Lista de Poemas
Dor do adeus
sinto falta da tua voz nas noites mais frias,
sinto saudades das birras e malcriações,
dos machismos e eufemismos.
Eu sinto a falta de você!
Às vezes quando fecho os olhos quase posso te sentir bem perto,
sorrindo e me amando,
brigando e acreditando em mim como ninguém mais.
Dói ter que deixar-te,
e pela dor e a covarde que acabei sendo,
saí sem dizer adeus!
Talvez se eu nunca disser essa palavra ela nunca se concretize
e eu nunca tenha que esquecê-lo!
Hoje aprendi que difícil não é ter que encontrar o amor,
difícil é ter que deixá-lo ir embora.
Sei que você nunca vai entender minhas razões,
mas mesmo assim sem razão nenhuma compreensível
te deixei!
Te deixei pela minha fraqueza,
Te deixei antes que possa te machucar de verdade,
pois não sou forte o suficiente pra viver esse amor!
Mas nunca pensei que doeria tanto assim ir embora.
Adeus, meu querido, meu amado.
Espero que encontres alguém que mereça tua grandeza e teu fardo!
Minha (Tua) sanidade
Tão dourado teu cabelo que desvio a vista.
Sinto falta do marfim da tua pele,
Absorvendo o luar.
Grito pela distância entre teus lábios,
Doces lábios, e os meus.
O café da minha cor está tão só,
Meus sentidos acostumaram-se a tua forma.
Te imploro: Não se vá, querida!
Não leve o sabor da tua boca!
Deixe-me o toque da tua pele!
Teu longo cabelo enrolado em minha mão.
Teu ouvido encostado ao meu coração.
Se deixar o meu amor sozinho
Ele comerá meu coração por dentro.
Os meus sonhos todos serão engolidos pelo pesadelo da solidão.
Ficarei rouco de tanto chamar-te de volta,
Derramarei lágrimas carmesins na tua porta,
Esmagarei minhas mãos batendo na tua casa,
Porei fogo em todas as tuas cartas.
Serei louco, maníaco, teu e sozinho.
Então não me deixa,
Por mim, por você, pelo mundo a tua volta
Não leva minha sanidade contigo!
Desejo
O coração reclama do que não viveu,
A mente grita que o sofrimento é desnecessário,
as mãos pedem para tocar, ser tocadas,
acariciar e sentir.
A respiração quer perder o fôlego,
a boca quer ser mordida, sugada, lambida, implorada...
Os meus olhos já me imploraram pra ser monomaníacos
e meus ouvidos desejam teus gemidos.
Meus seios necessitam das tuas mãos, tuas carícias, teus beliscões,
minha voz quer gritar teu nome,
meu corpo carece do teu suor, do teu peso,
minhas unhas clamam arranhar tuas costas, te puxar pra mais perto
a rosa aveludada quer ser cheirada, colhida, chupada.
meus pés querem o calor dos teus,
minha cabeça decidiu-se no teu peito aconchegar ,
minha risada deseja unir-se a vibração da tua
e minha alma quer a plenitude que apenas a tua pode dar
Jardim de amor
Um ponto brilhante na fosca linha do tempo.
Amor verdadeiro,
Amor tímido,
Amor sagrado.
Amor real que nada pede
e o mundo inteiro dá.
Como uma pequena flor a brotar no deserto,
trouxe consigo todo um óasis.
És belo, ó amado
És sublime, ó amor.
Perfeito, flagrante e nobre.
Amor de sangue puro,
amor regado de uma felicidade eterna,
fertilizado pelos momentos de alegria,
podado pelas tristezas mais cruas.
Assim é o amor.
Assim é o sentimento que chamamos de paz.
Reis
Reis da luz e da ilusão,
da nuvem que avança despercebida,
do sol que brilha cegante,
do vento que esconde a brisa,
da árvore que se nutre sutilmente do mundo.
Reis das sombras e do abismo,
da maldade velada no escuro,
da guerra friamente travada na diplomacia,
do horror nos olhos desesperados dos desesperançados,
do ódio cultivado em fogo brando e que há muito promete discórdia.
Reis da arrogância e mediocridade humana,
da negligência e do descaso,
do potencial cruelmente jogado fora,
da vida desperdiçada por amantes que pouco se amam.
de tudo o que deixou de ser o suficiente,
do caro que nos custou o desmantelo do verde em prol das pedras.
Ó Reinados infames que assombram as bravídias tentativas de tomar o teu, o meu e o nosso nas
mãos.
O ódio de culpar-te tornou-se tentador e, mesmo assim, a responsabilidade de culpar-me tornou-se
necessária.
Hilariantes reis, decadentes e inexatos.
Um brinde, então meus caros,
a ilusão,
ao abismo,
a humanidade e ao descaso.
E mais um brinde à saúde dos proclamados...
Os reis dentro de nossa humanidade
que buscam frestas em meio aos telhados.
Pedaços da alma
Não há casa aqui.
A vida se foi, se é que existiu.
Não há amor aqui.Apenas um ódio frio.
Há uma mágoa profunda no meu peito,que eu não consigo nem quero curar mais.
Sinto minha alma fragmentada em incontáveis estilhaços,
talvez de uma bala perdida,
talvez de uma flecha encontrada.
Eu me vejo tentando inutilmente dar ordem aos cacos,
vejo uma lágrima escorrer de um olho solitário.
Então, em um gesto de ousadia ou, quem sabe, tolice
Resolvo abraçar o caos do meu espírito
e dou boas-vindas as partes quebradas de mim.
ofertando-lhes a aceitação que o mundo nunca será capaz de dar.
Descrição da tristeza
esfria o sangue,
tange o amor
e engole a alegria.
A tristeza dói como chuva forte,
amarga como pó de café,
corta como prego enferrujado.
Tudo descolore,
nada muda.
Tão grande mundo, fica pequeno pros sonhos.
Tão pequeno mundo, fica alagado de distância
entre um amor e outro,
o fugaz e o para sempre.
A tristeza não consome,
ela acrescenta - dor e agonia.
Angústia e medo.
Alimentando-se de solidão,
crescendo e crescendo em tamanho e proporção.
Para a tristeza eu recomendo um tratamento:
Seja triste até deixar de ser!
A culpa
Meu peito dói,
Meu coração sangra,
Há lágrimas não derramadas em meus olhos.
Lágrimas de sangue, lágrimas de cansaço, lágrimas reprimidas e lançadas em forma de sorrisos vazios.
Carrego culpas demais, e mesmo assim,
Carrego menos culpas do que deveria carregar.
Minhas culpas,
Mea culpa,
Minha tão grande culpa.
Há quem me diga para deixar minhas pedras no caminho,
mas são minhas pedras, não são?
Quem sou eu sem elas?
Que são elas sem mim?
Eu e o meu mal, meu fel, meu veneno somos um só.
Sou toda um peso que carrego,
O grito preso na minha garganta
A angústia inominável de levar tanta falta, tanto desgosto, tanta causa.
Não sou ninguém que deveria ser,
Sou alguém que não deveria existir,
Culpada de resistir, de persistir, de errar, de magoar...
Deveria morrer ou viver sobrevivendo ?
O que é menos danoso pra si?
A culpa é só minha, eu sei.
Não me olhes!
Teus olhares me incomodam, me acusam, me contam coisas que eu já sei, que me envergonham...
Não sorrias pra mim!
Teus sorrisos ferem minhas mágoas, atiçam as lágrimas a rolar...
Por que dentro de mim já fui julgada e condenada,
sou o réu que espera ser punido e que sabe que não importa qual será a punição,
pois ela nunca será suficiente para arrancar os espinhos que trago em meu peito,
não apagará as culpas do meu coração.
Estações
Como uma criança, perdida em meio à multidão procuro tua mão por segurança. Como um bebê, necessitado do que não pode satisfazer a si mesmo, cansado de tanto chorar, encontro teu colo e aconchego. Como uma donzela, dividida entre mundos - mulher ou criança - procuro tua arrogância em me dizer quem sou, tuas palavras doces e não menos vãs que me confortam as dúvidas. Como um amante, em seu momento de fulgor, procuro teus olhos antes da alegria maior, antes do suspiro de puro contentamento, entrelaço nossas mãos. Não somos dois, somos segurança, colo, arrogância e prazer. .
O sentido do perdão
Faria sentido te perdoar,
Faria sentido amar-te outra vez
E esperar com coragem um amor não vivido.
Para mim tudo isso faria sentido.
Faria sentido perdoar tuas imperfeições,
Faria sentido perdoar a hipocrisia e covardia sob a qual te escondes.
E ser tua companheira de ideias e críticas sinceras.
Para mim, mesmo tudo isso, faria sentido.
Faria sentido também esperar saber que estavas bem,
Faria sentido ser colocada em terceiro ou quarto lugar,
Ser menos importante que um amigo,
mas mais importante que um colega.
Tudo,tudo - tudo - se perdoa,
se ao menos importar-se-ia de me pedir perdão.
Então esse é o desfecho,
se nada fez sentido para o seu egocentrado mundo,
o fim também não o fará.
Mas não é por você que lhe perdoo, meu caro.
Perdôo-lhe por mim.
Por achar que fazíamos sentido,
por me decepcionar e cair.
Perdôo-lhe porque este perdão não vai fazer bem a tua alma,
mas vai curar o veneno da minha.
A mim resta o luto,
perdi meu mentor, meu amigo e minha paixão.
E chorei lágrimas de sangue,
mas só sobrarão cicatrizes e aprendizado.
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