Escritas

Lista de Poemas

Gracejo hipnótico


No pretérito mais que perfeito
O deleite da promessa alimentando
O ritual do silêncio explícito
Ao quebrar o elo a cada hora hipotética
Gestando quântica matemática...frenética

A inspiração deixou meu silêncio
Sem stereo
Fez-se um esboço, um cântico
Marginal etéreo
Uma pareceria de beijos
Que creio avassaladores
Acantonados no sinédrio
Do tempo tão legislador

Hoje como ontem
Esboço apenas um rascunho
De palavras costuradas na fímbria
De todos os apoteóticos festejos
Pleito a poesia... musa dos meus
Desejos mais dialéticos
Sossego com narcóticos
Toda esta solidão incólume
Onde me embebedo fascinado
Com teus gracejos quase hipnóticos

O tempo enclausurou-se na
Maternidade dos silêncios
Num equilíbrio de versos alimentando
O sopro de vida apetecível e espontânea
Digerindo as saudades onde enxugo meu
Pranto morrendo apático
Num asterisco de palavras que te deixo
A desabrochar entre sonhos reservados
Num prognóstico de amor
Quase apocalíptico e tão fantástico

Frederico de Castro

👁️ 417

Quando eu disser adeus...



Quando disser adeus
Esvazio pra sempre todos os paladares fluindo e
Palpitando em cada beijo que deixámos coexistindo
Colhendo as essências de um vinculado adeus
Incompreendido, submisso...preterido

Quando disser adeus
Pode até o tempo parasitar nos meus silêncios
Que eu descobrirei como embelezar as falésias
De cada desejo latindo pernicioso
Infringindo todas as leis de amor moldadas
num beijo bruxuleando vertiginoso

Quando disser adeus
Refresco teus aromas intensos reflectidos
No calendário dos tempos
Primavera que chegará caudalosa
Verão aplaudindo a vida numa homenagem escandalosa
Outono depois sei que virá repercutindo o amor
De forma escrúpulosa
E depois de todos...o nosso Inverno escrutinando
O adeus frio, marginal alimentando o carrilhão
Das horas fugindo lentamente graciosas

Quando disser adeus
Relembro-te se puder aquele exaurido momento
Transladado no tempo
Embalo-te todas aquelas ilusões sapateando no
Palco de muitas insurreições

Quando disser adeus
Será definitivo...sem prazo de validade
Instante suspenso no tempo...intuitivo
Tácito lamento penitente e homogéneo
Paciente lágrima rolando no timbre de um eco conivente

Quando disser adeus
Nem o silêncio será fugaz nem a morte audaz
Pois ficaram por galardoar cada dia de vida
Aplacada felicitando e fitando a sintaxe das minhas
Preces estocadas com esmero ante um Amén
Exilado na arquitectura de tantas orações delicadas

Quando disser adeus
Tudo ficará igual, hoje, amanhã e depois
Na elasticidade dos tempos que se iluminem
As roupagens das nossas crenças e ilusões
Que se registem as dores renitentes...fardo
Da alma edificada num sonho assim penitente

Quando eu disser adeus...e tenho que dizer adeus,
Tombo até sobre a tumba dos silêncios ateus
Evoco a preceito o sentido deste verso
Expelido, converso...iminente descalço e plebeu
Suprema vénia esculpida na sintonia onisciente nos
Beijos que se apressam...antes do adeus...oh, meu Deus
Agora sei...tão impotente

Frederico de Castro
👁️ 486

O silêncio na paisagem



Descobri nesta viagem

toda a paisagem se despedindo

procurando outros endereços

com seus atalhos fotografados

nos retábulos da vida bramindo

Fica o silêncio pontual

prosseguindo na longa caminhada

colorindo esta muda paisagem sensual

debruando o corpo do tempo grunhindo

entre o vão das janelas solitárias

e a hora ocluindo neste adeus venerado

em cada esquina onde mora a paisagem

dos meus silêncios proliferando enamorados

O lugar da esperança acampou-se

entre as minhas mais propícias reflexões

mirando cada cenário exarado

na paisagem deslumbrada

pintada a três dimensões

Descolori meus sonhos deixando

o preto e branco quase desamparados

entre as nuances frágeis dos nossos dessassossegos

delicados e atrevidos amanhecendo numa vénia

de cumplicidade tão fidedigna

Frederico de Castro

👁️ 423

Todo tempo...é tanto tempo!


Todo o tempo...é tanto tempo perpetuando
cada instante da nossa existência
Tanto tempo deixando despida
a indumentária furtiva da vida
pintalgando o tempo num strip tease
de desejos apetitivos, simétricos, intuitivos

Todo tempo...é tanto tempo conspirando
por entre sombras carentes escapulindo
renovando a biblioteca de tantos
abraços que deixei sorrindo na azáfama
do silêncio álacre que inventei quase,
quase de improviso

Frederico de Castro

👁️ 304

Um momento mais...



Findou a peça de teatro

O ensaio o momento

A existência que acontece

O passado, o presente cada

recomeço que apetece reedita

o sonho que desperta no futuro

Findou cada lembrança distraída

perdida entre a solidão de silêncios

incertos, indecisos

reconfortando a inconveniência

de uma saudade desventrando aquele

absoluto momento mais...de total

conivência

Guardo religiosamente o perfume

do dia acontecer

admirando a luminosidade do luar

enfeitando a noite numa prece

quase a enlouquecer

Um momento mais

a tempo de namorar cada

suspiro teu

Fitar-te exuberante

tropeçando na sombra dos

nossos desejos quase beligerantes

Confundir-me no agrilhoado tempo

pernoitando qual sentinela do silêncio

que alimenta a vida esculpida num poema

caligrafando a inabalável palavra que tenho

como lema

Um momento mais

Um verso que jorra inacabado

Um silêncio que se perpetua dilacerado

Um dia que renasce ousado

desenterrando a hora súbtil que desliza

na ampulheta do desejo obcecado

Um momento mais e eu te daria minha'alma

embalada num poema quase consumado


Frederico de Castro

👁️ 385

Nos cuidados intensivos



Deixei na soleira do silêncio

um sopro de dor em letargia

Enquanto a noite corria apressada

tão fugidia

Somente ali existia o vacilar

dos teus prantos batendo nas

vidraças do tempo

amiúde aconchegando o pacto de todas

as nossas felizes e ternas atitudes

entregues aos cuidados intesivos

da alma incógnita bailando nesta

minha imensa quietude

Em epígrafe te deixo meus versos

revestidos de amor

subsistindo ao tempo

deixando no asilo da vida o

mesmo sonho ecoando

no colossal adeus burilado e

incubado neste quase obsceno silêncio

Morre o dia numa tristeza tão copiosa

A madrugada que se foi, regenera-se

tão minuciosa

sorvendo o perfume que teu ser

rouba de rompante a uma palavra

que reescrevo, astuciosa

Suplanto todas as tristezas

sem mais lacunas ou inigmas

bebendo na esfinge do tempo

o oculto sibilar dos teus beijos

conjecturando na leda madrugada

que esquadrinho a preceito

Mergulho no tempo nómada e sedento

à procura da autoria dos teus abraços

suprindo o desejo manifesto em

cada súplica mais ciosa que amordaço

...envernizando o tilintar da vida arfando

no recanto dos cuidados intensivos

onde acontecemos, simultâneamente

espalhafatosos, famintos, coagulando

o amor atado ao uterino momento

que nos foge inexoravelmente


Frederico de Castro

👁️ 440

Então, enquanto chove...




Então enquanto chove

as palavras desprendem-se no vazio

pingando no destelhado zinco das tristezas

Ausentam-se no frio da noite em chuviscos de

amor varrendo as solidões numa subtileza

de palavras sufocantes expostas no currículo

do tempo assim...tão aliciantes

Então enquanto chove

até as lágrimas em silêncio

vertem cada soluço da alma refém

absorta no vai-vem da vida declinando

a cada raiar de uma brisa se decompondo

num sussurro breve, seduzido...ao abandono

Então enquanto chove

te ofereço a madrugada por inteiro

Exalo todos os perfumes do dia

nascendo na eloquência de um beijo

sorrateiro

Promulgo toda esta saudade que perdura

açoitando a memória de um verso galante

e torrencial que ofereço com ternura

Então enquanto chove

Os gestos de outrora são a lúdica

paisagem do teu ser que abordo

em cada hora guardada no túmulo

do tempo loucamente disperso

num sonho que recordo

Então enquanto chove

é tempo de escutar os ventos espremendo

suas nuvens até pingar em nós todo o imenso

e licoroso aguaceiro que desaba no silêncio

unânime,transladado...qual incenso

É tempo de conceber a vida numa pareceria de odores

perfumando a lassidão destas estrofes dotadas de uma

inspiração quase crucial

Pintar um desejo intemporal recriado no design deste

poema embelezado com as hormanas de toda a

estética que me é apaixonante e essencial

Frederico de Castro

👁️ 434

Para AL...



As ausências desaguam agora
Na planície dos meus silêncios
Enquanto colhes os cânticos
Esperançosos crescendo na efeméride
Absoluta do tempo com arte e esplendor
Perpectuando tua voz meiga em celestiais coreografias
gratinando o colorido templo da musica
Em magistrais timbres acariciando acústica sonorizada
Num cântico que tantas ilusões sintoniza

Frederico de Castro
👁️ 482

Nas entrelinhas do tempo



Novo começo vagando nas entrelinhas

aromáticas do tempo

Marginalizar cada ilusão insana e fútil

A mesma emoção sempre grata e súbtil

O dissecar das vontades onde arrebato

teu ser quase indomável pincelando os

meus silêncios em cada oração dolorosa

esquecida num detalhe desta vida sinuosa

Novo começo e o tempo que acato

percorre o dilúvio dos meus

pensamentos, semeando o perfume

dos dias revogados e insinuantes

vestidos num arco-íris de ilusões

mesclando cada beijo pernoitando

num desejo tão fustigado e estonteante

Do começo ao fim

nada de novo...apenas

e só os contornos decididos

de uma memória sem autonomia

onde revivo cada momento

postergado na privacidade dos lamentos

cantados em estereofonia

Amanhã ou depois, quem sabe

nem eu...sem permissão da saudade

te guarde no invólucro das lembranças

boiando à tona das minhas fiéis esperanças

irrigando cada sonho que bebo na

mais intima fusão dos nossos seres

escoltando o vagar do silêncio esculpindo

e acalentando o cenário das nossas semelhanças

Sem apelo nem agravo chega

a noite disseminando a luz que

foge no breu da vida

perpetrando toda a escuridão que adorna

minha solidão

Ao longe escuto agora o brado do tempo

escapulindo pelos trilhos da memória

num emaranhado de sonhos coletados

a cada imagem subsistindo sem escapatória

Frederico de Castro

👁️ 452

Nos cuidados intensivos



Deixei na soleira do silêncio

um sopro de dor em letargia

Enquanto a noite corria apressada

tão fugidia

Somente ali existia o vacilar

dos teus prantos batendo nas

vidraças do tempo

amiúde aconchegando o pacto de todas

as nossas felizes e ternas atitudes

entregues aos cuidados intesivos

da alma incógnita bailando nesta

minha imensa quietude

Em epígrafe te deixo meus versos

revestidos de amor

subsistindo ao tempo

deixando no asilo da vida o

mesmo sonho ecoando

no colossal adeus burilado e

incubado neste quase obsceno silêncio

Morre o dia numa tristeza tão copiosa

A madrugada que se foi, regenera-se

tão minuciosa

sorvendo o perfume que teu ser

rouba de rompante a uma palavra

que reescrevo, astuciosa

Suplanto todas as tristezas

sem mais lacunas ou inigmas

bebendo na esfinge do tempo

o oculto sibilar dos teus beijos

conjecturando na leda madrugada

que esquadrinho a preceito

Mergulho no tempo nómada e sedento

à procura da autoria dos teus abraços

suprindo o desejo manifesto em

cada súplica mais ciosa que amordaço

...envernizando o tilintar da vida arfando

no recanto dos cuidados intensivos

onde acontecemos, simultâneamente

espalhafatosos, famintos, coagulando

o amor atado ao uterino momento

que nos foge inexoravelmente


Frederico de Castro

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Comentários (3)

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asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!