Lista de Poemas
Gracejo hipnótico

No pretérito mais que perfeito
O deleite da promessa alimentando
O ritual do silêncio explícito
Ao quebrar o elo a cada hora hipotética
Gestando quântica matemática...frenética
A inspiração deixou meu silêncio
Sem stereo
Fez-se um esboço, um cântico
Marginal etéreo
Uma pareceria de beijos
Que creio avassaladores
Acantonados no sinédrio
Do tempo tão legislador
Hoje como ontem
Esboço apenas um rascunho
De palavras costuradas na fímbria
De todos os apoteóticos festejos
Pleito a poesia... musa dos meus
Desejos mais dialéticos
Sossego com narcóticos
Toda esta solidão incólume
Onde me embebedo fascinado
Com teus gracejos quase hipnóticos
O tempo enclausurou-se na
Maternidade dos silêncios
Num equilíbrio de versos alimentando
O sopro de vida apetecível e espontânea
Digerindo as saudades onde enxugo meu
Pranto morrendo apático
Num asterisco de palavras que te deixo
A desabrochar entre sonhos reservados
Num prognóstico de amor
Quase apocalíptico e tão fantástico
Frederico de Castro
Quando eu disser adeus...

Quando disser adeus
Esvazio pra sempre todos os paladares fluindo e
Palpitando em cada beijo que deixámos coexistindo
Colhendo as essências de um vinculado adeus
Incompreendido, submisso...preterido
Quando disser adeus
Pode até o tempo parasitar nos meus silêncios
Que eu descobrirei como embelezar as falésias
De cada desejo latindo pernicioso
Infringindo todas as leis de amor moldadas
num beijo bruxuleando vertiginoso
Quando disser adeus
Refresco teus aromas intensos reflectidos
No calendário dos tempos
Primavera que chegará caudalosa
Verão aplaudindo a vida numa homenagem escandalosa
Outono depois sei que virá repercutindo o amor
De forma escrúpulosa
E depois de todos...o nosso Inverno escrutinando
O adeus frio, marginal alimentando o carrilhão
Das horas fugindo lentamente graciosas
Quando disser adeus
Relembro-te se puder aquele exaurido momento
Transladado no tempo
Embalo-te todas aquelas ilusões sapateando no
Palco de muitas insurreições
Quando disser adeus
Será definitivo...sem prazo de validade
Instante suspenso no tempo...intuitivo
Tácito lamento penitente e homogéneo
Paciente lágrima rolando no timbre de um eco conivente
Quando disser adeus
Nem o silêncio será fugaz nem a morte audaz
Pois ficaram por galardoar cada dia de vida
Aplacada felicitando e fitando a sintaxe das minhas
Preces estocadas com esmero ante um Amén
Exilado na arquitectura de tantas orações delicadas
Quando disser adeus
Tudo ficará igual, hoje, amanhã e depois
Na elasticidade dos tempos que se iluminem
As roupagens das nossas crenças e ilusões
Que se registem as dores renitentes...fardo
Da alma edificada num sonho assim penitente
Quando eu disser adeus...e tenho que dizer adeus,
Tombo até sobre a tumba dos silêncios ateus
Evoco a preceito o sentido deste verso
Expelido, converso...iminente descalço e plebeu
Suprema vénia esculpida na sintonia onisciente nos
Beijos que se apressam...antes do adeus...oh, meu Deus
Agora sei...tão impotente
Frederico de Castro
O silêncio na paisagem

Descobri nesta viagem
toda a paisagem se despedindo
procurando outros endereços
com seus atalhos fotografados
nos retábulos da vida bramindo
Fica o silêncio pontual
prosseguindo na longa caminhada
colorindo esta muda paisagem sensual
debruando o corpo do tempo grunhindo
entre o vão das janelas solitárias
e a hora ocluindo neste adeus venerado
em cada esquina onde mora a paisagem
dos meus silêncios proliferando enamorados
O lugar da esperança acampou-se
entre as minhas mais propícias reflexões
mirando cada cenário exarado
na paisagem deslumbrada
pintada a três dimensões
Descolori meus sonhos deixando
o preto e branco quase desamparados
entre as nuances frágeis dos nossos dessassossegos
delicados e atrevidos amanhecendo numa vénia
de cumplicidade tão fidedigna
Frederico de Castro
Todo tempo...é tanto tempo!

Todo o tempo...é tanto tempo perpetuando
cada instante da nossa existência
Tanto tempo deixando despida
a indumentária furtiva da vida
pintalgando o tempo num strip tease
de desejos apetitivos, simétricos, intuitivos
Todo tempo...é tanto tempo conspirando
por entre sombras carentes escapulindo
renovando a biblioteca de tantos
abraços que deixei sorrindo na azáfama
do silêncio álacre que inventei quase,
quase de improviso
Frederico de Castro
Um momento mais...

Findou a peça de teatro
O ensaio o momento
A existência que acontece
O passado, o presente cada
recomeço que apetece reedita
o sonho que desperta no futuro
Findou cada lembrança distraída
perdida entre a solidão de silêncios
incertos, indecisos
reconfortando a inconveniência
de uma saudade desventrando aquele
absoluto momento mais...de total
conivência
Guardo religiosamente o perfume
do dia acontecer
admirando a luminosidade do luar
enfeitando a noite numa prece
quase a enlouquecer
Um momento mais
a tempo de namorar cada
suspiro teu
Fitar-te exuberante
tropeçando na sombra dos
nossos desejos quase beligerantes
Confundir-me no agrilhoado tempo
pernoitando qual sentinela do silêncio
que alimenta a vida esculpida num poema
caligrafando a inabalável palavra que tenho
como lema
Um momento mais
Um verso que jorra inacabado
Um silêncio que se perpetua dilacerado
Um dia que renasce ousado
desenterrando a hora súbtil que desliza
na ampulheta do desejo obcecado
Um momento mais e eu te daria minha'alma
embalada num poema quase consumado
Frederico de Castro
Nos cuidados intensivos

Deixei na soleira do silêncio
um sopro de dor em letargia
Enquanto a noite corria apressada
tão fugidia
Somente ali existia o vacilar
dos teus prantos batendo nas
vidraças do tempo
amiúde aconchegando o pacto de todas
as nossas felizes e ternas atitudes
entregues aos cuidados intesivos
da alma incógnita bailando nesta
minha imensa quietude
Em epígrafe te deixo meus versos
revestidos de amor
subsistindo ao tempo
deixando no asilo da vida o
mesmo sonho ecoando
no colossal adeus burilado e
incubado neste quase obsceno silêncio
Morre o dia numa tristeza tão copiosa
A madrugada que se foi, regenera-se
tão minuciosa
sorvendo o perfume que teu ser
rouba de rompante a uma palavra
que reescrevo, astuciosa
Suplanto todas as tristezas
sem mais lacunas ou inigmas
bebendo na esfinge do tempo
o oculto sibilar dos teus beijos
conjecturando na leda madrugada
que esquadrinho a preceito
Mergulho no tempo nómada e sedento
à procura da autoria dos teus abraços
suprindo o desejo manifesto em
cada súplica mais ciosa que amordaço
...envernizando o tilintar da vida arfando
no recanto dos cuidados intensivos
onde acontecemos, simultâneamente
espalhafatosos, famintos, coagulando
o amor atado ao uterino momento
que nos foge inexoravelmente
Frederico de Castro
Então, enquanto chove...

Então enquanto chove
as palavras desprendem-se no vazio
pingando no destelhado zinco das tristezas
Ausentam-se no frio da noite em chuviscos de
amor varrendo as solidões numa subtileza
de palavras sufocantes expostas no currículo
do tempo assim...tão aliciantes
Então enquanto chove
até as lágrimas em silêncio
vertem cada soluço da alma refém
absorta no vai-vem da vida declinando
a cada raiar de uma brisa se decompondo
num sussurro breve, seduzido...ao abandono
Então enquanto chove
te ofereço a madrugada por inteiro
Exalo todos os perfumes do dia
nascendo na eloquência de um beijo
sorrateiro
Promulgo toda esta saudade que perdura
açoitando a memória de um verso galante
e torrencial que ofereço com ternura
Então enquanto chove
Os gestos de outrora são a lúdica
paisagem do teu ser que abordo
em cada hora guardada no túmulo
do tempo loucamente disperso
num sonho que recordo
Então enquanto chove
é tempo de escutar os ventos espremendo
suas nuvens até pingar em nós todo o imenso
e licoroso aguaceiro que desaba no silêncio
unânime,transladado...qual incenso
É tempo de conceber a vida numa pareceria de odores
perfumando a lassidão destas estrofes dotadas de uma
inspiração quase crucial
Pintar um desejo intemporal recriado no design deste
poema embelezado com as hormanas de toda a
estética que me é apaixonante e essencial
Frederico de Castro
Para AL...

As ausências desaguam agora
Frederico de Castro
Nas entrelinhas do tempo

Novo começo vagando nas entrelinhas
aromáticas do tempo
Marginalizar cada ilusão insana e fútil
A mesma emoção sempre grata e súbtil
O dissecar das vontades onde arrebato
teu ser quase indomável pincelando os
meus silêncios em cada oração dolorosa
esquecida num detalhe desta vida sinuosa
Novo começo e o tempo que acato
percorre o dilúvio dos meus
pensamentos, semeando o perfume
dos dias revogados e insinuantes
vestidos num arco-íris de ilusões
mesclando cada beijo pernoitando
num desejo tão fustigado e estonteante
Do começo ao fim
nada de novo...apenas
e só os contornos decididos
de uma memória sem autonomia
onde revivo cada momento
postergado na privacidade dos lamentos
cantados em estereofonia
Amanhã ou depois, quem sabe
nem eu...sem permissão da saudade
te guarde no invólucro das lembranças
boiando à tona das minhas fiéis esperanças
irrigando cada sonho que bebo na
mais intima fusão dos nossos seres
escoltando o vagar do silêncio esculpindo
e acalentando o cenário das nossas semelhanças
Sem apelo nem agravo chega
a noite disseminando a luz que
foge no breu da vida
perpetrando toda a escuridão que adorna
minha solidão
Ao longe escuto agora o brado do tempo
escapulindo pelos trilhos da memória
num emaranhado de sonhos coletados
a cada imagem subsistindo sem escapatória
Frederico de Castro
Nos cuidados intensivos

Deixei na soleira do silêncio
um sopro de dor em letargia
Enquanto a noite corria apressada
tão fugidia
Somente ali existia o vacilar
dos teus prantos batendo nas
vidraças do tempo
amiúde aconchegando o pacto de todas
as nossas felizes e ternas atitudes
entregues aos cuidados intesivos
da alma incógnita bailando nesta
minha imensa quietude
Em epígrafe te deixo meus versos
revestidos de amor
subsistindo ao tempo
deixando no asilo da vida o
mesmo sonho ecoando
no colossal adeus burilado e
incubado neste quase obsceno silêncio
Morre o dia numa tristeza tão copiosa
A madrugada que se foi, regenera-se
tão minuciosa
sorvendo o perfume que teu ser
rouba de rompante a uma palavra
que reescrevo, astuciosa
Suplanto todas as tristezas
sem mais lacunas ou inigmas
bebendo na esfinge do tempo
o oculto sibilar dos teus beijos
conjecturando na leda madrugada
que esquadrinho a preceito
Mergulho no tempo nómada e sedento
à procura da autoria dos teus abraços
suprindo o desejo manifesto em
cada súplica mais ciosa que amordaço
...envernizando o tilintar da vida arfando
no recanto dos cuidados intensivos
onde acontecemos, simultâneamente
espalhafatosos, famintos, coagulando
o amor atado ao uterino momento
que nos foge inexoravelmente
Frederico de Castro
Comentários (3)
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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