Lista de Poemas
Segmentos Derosa
Adicionei à minha colecção,
Da boca as que disse boas
E não digo já, a que valia
Por dois, das ouvidas da rua
jamais quero tê-las na
Mesa, cabeceira da opinião
Generalista como prova
Que não sou louco
De fora pra dentro,
Prefiro as que substituem
Pequenas impressões
Como seja dizer nada
Sendo o que me agrada
No crepúsculo a adição
Do que é grande e fácil
De meter pelo pescoço
Adicionei à minha colecção
Certos segmentos
Sinónimos de bocas sorrindo
Senão flor,caule,
Será isso que estou sentindo
Na boca, as que disse
Boas, normal você não dizer
nada...
Jorge Santos (03/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com
Poeta convicto

Ser poeta é ser convicto,
Cantor da minoria, da desgraça,
Dos humilhados, o poeta
É o que passa sem ser visto,
Achado nem encontrado,
Ser poeta é o sonhar dentro
Doutros os sonhos destes,
Não porque os tenha não
Seus, mas por dever... poeta
Não é o que o quer ser, é o ser
Amaldiçoado plos sentidos
Ao nascer e aos seus, é palha,
É o horror de nascer sentindo
Mais que tudo, mais que todos,
Ser poeta é ser das causas martelo
E cantor e da dor cúmplice
E aliado, é o drama em forma
De credo, a cirrose hepática
Do mendigo, do indigente,
Poeta será sempre causa
De suicídio ou morte,,é paiol,
Salvo o que se não envolve
De chamas, esse nem poeta,
É ruim palha que não arde
Nem deixa arder a gente,
Compor não é só escrever mas
Combustão é, se for poesia
Espontânea e imediata, convicta,
Lata, tinta, spray ou beata acesa
Em noite clandestina e avessa,
Explosão, barricada, revolta,
Ser poeta é ser pavio ...
Joel Matos (04/2016)
http://joel-matos.blogspot.com
Coração duende ...

Amo-te sem saber como,
Tomo os espinhos por
Rosas em botão e o ocre
Sabor de terra por açafrão,
Cominhos, amo sem saber
Eu como te amar e quanto
O amor é triste ou forte,
Vivo montado num escadote
Pra ser visto com nitidez
Por todos e por ti que me
Lembras a lucidez do campo
A brisa no meu cabelo branco
Amo-te sem saber como
O que conheço é um sentimento
Que ninguém tem tal como
O vento que ninguém conhece
Mas sente, eu sinto que amo
Mas nem sempre nem toda
A gente ou lugar e o céu
Não tem explicação pro que sinto
Sem razão aparente, espinhos
Açafrão e cominhos .rosas em botão
E o ácido da terra quando chove
Nela e em meu coração duende
Jorge Santos (03/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com
Tudo acaba aonde começou...
Tudo acaba aonde começou,
Uma brisa, uma frase, um caminho,
Uma tarde, uma esperança, um voo…
Só não lembro de onde venho
Talvez do mundo do fim de tudo,
Com seus azuis palácios e o que reste
Da canção com que certa mãe embalou…
Tudo acaba onde começou,
Meu coração pairando mudo,
Sem lembrar quem eu sou,
Se das terras do fim do mundo,
Onde tudo começa e aonde ele acabou.
Será que, também surdo eu sou,
Já que da voz de minha mãe,
Nem percebo sequer o recado,
Nem na brisa rosada da tarde,
Que dizem ter a voz que de “Deus vem”.
Se tudo acaba onde começou,
Que se me acabe desde logo a razão
Pois meu absurdo coração, nem caminho,
Nem país tem, é parte sal e fel,
Parte castanho mel como qualquer nação
Onde se misture a dor dos que cá estavam
Com a dos que nem de lá são.
Tudo acaba aonde começou
Jorge Santos (08/2014)
A hora é do tempo a gorra
não minha...
inda que longe pareça
Imprevisível
Que nem sei se algum dia
Me tornarei previsível...
Jorge santos (01/2014)
Estátuas de cal-viva
Estátuas de cal-viva
A
palidez excessiva
É o que
torna perpétuas
As
estátuas de cal-viva
E
tristes as madrugadas,
O que
posso dizer,
Dos
donos das heras,
Devorados
p’la larva pária,
Da
honra de não morrer.
-Como
querendo não querer-
Assim
escrevo…
Por
impulso,
duvidoso
Do
paradigma que sou,
Assumo
o meu ser
Inacabado,
Celebro
o que falta
Dizer
sem dizer,
Oxalá o
dia
Acabasse
manhã cedo,
Para
que pare o querer
Libertar-me
Do
tributo
Que
presto ao pensar,
Acordar
de novo,
Não
sendo servo do que escrevo,
Aonde
não houvesse chão,
Num
colchão de ar,
(Se de
poesia fosse feito)
Mas só
estou triste
Numa
face,
A outra
não resiste
À cal e
perece,
Consciente,
esquecida.
Jorge
Santos (01/2013)
http://joel-matos.blogspot.com
Sonho de lugar nenhum
Houvesse um bater de coração mais genuíno
Que o vento a soprar no cortinado,
Como um diapasão enquanto o respirar sonho:
Preciso dele cercano, apontando
Pra mim, como quem diz vai…acredita
Como precisa todo o poeta finado
Qual cerca de extremos sus fraquezas
Não me peçam pra escrever .

Não me peçam os mesmos discursos maduros
Comentários (4)
É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
obrigado a todos que me leram
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
muito intenso seus poemas, adorei.
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