Lista de Poemas
Alguém...

Teu perfume o vento levou
Numa dádiva de vida
Como alguém que se atreve
A mordiscar todo pedaço de carinho
Onde este amor num abraço
Tentadoramente me prescreves
Na precisão do tempo
Foram curtos os silêncios
Que acariciei
Porém tantas as alegrias
Deixadas em detalhes
Que só meu sentimento
De vícios e desejos
Nestes versos renovei
O elo do tempo
Serpenteia agora
Cada promessa alimentando
Nossas vontades tão sequiosas
Ofuscando até a etérea luz
Que rompe pela fresta da
Vida mais graciosa
Deixaste transbordar tua
Presença em mim
Como alguém que vivifica
Cada olhar íntimo
Tecendo com carinho a
Ferlilizada palavra meiga
Que hoje te ofereço
Sem parcimónia e com ela
Bem devagarinho me embebedo
E abasteço
Frederico de Castro
Tantos dias

Percorri tantos dias
esqueci-me de acertar
o tempo vagando
ontem, hoje ou amanhã
Elucidei a existência onde
vivo dia a dia errôneo
memorizando os silêncios
indecisos alimentando
cada detalhe do meu quotidiano
que escapa engolido na voracidade
deste instante ilusório
acampado aqui sedutor
invadindo toda a cumplicidade
recriada no tempo redentor
Procurei por ontem
à margem do que
não existe mais
Descortinei todas as
revelações deixadas
neste poema estacionado
num particípio passado
onde imprimo meus versos
expulsados,expressados
compassados,dispersados
num trago de beijos impregnando
nossos seres agora tão acossadas
Tantos dias...tantas horas
e o tempo que cessa
paira agora no ventre
de um eco cantando
todas as palavras incógnitas
que deixo ruminando atónitas
Ao reencontrar-me nas esquinas
desta vida
refino minha razão exactamente
aperfeiçoando cada rima irrelevante
onde ostento a paisagem da vida
se reproduzindo atentamente
Tanto tempo...tantos dias
sem saber...na expectativa
exalando-te definitivamente
Frederico de Castro
Pra ser amor...

Pra ser amor
tinha que deliciar-te
aliciar-te sem apelo
nem agravo
Tinha que atropelar teus
silêncios
enclausurar cada eco
fluíndo do teu ser
...e ser não mais a distância
onde mergulhamos nossas existências
subitamente
mas a presença trazida num souvenir
perfumando a vida unilateralmente
Pra ser amor
desembargamos alma
que se prosta carente
Regávamos a sede dos
nossos desejos
com beijos bailando em
cada ditongo aromatizando
vertiginosamente a gargalhada
onde tentadoramente
nos esboçamos
seduzidos
infinitos....explicitamente
Pra ser amor
tínhamos que agitar a noite
vagando no timbre da tua
graciosidade
tínhamos que parir mais
que palavras sedutoras
represar nossos abraços
sintonizados numa carícia
habitando pra sempre
em nós...frenética e tentadora
Pra ser amor
mais que nós dois
tinha que haver um verbo conciliador
um sentir quase predador
transbordando num cálice
de alegria onde te bebo
avassalador
Pra ser amor
tinha que te desbravar
perscrutador
regar-te com guloseimas
de versos tão pecadores
contentar minh'alma onde
em ti me axilo pra
sempre reconciliador
Frederico de Castro
Versos sem destino

Inventei fantasias
imaginei existências
calcorreei motivações
despertei outras conivências
gerei pensamentos bravios
retidos na penumbra da noite
saltitando em convergências
consumindo-me no pavio suave
das tuas perfumadas essências
O mundo esqueceu-se de todos
estes desassossegos
povoando o site das minhas
memórias
onde se trajam as profecias
onde se almeja mais fé
onde se ajoelha esta oração
exposta numa carícia tão
premente em feliz penitência
Agora sou refém dos mesmos
silêncios caminhando a
esmo pelos dias finais
onde tateio um verso sem destino
provocando-te ao ao raiar do tempo
sinuosamente clandestino
Agora a cada hora milimétrica
balançando nos ponteiros desta
frágil existência
adormeço os pensamentos
em desatino
pulando pelos vazios da saudade
onde éramos
versos apaixonados
carícias desesperadas
beijos indiscriminados
Leva-me nos teus sonhos
daqui até além onde
eu tenha todas as chances
de reencontrar-te
quase inevitável transitando
pelo horizonte do tempo onde
costuramos premeditadamente
um naipe de sabores degustados num abraço
deixado estendido...soterrando-nos
de amor assim tão prematuramente
Frederico de Castro
Degrau a degrau

Fossem meus olhos bordar a luz nos imensos céus
onde pairam os silêncios teus e então trocaria
de vez o sentido impaciente com que descrevo
nossa entrega sem indiferenças nem contemplações
ao eco das plenas recompensas e sublimes ilusões
Que me ornamentes as palavras tecidas na súbita
poesia abençoada na penumbra dos nossos ternos
e saudosos brados alimentando degrau a degrau
o breve sonho deixado no rodapé do tempo
abandonado neste insano poema escapulindo
no silenciar de um verso acordando sedento
Assim te estendo meu estuário poético onde tudo é aventura
e transita vagarosamente à beira dos nossos rios
como sonhos que se desintegram impressos em cada átomo
de vida avassaladora em cada existência demolidora
onde traduzimos em delicadezas a graça comovida
sorrindo em infinita beleza assim comprometida
Fossem meus olhos olhar-te num instinto de inspiração
e desenharia teus infinitos meteóricos movimentos celestiais
alcatifando a soleira do tempo onde cada afago
domestica os movimentos sensoriais da vida elegante
brotando tão crucial
Fossem os céus os prados memorizados desta madruga
extravagante
onde nos fazemos convertidos e flagrantes
e não mais morreria consumido no sopro da esperança
mas duraria na vulgaridade do tempo estonteante toda
a eternidade expectante excitada pela arquitectura da
sabedoria desabrochando acalentadora e delirante
Frederico de Castro
Película de vida

Teu olhar, descortinando
meu poema sedento
num cerimonial brejeiro
acaricia o pomar de beijos
plantado na noite engolida
pela tua
insuportável ausência
que o destino alimenta
pacifica e obedientemente
cinzela
...e nós por fim
deixamos como indulgência
nossas sonhos vulneráveis
deglutidos num feliz açoite por clemência
Todo o prazer nasce-me
em películas de vida perfumadas
em silêncios arrebatados
quando apetecívelmente nos
embrenhamos pacíficos
confundindo nossos seres
amando loucamente
ostensivos
aceitando morrer sacrificados
infestados pela bondade
redentora onde nos embebedamos
unilateralmente recíprocos
solenemente leais
alimentando o amor agora
literalmente inequívoco e serviçal
Frederico de Castro
Metamorfose da noite

De olhos arregalados rolou ladeira abaixo
a tristeza desencantada cerrando as pálpebras
à noite que chega deambulando desleixada
no tráfego desta vida em metamorfoses
de solidão se esgueirando esfomeada
O que trago no vazio da alma
ficou revogado num estilhaço de silêncios
onde pernoito sem mais interregnos
vestindo o tempo de cambraia
enfeitando a luz da manhã que se despe
pra nós tão intima e dissimulada
A vida percorre todas as correntes de tempo
arrumando-se esquiva na partitura desta poesia
onde disfarço minhas tristezas em páginas
fustigadas de recordações alimentando
outras ilusões quando faço a autópsia à
alma desabrochando a cada momento
Valeu teu distraído sorriso enamorado
aparecendo ao raiar do dia
sentindo-te qual gemido em renascimento
olhando-te toda
desenhando um breve
fragmento de poesia onde condimentamos
todas as invasões deste silêncio
em romaria
bebendo-nos em extâses de carinho
num alfabeto de beijos moldados
na tapeçaria do amor flamejando
insanamente
por cada porção do teu ser que
desfruto inevitavelmente
Frederico de Castro
Essa estranha loucura

Num momento da feliz existência
observo as coisas belas e simples
audazes...em convergência
deglutindo de mansinho um tão delicado
beijo pousando em desalinho
na fímbria dos teus lábios
me furtando de desejos revividos
com tanto jeitinho
- Essa estranha loucura
atrela-se à alma onde distendo
em meada um rol de versos
repintados no teu semblante
repleto de ternura entre
nossos entes em sintonia quase
vorazmente de desejos se acometendo
- Essa estranha loucura reflete-se
numa doce paisagem onde pincelo
teu ser
deixando tatuado um gesto impregnado
de silêncio repintando cada pegada
que um gracejo quase demente
expõe em delírios mitigados
de amor aconchegados cordialmente
- Provoca-me toda literalmente
lambuza-me os céus actuais onde
pernoito em ti incondicionalmente
Desperta como borboleta
em metamorfoses de loucura
onde me diluo precocemente
- Encanta-me com cumplicidades loucas
pra que viva consentindo-te infusa
em mim
bebericando-nos até cair a máscara
do dia
e a noite se embrenhe ululante
na acústica de um cântico regado
de emoções tão galantes
- Invade-me os versos que deixei
cabisbaixos
à mercê de palavras esquecidas
e tão vacilantes
Emerge nos meus rios pra te
afogar nas minhas vagas ondas
jorrando um sopro de silêncios
acantonados aos teus olhos
que se despem ofegantes em
coreografias celestiais
perfumando gota a gota
o infinito salivar refém dos teus
beijos despertando tão factuais
Frederico de Castro
Ébano
Agora não mais necessito da noite
para que brilhes qual ébano entre o
sol dos meus dias sombrios
Tenho conectado em nós um raio de luz
que transparece num eco conivente
reflectindo todos os delírios passeando
pelas artérias do mundo quase indigente
- Vou citar-te num verso mítico
sem mordaças
nem instintos selvagens
Apenas seguirei
divagando pela arquitectura
de um verbo distinto
onde viajo em cada momento
deixando esporadicamente
no toque da alquimia
um beijo
agrilhoado ao sigilo complacente
tão singelo e rarefeito
- Será teu ser por
fim meu cais de abrigo
celebrando todos os segredos
que deixei em acta
apalavrando um cântico
numa cascata de sons boémios
uivando contagiados pelo semblante
étnico de todos os desejos mais delirantes
- O que agora me delicia são
as citações férteis das nossas
emoções
onde idealizo a aurora do tempo
vasculhando cada centímetro das
minhas divagações arrastando-nos
neste tridimensional foco de luz
se desnudando em repletos silêncios
de afectos
e lamentos
reféns numa hora despertando tímida
ao som de uma existência
colorindo o quintal dos meus desalentos
- Na encruzilhadas de tantos caminhos
é hora de dar ignição ao tempo e fugir
fugir pra junto da docilidade de um carinho
Desfiar todos os laços onde inseminamos
a vida repleta de poemas decifrados
no anonimado
explodindo em nós miscigenados
- Na aura de qualquer silêncio
depus uma coroa de beijos
inundando todo o dicionário de
palavras lambendo o decote de
um sorriso grávido de desejos
O teu nome rima com gracejos
o olhar penetra-me de lampejos
alojando-se à solidão que sangra
aconchegada ao folguedo
juvenil
ébrio e redimido num poema
derradeiro
fertilizando um sorriso impresso
neste cativeiro
Frederico de Castro
Arquivo dos afectos

Hoje acordo indagando o dia
saciando-me num gomo de luz
que a madruga rouba aos afagos
que busco em ti
quase em vícios que a sedução do silêncio
prostrado
desfragmenta num acesso inquieto
ao relantin...assim como que arquivando
todos os beijos que deixaste
fotografado nos meus afectos
- Sei como é dificil escrever
uma ausência
ou a existência escorregadia
de tantas ilusões
Fartar-me de poesia até
que todos os gerúndios me abasteçam
o vocabulário
amando
rindo
mirando o tempo onde me encerro
salvando todo o alfabeto de palavras
num pretérito mais que perfeito
assim como um eco ferindo a noite
selando-nos de mansinho
- Há que refazer os sonhos
bebendo todas as saudades
em tons suaves pela tela da vida
matizando teu ser que adivinho
pulsando neste coração em tudo
convergindo
assim que desabrocha meu verso
correndo
correndo pra te esquadrinhar
em cada momento nesta onda
de silêncios agora remanescendo
- Com o passar do tempo
ergui a alma feliz
fecunda
parindo qualquer meiguice
que me deixaste no sótão
das minhas saudades qual artíficie
- Recobrei os sentidos inundando
todo o dicionário com as mais belas estrofes
explodindo num poema quase perfeito
aberto ao decote desnudo desta vida
onde alojamos nossos
seres bolinando trajados de amor
confesso...de todo insuspeito
Frederico de Castro