Lista de Poemas
dos ilimites do futuro
Eis a síntese:
tudo que acontece
finge
um lado é fato
o outro crise
o sonho é apenas a versão
do que insiste
ainda que a razão
me tenha triste.
sonhar é só palavra
de um verbo farto
que às vezes voa
na sola dos sapatos.
tudo que acontece
finge
um lado é fato
o outro crise
o sonho é apenas a versão
do que insiste
ainda que a razão
me tenha triste.
sonhar é só palavra
de um verbo farto
que às vezes voa
na sola dos sapatos.
👁️ 87
dos métodos e divisões da alma
subversivo
sobrevivo
entre mim
e o que digo
nada da ordem
me desonera
de ver no horizonte
o sentido das pedras
subversivo
me desfaço
nas léguas do povo
em que me acho
e as almas que tenho
amiúde
apontam todos os nortes
do que pude.
sobrevivo
entre mim
e o que digo
nada da ordem
me desonera
de ver no horizonte
o sentido das pedras
subversivo
me desfaço
nas léguas do povo
em que me acho
e as almas que tenho
amiúde
apontam todos os nortes
do que pude.
👁️ 124
dos caminhos insurgentes
O destino
é só um âmbito
de estar-se em trânsito
é que lhe sobra um jeito
de ser subversivo
tudo que lhe guia
é a vontade e o infinito
o destino, impunemente,
é só um tempo avaro
que o peito as vezes joga
nos minutos da gente
é só um âmbito
de estar-se em trânsito
é que lhe sobra um jeito
de ser subversivo
tudo que lhe guia
é a vontade e o infinito
o destino, impunemente,
é só um tempo avaro
que o peito as vezes joga
nos minutos da gente
👁️ 95
dos largos e da convivência
o que às vezes
não consigo
é viver
sem todos os meus mortos
e todos os meus vivos
não que o que projeto
seja assim incontrolado
mas uma tática que guardo
no mais fundo do que ardo.
e se há vivos mortos
e mortos desenfreados
não há como senti-los
sem a estranha defasagem
que há entre a morte viva
e a defunta vida dos que jazem.
não consigo
é viver
sem todos os meus mortos
e todos os meus vivos
não que o que projeto
seja assim incontrolado
mas uma tática que guardo
no mais fundo do que ardo.
e se há vivos mortos
e mortos desenfreados
não há como senti-los
sem a estranha defasagem
que há entre a morte viva
e a defunta vida dos que jazem.
👁️ 76
dos anacronismos e dos rumos
tudo que era a guerra
virou assim, de repente
uma paz desse tudo
no quase nada da gente
é que a vontade obedece
a quem é, assim, coerente
e constrói as portas do novo
por aquilo que se sente.
e se não der a vontade
de um só, em desalinho,
junte a vontade de outros
sempre no mesmo caminho
e construa a razão
como quem mede esse grito
com todas as léguas da gente
estendidas no infinito.
virou assim, de repente
uma paz desse tudo
no quase nada da gente
é que a vontade obedece
a quem é, assim, coerente
e constrói as portas do novo
por aquilo que se sente.
e se não der a vontade
de um só, em desalinho,
junte a vontade de outros
sempre no mesmo caminho
e construa a razão
como quem mede esse grito
com todas as léguas da gente
estendidas no infinito.
👁️ 92
dos barcos de mim
Dos mares que velejo impunemente
perdido assim em teu abraço
tolerarei as ondas que não meça
dividirei os tempos assim farto
e de nada-los assim sem medo
talvez consiga em teu encalço
restar infinito em teus segredos
na complacência exata dos teus braços
perdido assim em teu abraço
tolerarei as ondas que não meça
dividirei os tempos assim farto
e de nada-los assim sem medo
talvez consiga em teu encalço
restar infinito em teus segredos
na complacência exata dos teus braços
👁️ 49
dos ganhos e das perdas em singelo enredo
ganho
o que perco
o que resta em mim
é apenas o que meço
tudo que não seja tanto
por ser de menos
o que prezo
a vida, enfim ,
é exatamente
tudo que o peito
grava na gente.
não há avesso
naquilo que se sente.
o que perco
o que resta em mim
é apenas o que meço
tudo que não seja tanto
por ser de menos
o que prezo
a vida, enfim ,
é exatamente
tudo que o peito
grava na gente.
não há avesso
naquilo que se sente.
👁️ 122
dos dizeres em regra
Eu me explico
em tudo aquilo
que não digo
é que fazer
é quase tanto
daquilo em que vivo
em tudo aquilo
que não digo
é que fazer
é quase tanto
daquilo em que vivo
👁️ 80
dos coletivos e das vertentes
a cada um sou todos
desbragadamente
como tão farta aja a forma
na singularidade explícita
de gente
é que me cabe o desapego
de não tanger a vida
impunemente
mas concebê-la em cada norma
como exercício implícito
de tudo que se sente
a cada um sou todos
tão completamente
que nada do que me falta
seja tão latente
que desborde do coração
tão simplesmente
como se fora condição
de ser um único inadimplente
a cada um sou todos
tão flagrantemente
como uma notícia estampada
no frontispício de vivente
desbragadamente
como tão farta aja a forma
na singularidade explícita
de gente
é que me cabe o desapego
de não tanger a vida
impunemente
mas concebê-la em cada norma
como exercício implícito
de tudo que se sente
a cada um sou todos
tão completamente
que nada do que me falta
seja tão latente
que desborde do coração
tão simplesmente
como se fora condição
de ser um único inadimplente
a cada um sou todos
tão flagrantemente
como uma notícia estampada
no frontispício de vivente
👁️ 73
dos dizeres sobre a vida e outros
sobro
de tudo que me cabe
a vida é sempre maior
do que se sabe
e nem lhe resta
a contradição
de conformar-se cedo
com o que é tarde:
o tempo nem lhe cobra
os trâmites da liberdade.
de tudo que me cabe
a vida é sempre maior
do que se sabe
e nem lhe resta
a contradição
de conformar-se cedo
com o que é tarde:
o tempo nem lhe cobra
os trâmites da liberdade.
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.