Lista de Poemas

Um eco...num brado



Cai a tarde ardendo dentro
De mil sóis
O mesmo ato todas as manhãs
O dia quando se põe impregna
Os céus factuais com teus perfumes
Virtuais
Enfurecendo cada eco que
Brada pontual
Ouço ao longe o recuo do tempo
Sangrando no tépido e suave
Pestanejar dos ventos
O fôlego...num brado correndo
Embriagado se aconchega junto dos teus
Braços definitivamente acossado
No solar dos meus silêncios
Vejo a vida esvair-se pontual
Em desvarios
Fluindo na palestra de amor que
Alimenta o slogan das paixões em delírio
Desmaiando num mercenário
Sonho tão atrevido

Frederico de Castro
👁️ 439

A mecânica dos silêncios



No furor

o ruído

o eco do software

O devaneio de um grito

reverberando no

castiçal dos silêncios

preenchendo a ressonância de

todo o meu hardwere

O frémito ruído

o desembaraçar do tempo

num sentimento cego

sem sossego, alvoraçado

soltando gemidos num

fluído de palavras esperneando

num putrificado dia desfasado

A mecânica dos silêncios

o verso bramindo na noite

calada

a sombra passageira onde

jaz a voz quieta

num rumor vagabundo

que agora até desinquieta

A caligrafia deslizando

no sepulcro do silêncio

O obcecado e astuto ruído

atrelado ao doce silvo

de um beijo deixado no

rodapé desta algazarra

onde se fez gritante o

sorriso ocluído

Resta o farfalhar

do Outono

O chorar mansinho das

horas e dos lamentos

extenuados

A madrugada se incrustando

entre estes versos sitiados

empurrando a maçaneta da

vida gemendo entreaberta

ao suave ninar dos silêncios

que quero somente perpetuar

Na prisão dos ventos uivantes

preencho cada hora minguando

no chinfrim de um sonho

martelando a noite numa arritmia

louca, festiva

engolindo uma gargalhada soando

límpida no tilintar da tempestade

batucando, vituperando nos disjuntores

da vida num curto-circuito

eléctrizando esta canção eclodindo emotiva

Frederico de Castro

👁️ 435

A mímica dos silêncios



Qualquer singelo momento

Emana da grandeza de um gesto
Mais que palavras
Falar, expressar
Deixar-se comover na
Virtude ou na mimica
Do que assim manifesto

Nem contesto sequer
O gesto
A conversa no silêncio
Os sorrisos que empresto
Basta só
A delicadeza nesse jeito
De olhar que te não
É molesto

Partir depois
Assim discretamente
Num aceno final
Sem palavras
Proferindo tua imagem
Que guardo absolutamente

Ficou solitária a canção
Das minhas fadigas
Confundidas entre vozes
Que se debruçam na varanda
Do tempo vadiando pelos
Ritmos desta vida
Subitamente o amor
Num gesto conciliando

Valem mais que mil palavras
Um gesto que alimente
O perfil deste silêncio
Um verso
Um recado, um eco sem demora
O adeus tecido no áspero
Momento de uma hora em fuga
Com a conivência de uma
Gargalhada tão sedutora
Somente um gesto e tua lágrima enxuga

Frederico de Castro

👁️ 768

Simples nuances




Tudo que resta neste sonho
aconchegou-se à nesga de fé
que pousa enfeitando o absorto
gargalhar dos dias
onde invento
um tempo só pra mim
peço uma eternidade para dois
um cálice de novas chances
para tantos
louca voragem ou nuance
gesto infindo repleto num sorriso
com direito reservado nesse romance

Tudo o que resta são simples impressões
Iluminando a existência perene
embebedando a fluorescência dos
nossos subtis silêncios...quase infâmes
numa procura de paisagens mágicas
desatando as aragens que penteiam teu
ser em cada hora amiúdadamente nostálgica

O que resta são destinos planeados
a vida renascendo ansiosa
no corolário do tempo
quase refém e despojado
e por nós desesperadamente velado

Fiz-te hoje minha tatuagem singular
desenhei nossas convicções vitoriosas,
instantâneas qual prémio perpetuado
no auge do amor despertando louco
e fanaticamente dissimulado

O que resta fica reservado
no corpo em êxtase
decora as metástases dos sentidos
as perífrases dos despertares inesquecíveis
acorrentados a esta luz da vida
iluminando obstinada estes versos dissertando
entre prerrogativas e sintaxes
quase imperceptíveis

São simples impressões que justificam
nobres desejos
Brilham nos meus hemisférios de loucura
entre coligações assombrosas de beijos
e sorrisos que nutrimos
ao conjugar cada verbo no pretérito
mais que perfeito

São lágrimas que já nem choro
brotam simplesmente para suavizar
a enfâse de outras dores comemorativas
deixando morrer nossas saudades
desertificando o tempo de
tantas esperanças imperativas

São sombras deambulando vadias
migrando neste tempo que foge
devastador
Emoções vagabundas alimentando
a placenta das saudades
São ígneas chamas sustentadas
numa canção que aquieta e desmaia
suspirando nesta fé celebrada
onde se esboça a vida agora fecundada

É toda a morosidade da alegria pulsando
num esplêndido momento inspirado
onde despertámos emancipados
qual acto de amor
acometido sem profanos perdões
apenas e inesperadamente comprometidos
entre o interlúdio de uma oração paliativa
e a trilha sonora das minhas solidões
graciosamente introspectivas

Frederico de Castro

👁️ 723

A sístole do silêncio



O porteiro da noite escancarou
o silêncio nascido na vagem
do tempo bravio
desventrando o dia que pousa
ao colo do teu semblante predador
qual beijo que desperta alucinante
e intimidador

Foi benigna tão farta excitação
quando destranquei a loucura
onde me embebedei de paixão
Converti milímetro a milímetro
este momento numa pílula
de felicidade colorindo a dor
que descalço momentaneamente
assim
tu envergues minha solidão
anexada, tranquila
entre dois gomos de poesia
desordenada em verberação

Viver com a meta
já ali neste destino equivocado
é aclamar à marcha do tempo
onde filtramos palavras
movediças carregando no ventre o
infinito poema transitando
nas avenidas do tempo
tão esquecediças

Andará bramindo
a existência latindo em nós
descontente
aconchegando-me ao espiral
de silêncios onde premedito
a vida batendo em sístoles
tão latentes
esvaziando o átrio deste coração
onde me enfarto com diástoles
tão persistentes

Vivo desta contemplação
quase eterna deixando fibrilhar todo
este agitado poema em constante
arritmia e apelação
alimentando o habitat da razão
onde nossas gargalhadas celebram
o milagre que acontece num coração
que festeja cada desejo ventrículado
na aorta dos meus silêncios
em constante desfribilação


Frederico de Castro

👁️ 504

Anexo da memória



É tempo de converter as recordações

Deixadas no recôndito da alma
Suprir à fé, esperança
À oração mais confiança
Ao pensamento uma filosofia de perseverança

Vamos de vez estacionar nossas lembranças
Naquele carrocel da vida onde floriam nossas
Semelhanças, mesmo deixando no tempo
Beijos inacabados e memórias vadiando
No tempo sustentando-nos apaixonados

É hora de anexar às lembranças aquele
Rascunho de vida escondida atrás de um
Abraço decorado com perfumes rastejando
No perímetro do teu ser, onde me aprisiono no
Ópio do silêncio e em uníssono me emociono

Vamos pintar todas as recordações
Que a existência em sigilo nos deixou
Trocar os gestos excêntricos e embriagados
Que o tempo agora esterilizou

Com agilidade temperemos nossas utopias
Deixando o amor anexo a este poema medrando ileso
Até rasgar a noite que a noite debruada num sonho ostentou
Celebrizando todo segredo deste destino velado
Que só o tempo a seu tempo outras memórias coagulou

Frederico de Castro

👁️ 497

Olhai os lirios em silêncio

Olhai os lírios em silêncio
Como se vestem e adormecem
Todos os tentáculos do tempo
Perfumando nossas solidões
Adormecidas no jardim onde
Outras paixões florescem em
Vagas de fantásticas emoções

Olhai os lírios em silêncio
Como quem desperta a brisa
De uma gargalhada dócil e grata
Fecunda este meu
Canteiro de ilusões onde
Plantei o carmim desejo
Que agora me alimenta e farta
Qual ígneo sonho
Arde...morde e traga

Olhai meu silêncio sorrindo
Aos lírios nascendo em cada
Eco de alegria esvoaçando
Na métrica deste poema
Entreaberto ao decote da vida
Desesperadamente a nós
Se entregando num folguedo
Supremo...latejando num absoluto
Desejo apetecendo, onde me lambuzo
Com os aromas dos seus gracejos acontecendo

Frederico de Castro

👁️ 473

No silêncio das casuarinas



Esbelta delicada

compartilhas neste dia

todo perfume cacheado

nas flores rompendo o

amendoado silêncio lisonjeado

Ornamentas meus jardins

resguardando todo a extensão

colorida embebida na percepção

do equatorial e dançarino gemido

ecoando nos ventos felizes da

vida se entregando numa

esplendorosa e perfeita concepção

Reabilitas os sambas e sembas

mordendo a epiderme do tempo

quando batucamos na calada da noite

com brados e cânticos longínquos

num acorde sensual e desenfreado

afagando e florindo o tronco de

cada silêncio esfomeado

grunhindo num adocicado calafrio

fluindo em nós aveludado

Cheguei, calado

de mansinho pra não

despertar o silêncio das casuarinas

Recompensei-te com abraços

atrevidos

atados às cordas do meu violão

ladeado de versos ávidos

servidos na bandeja de cada

renovada esperança despertando

na génese da vida erigida em

todo silêncio desaguando no pote

do tempo hoje...aqui saltitando

embriagado

Frederico de Castro

👁️ 501

Deixa-me ir...



Deixa-me ir

pois partirei sem mediatismos

Quase anónimo

deixando-te à mercê das saudades

há tanto tempo telepáticas

Sem pseudónimo

Apenas nós algemados à osmose

destes versos meus tão excêntricos

e inflamados

Deixa-me ir

sem mais remexer o lamento

que se esgueira mediático

Enfeitar outras tristezas

engolidas no ventre do tempo

autografando infinitas sombras

deslizando no rodapé do silêncio

num Big-Bang quase galático

Deixa-me ir

içar tuas velas

navegar em cada sorriso que

trazes nos olhos

Estilhaçar os silêncios por

onde cantarolei meus versos

agonizando no flagelo da noite

amanhecendo em cada heterónimo

eco aflito da alma

que mais não ouço...pois

clama surda engolindo o silêncio

que meus versos difama

Deixa-me ir

disfarçado no tempo

fotografando os diaporamas

das alegrias e tristezas

experimentando o fel de

um adeus enlutado

e sem mais subtilezas

Deixa-me ir

navegar no marasmo da noite

Abandonar as palavras

indesejadas...ondulando

até remendar a luz que

irrompe na cegueira do tempo

enquanto a noite desafia

a impaciente hora onde afloram

as lágrimas das nossas imensas

saudades...e que saudades !

Deixa-me ir

cumprir a efeméride destes versos

seduzidos

na virtualidade do tempo

Revolver este impaciente desejo

anestesiado pela anatomia

das memórias compiladas na

casualidade de um beijo

aliciante,insolente, veemente

Deixa-me ir

aromatizar a elegância

do teu sorriso

Vestir-te de jasmim

onde um eco se desnuda escandaloso

e os perfumes espelham a sedução

e os desejos deliciando-se fabulosos

Deixa-me ir

num átimo...

feliz, efémero

exímio, num ápice

saltando os destinos

mordiscando o glossário

do tempo peregrino

entrelaçados ao colo dos

desejos tiranos onde aferimos

um sonho sucumbindo

eternamente homónimo e legítimo


Frederico de Castro

👁️ 649

Horas dissimuladas



Já deixei de contar cada hora anónima

alimentando o rigor astuto do tempo
Já pincelei este calendário com dias
repletos de eternidade perdida no
fiel retrato da vida deixada no rascunho
deste silêncio que se esgueira inédito e recluso

Fiel e derradeiro inspiro teu perfume que
enche e mascara as horas pautadas no
calendário dos meses infinitos
sincopados em cânticos que vasculham
este sonho no teu ser prescrito

E eu, sem mais aparatos,
aparto-me do tempo
Saúdo-te e não mais pranteio o
sentimento que invade meu peito
achincalhando as tristezas onde passeio

Sigo rumo à plenitude da esperança
que renasce e inunda cada hora
pautada glissando um fiel silêncio
que recreio com pujança

E com precisão esmerada flanqueio cada palavra
flamejando no incensário dos prazeres ressoando
no leito do tempo onde beberico o vulto de cada
sílaba incubada nas lembranças sumindo na apoteótica
hora dissimuladamente eclética...terapêutica

Frederico de Castro

👁️ 377

Comentários (3)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!