Gemas avelãs

Eram avelãs.

Duas gemas perfeitas

avelãs e eleitas

que mexeram comigo,

me deliciaram,

me aliciaram,

me atiçaram ao perigo do abismo de teus olhos.


O cheiro viril do teu desejo,

as cores ásperas que teu toque me dá,

me erguem, me elevam, abalam meu quadrado mundo.


Caí da profundeza dos teus olhos

para a singeleza da tua boca,

o contorno perfeito que apenas o meu desejo colori,

viva, atraente, única.


Tão próxima de uma distância ainda maior.

Teu coração acelerado em minhas mãos,

meu pulso ritmado a tua batida.


Se teus olhos avelã me chamaram,

foi a doçura da tua alma que não me deixou ir embora.

O “não” tão próximo aos lábios,

o ‘sim’ reivindicou o coração.


Não deveria ser bom

e talvez não tenha sido,

Não deveria ser belo

e foi esplendoroso,

Não deveria ser verdadeiro,

mas os lagos translúcidos desmentem a ultima sentença.

Se precisavas daquele beijo,

O que acontece se eu necessitar de todos os outros?

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