Lista de Poemas
dominical
o domingo nos teus olhos
para mirar impunemente
a transcendência do dia
e assim carnal
o tempo arquivou-se
e do meu peito brotaram manhãs
com o gosto de tuas atitudes
e nem me importa
que teus olhos se limitem
pois cabem exatos no instante
dos infinitos em que sempre me contive
balada a minha terceira mulher em caso de urgência
por ter-se tão vasta
preencha o quanto de tua ausência
em que se diga ávida
ou que fora pouca
ou que se faça marca
meu coração
é uma bandeira exata
de tremular em ti
na tua falta
nem a minha vontade
tenha-se controlada
em distribuir tua voz
no vão dessa cidade
meu coração
é um motor inato
de sempre ter sido
tão em ti
voraz e automático
não dessas energias
que se filtram aos pedaços
mas que em cada novo gesto
descubram assim tão de repente
que a vida sempre bóia nos teus olhos
comigo apenas navegante do teu peito
nem os infinitos
que se contam comumente
ousem desembaraçar em ti
aquilo que, em mim, é de te ter tão vasta
e condição de ter-me vivente
de posses e possuidos
me despossuo
na exata medida
de achar que a noite é balsa
de atravessar a vida
cúmplice de ti
me absolvo
das muitas vidas
que cometo e absorvo
e convoco em mim
os metros de alegria
que adredemente preparas
na garganta do dia
pequena dialética de mim
que seja tanto
que não seja eu
quando não tantos
que me seja um
assim tão vário
e que me faça tantos
assim tão único
e que me cobre poucos
assim tão muito
e que me saiba avante
nos meus recuos
e que me faça parco
quando tão vasto
e que me sobre infinito
quando limitado.
Das vestimentas e suas vertentes
do teu vestido de tule
meus olhos boiavam imensos
em tudo aquilo que eu pude
e neste mister avaro
de ser-me ávido e manso
recolhi-me em meus sorrisos
a cada esgar de tua semelhança
em cada esquina
do teu vestido de tule
eu me catei inteiro
e me desfiz contente
e me contive a custo
quando não em mim
estive já presente
Dos voos retóricos em ondas
são as palavras
que o poema entorna
pela alma
aves retóricas
só intentam
inventar nas frases
um vôo do pensamento
e assim lúdicas
iludem os verbos
traçando futuros
no peito do verso
minhas asas voam mansas
nos sonos que adormeço
Dos arruados da vida em caravana
o dia para mudar
é agora
basta laçar a vida,
montar na história
e derramar os neurônios
nas estradas das horas
tangendo o tempo de todos
como se fora caravana
que a gente inventa no peito
e pelos campos derrama
há que se entornar a vida
como fora uma dança
Do capital em decúbito recorrente
regurgita
as léguas da fome
que exercita.
Homens e lucros
em decúbito
estupram moedas
e debitam absurdos
o capital moribundo
estertora sua pança
e apodrece a razão
nas larguras do mundo
Do poema em navegante razão
delata
os debruns da vida
em passeata
funda mandíbula
de palavras
engalana verbos
e os desata
e nessa lírica procissão
em que desaba
é quase um enfeite da razão
um aconchego de palavras
Paisagem nordestina em trânsito
assim deitado no vento
o infinito dá um jeito
de abraçar-se com o tempo
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.