Escritas

Lista de Poemas

Segmentos Derosa







Adicionei à minha colecção,

Da boca as que disse boas
E não digo já, a que valia
Por dois, das ouvidas da rua

jamais quero tê-las na
Mesa, cabeceira da opinião
Generalista como prova
Que não sou louco

De fora pra dentro,
Prefiro as que substituem
Pequenas impressões
Como seja dizer nada

Sendo o que me agrada
No crepúsculo a adição
Do que é grande e fácil
De meter pelo pescoço

Adicionei à minha colecção
Certos segmentos
Sinónimos de bocas sorrindo
Senão flor,caule,

Será isso que estou sentindo
Na boca, as que disse
Boas, normal você não dizer
nada...




Jorge Santos (03/2016)
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👁️ 891

Poeta convicto







Ser poeta é ser convicto,

Cantor da minoria, da desgraça,
Dos humilhados, o poeta
É o que passa sem ser visto,

Achado nem encontrado,
Ser poeta é o sonhar dentro
Doutros os sonhos destes,
Não porque os tenha não

Seus, mas por dever... poeta
Não é o que o quer ser, é o ser
Amaldiçoado plos sentidos
Ao nascer e aos seus, é palha,

É o horror de nascer sentindo
Mais que tudo, mais que todos,
Ser poeta é ser das causas martelo
E cantor e da dor cúmplice

E aliado, é o drama em forma
De credo, a cirrose hepática
Do mendigo, do indigente,
Poeta será sempre causa

De suicídio ou morte,,é paiol,
Salvo o que se não envolve
De chamas, esse nem poeta,
É ruim palha que não arde

Nem deixa arder a gente,
Compor não é só escrever mas
Combustão é, se for poesia
Espontânea e imediata, convicta,

Lata, tinta, spray ou beata acesa
Em noite clandestina e avessa,
Explosão, barricada, revolta,
Ser poeta é ser pavio ...



Joel Matos (04/2016)
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Coração duende ...







Amo-te sem saber como,

Tomo os espinhos por
Rosas em botão e o ocre
Sabor de terra por açafrão,

Cominhos, amo sem saber
Eu como te amar e quanto
O amor é triste ou forte,
Vivo montado num escadote

Pra ser visto com nitidez
Por todos e por ti que me
Lembras a lucidez do campo
A brisa no meu cabelo branco

Amo-te sem saber como
O que conheço é um sentimento
Que ninguém tem tal como
O vento que ninguém conhece

Mas sente, eu sinto que amo
Mas nem sempre nem toda
A gente ou lugar e o céu
Não tem explicação pro que sinto

Sem razão aparente, espinhos
Açafrão e cominhos .rosas em botão
E o ácido da terra quando chove
Nela e em meu coração duende



Jorge Santos (03/2016)
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👁️ 973

Tudo acaba aonde começou...

Tudo acaba aonde começou,

Uma brisa, uma frase, um caminho,

Uma tarde, uma esperança, um voo…

Só não lembro de onde venho


Talvez do mundo do fim de tudo,

Com seus azuis palácios e o que reste

Da canção com que certa mãe embalou…

Tudo acaba onde começou,


Meu coração pairando mudo,

Sem lembrar quem eu sou,

Se das terras do fim do mundo,

Onde tudo começa e aonde ele acabou.


Será que, também surdo eu sou,

Já que da voz de minha mãe,

Nem percebo sequer o recado,

Nem na brisa rosada da tarde,


Que dizem ter a voz que de “Deus vem”.

Se tudo acaba onde começou,

Que se me acabe desde logo a razão

Pois meu absurdo coração, nem caminho,


Nem país tem, é parte sal e fel,

Parte castanho mel como qualquer nação

Onde se misture a dor dos que cá estavam

Com a dos que nem de lá são.


Tudo acaba aonde começou




Jorge Santos (08/2014)

👁️ 943

A hora é do tempo a gorra

Todas as minhas horas são eleitas p’lo uso.
Por me permitirem um usar diferente
Nas horas cujo fato não me serve de refúgio,
Quer me fite ao espelho, de lado ou de frente,

Uso de fato e gravata que serve a quem se chama vazio,
Vago, inexistente e então esse, sou de facto, eu.
O facto é que as horas sendo um axioma de Descartes
Todas as horas minhas, serão viúvas, ou eu; delas órfão.

Nem penso se sou real pra elas, ou se real existo,
Sei por certo descartar Descartes e visto o tempo,
O fato e as luvas como um tal Maquiavel Fausto,
Ou Abias Rei, tendo na casula, ao invés; o cruxifixo,

As minhas horas, feitas são, todas de simples uso,
Porque os sentidos que uso não são medíveis,
Nem medível é o céu, que imagina um cego,
Apenas pelo tato, sendo esse lato teto, o meu lema,

A mesma desilusão sem fim, apesar do uso diferente,
E do tema que colo ao peito, em cada hora…
Não estranho pois, se na minha alma ausente,
Não sobrar atenção, pras honras no balcão desta Terra.

Com as horas, é tarde e decresce a aptidão de viver
Entre gente, como se vivesse por viver, sem nada à frente,
Por ser tarde e a hora não crescesse por dentro da noite
De mim, que tenho a alma fora e a hora é do tempo a gorra.,

não minha...


Jorge Santos (02/2014)


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inda que longe pareça

Inda que pareça por Deuses viciada
Esta tragédia humana que mais valia ser d’Eneias
Opto por alcunhar “d’ópio de gente”
À poção fria dum Chagal injetado nestas veias

Embora em meus olhos brinquem
Gotas parecidas uma à outra às vezes,
Iguais às deles não serão, mal seria…
Eu, simples mortal, chorar como Deuses

Inda qu’abertas na carne p’lo tempo afora
Inda as Ágoras e nem Troia existiam
Estas falsas feridas sem ferida
Doem o mesmo no tempo d’agora

Revolvo a crusta enquanto penso
Tal como pensou aliás, Elias…
Parece gritar-me do túmulo e soa a ele,
Se não for, só podem ser nas praias, as sereias.

Tenho saudade dos ancestrais avós,
Que quebravam custódias e cadeias,
Inda que Héracles me pareça atroz
Alterou em ácido o sangue destas veias,

Inda que de longe pareça,
Aberto ao meu peito o saque do castelo,
Em que Deuses eram gente,
E gentes eram Deuses,

A minha esperança grande,
É que o templo, seja a meias,
Meio cheio desses célebres cultos,
Meio vago pra ter Afroditas,

Heras a se banharam,
Do que, do meu curto peito extravasa,
Por não saber mais conter, tal como sobraram
Deles, tantas mágoas, parecidas às minhas.

E tantas outras, dest’outra gente rasa.


Joel Matos (01/2014)

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Imprevisível

Sinto-me tão transparente
Que nem sei se algum dia
Me tornarei previsível...


Jorge santos (01/2014)
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Estátuas de cal-viva

Estátuas de cal-viva

A palidez excessiva

É o que torna perpétuas

As estátuas de cal-viva

E tristes as madrugadas,

 

O que posso dizer,

Dos donos das heras,

Devorados p’la larva pária,

Da honra de não morrer.

 

-Como querendo não querer-

Assim escrevo…

Por impulso, duvidoso                                                      

Do paradigma que sou,

 

Assumo o meu ser

Inacabado,

Celebro o que falta

Dizer sem dizer,

 

Oxalá o dia

Acabasse manhã cedo,

Para que pare o querer

Libertar-me

Do tributo

Que presto ao pensar,

 

Acordar de novo,

Não sendo servo do que escrevo,

Aonde não houvesse chão,

Num colchão de ar,

(Se de poesia fosse feito)

 

Mas só estou triste

Numa face,

A outra não resiste

À cal e perece,

Consciente, esquecida.

 

 

Jorge Santos (01/2013)

 

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Sonho de lugar nenhum

Enquanto na atenção o respirar ponho,
Houvesse um bater de coração mais genuíno
Que o vento a soprar no cortinado,
Como um diapasão enquanto o respirar sonho:
 -Lado nenhum.

Preciso dele cercano, apontando
Pra mim, como quem diz vai…acredita
Como precisa todo o poeta finado
Qual cerca de extremos sus fraquezas 
Não trago uma lua vera porque me chamo,
Lugar-comum

Não trago uma lua de cera  no bolso,
Nem das penas d’além coberto sou,
Quero almoçar o sol suposto, cru e em jejum,
Sem pressa e acordar desnuado ou nu,
De corpo descalço e em viva chama.

Em pensamento eu penso que serei o resto,
Senão dos pródigos sonhos que semeei. 
Sonhei um prado em extensão entre o brilho do céu
E o ermo do meu peito terreno e no suão vento-

Houvesse um bater de coração mais genuíno.
E  suposto seria ter um pouco do meu…


Joel Matos (01/2014)


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Não me peçam pra escrever .





Não me peçam os mesmos discursos maduros
Se tudo o que mais quero são silêncios
Translúcidos e puros, todavia mais duros
Que insultos e tão suaves, tão sóbrios...
Tão líquidos, quanto sublime e belo
Há, no nascimento excessivo de um dia.
Não trago novidades ao colo, nem arquivos nos olhos,
(porque razão as traria?) nem choro, de lasciva alegria,
Descontente dos sonhos, que em mim s'impregnam
Sem os conseguir ver...
Não me peçam, não me peçam
O sol se o que quero é... só chover.
Jorge Santos (Julho 2013)

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Comentários (4)

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nilza_azzi
nilza_azzi
2019-08-22

É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.

namastibet
namastibet
2019-01-09

obrigado a todos que me leram

ricardoc
ricardoc
2018-04-23

Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.

131992
131992
2017-10-26

muito intenso seus poemas, adorei.