Metamorfose da noite

De olhos arregalados rolou ladeira abaixo
a tristeza desencantada cerrando as pálpebras
à noite que chega deambulando desleixada
no tráfego desta vida em metamorfoses
de solidão se esgueirando esfomeada
O que trago no vazio da alma
ficou revogado num estilhaço de silêncios
onde pernoito sem mais interregnos
vestindo o tempo de cambraia
enfeitando a luz da manhã que se despe
pra nós tão intima e dissimulada
A vida percorre todas as correntes de tempo
arrumando-se esquiva na partitura desta poesia
onde disfarço minhas tristezas em páginas
fustigadas de recordações alimentando
outras ilusões quando faço a autópsia à
alma desabrochando a cada momento
Valeu teu distraído sorriso enamorado
aparecendo ao raiar do dia
sentindo-te qual gemido em renascimento
olhando-te toda
desenhando um breve
fragmento de poesia onde condimentamos
todas as invasões deste silêncio
em romaria
bebendo-nos em extâses de carinho
num alfabeto de beijos moldados
na tapeçaria do amor flamejando
insanamente
por cada porção do teu ser que
desfruto inevitavelmente
Frederico de Castro
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