A sístole do silêncio

O porteiro da noite escancarou
o silêncio nascido na vagem
do tempo bravio
desventrando o dia que pousa
ao colo do teu semblante predador
qual beijo que desperta alucinante
e intimidador
Foi benigna tão farta excitação
quando destranquei a loucura
onde me embebedei de paixão
Converti milímetro a milímetro
este momento numa pílula
de felicidade colorindo a dor
que descalço momentaneamente
assim
tu envergues minha solidão
anexada, tranquila
entre dois gomos de poesia
desordenada em verberação
Viver com a meta
já ali neste destino equivocado
é aclamar à marcha do tempo
onde filtramos palavras
movediças carregando no ventre o
infinito poema transitando
nas avenidas do tempo
tão esquecediças
Andará bramindo
a existência latindo em nós
descontente
aconchegando-me ao espiral
de silêncios onde premedito
a vida batendo em sístoles
tão latentes
esvaziando o átrio deste coração
onde me enfarto com diástoles
tão persistentes
Vivo desta contemplação
quase eterna deixando fibrilhar todo
este agitado poema em constante
arritmia e apelação
alimentando o habitat da razão
onde nossas gargalhadas celebram
o milagre que acontece num coração
que festeja cada desejo ventrículado
na aorta dos meus silêncios
em constante desfribilação
Frederico de Castro
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