (01/2018)
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👁️ 839
Não saberia que dizer …

Não saberia que dizer se me encontrasse
Com o silêncio "cara-a-cara", frente-a-frente
E a sós com ele, talvez olhasse pra trás
E pedisse que não me abandonasse a última
Frase, a última palavra com sentido que disse
Sem a sentir pronunciar, sem a pesar nos lábios,
Sem a ver distanciar e sentir que vai linda,
Inda mais linda a quem a vê chegar parece,
Do que quem a viu partir pra um lado incerto,
Não saberia que dizer se me encontrasse
Com o silêncio pois ele guarda segredos meus,
Despe-os como eu não sei, nem meu coração
Traidor, assim o silêncio me devora as mãos
Não o peito, cheio de iras e ais, infiel o sinto
Labirinto de enganos, inda mais que o silêncio
Plano, oco por fora e branco por dedentro dele,
Finjo que minha alma é ele sem ser sem a ter,
Que dentro de mim ouve sem falar, que se esconde,
Sem me dar o que preciso pra sentir e dizer e
Falar, deixando-me por contar o que penso a fio
E com gestos inúteis que transformo em sombras,
Ainda que o silêncio me devore as mãos, trago
Flores que não posso explicar ao silêncio vago,
Anódio, infinito, árduo ...
Joel Matos (09/2017)
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👁️ 706
I must believe in spring again …

I must believe in spring again ...
As heras passam, passam
P'lo meu corpo inteiro,
As aves voam, esvoaçam
Sob minhas raízes d'pinheiro,
Ai..se eu fosse marinheiro,
Não mais morreria afogado,
Traria do mar o cheiro frio
D'um beijo d'mar abastado
E das madrugadas d'outras heras,
P'rós cheirar nas searas viradas
P'lo vento, o cheiro a aguaceiros
E na erva brandura próprio delas,
Da seiva não sei, minh'alma é calma
QB e a chuva é lenta também, se arrasta
Nas madrugadas e no trigo casto,
Trago no coração ruim amigo,
Aí os corvos esvoaçam o dia inteiro,
Sob estas minhas raízes enterradas,
Nem sei se chore ou se rio,
Ou qual desses primeiro e a fio,
I must believe in spring again ...
Joel Matos (09/2017)
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Comentários (4)
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nilza_azzi
2019-08-22
É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
namastibet
2019-01-09
obrigado a todos que me leram
ricardoc
2018-04-23
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
131992
2017-10-26
muito intenso seus poemas, adorei.
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