Lista de Poemas
Rejeição
Amor.
Palavra gasta,
já perdeu cor, forma e significado – diriam alguns.
Amor esse que rejeitastes,
amor este que te fez rir,
amor que me roubou noites de sono,
pequenas alegrias,
saborosas lembranças.
Antes de amar-te,
eu nada mais era do que um todo esperando um igual,
antes de sonhar com teus braços,
não havia essa angústia de não tê-los.
Agora sou pó,
pó e vazio,
tudo o que sou vem de ti,
cada palavra foi esculpida e moldada nos meus lábios por que meu amor quis assim.
E, no entanto, foi sem palavras que me deixastes,
levastes o verão e a primavera da minha vida,
com os sinos do teu riso arrancastes cada flor que plantei em teu nome.
Dos destroços do meu coração,
fizestes um samba,
armaste um enredo,
dançastes um bamba.
Agora que essa parte da minha alma subjugada levaste embora,
ficou-me o pó do que poderia ter sido,
os planos do que poderia ter te dado,
apenas eu, meu caro, ninguém mais.
Amor.
Palavra tão gasta,
agora meu coração entende por que.
Dê-se pouco há muitos,
mas guarde para si a maior parte de si mesma.
Gemas avelãs
Eram avelãs.
Duas gemas perfeitas
avelãs e eleitas
que mexeram comigo,
me deliciaram,
me aliciaram,
me atiçaram ao perigo do abismo de teus olhos.
O cheiro viril do teu desejo,
as cores ásperas que teu toque me dá,
me erguem, me elevam, abalam meu quadrado mundo.
Caí da profundeza dos teus olhos
para a singeleza da tua boca,
o contorno perfeito que apenas o meu desejo colori,
viva, atraente, única.
Tão próxima de uma distância ainda maior.
Teu coração acelerado em minhas mãos,
meu pulso ritmado a tua batida.
Se teus olhos avelã me chamaram,
foi a doçura da tua alma que não me deixou ir embora.
O “não” tão próximo aos lábios,
o ‘sim’ reivindicou o coração.
Não deveria ser bom
e talvez não tenha sido,
Não deveria ser belo
e foi esplendoroso,
Não deveria ser verdadeiro,
mas os lagos translúcidos desmentem a ultima sentença.
Se precisavas daquele beijo,
O que acontece se eu necessitar de todos os outros?
Para o mundo ouvir
O sonho seria mais próximo?
As paredes louvariam minhas palavras?
Acreditariam no que ninguém acredita além de mim?
Se eu te chamasse de amor no escondido do meu coração,
Será que minh’alma se calaria?
O que assombra meu mundo,
estremece meus alicerces,
confunde minha mente
Veria a beleza do meu vão sacrifício e se encolheria em si mesmo/a?
Se eu te chamasse de amor em frente as flores,
solitárias e perdidas em seu próprio mundo de necessidade e sobrevivência.
Será que elas abençoariam tais palavras?
Suspirariam de contentamento?
Torceriam para que tão grande amor ultrapassasse a eternidade?
Te chamar de amor em frente ao mundo,
não tornaria nosso amor maior,
nem mesmo o encolheria,
mas o tornaria mais real.
Voto
Quando criança,
fiz um voto de amar-te até a morte.
Ser para ti meiga, doce e obediente.
Nem por demais inteligente,
Nem por muito ignorante.
Pôr mel em minha voz,
ouvir atentamente tuas palavras sábias
e também as não tão sábias assim.
Ver bondade em cada gesto teu para comigo,
ver tenacidade no que alguns (ou muitos) chamariam de teimosia.
Seria o vento embaixo de tuas asas,
tua consorte, teu amor, tua amiga,
tão delicada quanto um botão de flôr.
A minha segurança, a minha vida e os meus sentimentos
Só a ti pertenceriam.
Quando criança fiz um voto,
de amar-te até a morte.
Nunca te pediria muito,
me satisfaria com as migalhas de atenção que pudesses me dar.
Não haveria para mim tesouro maior que o teu coração.
Cumpri meu voto,
A criança em mim te amou,
tanto ou mais quanto disse que faria.
Amou-te até o dia em que morreu,
Amou-te até quando você a matou em mim.
Mais uma vez
Outro espinho sangrento,
outra lágrima num turbilhão de chuva,
outra canção cantada em meio aos corvos,
outro coração ferido em plena guerra.
Silencioso grito que irrompe em palavras,
mesquinha solidão apunhalou o amor outra veze outra vez e outra vez.
Que dor profunda e tugida,
ascendente e crescente,
como num riso desvairado de um labirinto cinzento.
Uma melodia confusa,
um sopro de puro ar de esgoto.
E se repete e repete e repete..
uma e outra veze outra vez e outra vez,sem lado B.
Sem limites, sem saída, sem choro.Não mais.
Palavras escritas
minhas palavras não são carinhosas ou afáveis.
Elas não rimam ou choram.
Posso odiá-las,
ainda assim não cabe a mim reprimi-las.
Não escrevo por expressão,
o expresso que se foi como o vento,
pois sem expressão posso viver,
mas sem escrita não vivo.
Também não é por arte que escrevo,
nem por amor ou dor.
Não escrevo por qualquer motivo nobre, é uma pena.
Tirem-me o pão, o ar e o chão,
mas de mim não tirem as palavras.
Eu as como, respiro e salto.
Elas mudam meu mundo -
deixam-no suntuoso ou depenado.
Porém nunca o mesmo, nunca igual.
No entanto, não são fiéis a mim - as danadas.
Minhas palavras são como fogo,
como brisa que passa,
como chão que se abre.
Delas a minha vontade é herdeira.
Coitada de mim não tem nada.
Palavra é mais que vida,
é sangue, tempestade e paixão.
São as palavras que me dão sentido,
nunca, meus amigos, o contrário.
O sonho de um som
Essa é a música que meu coração cantaria se pudesse cantar.
Esse é o tom do meu choro,
a melodia dos meus soluços,
O som agridoce das minhas lágrimas a quase cair.
O fio triste de um violino de dor,
A ave-maria suave e maçante dos sinos,
O ronco grave do violão...
A voz rasgada,
O coral puído da escuridão da mágoa.
Se a música em mim vivesse,
um pouco antes do fim,
Far-lhe-ia a mais cortante canção.
Adeus.
Adeus.
Adeus culpa,
Adeus tristeza.
Adeus
Adeus.
Adeus amor,
Adeus nobreza.
Para Deus eu te dou!
A mim resta o silêncio,
Perdoe-me o egoísmo mudo,
mas apenas com ele me vou.
Pois não há música em mim, afinal.
Adeus.
Adeus.
A Deus!
O desamor pela vida
Mas E quando, por um cansaço profundo d’alma, escolhemos desistir do amor? De tudo que nos prende a essa existência tão medíocre? Estamos doentes? Ou apenas cansados de uma luta sem fim, escolhendo a rendição honrosa? Deixando-nos ser derrotados com plena convicção de que nada é pior do que continuar a luta eterna, o massacre contínuo de nossas almas. Algumas vezes o amor não é o bastante, A brisa refresca, mas não suaviza a alma queimada e surrada. A água lava, mas não cura as feridas - não some com as cicatrizes. O sol ilumina mas não consegue aquecer o frio perpétuo de uma alma solitária. Igualmente a isso, o amor conforta mas não preenche o vazio. Quando o amor não é o suficiente, a esperança é vã. Doente e triste pássaro que não encontra mais prazer em voar, O horizonte não lhe é mais tentador, o vento não lhe sussurra convites como dantes, ou talvez nunca sussurrou, talvez e só talvez o pobre pássaro encontrasse consolo na ilusão de uma canção composta pelo vento. No sol a aquecer suas penas, nas nuvens se dissipando frente sua vista. Achando que havia sentido, que não era apenas uma brincadeira perversa do destino o tal pássaro poder voar, mas jamais poder viver no ar. Um ser dividido, com vislumbres de liberdade. Somos todos como aquele pássaro, a diferença é que poucos percebem isso e outros tantos não se importam.
Promessas que se vão
Nunca pensei em te deixar
Nunca pensei ser eu a causa da tua dor.
Prometi lutar por teu sorriso,
Prometi te dar o meu mais sublime amor.
Perdoe amada minha,
Perdoe minha fraqueza,
Perdoe minha falta de honra,
Perdoe-me a dor incessante da tua alma.
Agora entendo que promessa vã,
não é promessa alguma.
Fiquei a encarar a pedra no meio do caminho por muito tempo,
Vendo alguns pularem sobre ela com a beleza de uma garça,
vendo outros tropeçarem e se levantarem logo em seguida
E, finalmente vendo aqueles que não levantaram.
E eu apenas observei,
observei até que descobri que para mim aquele caminho não era importante.
Até que descobri que não queria saltar ou tropeçar.
Eu só malditamente queria pegar a bendita pedra e bater na minha cabeça com ela.
Fim.
Sem mais caminhos, obstáculos e sem mais me odiar por estar em um lugar que não
queria.
Ainda sim, querida minha, não espero que entenda minha decisão.
No entanto quando tomar a sua própria
espero que o caminho te leve a mim de alguma forma.
Porque o amor é um grande ciclo e no fim do seu caminho nos reencontraremos!
Desespero do amor
Amor que cresce e engana,
Coração que se abre como um leque frente a um inimigo invencível,
inominável, imaculável.
Sombras cor de rosa e de desejo,
sabor doce de perdição, rendição, maldição...
Manjar de veneno que se faz em meu peito,
quem eu era antes de me assolares e fazeres de mim um ser amante?
Não sei, não me lembro.
Inócua névoa, brilhante em seu romantismo,
que carrega meu amor pelo amante,
traz de volta meu orgulho,
devolve-me o sabor da vida pelos meus olhos
e não pelos olhos de quem amo.
Faz-me amar-me ao menos um pouco, para que eu não esqueça de mim, do meu gosto.
Traz-me, ó vida, o desejo de pertencer-me a mim e a mim só.
Para que apenas de mim dependa minha felicidade,
para que seja eu - meu refúgio.
Pois dói e como dói, amar tão tenazmente,
amor que depende de um outro para ser feliz,
amor volúvel que ao mesmo em que colore minha alma,
amaldiçoa meu sangue.
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