Lista de Poemas

WI-FI





Nem sei se te descortino ali

juntinho a um abreviado adeus

quando conectei o wireless num ponto

qualquer no modem dos teus desejos

utilizando o bluetooth dos nossos afagos

alimentando a osmose desta interface

endereçada ao teu e-mail no areópago

das conexões @ . com

onde tantos...tantos, milhões de desenlaces

se configuram em digressões virtuais

via satélite ou na fibra óptica sintetizada

num chip repleto de emoções

  • Estou sem internet

perdi a ligação wi-fi numa rede

periférica entre cortada por brados

deste hardware do qual me tornei

fiel usuário

  • Sem bits que me ajudem

a compor a memória dos teus

anseios

insiro no motor de busca

a fonte onde formato

o tempo trajado de tantos galanteios

alimentando um servidor disponível

e crucial

num download exclusivo para os

meus ficheiros protegidos por

direitos autoriais

  • O acesso ao teu perfil

esgotou-se na homologação

dos dias

quando desligámos a hiper banda

de tantos abraços comercializados

por hackers incorporados

no sistema banal

assim monitorado por um anti-virús

tão passional

  • Resta-me divulgar o código

deste meu wi-fi tão convergente

alimentado num protocolo

de beijos on-line

visualizado nos limites de uma

rede social interactiva

pernoitando naquele blog de desejos

que se postam

nestes versos direccionados para

o link do teu ser onde por

fim e sem mais atalhos

e em toda a banda larga

digitalmente nos conectamos


Frederico de Castro

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Acto de silêncio



Calei-me

Deixei passar todos os ecos
perfilados na ausência
da tua voz
Revelei todo o silêncio aprumado
no dorso deste verso
me consumindo pela noite onde
me esgueiro quase inanimado

Frederico de Castro
👁️ 396

Ali ao lado...



Ali ao lado

juntinho a uma página escrita
na brevidade de uma caricia
mora o tempo insuflado em memórias
que a saudade descobriu no baú
da vida tão migratória

Ali a o lado
cruzam-se os jogos de palavras
martelando estes versos devagarinho
empihando-os no silêncio
que descamba
quase num chorinho

Ali ao lado
vi sucumbir a primavera
pela ponta do tempo
gemendo ao relento da noite
onde desabrocham
um poema
uma confissão
tantos beijos
perfumados de alfazema

Ali ao lado
no baú das memórias
assumo o trono
desta poesia alcatifada
ao cetro soberano
onde elejo a adulante luz
que mergulha feliz
num manto real suserano

Ali ao lado
rebelo-me todo
tatuando um hieróglifo
de emoções plenas
divertindo a arquitectura
das palavras arremetidas
sem faixa etária
nem insígneas que o silêncio
acomodou
neste hospício do tempo
que o tempo em pinceladas
de desejos pra sempre
teu retrato emoldurou

Frederico de Castro

👁️ 300

Valsa dos silêncios



Sigo o latido dos


silêncios que correm

em debandada

Desperto no dia

insurgindo-me no valsar

de tantas gargalhadas que

teu sol irradia


Renova-se cada milagre

saltitando em sinfonias

doidas

sem rédias

silenciosamente selvagens

deambulando neste poema

ancorado em rebeldia


Descanso por fim

enfeitando a noite

estupefacta

tão solitária como a hora

que se despe no tempo

quase intacta

O perfume que o dia tece

em tuas pétalas trajadas

de primaveras

inunda de cor

as constelações docemente

iluminando todas as essências

viajando na minúcia deste poema

caiado de alegria

onde albergo a meiguice

ensurdecedora de um beijo

imergindo

delicadamente em ti

em soluços condimentados de euforia

que num instante breve

latindo

a todos embebeda e inebria

Frederico de Castro

👁️ 330

No fundo do fim...




Ilusionista dos sonhos

emerjo profundo na senda

de cada devaneio

escavando no meu ser

o clarão de felicidade que toda

a alma enxerga

quando desesperadamente

por ti tanto anseio

  • No fundo no fundo

deixo o luto dos meus

silêncios apaziguar-me

em teus galanteios

onde mendigo um pequeno

farrapo de alegria quando

nocturno te pastoreio

  • No fundo do fim

despojo neste tempo

um caudal de palavras

escritas em todas as horas

onde me esgueiro

acelarando toda esta excitação

trajada num verso que tateio

  • Enlevo-te daqui

num ameno silêncio

algemado às miragens

desta vida onde habito

quase excêntrico

  • No fundo do fim

ilumino os vitrais desta existência

dissimulando as sombras

recolhidas nesta transparência

espiritual

onde creio

me intruso em cada capítulo

colado à derme do tempo

que foge de permeio

  • Deixei sossegar para ti

toda a noite sedada

convertendo a luz dos pirilampos

numa marcha de incandescências

desfraldando o espectro

descalço deste destino

em cânticos de vigília

inspirando os versos

onde por fim me aconchego

e te escrutino

  • No fundo do fim

nos braços impetuosos de uma brisa

emolduro o relicário do tempo

onde incudo minhas dores

dormindo casualmente no regaço

do silêncio me consumindo inexoravelmente


Frederico de Castro

👁️ 457

Minutos famintos




O que faço das palavras senão a

minha arma perpetrando-te

como as ciladas que invento

ao alimentar a inspiração

faminta em cada momento

  • Que faço dos meus versos

senão as pontes tangenciais

onde unimos as margens do

silêncio

reencontrando-nos a bordo de cada

palavra navegando de contentamento

  • Que faço das minhas rimas

deixadas no réveillon dos tempos

sem sequer me consumir no sabor

da tua harmonia trajada

no colorido dos ventos

deixando todas as vogais atónitas

espraiar-se na sonoridade intercalada

nos desejos e nas preces

despressurizando-me tão caladas

  • Que faço da poesia

morrendo grávida e faminta

por uma rima que tarda

e depressa se requinta

regurgitando sonoridades

quase perfeitas

formosas

e toantes

desembocando na grafia

de um verso rimando sem limites

em emoções tão beligerantes

  • Deixarei que outras palavras

embriagadas na noite

contornem o semblante esquivo

e expectante do teu ser

Pincelem o tamanho das lágrimas

que espiam o eco pitoresco de uma

eleita ode se refinando na ermida

dos silêncios tão quânticos

e inebriantes

Frederico de Castro

👁️ 428

Ao Gato...Barbieri


A tua musica tem asas como a alma
que pousa alada no pranto que cessa
Teus acordes pintam o vento que escoa
pelas margens sonoras de um silêncio
que agora enfim começa
Sei que ainda dançaremos pelas
extensões do tempo alimentando
arpejos mais harmónicos
até que por fim...no fim dos tempos
nos encontremos insaciavelmente
tão eufóricos...
Frederico de Castro
A um musico ímpar que deu às minhas paixões
o meio de obter prazer delas...
-
👁️ 453

E depois...o adeus





E depois escrevi estes versos

no sossego de um dia

murchando devagarinho

reconciliado num adeus,

até depois... tão órfão e peregrino

  • Foi num espaço decretado

de tempo

que pavimentamos o soalho

da vida

repleto de sedução

caminhando pelas ruelas

da saudade quase desbotada

implorando urgente

uma singela obra de manutenção

  • E depois...o adeus

despedindo-se dentro de nós

ao desencontro do nada que resta

indiferente à perpétua hora

morrendo devagarinho num recanto

qualquer perdido na fresta

ou no silêncio dos teus prantos

  • E depois...o adeus

abandonando-me de vez

melindrado

vulnerável

formal

deixando na plataforma deste versos

o som do canto aflito

demorando na despedida

o aperto comovido do adeus

na hora da partida

  • E depois...o adeus

partindo pra lugar nenhum

demorando a presença do teu ser

esquecido

encontrar o nosso remetente

amenizando as cicatrizes

umbilicalmente abraçadas a estes versos

que deixamos amortecidos

na matriz do tempo

algoz e sem outra directriz

  • Será apenas só mais fácil

sonhar-te cada noite

imaginar pra lá de um

sumido sonho

o reencontro da vida fecundada

na antecipação de uma lágrima

alimentando cada ciclo de um adeus

onde me aventurei como passageiro

desta saciada existência madrugando

na chama das lembranças eternamente camufladas

onde me fiz teu fiel hospedeiro

Frederico de Castro

👁️ 618

Esculpindo a luz




Sou simplesmente uma partida

sem mais regresso

esvaindo-me em digressões

numa travessia quase louca

rumo a lugar nenhum

sem trajecto nem etapa

errando simplesmente

nesta peregrinação divertida

consumada... com palavras

veladas na colorida escultura

que talho de mansinho pela

noite costurada em tantas

tantas desventuras

Assim lavramos o destino

no tempo que resta

esculpindo na escuridão da noite

uma luz ou um brado sereno

urdido em mil gargalhadas

abastecendo de vida

toda a vida desabrochando

como gotas abençoadas de criatividade

reflectindo neste lúdico silêncio

a inexorabilidade

do tempo que jaz no carrocel

da nossa imensa cumplicidade

onde nos sincronizamos até à imortalidade

Frederico de Castro

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Carinho sedativo



Jaz ali inerte
em quarto crescente
expectante
essa lua
desfolhada em mil raios de luz
que roubei à noite cintilante
procurando afectos extravagantes
elucidativos deste meu mundo fulgurante
impregnado de doações ilimitadas de
de carinho flamejante
Senti só no corpo
as veias ardendo em busca
de mais transfusões de amor
Deliciei-me a forrar nossas
saudades com afagos sem dor

Adoeci no teu colo
à espera de todo cuidado intensivo
aperfeiçoado em carícias
constantes
tão sedativas
às vezes tão previamente
desesperadas
outras tão fatalmente persuasivas
Frederico de Castro
👁️ 397

Comentários (3)

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asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!