Escritas

Lista de Poemas

Quando o silêncio bate à porta




Quando o silêncio bate à porta asseguro-me feliz

das leves brisas que teu perfume importa

soprando em convergências

sem demais interferências

do tempo varrido no restolho de uma

fogueira ainda crepitando nos ventos

Enquando o silêncio bate à porta

empunho todas as emoções

enamoradas pela beleza

do silêncio

sangrando em nossos corações

Faço juras de amor em cada momento

fraterno e desejado

Rompo fronteiras só para te ver

nunca padecer de saudades

Faço-me espelho

teu reflexo puro

decifrado na ciência arquivada

na biblioteca repleta de alegria

com histórias de amor e poesia

Quando o silêncio bate à porta

reajo imune a esta lenta

sofreguidão implícita em todos

os tons da cor num eco imortal

fundindo nossas alegrias passageiras

devoradas em tantos famintos

actos encastrados num único adeus

que agora enfim já pressinto

Quando o silêncio bate à porta

sinto só admiração no fulcro

das palavras belas

perdidas no labirinto do tempo

onde antes dividimos

gargalhadas incontáveis

sorrimos graciosos

a cada soluçar por instinto

penetrando de assalto

cada nobre existência que se

extingue

cingida de paz

simplesmente

inteiramente

voraz

Frederico de Castro

👁️ 361

Brisa de Verão



Publiquei na manhã todo o perfumar dos dias

velando teu despertar belo e cheiroso

guardando-te pra mim

viçosa

vestida a rigor no precioso trajar

dos nossos desejos beligerantes

onde te colho qual flor charmosa

e deslumbrante

Estou simplesmente submerso neste

poema onde me disperso todo em ti

sem controvérsias da vida breve

onde tatuo tantas gargalhadas de

euforia me devorando num milésimo

de segundo desabrochando onde louco

eu sei, inspiradíssimo

sem mais opções te flertaria

Povoaste-me o presente com sorrisos

e ovações de saudades

multiplicando toda imaculada serenidade

do tempo que regurgita saciado

por entre aqueles abraços de cumplicidade

e tantos beijos arando os desejos

morrendo numa colheita degustada

com inteira exclusividade

Só eu sei como esta poesia me sacia

infectando cada verso mais volátil

que um súbtil olhar alicia

Só eu sei como inventar-te cada dia

aprendendo as equivalências do amor

expressando cada história contada

auspiciosa e com esplendor

Só eu sei como escoltar-te este silêncio onde

nos desvendamos pra sempre

ancorados ao destino rugindo na frágil

e flébil brisa deste Verão que se escoa

emergindo no púlpito do tempo

pra toda a eternidade

Frederico de Castro

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Foi Verão



Adormecemos ao luar quase invisível

Da noite

Perpetuamos o verão numa

Paz trajada de monotonia

Ainda mal os primeiros raios

De sol descortinavam o teu belo

Ser aconchegado ao solstício

Onde se despem os dias mais longos

Perfumados com o ócio das nossas

Almas perecendo num abraço

Que o silêncio perpetuou numa tela de Picasso

Foi Verão

E as sombras onde magicámos

Cada beijo fugindo na calada

Da noite

Perdeu-se na eira da vida

Levada no repentino adeus

Onde remanesce tua

Buliçosa existência

...e eu incrédulo fico

Ali encostado à nesga

De alegria que ainda sobressai

Fiel à nossa conivência

Nos sintomas perpetuados

No vazio do tempo

Alimento ainda a chama

De tantos desejos dedilhados

Ao longo deste Verão

Latejando na longa agonia

Embarcando no lúdico momento

Onde te bebo com todas as

Irreverências do teu ser perfilado

Agora...num pacto

Eternamente por nós selado

Frederico de Castro

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Alguém...



Teu perfume o vento levou

Numa dádiva de vida

Como alguém que se atreve

A mordiscar todo pedaço de carinho

Onde este amor num abraço

Tentadoramente me prescreves

Na precisão do tempo

Foram curtos os silêncios

Que acariciei

Porém tantas as alegrias

Deixadas em detalhes

Que só meu sentimento

De vícios e desejos

Nestes versos renovei

O elo do tempo

Serpenteia agora

Cada promessa alimentando

Nossas vontades tão sequiosas

Ofuscando até a etérea luz

Que rompe pela fresta da

Vida mais graciosa

Deixaste transbordar tua

Presença em mim

Como alguém que vivifica

Cada olhar íntimo

Tecendo com carinho a

Ferlilizada palavra meiga

Que hoje te ofereço

Sem parcimónia e com ela

Bem devagarinho me embebedo

E abasteço

Frederico de Castro

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Semeando estrelas



Deixei as horas discretas

bater suavemente na noite mensageira

saudando a perfumada luz que

enxuga teus prantos num verso

enfeitando a moldura das saudades

derradeiras onde por fim emerso

Depois do longo amanhecer

deixo cartografado os afagos

que ficaram esbatidos no dorso

dos meus anseios

Deixo a vida acontecer permanentemente

entre olhares empoleirados na infância

esquecida casualmente

É tempo de partilha

de palavras dóceis

temperadas com gratidão

revigorando-nos assiduamente

quase que

compulsivamente

tocando a alma que nos

obedece absolutamente

Aqui te reservo

um verso póstumo

cerrado a sete chaves no silêncio

onde virtualmente

no apego da tua sombra, rastejo

e desesperadamente te consumo

Depois do anoitecer

visto-te de luz

semeando estrelas

alimentando o pulsar

de tantas distâncias

perdidamente mergulhando

famintas pela súplica eleita

no temperado sabor de um

beijo personificando cada

acto de amor em insolvência

Por cada sonho que restar

outro virá mais inspirado

até me apetecer, habitando-te

num abraço por mim assinado

em definitivo numa transfusão

de amor a dois confinado

Frederico de Castro

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Pressentimentos



Um som saiu

noite dentro

solitário

intranquilo...sibilando

entre sombras que sustentam

a afunilar de cada sentido

contagiando outros sonhos

se exilando no bailar do tempo

que se extingue sem sentido

Um som agora coloriu

um beijo saciado

tantos desejos saboreados

Um dia sabático virá

e nós então descansaremos

na eternidade saborosa

sitiada no silêncio consentido

ante o sacrifício suspirando

de queixumes extrovertidos

Soem as trombetas

anunciando o fluir da vida

satisfazendo a sofreguidão

sonora com que encarceramos

nossos gestos de felicidade

suturando todas as feridas

sangrando na lástima

de cada ausência pressentida

Até lá ausento-me dos

confortáveis sonhos

imaginando somente

como perfumar-te com

sândalo do dia que renasce

imutável

deixando o translúcido saiote

desta existência cobrir-te

com sortidos de beijos insaciáveis

E se a lua desligar o raiar do seu

majestoso e selvagem luar

aprontarei um naipe de

felizes substantivos iluminados

compilarei cada adjectivo

que sulcará todas as refracções

do teu ser

no modo verbal indicativo

ser, ou estar

agitando o meu coloquial segredo

de amor tão veemente

ter-te pra mim assim

quase que desesperadamente


Frederico de Castro

👁️ 398

Tantos dias




Percorri tantos dias

esqueci-me de acertar

o tempo vagando

ontem, hoje ou amanhã

Elucidei a existência onde

vivo dia a dia errôneo

memorizando os silêncios

indecisos alimentando

cada detalhe do meu quotidiano

que escapa engolido na voracidade

deste instante ilusório

acampado aqui sedutor

invadindo toda a cumplicidade

recriada no tempo redentor

Procurei por ontem

à margem do que

não existe mais

Descortinei todas as

revelações deixadas

neste poema estacionado

num particípio passado

onde imprimo meus versos

expulsados,expressados

compassados,dispersados

num trago de beijos impregnando

nossos seres agora tão acossadas

Tantos dias...tantas horas

e o tempo que cessa

paira agora no ventre

de um eco cantando

todas as palavras incógnitas

que deixo ruminando atónitas

Ao reencontrar-me nas esquinas

desta vida

refino minha razão exactamente

aperfeiçoando cada rima irrelevante

onde ostento a paisagem da vida

se reproduzindo atentamente

Tanto tempo...tantos dias

sem saber...na expectativa

exalando-te definitivamente

Frederico de Castro

👁️ 374

Pra ser amor...



Pra ser amor

tinha que deliciar-te

aliciar-te sem apelo

nem agravo

Tinha que atropelar teus

silêncios

enclausurar cada eco

fluíndo do teu ser

...e ser não mais a distância

onde mergulhamos nossas existências

subitamente

mas a presença trazida num souvenir

perfumando a vida unilateralmente

Pra ser amor

desembargamos alma

que se prosta carente

Regávamos a sede dos

nossos desejos

com beijos bailando em

cada ditongo aromatizando

vertiginosamente a gargalhada

onde tentadoramente

nos esboçamos

seduzidos

infinitos....explicitamente

Pra ser amor

tínhamos que agitar a noite

vagando no timbre da tua

graciosidade

tínhamos que parir mais

que palavras sedutoras

represar nossos abraços

sintonizados numa carícia

habitando pra sempre

em nós...frenética e tentadora

Pra ser amor

mais que nós dois

tinha que haver um verbo conciliador

um sentir quase predador

transbordando num cálice

de alegria onde te bebo

avassalador

Pra ser amor

tinha que te desbravar

perscrutador

regar-te com guloseimas

de versos tão pecadores

contentar minh'alma onde

em ti me axilo pra

sempre reconciliador

Frederico de Castro

👁️ 320

Degrau a degrau




Fossem meus olhos bordar a luz nos imensos céus

onde pairam os silêncios teus e então trocaria

de vez o sentido impaciente com que descrevo

nossa entrega sem indiferenças nem contemplações

ao eco das plenas recompensas e sublimes ilusões

Que me ornamentes as palavras tecidas na súbita

poesia abençoada na penumbra dos nossos ternos

e saudosos brados alimentando degrau a degrau

o breve sonho deixado no rodapé do tempo

abandonado neste insano poema escapulindo

no silenciar de um verso acordando sedento

Assim te estendo meu estuário poético onde tudo é aventura

e transita vagarosamente à beira dos nossos rios

como sonhos que se desintegram impressos em cada átomo

de vida avassaladora em cada existência demolidora

onde traduzimos em delicadezas a graça comovida

sorrindo em infinita beleza assim comprometida

Fossem meus olhos olhar-te num instinto de inspiração

e desenharia teus infinitos meteóricos movimentos celestiais

alcatifando a soleira do tempo onde cada afago

domestica os movimentos sensoriais da vida elegante

brotando tão crucial

Fossem os céus os prados memorizados desta madruga

extravagante

onde nos fazemos convertidos e flagrantes

e não mais morreria consumido no sopro da esperança

mas duraria na vulgaridade do tempo estonteante toda

a eternidade expectante excitada pela arquitectura da

sabedoria desabrochando acalentadora e delirante


Frederico de Castro

👁️ 415

Versos sem destino



Inventei fantasias

imaginei existências

calcorreei motivações

despertei outras conivências

gerei pensamentos bravios

retidos na penumbra da noite

saltitando em convergências

consumindo-me no pavio suave

das tuas perfumadas essências

O mundo esqueceu-se de todos

estes desassossegos

povoando o site das minhas

memórias

onde se trajam as profecias

onde se almeja mais fé

onde se ajoelha esta oração

exposta numa carícia tão

premente em feliz penitência

Agora sou refém dos mesmos

silêncios caminhando a

esmo pelos dias finais

onde tateio um verso sem destino

provocando-te ao ao raiar do tempo

sinuosamente clandestino

Agora a cada hora milimétrica

balançando nos ponteiros desta

frágil existência

adormeço os pensamentos

em desatino

pulando pelos vazios da saudade

onde éramos

versos apaixonados

carícias desesperadas

beijos indiscriminados

Leva-me nos teus sonhos

daqui até além onde

eu tenha todas as chances

de reencontrar-te

quase inevitável transitando

pelo horizonte do tempo onde

costuramos premeditadamente

um naipe de sabores degustados num abraço

deixado estendido...soterrando-nos

de amor assim tão prematuramente


Frederico de Castro

👁️ 471

Comentários (3)

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asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!