O desamor pela vida
Mas E quando, por um cansaço profundo d’alma, escolhemos desistir do amor? De tudo que nos prende a essa existência tão medíocre? Estamos doentes? Ou apenas cansados de uma luta sem fim, escolhendo a rendição honrosa? Deixando-nos ser derrotados com plena convicção de que nada é pior do que continuar a luta eterna, o massacre contínuo de nossas almas. Algumas vezes o amor não é o bastante, A brisa refresca, mas não suaviza a alma queimada e surrada. A água lava, mas não cura as feridas - não some com as cicatrizes. O sol ilumina mas não consegue aquecer o frio perpétuo de uma alma solitária. Igualmente a isso, o amor conforta mas não preenche o vazio. Quando o amor não é o suficiente, a esperança é vã. Doente e triste pássaro que não encontra mais prazer em voar, O horizonte não lhe é mais tentador, o vento não lhe sussurra convites como dantes, ou talvez nunca sussurrou, talvez e só talvez o pobre pássaro encontrasse consolo na ilusão de uma canção composta pelo vento. No sol a aquecer suas penas, nas nuvens se dissipando frente sua vista. Achando que havia sentido, que não era apenas uma brincadeira perversa do destino o tal pássaro poder voar, mas jamais poder viver no ar. Um ser dividido, com vislumbres de liberdade. Somos todos como aquele pássaro, a diferença é que poucos percebem isso e outros tantos não se importam.
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