Escritas

Anexo da memória

Frederico de Castro



É tempo de converter as recordações

Deixadas no recôndito da alma
Suprir à fé, esperança
À oração mais confiança
Ao pensamento uma filosofia de perseverança

Vamos de vez estacionar nossas lembranças
Naquele carrocel da vida onde floriam nossas
Semelhanças, mesmo deixando no tempo
Beijos inacabados e memórias vadiando
No tempo sustentando-nos apaixonados

É hora de anexar às lembranças aquele
Rascunho de vida escondida atrás de um
Abraço decorado com perfumes rastejando
No perímetro do teu ser, onde me aprisiono no
Ópio do silêncio e em uníssono me emociono

Vamos pintar todas as recordações
Que a existência em sigilo nos deixou
Trocar os gestos excêntricos e embriagados
Que o tempo agora esterilizou

Com agilidade temperemos nossas utopias
Deixando o amor anexo a este poema medrando ileso
Até rasgar a noite que a noite debruada num sonho ostentou
Celebrizando todo segredo deste destino velado
Que só o tempo a seu tempo outras memórias coagulou

Frederico de Castro

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