Lista de Poemas

Prece comemorativa




Esculpirei mais letras

desta poesia

conciliada em preces

comemorativas de vida

Entoarei melodias sopradas

por palavras surradas e

divertidas

nos embebedando em atos

de amor se desvendando

na pausa da manhã nascendo

de fé tão convertida

Sou capaz até

de conspirar contra a inevitabilidade

de um desencontro

mas revelarei

se quiseres

onde deixámos enlaçados

tantos abraços

tantos queixumes escorrendo

de mansinho nesta impaciência

que espera a cada momento

novo

o reencontro definitivo,emotivo

como antes

num dia cheio de canções

vestidas de improviso

num beijo cantado de excitações

Se ficares por aí

aqui estarei

despertando teus silêncios

que me ferem a calmaria

consumida pelas insónias

exibidas em fragmentos

cinematográficos

onde me rendo incondicional

à subtileza instintiva dos teus beijos

embriagando minha narrativa

persuasiva...tridimensional

Foi-se a noite

encrespando cada elegante manhã

que se perde neste Março

retocado de sedativos

onde morre tua ausência

repetitiva

só esperando minha serventia

por um minuto de eternidade

ou quem sabe

prorrogada mais além

onde mora só mesmo a saudade

Frederico de Castro

👁️ 497

Desfolhando o tempo



Sinto no apelo destes olhos que me fitam

um cego olhar rasgando as inquietações

inundando os beijos meus que ao teu redor

se despem e explicitam

Basta desfolhar o tempo repartindo-o

serenamente até onde gravitam

as respostas inconfundiveis

decifrando-te nos dispersos

murmúrios intangíveis

  • Registra minhas lembranças

quando ditas veementemente

no calor de tantos desejos

impassíveis

deixados degostar-te pela nesga

da vida onde te saboreio

tão promíscuo e peremptoriamente

  • Confesso não ter mais

antídotos pra me resguardar

dos vícios tatuados num verso

incompatível

Apenas bastava alcançar-te com palavras

irrefutáveis

silenciando tua fisionomia escondida

ente mim

e as carências de um olhar partilhado

inalando-te tão vulnerável

  • Que venha então a eternidade

descortinando nossa sobrevivência

deixada na cíclica manhã submersa

entre insuperáveis desejos acantonados

no tempo de todas as cumplicidades

vestindo as ilusões

num beijo versátil

pintado num dia onde sepultámos

de vez nossas insanidades

Frederico de Castro

👁️ 441

Aparências




À dor neguei tua partida

quando partiste

e eu

sem esperança

ao tempo estanquei qualquer

queixume por te ter

na minha ausência

quando despertámos mais confidentes

aposentando qualquer felicidade

baralhada pelo destino

inevitável,fugaz

camuflado de tanta criatividade

Darei o mote aos versos

acasalados na madrugada onde noivámos

nossas lendas longínquas

esculpidas à proa dos ventos

Urdirei nas palavras alheias

tuas aparências magnificas

coincidentes

reservadas só pra mim na ode

lírica onde musicámos a vida

tão complacentes


Frederico de Castro

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Albergue dos silêncios




O pranto autenticou

meus desalentos

albergando as saudades

estampadas

nestes versos

semeados na eira do tempo

onde perpetuamos a vida

despertando feliz emancipada

  • É a face da tristeza já corroida

no tempo

marchando ao desencontro

dos silêncios deixados à

mercê de uma lágrima

que urge neste reencontro

Os dias vestiram-se de cinza

sufocando meus céus de melancolia

soluçando gotas de chuva

que desabrocham tentadoras

pela folia

  • Oiço o tempo bater lá fora

na urgência condimentada

de um adeus caminhando

pelo marasmo dos dias

algemados ao longínquo destino

deixado entre os escombros de um poema

escrito à minha revelia

desembarcando no berço da existência onde

me eclipso pra sempre tão clandestino


Frederico de Castro

👁️ 557

Baú das memórias



Ali ao lado
juntinho a uma página escrita
em branco
mora o tempo insuflado em memórias
que a saudade descobriu no baú
da vida tão migratória

Ali a o lado
cruzam-se os jogos de palavras
martelando estes versos devagarinho
empihando-os no silêncio
que descamba
quase num chorinho

Ali ao lado
vi sucumbir a primavera
pela ponta do tempo
gemendo ao relento da noite
onde desabrocham
um poema
uma confissão
tantos beijos
perfumados de alfazema

Ali ao lado
no baú das memórias
assumo o trono
desta poesia alcatifada
ao cetro soberano
onde elejo a adulante luz
que mergulha feliz
num manto real suserano

Ali ao lado
rebelo-me todo
tatuando um hieróglifo
de emoções plenas
divertindo a arquitectura
das palavras arremetidas
sem faixa etária
nem insígneas que o silêncio
acomodou
neste hospício do tempo
que o tempo em pinceladas
de desejos pra sempre
teu retrato emoldurou


Frederico de Castro


👁️ 938

Porteiro da noite



O porteiro da noite escancarou

o silêncio nascido na vagem

desta poesia

procurando um colo onde

pernoitar no semblante

predador de um beijo

que desperta alucinante


Foi benigna tão

farta excitação

quando destranquei a loucura

onde me embebedei de paixão

Converti mílimetricamente

este momento numa pílula

de felicidade colorindo a dor

que descalço momentaneamente

assim

tu envergues minha solidão

conversando tranquila

entre dois gomos de poesia

desordenada em verberação


Viver com a meta

já ali neste destino equivocado

é aclamar à marcha do tempo

onde filtramos palavras

movediças

carregando no ventre o

infinito poema transitando

nas avenidas do tempo

tão esquecediças


Andarei bramindo toda

a existência latindo em nós

descontente

aconchegando-me ao espiral

de silêncios onde premedito

a vida batendo em sístoles

tão lactentes

esvaziando o átrio deste coração

onde me enfarto com diástoles

tão persistentes


Vivo desta contemplação

quase eterna

deixando fibrilhar todo

este agitado poema em constante

arritmia e apelação

alimentando o habitat da razão

onde nossas gargalhadas celebram

o milagre que acontece

num desejo em constante desfibrilação


Frederico de Castro
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Silêncios vespertinos




Medra o rumor das águas

enquanto por ti caminho

vespertino

diluindo as escuridões do mundo

rompendo pela alva

tão copiosamente

revelando-te os segredos

num punhado de versos inacabados

  • Conciliei minhas orações

repetindo-te a existência inédita

dos nossos seres religiosamente

intuitivos

sagradamente cativos

  • Mostrei-te os salmos declamados

no périplo da vida andante

alimentando o pasto da nossa fé

mais perseverante

decretando pelas ruas deste destino

um rugido travesso

partindo nas carruagens do tempo

itinerante

convertendo até as sombras num silêncio

final, perpétuo e revigorante

  • As datas nos dias extinguiram-se

embrulhando sossegadamente

uma hora que ficou perdeida

no tempo

  • Restou o senso da noite despertar

para nós de espanto

enquanto contigo

à luz excelsa de um desejo

regámos a esperança que ressuscita

numa súbita brisa escrita no

Evangelho do nosso encanto


Frederico de Castro

👁️ 446

Luzeiro dos silêncios




Confiro a luz que trazes

nos olhos

grávida de esperança

Abasteço a noite com o luzeiro

nocturno

iluminando-te até que

o rasto do teu ser

se extinga soturno

  • Deste-me a eloquência num raio

travesso de luz embebida

em lamparinas de prazer

incendiando as noites galopantes

passando errantes entre

as tendas anónimas onde

pernoitamos inebriantes

  • Cumprimos a tradição

marchando no riso que

iluminará os faróis espelhando

nossos passos viandantes

Revelaste-me o perdão

num relampâgo de prazer

redundante

percorrendo as tempestades

brejeiras ornamentadas

numa delicia nocturna

quase asfixiante

  • É tempo de apagar as luzes

Parar o tempo numa meta

vitoriosa e sem atenuantes

onde nos embrenhamos empolgantes

caçando todas as réstias de luz

dormitando ao colo

dos silêncios tão estonteantes


Frederico de Castro

👁️ 560

Sopro de vida





Importei as tranquilidades do silêncio
pra dentro de mim
desafiando meu embriagado canto
que enlevo beber
nos lábios teus
assim enobreças a doce manhã
onde em ti cada beijo caber
-São palavras essênciais
ressurgindo no tempo etéreo
desintegrando
o fogo
a luz
a fonte onde rompendo as águas
beberemos indissolúveis cada
pausa de saudade assediada
à tua janela
- É um sopro de vida apartado
que repousa singela
entre solidões...de sentinela
assim irremediavelmente marcadas
convergindo até à morada efémera
por onde desencaixotamos
de vez tão fugaz imortalidade
recompensada pelos mistérios do amor
sem destino nem inquietações
apenas
tu e eu
embriagados na misticidade dos
nossos solidários corações
Frederico de Castro
👁️ 502

Inverno neste dia...






Em cada poente renasce

fiel

toda a cumplicidade

quando pende pra ti

meu sol envergonhado

te abraçando de soslaio

  • Deleito-me com os fados desta vida

murmurando-te encarcerado

juntinho a cada faúlha de tempo

que me foge exasperado

  • Restaram lembranças

constantemente inacabadas

embaladas

e esquecidas numa perdida gargalhada

adormecendo cuidadosamente

confeccionada no teu esbelto infinito

  • Fez-se um eco correndo

veloz no dia

vestindo a manhã ornamentada

de beijos estupefactos

deliciosamente nos envolvendo

até que asfaltes de vez

tantos sonhos inesperados

  • Deixa que o inverno neste dia

se repita numa enxurrada

e abraços tão predadores

escapulindo a tristeza

em cada migalha de vida

numa hora eterna

reconfortando nossos retratos

estampados

num gomo de luz transpondo

todos os véus deste céu

repleto de um fiel silêncio

enamorado

  • Amanhã percorrerei as mesmas

veredas do tempo

perfumando a terra com

teus incendiantes desejos

espalhando aos ventos

todas as paisagens onde te

invoco pernoitando súbtilmente

em cada impacto

de um beijo teu

deixado ali na penumbra do dia

anandonado...meticulosamente

  • Os sonhos cercam cada lamento

esquecido

esgueirando-se em muitas horas

dissipadas num olhar meridional

compelindo nossos vendavais

até ao louco despontar da

solidão deflagrando em sílabas

sedentas de paixão

desatando os grilhões do silêncio

onde pronuncio teu súbtil ser

quietamente

vagando em mim toda em bulício

espontaneamente

Frederico de Castro

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Comentários (3)

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asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!