Rejeição


Amor.
Palavra gasta,
já perdeu cor, forma e significado – diriam alguns.


Amor esse que rejeitastes,
amor este que te fez rir,
amor que me roubou noites de sono,
pequenas alegrias,
saborosas lembranças.

Antes de amar-te,
eu nada mais era do que um todo esperando um igual,
antes de sonhar com teus braços,
não havia essa angústia de não tê-los.
Agora sou pó,
pó e vazio,
tudo o que sou vem de ti,
cada palavra foi esculpida e moldada nos meus lábios por que meu amor quis assim.

E, no entanto, foi sem palavras que me deixastes,
levastes o verão e a primavera da minha vida,
com os sinos do teu riso arrancastes cada flor que plantei em teu nome.
Dos destroços do meu coração,
fizestes um samba,
armaste um enredo,
dançastes um bamba.

Agora que essa parte da minha alma subjugada levaste embora,
ficou-me o pó do que poderia ter sido,
os planos do que poderia ter te dado,
apenas eu, meu caro, ninguém mais.

Amor.
Palavra tão gasta,
agora meu coração entende por que.
Dê-se pouco há muitos,
mas guarde para si a maior parte de si mesma.

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