Lista de Poemas
À Camarada Antônia
à Camarada Selma Bandeira, in memoriam
nem mais teu verbo
ressurgirá tão ávido
que recomponha tua carne
na pouquidão da tarde
ainda que as praças de Recife
guardem no seu átomo mais largo
os pedaços de rosa dos teus pulmões
esculpidos à pulso em palavras
ainda que nos olhos da gente
repouse teu retrato mais amargo
nem mesmo o fim conseguirá reter
o início lógico da madrugada
teus músculos
dilacerados em vão
pulsarão nos sonhos
que ainda trazemos nas mãos
nem mais teu verbo
ressurgirá tão ávido
que recomponha tua carne
na pouquidão da tarde
ainda que as praças de Recife
guardem no seu átomo mais largo
os pedaços de rosa dos teus pulmões
esculpidos à pulso em palavras
ainda que nos olhos da gente
repouse teu retrato mais amargo
nem mesmo o fim conseguirá reter
o início lógico da madrugada
teus músculos
dilacerados em vão
pulsarão nos sonhos
que ainda trazemos nas mãos
👁️ 81
em direções e laços
a bússola
é incoerente
pois nunca aponta o norte
que se traz dentro da gente
o sentido que aponta
é empre tão exato
que não cabe dentro do peito
ou na sola dos sapatos
e nesse conselho que traça
como irremediável ofício
não tem ainda a precisa candura
dos humanos exercícios
é incoerente
pois nunca aponta o norte
que se traz dentro da gente
o sentido que aponta
é empre tão exato
que não cabe dentro do peito
ou na sola dos sapatos
e nesse conselho que traça
como irremediável ofício
não tem ainda a precisa candura
dos humanos exercícios
👁️ 91
Srebrenica em plástica hecatombe
em Srebrenica
tudo agita
a condição humana
de quem fica
em Srebrenica
velhos não existem
mas a esperança jovem
de quem ainda é triste
em Srebrenica
ninguém admite
que a vida esteja posta
em cabides
em Srebrenica
não existe a mágoa
mas a grande compreensão
de que se tarda
em Srebrenica
a lógica resiste
a parecer fundamento
de quem vive
em Srebrenica
nada é da vida
tudo agita
a condição humana
de quem fica
em Srebrenica
velhos não existem
mas a esperança jovem
de quem ainda é triste
em Srebrenica
ninguém admite
que a vida esteja posta
em cabides
em Srebrenica
não existe a mágoa
mas a grande compreensão
de que se tarda
em Srebrenica
a lógica resiste
a parecer fundamento
de quem vive
em Srebrenica
nada é da vida
👁️ 69
a bailarina em razões urgentes
o peito
sonha a pauta
como um dó
de lata
que cortasse a carne
e a máquina
como mágoa
e que se dissesse engenheira
de todo palco
e de toda brincadeira
o pé sonha o palco
como nuvem e graça
que pulsasse o salto
como lágrima
e que remisse os pecados
de quem passa
a bailarina
nem ensina
o palco que carrega
nas pupilas
apenas enseja
um certo destemor
pelo vão da vida
sonha a pauta
como um dó
de lata
que cortasse a carne
e a máquina
como mágoa
e que se dissesse engenheira
de todo palco
e de toda brincadeira
o pé sonha o palco
como nuvem e graça
que pulsasse o salto
como lágrima
e que remisse os pecados
de quem passa
a bailarina
nem ensina
o palco que carrega
nas pupilas
apenas enseja
um certo destemor
pelo vão da vida
👁️ 142
Teatro
meus olhos
diluíram-se na tarde
como reticências absurdas
que completavam em vão
os aparatos da noite
e mastigando os palcos do planeta
o tempo arquitetava rugas
na face indormida dos homens
meus passos
quilometricamente derramados
bebiam o tato da areia
com a displicência
dos andares anônimos
da luz
aconchegada aos poros
subia o hálito e o verbo
dos discursos não ditos
e pela minha cara
passeavam gestos
e a profunda compreensão
da aspereza da tarde
diluíram-se na tarde
como reticências absurdas
que completavam em vão
os aparatos da noite
e mastigando os palcos do planeta
o tempo arquitetava rugas
na face indormida dos homens
meus passos
quilometricamente derramados
bebiam o tato da areia
com a displicência
dos andares anônimos
da luz
aconchegada aos poros
subia o hálito e o verbo
dos discursos não ditos
e pela minha cara
passeavam gestos
e a profunda compreensão
da aspereza da tarde
👁️ 81
quase soneto em raro desacordo
rosa que assim me faça destemido
em tê-la como flor tão fortemente
e que me seja tanto e mais sentida
que a dor de viver apenasmente
flor que me lembra incontrolado
nos obstáculos que tranço pela vida
e que me pulsam avulso pelo mundo
como trama de tudo que eu não digo
e que me conte assim pelas esquinas
navegante de mares e de rimas
como notícia de todo sentimento
e que me ponha no verso como n'alma
deslavado de tudo e tanta calma
inconstruído ainda em meu lamento
em tê-la como flor tão fortemente
e que me seja tanto e mais sentida
que a dor de viver apenasmente
flor que me lembra incontrolado
nos obstáculos que tranço pela vida
e que me pulsam avulso pelo mundo
como trama de tudo que eu não digo
e que me conte assim pelas esquinas
navegante de mares e de rimas
como notícia de todo sentimento
e que me ponha no verso como n'alma
deslavado de tudo e tanta calma
inconstruído ainda em meu lamento
👁️ 112
biografia em síncope compassada
diz que um dia
um rapaz algo bizarro
desses que se constroem lentamente
bebeu a estrela mais vasta
às margens de um mar tão penitente
não fora ele um peregrino
do redemoinho exausto da emoção
retirar-se-ia da vida fundamente
não cravasse a estrela no seu vão
de palmilhar seus desencontros
com os pés avaros de distâncias
moeu-lhe a consciência a exata luz
que da estrela subiu-lhe em desalinho
e da funda cilha do seu peito
corcoveava o coração insone
por não se completar e tanto quanto quisesse
em alguma estrela que se dissesse humana
e hoje
da funda ilha do seu peito
habita o coração incontrolado
bêbado das manhãs mais adoráveis
que a estrela constrói com seus olhares.
um rapaz algo bizarro
desses que se constroem lentamente
bebeu a estrela mais vasta
às margens de um mar tão penitente
não fora ele um peregrino
do redemoinho exausto da emoção
retirar-se-ia da vida fundamente
não cravasse a estrela no seu vão
de palmilhar seus desencontros
com os pés avaros de distâncias
moeu-lhe a consciência a exata luz
que da estrela subiu-lhe em desalinho
e da funda cilha do seu peito
corcoveava o coração insone
por não se completar e tanto quanto quisesse
em alguma estrela que se dissesse humana
e hoje
da funda ilha do seu peito
habita o coração incontrolado
bêbado das manhãs mais adoráveis
que a estrela constrói com seus olhares.
👁️ 89
Poema de circunstância III
o relâmpago
traça na noite
seu jeito de dia
a mulher
envolta em sono
resume em si
todos os meus egos
e a baía
sestrosamente adormecida
enleva seus barcos
com os arrepios solertes
de seu dorso farto
a síntese
trai um infinito
tardiamente acabado
traça na noite
seu jeito de dia
a mulher
envolta em sono
resume em si
todos os meus egos
e a baía
sestrosamente adormecida
enleva seus barcos
com os arrepios solertes
de seu dorso farto
a síntese
trai um infinito
tardiamente acabado
👁️ 63
Dos trilhos e trens em seus viventes
os trilhos
que trago em mim
são caminhos da vida
dos trens que o futuro tange
com suas locomotivas
e que restam pelas ruas
em espirais de viventes
nos meandros que a estrada
constrói em suas vertentes
maquinista de mim, admito,
ouso os trilhos de quem sente.
que trago em mim
são caminhos da vida
dos trens que o futuro tange
com suas locomotivas
e que restam pelas ruas
em espirais de viventes
nos meandros que a estrada
constrói em suas vertentes
maquinista de mim, admito,
ouso os trilhos de quem sente.
👁️ 109
ode de um amor preciso
urdes-me a noite
com a dessemelhança
dos dias que trago embutidos
e que em vão me cansam
porque mesmo consumido
em suores mais urgentes
eu me queira tão latente
num desvão do teu sentido
porque mesmo amarguras
se as estraçalho em tua ausência
vige uma esperança intacta
na concatenação geral dos meus sentidos
que me levam avaro
a bastar-me em teu semblante
e das noites inteiras que desfio
na exata compreensão do teu sorriso
com a dessemelhança
dos dias que trago embutidos
e que em vão me cansam
porque mesmo consumido
em suores mais urgentes
eu me queira tão latente
num desvão do teu sentido
porque mesmo amarguras
se as estraçalho em tua ausência
vige uma esperança intacta
na concatenação geral dos meus sentidos
que me levam avaro
a bastar-me em teu semblante
e das noites inteiras que desfio
na exata compreensão do teu sorriso
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.