Palavras escritas

Não escrevo por gosto,

minhas palavras não são carinhosas ou afáveis.
Elas não rimam ou choram.
Posso odiá-las,
ainda assim não cabe a mim reprimi-las.


Não escrevo por expressão,
o expresso que se foi como o vento,
pois sem expressão posso viver,
mas sem escrita não vivo.


Também não é por arte que escrevo,
nem por amor ou dor.
Não escrevo por qualquer motivo nobre, é uma pena.

Tirem-me o pão, o ar e o chão,
mas de mim não tirem as palavras.
Eu as como, respiro e salto.
Elas mudam meu mundo -
deixam-no suntuoso ou depenado.
Porém nunca o mesmo, nunca igual.


No entanto, não são fiéis a mim - as danadas.
Minhas palavras são como fogo,
como brisa que passa,
como chão que se abre.
Delas a minha vontade é herdeira.
Coitada de mim não tem nada.


Palavra é mais que vida,
é sangue, tempestade e paixão.
São as palavras que me dão sentido,
nunca, meus amigos, o contrário.


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