Lista de Poemas
dos limites da certeza
a vida
nunca é pouca
quando o futuro nos olhos
e a palavra na boca
sonhar é só um jeito
de guardar a vida
o espaço e o tempo
dentro do peito.
👁️ 126
dos meus tempos e das minhas desmedidas
A manhã
me contradita
tudo que me amanhece
é uma noite irrestrita
todas as horas do meu sono
olham um tempo
em que me amanheço
em contradita
a razão de ser um modo
humano em sua dita
sempre deixa meu tempo
numa cota resumida
eu sempre sou o que digo
apesar da desmedida
homem é sempre um tempo
de todas as medidas
me contradita
tudo que me amanhece
é uma noite irrestrita
todas as horas do meu sono
olham um tempo
em que me amanheço
em contradita
a razão de ser um modo
humano em sua dita
sempre deixa meu tempo
numa cota resumida
eu sempre sou o que digo
apesar da desmedida
homem é sempre um tempo
de todas as medidas
👁️ 106
dos direitos e modos
de qualquer modo
a vida é sempre um jeito
de construir o novo
dentro do peito
basta dar ao coração
a liberdade e o direito
a vida é sempre um jeito
de construir o novo
dentro do peito
basta dar ao coração
a liberdade e o direito
👁️ 74
do desejo e seus circunlóquios
o desejo
não é um jeito
de querer
o que não devo
o desejo
é apenas caminho
de espantar o mêdo
o desejo
não é um jeito
de desdizer
o que não creio
o desejo
é transeunte
de muitos mares
nas avenidas
e tudo que tange
meus olhares
o desejo
não transige
com a parcimônia
do que se vive
o desejo, enfim,
é quase um sobressalto
de quem mergulha humano
na certeza do que acha.
não é um jeito
de querer
o que não devo
o desejo
é apenas caminho
de espantar o mêdo
o desejo
não é um jeito
de desdizer
o que não creio
o desejo
é transeunte
de muitos mares
nas avenidas
e tudo que tange
meus olhares
o desejo
não transige
com a parcimônia
do que se vive
o desejo, enfim,
é quase um sobressalto
de quem mergulha humano
na certeza do que acha.
👁️ 104
do tempo e mais dizentes
o tempo
é um disfarce da alma
tanto mais agora
tanto mais acalma
não que fuja da lógica
dos números e dos nadas
mas que tenha a compreensão
de que não tarda
o tempo é ofício
de tanger a calma
e descobrir o vau
dos rios da alma.
o tempo
é invólucro do espaço
e toda hora e lugar
em que me abraço
não tem do rio
qualquer semelhança
pois o rio nunca para
na lembrança
não tem da rua
a mesma simetria
pois passos não lhe andam
apesar de via
o tempo
rói a intenção
como um rato
que quisesse roer
o seu retrato
pois falta-lhe a concisão
de parecer-se uno
quando imagem não seja
o que degluta
mas a própria carne
que desusa.
é um disfarce da alma
tanto mais agora
tanto mais acalma
não que fuja da lógica
dos números e dos nadas
mas que tenha a compreensão
de que não tarda
o tempo é ofício
de tanger a calma
e descobrir o vau
dos rios da alma.
o tempo
é invólucro do espaço
e toda hora e lugar
em que me abraço
não tem do rio
qualquer semelhança
pois o rio nunca para
na lembrança
não tem da rua
a mesma simetria
pois passos não lhe andam
apesar de via
o tempo
rói a intenção
como um rato
que quisesse roer
o seu retrato
pois falta-lhe a concisão
de parecer-se uno
quando imagem não seja
o que degluta
mas a própria carne
que desusa.
👁️ 66
Dom Quixote
língua de seda
lança de angústia
lavra Dom Quixote
sua luta
bóiam no campo
ávidos misteres
estraçalhados vãos
dos seus prazeres
rola na barba
uma frescura inata
de sua alma precoce
de astronauta
amanha no riso
lavoura adequada
aos afazeres que a paz
escreve em arma.
lança de angústia
lavra Dom Quixote
sua luta
bóiam no campo
ávidos misteres
estraçalhados vãos
dos seus prazeres
rola na barba
uma frescura inata
de sua alma precoce
de astronauta
amanha no riso
lavoura adequada
aos afazeres que a paz
escreve em arma.
👁️ 44
do sonho e sua imanência
o sonho
é sempre coletivo
tudo que lhe tange
é infinito
e mesmo particular
dá-se ao desplante
de parecer viés
de todos os horizontes
é que lhe sobra uma nesga
de matéria itinerante
que passeia coletiva
nos sonhos de quem cante
sonhar é ver no outro
seu próprio horizonte.
é sempre coletivo
tudo que lhe tange
é infinito
e mesmo particular
dá-se ao desplante
de parecer viés
de todos os horizontes
é que lhe sobra uma nesga
de matéria itinerante
que passeia coletiva
nos sonhos de quem cante
sonhar é ver no outro
seu próprio horizonte.
👁️ 62
Do sertão e das vivências da curva de quase um rio
Primeiro havia um tempo
de parecer-se à terra
e germinar sementes
tão impunemente
que os dias atravessavam
o tempo todo da gente
primeiro havia um espaço
de conformar-se à amplidão
e parecer-se a infinito
que coubesse na mão
como se fora tão pouca
a consistência do não
primeiro havia a conveniência
de parecer-se à contradição
que joga homens à terra
com a mesma sofreguidão
com que os ares encerram
sua constância de sertão
primeiro havia cidades
vazias de tal lembrança
como se cactos fossem
a sua desesperança
um invólucro informal
de aguda persistência
como uma lavratura inconteste
de sua impaciência
primeiro havia o aval
de toda sua urdidura
de terra em quase canal
de estranha tecitura
como se alinhavasse seu vau
na complacência das ruas
vias essas que ousam
parecer-se a andaduras
de homens passos que passam
em calcanhares e figuras
que posam a vida pelo tempo
com a parcimônia das luas
primeiro havia a vantagem
de homens sobre a vontade
de poucos que tiram a muitos
as nesgas dessas cidades
porque em tudo era o todos
de primazia escorreita
se não pela palavra
que em verbo ainda se luta
pela persistência do braço
e a consistência tão bruta
que leva o homem a viver
de causa sempre mais justa
primeiro era a intenção
de se fazer tão moderno
que coubesse na razão
como um sistema exato
que consumisse sempre o riso
do tamanho do seu abraço
e contivesse ao invés
de desmedidas e distratos
a aparência dos mares
e a suficiência dos fatos
primeiro era a digressão
de que o verbo é tão incauto
que às vezes morre na palavra
quando não intenta o salto
de tornar-se quase discurso
das urdiduras do dia
retratando quase o mundo
num tempo de alegria
primeiro era o sertão
posto assim em desfastio
com a mesma complacência
das curvas de qualquer rio
que teima em se dar ao mar
apesar dos desvarios
de andar pelas cidades
banhando pedras e gente
como se fosse em engenho
de construir todo vivente
coisa de nem ser liberto
porque liberdade não se sente
ou se vive pela alma
ou se cobra pelos dentes
primeiro era o sertão
em urgente serventia
completando cada homem
nas regras claras do dia
como se fazenda fosse
o peito de cada vivente
de uma lavoura tenaz
das coisas todas da gente
que se planta quando fala
e se fala quando sente
primeiro era a certeza
de que a terra desmente
quem lhe tem como estrada
de consumir adredemente
um pouco de quem quer que seja
na condição de presente
primeiro era a verdade
de que seu valor não é renda
que possa desembocar
no bolso de quem convenha
só pela propriedade
de toda e qualquer moenda
pois para tirar-lhe custo
em valor que nem lhe pese
seja presente em cada palmo
de seus leirões e aceiros
a insistência do braço
e a condição de sertanejo
construindo o que se planta
em sua face de fazenda
retrate o homem a pertença
de tudo que lhe atenha
pois terra se dê ao luxo d
e transformar-se em beleza
inventando seus roçados
nos peitos da natureza
e siga sendo do homem
sempre sertão em desafio
como se fora um mar
que coubesse em cada rio
e desembocasse amiúde
no peito de cada filho
de parecer-se à terra
e germinar sementes
tão impunemente
que os dias atravessavam
o tempo todo da gente
primeiro havia um espaço
de conformar-se à amplidão
e parecer-se a infinito
que coubesse na mão
como se fora tão pouca
a consistência do não
primeiro havia a conveniência
de parecer-se à contradição
que joga homens à terra
com a mesma sofreguidão
com que os ares encerram
sua constância de sertão
primeiro havia cidades
vazias de tal lembrança
como se cactos fossem
a sua desesperança
um invólucro informal
de aguda persistência
como uma lavratura inconteste
de sua impaciência
primeiro havia o aval
de toda sua urdidura
de terra em quase canal
de estranha tecitura
como se alinhavasse seu vau
na complacência das ruas
vias essas que ousam
parecer-se a andaduras
de homens passos que passam
em calcanhares e figuras
que posam a vida pelo tempo
com a parcimônia das luas
primeiro havia a vantagem
de homens sobre a vontade
de poucos que tiram a muitos
as nesgas dessas cidades
porque em tudo era o todos
de primazia escorreita
se não pela palavra
que em verbo ainda se luta
pela persistência do braço
e a consistência tão bruta
que leva o homem a viver
de causa sempre mais justa
primeiro era a intenção
de se fazer tão moderno
que coubesse na razão
como um sistema exato
que consumisse sempre o riso
do tamanho do seu abraço
e contivesse ao invés
de desmedidas e distratos
a aparência dos mares
e a suficiência dos fatos
primeiro era a digressão
de que o verbo é tão incauto
que às vezes morre na palavra
quando não intenta o salto
de tornar-se quase discurso
das urdiduras do dia
retratando quase o mundo
num tempo de alegria
primeiro era o sertão
posto assim em desfastio
com a mesma complacência
das curvas de qualquer rio
que teima em se dar ao mar
apesar dos desvarios
de andar pelas cidades
banhando pedras e gente
como se fosse em engenho
de construir todo vivente
coisa de nem ser liberto
porque liberdade não se sente
ou se vive pela alma
ou se cobra pelos dentes
primeiro era o sertão
em urgente serventia
completando cada homem
nas regras claras do dia
como se fazenda fosse
o peito de cada vivente
de uma lavoura tenaz
das coisas todas da gente
que se planta quando fala
e se fala quando sente
primeiro era a certeza
de que a terra desmente
quem lhe tem como estrada
de consumir adredemente
um pouco de quem quer que seja
na condição de presente
primeiro era a verdade
de que seu valor não é renda
que possa desembocar
no bolso de quem convenha
só pela propriedade
de toda e qualquer moenda
pois para tirar-lhe custo
em valor que nem lhe pese
seja presente em cada palmo
de seus leirões e aceiros
a insistência do braço
e a condição de sertanejo
construindo o que se planta
em sua face de fazenda
retrate o homem a pertença
de tudo que lhe atenha
pois terra se dê ao luxo d
e transformar-se em beleza
inventando seus roçados
nos peitos da natureza
e siga sendo do homem
sempre sertão em desafio
como se fora um mar
que coubesse em cada rio
e desembocasse amiúde
no peito de cada filho
👁️ 68
dos 62 em anos
Aos 62
tanjo a vida
na mesma direção
das desmedidas
tudo é tanto
e tão restrito
que me resto na contradição
do que morro e vivo
aos 62
meço-me menino
nas léguas de mim
que adivinho
e o riso
é uma bandeira escancarada
nas portas do que digo
aos 62
invento a tarde
na manhã
em que me invado
e vivo tudo de mim
desenfreado.
tanjo a vida
na mesma direção
das desmedidas
tudo é tanto
e tão restrito
que me resto na contradição
do que morro e vivo
aos 62
meço-me menino
nas léguas de mim
que adivinho
e o riso
é uma bandeira escancarada
nas portas do que digo
aos 62
invento a tarde
na manhã
em que me invado
e vivo tudo de mim
desenfreado.
👁️ 48
do desenrolar das horas
o futuro
não é só um jeito
que o passado teima em dar
no pensamento
antes é viagem
descompassada
entre o que já foi
de tudos e de nadas
e mesmo futuro
ainda é passado
um presente grávido
de todos os passos
pois nunca é apenas um
é sempre vários
futuro
não lhe serve a carapuça
de retratar-se vazio
de qualquer luta
e mesmo tempo
é uma hora avessa
que vige apenas lúdica
no vão da cabeça
e no entanto
é razão inteira
de quem tem a vida
como certeza.
não é só um jeito
que o passado teima em dar
no pensamento
antes é viagem
descompassada
entre o que já foi
de tudos e de nadas
e mesmo futuro
ainda é passado
um presente grávido
de todos os passos
pois nunca é apenas um
é sempre vários
futuro
não lhe serve a carapuça
de retratar-se vazio
de qualquer luta
e mesmo tempo
é uma hora avessa
que vige apenas lúdica
no vão da cabeça
e no entanto
é razão inteira
de quem tem a vida
como certeza.
👁️ 93
Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.