Desespero do amor
Amor que cresce e engana,
Coração que se abre como um leque frente a um inimigo invencível,
inominável, imaculável.
Sombras cor de rosa e de desejo,
sabor doce de perdição, rendição, maldição...
Manjar de veneno que se faz em meu peito,
quem eu era antes de me assolares e fazeres de mim um ser amante?
Não sei, não me lembro.
Inócua névoa, brilhante em seu romantismo,
que carrega meu amor pelo amante,
traz de volta meu orgulho,
devolve-me o sabor da vida pelos meus olhos
e não pelos olhos de quem amo.
Faz-me amar-me ao menos um pouco, para que eu não esqueça de mim, do meu gosto.
Traz-me, ó vida, o desejo de pertencer-me a mim e a mim só.
Para que apenas de mim dependa minha felicidade,
para que seja eu - meu refúgio.
Pois dói e como dói, amar tão tenazmente,
amor que depende de um outro para ser feliz,
amor volúvel que ao mesmo em que colore minha alma,
amaldiçoa meu sangue.
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