Lista de Poemas
Horas dissimuladas

Já deixei de contar cada hora anónima
alimentando o rigor astuto do tempo
Já pincelei este calendário com dias
repletos de eternidade perdida no
fiel retrato da vida deixada no rascunho
deste silêncio que se esgueira inédito e recluso
Fiel e derradeiro inspiro teu perfume que
enche e mascara as horas pautadas no
calendário dos meses infinitos
sincopados em cânticos que vasculham
este sonho no teu ser prescrito
E eu, sem mais aparatos,
aparto-me do tempo
Saúdo-te e não mais pranteio o
sentimento que invade meu peito
achincalhando as tristezas onde passeio
Sigo rumo à plenitude da esperança
que renasce e inunda cada hora
pautada glissando um fiel silêncio
que recreio com pujança
E com precisão esmerada flanqueio cada palavra
flamejando no incensário dos prazeres ressoando
no leito do tempo onde beberico o vulto de cada
sílaba incubada nas lembranças sumindo na apoteótica
hora dissimuladamente eclética...terapêutica
Frederico de Castro
Anexo da memória

É tempo de converter as recordações
Deixadas no recôndito da alma
Suprir à fé, esperança
À oração mais confiança
Ao pensamento uma filosofia de perseverança
Vamos de vez estacionar nossas lembranças
Naquele carrocel da vida onde floriam nossas
Semelhanças, mesmo deixando no tempo
Beijos inacabados e memórias vadiando
No tempo sustentando-nos apaixonados
É hora de anexar às lembranças aquele
Rascunho de vida escondida atrás de um
Abraço decorado com perfumes rastejando
No perímetro do teu ser, onde me aprisiono no
Ópio do silêncio e em uníssono me emociono
Vamos pintar todas as recordações
Que a existência em sigilo nos deixou
Trocar os gestos excêntricos e embriagados
Que o tempo agora esterilizou
Com agilidade temperemos nossas utopias
Deixando o amor anexo a este poema medrando ileso
Até rasgar a noite que a noite debruada num sonho ostentou
Celebrizando todo segredo deste destino velado
Que só o tempo a seu tempo outras memórias coagulou
Frederico de Castro
Olhai os lirios em silêncio
Olhai os lírios em silêncio
Como se vestem e adormecem
Todos os tentáculos do tempo
Perfumando nossas solidões
Adormecidas no jardim onde
Outras paixões florescem em
Vagas de fantásticas emoções
Olhai os lírios em silêncio
Como quem desperta a brisa
De uma gargalhada dócil e grata
Fecunda este meu
Canteiro de ilusões onde
Plantei o carmim desejo
Que agora me alimenta e farta
Qual ígneo sonho
Arde...morde e traga
Olhai meu silêncio sorrindo
Aos lírios nascendo em cada
Eco de alegria esvoaçando
Na métrica deste poema
Entreaberto ao decote da vida
Desesperadamente a nós
Se entregando num folguedo
Supremo...latejando num absoluto
Desejo apetecendo, onde me lambuzo
Com os aromas dos seus gracejos acontecendo
Frederico de Castro
Dossier dos silêncios

Pintei lá no azul celestial
o mesmo olhar de amor
com que desperta a proverbial
pulsante e farta manhã
rejuvenescendo fraternal
Deixo na ressaca da noite
Um eco generoso
com que me embebedo
no frutífero e saboroso
salivar das nossas bocas
sem credo nem medo
quando todo em ti me excedo
num beijo tão argucioso
Transpiro de olhar
em olhar
sedento, ansioso
por encontrar-te saltitando
no porão dos meus silêncios
e depois... devorar-te pecaminoso
Correndo vou
suscitando a tua contemplativa
anuência pelos meus abraços
Recrio a rodovia dos teus sonhos
quando alimento os desejos (in)satisfeitos
enfeitando o diploma dos nossos gemidos
desafiando pesarosos
o silêncio que estrangulo
qual criminoso
Deixo-te por encaixotar
meus erros embalsamados
em remotas e resignadas
histórias
que decanto em poesia
sentida
transtornada e dolorosa
Se tiver ainda tempo
realço novas cores
na manhã ociosa e atónita
que brame resignada
perante o ultimato desconcertante
de uma gargalhada gemendo no espectro
da noite se engalanando de estrelas
luzindo fascinadas
Saúdo minha liberdade
Supero se preciso
os medos de ser
amistoso
quando o corpo em decadência
nem suporta mais
tantas vagas ritmadas
de felicidade
onde se decide como
enfeitar de novo a vida
crepitante veloz aplaudida
morrendo depois tolerante
e desiludida
Pelos holofotes mendigando
e adormecendo a luz flagelada
vieste pra mim debruçada sem
complacências...apenas tu
revigorando cada desejo em clamor
que assim se desperta triunfante
em respostas cronometradas
no dossier dos silêncios
onde jazem nossas vidas
estreitando-se ressarcidas
alcatifando cada palavra armazenada
na alfândega do vento rugindo brando
escondido na algibeira do tempo
correndo expedito...rufando
Frederico de Castro
Deixa-me ir...

Deixa-me ir
pois partirei sem mediatismos
Quase anónimo
deixando-te à mercê das saudades
há tanto tempo telepáticas
Sem pseudónimo
Apenas nós algemados à osmose
destes versos meus tão excêntricos
e inflamados
Deixa-me ir
sem mais remexer o lamento
que se esgueira mediático
Enfeitar outras tristezas
engolidas no ventre do tempo
autografando infinitas sombras
deslizando no rodapé do silêncio
num Big-Bang quase galático
Deixa-me ir
içar tuas velas
navegar em cada sorriso que
trazes nos olhos
Estilhaçar os silêncios por
onde cantarolei meus versos
agonizando no flagelo da noite
amanhecendo em cada heterónimo
eco aflito da alma
que mais não ouço...pois
clama surda engolindo o silêncio
que meus versos difama
Deixa-me ir
disfarçado no tempo
fotografando os diaporamas
das alegrias e tristezas
experimentando o fel de
um adeus enlutado
e sem mais subtilezas
Deixa-me ir
navegar no marasmo da noite
Abandonar as palavras
indesejadas...ondulando
até remendar a luz que
irrompe na cegueira do tempo
enquanto a noite desafia
a impaciente hora onde afloram
as lágrimas das nossas imensas
saudades...e que saudades !
Deixa-me ir
cumprir a efeméride destes versos
seduzidos
na virtualidade do tempo
Revolver este impaciente desejo
anestesiado pela anatomia
das memórias compiladas na
casualidade de um beijo
aliciante,insolente, veemente
Deixa-me ir
aromatizar a elegância
do teu sorriso
Vestir-te de jasmim
onde um eco se desnuda escandaloso
e os perfumes espelham a sedução
e os desejos deliciando-se fabulosos
Deixa-me ir
num átimo...
feliz, efémero
exímio, num ápice
saltando os destinos
mordiscando o glossário
do tempo peregrino
entrelaçados ao colo dos
desejos tiranos onde aferimos
um sonho sucumbindo
eternamente homónimo e legítimo
Frederico de Castro
Portefólio da esperança

Hoje deporto a alma deste corpo já sem chama
prefigurando o tempo de despedidas num cenário
onde sei sou o protagonista que clama
As palavras sei-as de cor e salteado
caiem estateladas em cada silêncio
que pressinto,sem patrocínio...ao abandono
Pelos atalhos desta vida descanso
minha saudade nas lembranças
lá vindo de longe embrulhadas
na caligrafia ou no portefólio das
nostálgicas esperanças
No movimento frágil dos meus sonhos
acordo a cada hora perdida numa
madrugada atónita
acomodando a legião dos desejos
ofegantes exibidos na ladainha destes
versos colhidos no destino hibernando
quietinho
drenando a frincha de tempo onde
sossego assim...clandestino
Fecharam-se as cortinas da manhã
onde filtrei as sombras convertidas
nesta fé confinada ao surtido de
todas as orações pintadas no
semblante deste testamento
iluminando as crenças inolvidáveis
confinadas na fronteira deste evento
entre o caminho a verdade e a vida
triunfando...inexoráveis no tempo
Frederico de Castro
Navegar por aí...

São estas as palavras e versos
que te clamam...eco dos meus
silêncios
bailado dos ventos suavizando
os tons e as cores paraslisadas
na corrente do tempo estritamente
eternizando um gesto, uma carícia
súbtil...sorrateiramente
Vou navegar por aí
tendo teu porto com destino
mergulhando em cada onda
onde gravita a silhueta dos teus
lábios desejando tanto, tanto
aquele beijo mutuamente
É tempo de festejar com pompa
e circunstância
Ser teu anfitrião a cada minuto
selvagem onde nos apetecemos
inteira...e tão completamente
É tempo de adubar as sementes do amor
Enraizar o fruto das lembranças enfeitando
cada galho de tempo onde musicalizámos
os ecos em frenesim, serenando meu poema
navegando por aí aleatoriamente qual teorema
gizado a régua e esquadro escrupulosamente
Frederico de Castro
Sob disfarce

Quisera eu fotografar o silêncio
Embarcar numa máquina de tempo
e viajar...viajar embriagando todas
as madrugadas desaguando no dominó
da vida jogada pra lá e pra cá
desarrumando todos os horizontes
divagando sem sentido
sem planície...rumo
instante ou existência
Sob disfarce prescruto o lado
mágico das palavras coíncidentes
Perfumo o desejo esculpido nas
tuas formas súbtis...reincidentes
Deixo percorrer o dia aveludando
o disperso farfalhar do silêncio
onde convalesço ao ritmo premente
dos desejos tão contundentes
Deixa-te levar no sabor das lembranças
aconchegando todo hiato de tempo cósmico
acariciando os poros da existência
clamando a cada transeunte dia que
escapa na patente da saudade que
morre pesarosa neste labirinto
planando em desassossegos
que agora só eu pressinto
Perderam-se tantos segundos numa
hora sequiosa de eternidade
que até me esqueci de marcar no
calendário da poesia uma palavra
de feição onde memorizamos a demanda
do tempo num absurdo silêncio iluminando
os candeeiros da vida escurecendo subtilmente
os céus incógnitos e extraditados
em versos absolutamente estupefactos
Frederico de Castro
O tacto do tempo

Existe um sabor em cada cor
Melancolia

Melancolia
advento em folia
perfumando o tempo
franzino, esquecido
beirando todas as anomalias
dos meus versos em plena vigília
Melancolia
apedrejando os meus silêncios
acantonados na tertúlia dos dias
onde mendigo sem quezilias
um grito de desespero remetido
neste poema morrendo
quase de embolia
Melancolia
dos meus sonhos remetidos ao
túmulo de todas as indiferenças
mastigando cada degrau onde
pavimento o espólio das
minhas irrefutáveis lembranças
Frederico de Castro
Comentários (3)
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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