Lista de Poemas
Quando o silêncio bate à porta

Quando o silêncio bate à porta asseguro-me feliz
das leves brisas que teu perfume importa
soprando em convergências
sem demais interferências
do tempo varrido no restolho de uma
fogueira ainda crepitando nos ventos
Enquando o silêncio bate à porta
empunho todas as emoções
enamoradas pela beleza
do silêncio
sangrando em nossos corações
Faço juras de amor em cada momento
fraterno e desejado
Rompo fronteiras só para te ver
nunca padecer de saudades
Faço-me espelho
teu reflexo puro
decifrado na ciência arquivada
na biblioteca repleta de alegria
com histórias de amor e poesia
Quando o silêncio bate à porta
reajo imune a esta lenta
sofreguidão implícita em todos
os tons da cor num eco imortal
fundindo nossas alegrias passageiras
devoradas em tantos famintos
actos encastrados num único adeus
que agora enfim já pressinto
Quando o silêncio bate à porta
sinto só admiração no fulcro
das palavras belas
perdidas no labirinto do tempo
onde antes dividimos
gargalhadas incontáveis
sorrimos graciosos
a cada soluçar por instinto
penetrando de assalto
cada nobre existência que se
extingue
cingida de paz
simplesmente
inteiramente
voraz
Frederico de Castro
Brisa de Verão

Publiquei na manhã todo o perfumar dos dias
velando teu despertar belo e cheiroso
guardando-te pra mim
viçosa
vestida a rigor no precioso trajar
dos nossos desejos beligerantes
onde te colho qual flor charmosa
e deslumbrante
Estou simplesmente submerso neste
poema onde me disperso todo em ti
sem controvérsias da vida breve
onde tatuo tantas gargalhadas de
euforia me devorando num milésimo
de segundo desabrochando onde louco
eu sei, inspiradíssimo
sem mais opções te flertaria
Povoaste-me o presente com sorrisos
e ovações de saudades
multiplicando toda imaculada serenidade
do tempo que regurgita saciado
por entre aqueles abraços de cumplicidade
e tantos beijos arando os desejos
morrendo numa colheita degustada
com inteira exclusividade
Só eu sei como esta poesia me sacia
infectando cada verso mais volátil
que um súbtil olhar alicia
Só eu sei como inventar-te cada dia
aprendendo as equivalências do amor
expressando cada história contada
auspiciosa e com esplendor
Só eu sei como escoltar-te este silêncio onde
nos desvendamos pra sempre
ancorados ao destino rugindo na frágil
e flébil brisa deste Verão que se escoa
emergindo no púlpito do tempo
pra toda a eternidade
Frederico de Castro
Foi Verão

Adormecemos ao luar quase invisível
Da noite
Perpetuamos o verão numa
Paz trajada de monotonia
Ainda mal os primeiros raios
De sol descortinavam o teu belo
Ser aconchegado ao solstício
Onde se despem os dias mais longos
Perfumados com o ócio das nossas
Almas perecendo num abraço
Que o silêncio perpetuou numa tela de Picasso
Foi Verão
E as sombras onde magicámos
Cada beijo fugindo na calada
Da noite
Perdeu-se na eira da vida
Levada no repentino adeus
Onde remanesce tua
Buliçosa existência
...e eu incrédulo fico
Ali encostado à nesga
De alegria que ainda sobressai
Fiel à nossa conivência
Nos sintomas perpetuados
No vazio do tempo
Alimento ainda a chama
De tantos desejos dedilhados
Ao longo deste Verão
Latejando na longa agonia
Embarcando no lúdico momento
Onde te bebo com todas as
Irreverências do teu ser perfilado
Agora...num pacto
Eternamente por nós selado
Frederico de Castro
Alguém...

Teu perfume o vento levou
Numa dádiva de vida
Como alguém que se atreve
A mordiscar todo pedaço de carinho
Onde este amor num abraço
Tentadoramente me prescreves
Na precisão do tempo
Foram curtos os silêncios
Que acariciei
Porém tantas as alegrias
Deixadas em detalhes
Que só meu sentimento
De vícios e desejos
Nestes versos renovei
O elo do tempo
Serpenteia agora
Cada promessa alimentando
Nossas vontades tão sequiosas
Ofuscando até a etérea luz
Que rompe pela fresta da
Vida mais graciosa
Deixaste transbordar tua
Presença em mim
Como alguém que vivifica
Cada olhar íntimo
Tecendo com carinho a
Ferlilizada palavra meiga
Que hoje te ofereço
Sem parcimónia e com ela
Bem devagarinho me embebedo
E abasteço
Frederico de Castro
Semeando estrelas

Deixei as horas discretas
bater suavemente na noite mensageira
saudando a perfumada luz que
enxuga teus prantos num verso
enfeitando a moldura das saudades
derradeiras onde por fim emerso
Depois do longo amanhecer
deixo cartografado os afagos
que ficaram esbatidos no dorso
dos meus anseios
Deixo a vida acontecer permanentemente
entre olhares empoleirados na infância
esquecida casualmente
É tempo de partilha
de palavras dóceis
temperadas com gratidão
revigorando-nos assiduamente
quase que
compulsivamente
tocando a alma que nos
obedece absolutamente
Aqui te reservo
um verso póstumo
cerrado a sete chaves no silêncio
onde virtualmente
no apego da tua sombra, rastejo
e desesperadamente te consumo
Depois do anoitecer
visto-te de luz
semeando estrelas
alimentando o pulsar
de tantas distâncias
perdidamente mergulhando
famintas pela súplica eleita
no temperado sabor de um
beijo personificando cada
acto de amor em insolvência
Por cada sonho que restar
outro virá mais inspirado
até me apetecer, habitando-te
num abraço por mim assinado
em definitivo numa transfusão
de amor a dois confinado
Frederico de Castro
Pressentimentos

Um som saiu
noite dentro
solitário
intranquilo...sibilando
entre sombras que sustentam
a afunilar de cada sentido
contagiando outros sonhos
se exilando no bailar do tempo
que se extingue sem sentido
Um som agora coloriu
um beijo saciado
tantos desejos saboreados
Um dia sabático virá
e nós então descansaremos
na eternidade saborosa
sitiada no silêncio consentido
ante o sacrifício suspirando
de queixumes extrovertidos
Soem as trombetas
anunciando o fluir da vida
satisfazendo a sofreguidão
sonora com que encarceramos
nossos gestos de felicidade
suturando todas as feridas
sangrando na lástima
de cada ausência pressentida
Até lá ausento-me dos
confortáveis sonhos
imaginando somente
como perfumar-te com
sândalo do dia que renasce
imutável
deixando o translúcido saiote
desta existência cobrir-te
com sortidos de beijos insaciáveis
E se a lua desligar o raiar do seu
majestoso e selvagem luar
aprontarei um naipe de
felizes substantivos iluminados
compilarei cada adjectivo
que sulcará todas as refracções
do teu ser
no modo verbal indicativo
ser, ou estar
agitando o meu coloquial segredo
de amor tão veemente
ter-te pra mim assim
quase que desesperadamente
Frederico de Castro
Tantos dias

Percorri tantos dias
esqueci-me de acertar
o tempo vagando
ontem, hoje ou amanhã
Elucidei a existência onde
vivo dia a dia errôneo
memorizando os silêncios
indecisos alimentando
cada detalhe do meu quotidiano
que escapa engolido na voracidade
deste instante ilusório
acampado aqui sedutor
invadindo toda a cumplicidade
recriada no tempo redentor
Procurei por ontem
à margem do que
não existe mais
Descortinei todas as
revelações deixadas
neste poema estacionado
num particípio passado
onde imprimo meus versos
expulsados,expressados
compassados,dispersados
num trago de beijos impregnando
nossos seres agora tão acossadas
Tantos dias...tantas horas
e o tempo que cessa
paira agora no ventre
de um eco cantando
todas as palavras incógnitas
que deixo ruminando atónitas
Ao reencontrar-me nas esquinas
desta vida
refino minha razão exactamente
aperfeiçoando cada rima irrelevante
onde ostento a paisagem da vida
se reproduzindo atentamente
Tanto tempo...tantos dias
sem saber...na expectativa
exalando-te definitivamente
Frederico de Castro
Pra ser amor...

Pra ser amor
tinha que deliciar-te
aliciar-te sem apelo
nem agravo
Tinha que atropelar teus
silêncios
enclausurar cada eco
fluíndo do teu ser
...e ser não mais a distância
onde mergulhamos nossas existências
subitamente
mas a presença trazida num souvenir
perfumando a vida unilateralmente
Pra ser amor
desembargamos alma
que se prosta carente
Regávamos a sede dos
nossos desejos
com beijos bailando em
cada ditongo aromatizando
vertiginosamente a gargalhada
onde tentadoramente
nos esboçamos
seduzidos
infinitos....explicitamente
Pra ser amor
tínhamos que agitar a noite
vagando no timbre da tua
graciosidade
tínhamos que parir mais
que palavras sedutoras
represar nossos abraços
sintonizados numa carícia
habitando pra sempre
em nós...frenética e tentadora
Pra ser amor
mais que nós dois
tinha que haver um verbo conciliador
um sentir quase predador
transbordando num cálice
de alegria onde te bebo
avassalador
Pra ser amor
tinha que te desbravar
perscrutador
regar-te com guloseimas
de versos tão pecadores
contentar minh'alma onde
em ti me axilo pra
sempre reconciliador
Frederico de Castro
Degrau a degrau

Fossem meus olhos bordar a luz nos imensos céus
onde pairam os silêncios teus e então trocaria
de vez o sentido impaciente com que descrevo
nossa entrega sem indiferenças nem contemplações
ao eco das plenas recompensas e sublimes ilusões
Que me ornamentes as palavras tecidas na súbita
poesia abençoada na penumbra dos nossos ternos
e saudosos brados alimentando degrau a degrau
o breve sonho deixado no rodapé do tempo
abandonado neste insano poema escapulindo
no silenciar de um verso acordando sedento
Assim te estendo meu estuário poético onde tudo é aventura
e transita vagarosamente à beira dos nossos rios
como sonhos que se desintegram impressos em cada átomo
de vida avassaladora em cada existência demolidora
onde traduzimos em delicadezas a graça comovida
sorrindo em infinita beleza assim comprometida
Fossem meus olhos olhar-te num instinto de inspiração
e desenharia teus infinitos meteóricos movimentos celestiais
alcatifando a soleira do tempo onde cada afago
domestica os movimentos sensoriais da vida elegante
brotando tão crucial
Fossem os céus os prados memorizados desta madruga
extravagante
onde nos fazemos convertidos e flagrantes
e não mais morreria consumido no sopro da esperança
mas duraria na vulgaridade do tempo estonteante toda
a eternidade expectante excitada pela arquitectura da
sabedoria desabrochando acalentadora e delirante
Frederico de Castro
Versos sem destino

Inventei fantasias
imaginei existências
calcorreei motivações
despertei outras conivências
gerei pensamentos bravios
retidos na penumbra da noite
saltitando em convergências
consumindo-me no pavio suave
das tuas perfumadas essências
O mundo esqueceu-se de todos
estes desassossegos
povoando o site das minhas
memórias
onde se trajam as profecias
onde se almeja mais fé
onde se ajoelha esta oração
exposta numa carícia tão
premente em feliz penitência
Agora sou refém dos mesmos
silêncios caminhando a
esmo pelos dias finais
onde tateio um verso sem destino
provocando-te ao ao raiar do tempo
sinuosamente clandestino
Agora a cada hora milimétrica
balançando nos ponteiros desta
frágil existência
adormeço os pensamentos
em desatino
pulando pelos vazios da saudade
onde éramos
versos apaixonados
carícias desesperadas
beijos indiscriminados
Leva-me nos teus sonhos
daqui até além onde
eu tenha todas as chances
de reencontrar-te
quase inevitável transitando
pelo horizonte do tempo onde
costuramos premeditadamente
um naipe de sabores degustados num abraço
deixado estendido...soterrando-nos
de amor assim tão prematuramente
Frederico de Castro
Comentários (3)
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
Português
English
Español