Lista de Poemas
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Anatoli
Miragem
Alexa Stampp
Desejo
estes gerados pela força do meu desejo...
Desejo que reside em meu peito...
Que lava minh'alma.
Que pertuba minha calma.
Desejo animalesco,
extingue minha humanidade,
exaurindo minha pouca sanidade.
O desejo da palavra,
do toque, do gosto.
O desejo quase imposto
pela sua existência.
Desejo incontrolável,
por vezes instável.
Desejo que me faz ir
em sua direção
ou fugir em outra ocasião...
Desejo te e por isso fantasio;
me desdobro tentando conter,
esse desejo, esse querer...
Mas no fim só me resta o desejo de escrever
o quanto desejo-te!
Pedro Rodrigues de Menezes
o céu cinzento das bocas
se eu soubesse contar pelos ingénuos dedos da infância
de quantas terríveis mortes são feitas todas as minhas veias
a palavra talvez talvez tivesse a extraordinária física de um astro
e eu pudesse no silêncio brilhante de quem não escuta
escrever que no circadiano ritmo destas outonais cabeças
há só línguas martelando o céu cinzento das suas bocas
(Pedro Rodrigues de Menezes, "o céu cinzento das bocas")
Emílio
Oásis
Nas curvas do teu corpo
Dunas de praia deserta
Busco eterno oásis secreto.
Entro em ondas de maré cheia
Espumas de mar salgado
Árvore de amor maduro
Fruto ancestral proibido
Perpétuo jardim de sonhos
Onde me enredas na tua teia.
Paraíso de orgias dádivas
Entregas nunca acabadas
Porque me levas em teus orgasmos
Me tornas escravo desse jardim
Me prendes ao eterno fim.
Emílio Casanova, "Coisas do Coração".
Jamaveira Marx
Foi assim
Sugaste tudo que eu tinha de melhor
O amor que era minha estrutura
Fizeste dele mera cabana de palha
Qualquer ventania sacode as paredes
De barro e areia o alicerce
Estou a mercê de cair a toda hora
Desde que voce foi embora
Os caminhos que rodeiam os jardins
Hoje meros corredores sem flores
Na verdade nunca existiram
Foram criados na minha imaginação
Ali onde me juraste amor de verdade
Vejo agora a arvore da mentira
Frondosa balança cheia de vida
Jamaveira
afonso rocha
LIVRO ABERTO
Inundaste
minha casa
de estrelas
Muito para além
da madrugada
das palavras
Fizemos delas
um livro aberto
de emoções e afetos
onde as andorinhas
se aninham
em seus beirais
e quando a tarde chegar
Fechamos as persianas
do saber
e gritamos
bem alto
nosso amor
Stella Felippsen
Especial
Porque é tão difícil ser assim,
Eu ficar perto de você
E você perto de mim
Te amar é maravilhoso
Mas amar sozinha é doloroso
Eu não sei mais o que fazer
Se eu te conto tudo ou continuo a esconder
Um sentimento tão belo
Que por enquanto só me fez sofrer
Dizer que te amo seria bom de mais
Falar isso de cara difícil de mais
Amar é como um jogo
Jogar pode ser doloroso.
Viver longe de ti
É pior que tudo isso
Eu te amo de paixão
E por isso lhe peço perdão
Por não ter dito antes
O que dizia meu coração.
Luis Rodrigues
TU
enlouqueces-me maravilhas-me atrapalhas-me apaixonas-me cegas-me confundes-me. Tu inspiras-me.
Tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu .....
Quero tanto de ti e tão próximo que anseio que fosses o ar, o chão, as paredes, tudo.
Que tudo o que tocasse fossem os teus braços. Que tudo o que sentisse fossem os teus lábios.
Como quando fecho os olhos e tudo o que não vejo és tu. Como quando não durmo e tudo o que sonho és tu.
Contigo não consigo respirar. Sem ti não consigo viver.
Quero estar tão dentro de ti que nem a luz do dia exista para mim. Quero abraçar-te tanto que todo o mundo colapse e desapareça num pequeno ponto entre os meus braços.
Toca-me com as tuas mãos. Faz-me desaparecer com a tua pele. Sufoca-me na tua língua. Arrasta-me pelo ar com o teu perfume. Mata-me de vez.
Odeio-te porque existes. Odeio-te porque não estás aqui. Amo-te tanto.
De repente tomo consciência da tua ausência e faz-se noite. Porque não me respondes quando te falo? Porque não te sinto quando estendo o braço? Porque te escondes?
TU
se fosses chuva, do céu só cairiam pérolas ... E até o chão gritaria de prazer
Raimundo Candido
DESERTO
Não há noites frias
Ou dias quentes em frente
As evidências de meu deserto
Nem bonança de Oasis
Ou secura estorricante
Há um suplicante grito
Por uma não existência
Por uma insignificância
Por ser coisa alguma ou
Tudo ser nesta amplidão
Absoluta e só minha
Nenhum deserto ao lado
Que errante me acompanha
Atrai-me tanto quanto
Um ofuscar um obscurecer
Por dissipação por irrisório
Volúvel e risível
No desejo de ser ninguém
Não sei o momento exato
Que me desertifiquei
Sei que minha solidão
O extravasa nesta travessia
Em que entre dias de sol
Há um luar para amenizar
Carla Pedro
Ouves-me?
Espreguiçam-se as palavras neste contratempo de amor
e eu só queria poder atravessar a nado
o teu continente, a tua maciez frutada na minha boca
e dizer-te que foi por ti e através de ti
que me pus à escuta das vozes que ninguém ouve,
coladas ao chão, em ponto morto, à espera de um vento
que as levante e lhes diga que são tuas
que serão sempre tuas, caídas ou não, embaciadas de mim.
Adilson Adão
Deus sabio pai amigo
nos deu a vida e nos apresentou seu filho,
que entregou sua vida por nós como prova de amor.
Ele sempre fez por nós tudo que é necessario,
o esencial para que pudessemos viver bem e em paz.
Ele confia plenammente na nossa capacidade,
nos impõe obstaculos pra que nos fortaleça,
e quando vemos um não imposto por ele,
ah... tenha certeza que ele irá ajudar a derrubalo,
mas nunca fa-lo sozinho
por que sabe que cada vitoria fortalece a alma.
E ainda sim há quem seja ingrato, mas não vê que
Deus não nos deu asas para voar,
porém deu a capacidade de construir um avião
Alexandre Rama
GOTAS DE UMA VIDA
Da janela me pergunto olhando para o céu “O que virá depois?”, mas a resposta não vem e às árvores continuam a balançar por causa do vento como se me dissessem “Calma, todas as gotas iram chegar ao chão... na hora certa!”
Adma Reis Sauma
Dança comigo?
Recentemente tudo se apresenta muito barulhento ao nosso redor, mas posso te blindar com uma sinfonia, e não se engane, foi você que me apresentou a ela. Me deixa te causar aquele arrepio e desencadear teu sorriso, não é fácil resistir numa selva onde tudo ruge ao seu redor, vem dançar comigo?
Deve saber que foram suas conversas que me salvaram do chão frio nas madrugadas, que foram suas piadas sem graça que roubaram o lugar dos pensamentos intrusivos, e o seu mundo novo tão conectado aos meus sonhos que me mantiveram longe do álgido do cotidiano. Depois de tornar minha vida tão luminescente quanto uma supernova, poderia dançar comigo?
Eu poderia assistir o nascer do sol todo dia agora que ele se tingiu por um castanho dourado tão único. Aquele vento fraco das manhãs, que gela a pele e traz um perfume tão sensivelmente acolhedor, agora se faz tangível e preenche minhas mãos com um sorriso tímido no canto do rosto. Então nesse início de madrugada, se apoie em meu corpo e te mostrarei como é possível desacelera seu mundo, ouça a melodia se aproximando e deixe-me te conduzir suavemente pela grosseria das ruas vazias, quer dançar comigo?
Paris se torna uma farsa sem os acordes certos, sem os vinhos bons, sem os abraços apertados, sem a matança da saudade dos amantes, sem você. E quando me perguntam onde escrevi as mais fidedignas cartas de amor, apontarei para a calçada daquela esquina, mas quando me perguntarem quando elas fizeram sentido, apontarei para você. Nessa noite estrelada, abusada de esperança e de fugas da realidade, velando toques, repleta de significados além do que o homem consegue encontrar palavras para explicar, eu quero dançar com você.
Carla Pedro
Por mais de ti
E depois da boémia lá vens tu
sacudir-me a cidade para dentro do peito,
numa noite gigantesca que me atravessa a palidez.
Sabes que é no teu vácuo que abro as mãos?
Jacy Morais
ATÉ BREVE
Vou vestir-me
De saudades
Saciar a sede
Com água
Salgada
E trago
As mãos
Machucadas
De tanto
Tatear
Tua ausência
A angustia
Explora
Meu cérebro
E transborda
Meus olhos
E coração
Com lágrimas
E poemas
Vou deixar
Meu rastro
Em todos
Teus passos
Para saber
Voltar
Sou
Como palhaço
Suspenso no ar
E num grito
De solidão
Rasgo o espaço
E na
Corda bamba
Esfolo
A alma...
E os aplauso?
Nenhum!
by*Jacy Morais
afonso rocha
PORQUE O SAGRADO EXISTE
Invento-te
a cada segundo
do meu corpo
porque o tempo não pára
Celebro-te
em cada respirar
da minha saudade
porque Deus me ensinou a amar
Beijo-te
como seara ao vento
transformada em pão
porque estou faminto de ti
Amo-te
em cada sonho
porque o sagrado existe
e num orgasmo uno de paixão
subo aos céus em teu templo nu
Desço
à dura realidade
e sorrio
porque
cada sonho meu
é
um pedaço de TI
Madalena Palma
Nos teus lábios
Nos
teus lábios tens pérolas de tempo
Janelas
abertas de brisas frescas
E
uma crescente claridade luzente
Quando
partes levas os meus lábios nos teus
E
com eles furtas-me o silêncio
Deixando-me
a tua voz no meu peito
Da
minha boca levas a palavra que te digo
A
todos os instantes que o silêncio impera
Entre
o castanho e o verde do nosso olhar
cristina
perco-me em ti
com sabor a pecado.
Encontro-te nos meus sonhos,
num prazer antecipado.
Sonhos proibidos, incendiados,
desejos ardentes e enclausurados.
Perco-me no teu corpo
esculpido em marfim,
nas tuas promessas,
de um amor sem fim.
Perco-me na tua juventude
escaldante e inconsequente.
Relembro a minha
com saudade crescente.
és o meu Anjo de asas negras,
exploras as minhas fraquezas
De um céu caído
despertas em mim algo há muito perdido
és o meu fruto apetecido,
o meu desejo na alma contido.
Perco-me em ti,
num deleitoso perder.
Perco-me em ti,
num êxtase de prazer.
Perco-me em ti,
lutando para não me perder.
Perco me em ti,
porque simplesmente me quero perder.
Nereu d'Almeida
Arroto de inspiração
Erros meus má fortuna
Perderam-se da história
Da mui vil comuna.
E entre tretas e dicas
Foderam-se as putas
Que por causa dumas picas
Ficaram enxutas.
De mini-saias caídas
Em quartos de motel
Perderam-se pelas saidas
E foram parar num bordel.
E agora estão em Castelo de Bode,
Onde escreveram numa tabuleta
Quem tem dinheiro fode
Quem não tem toca à punheta.
Bob J
Bem, Tudo bem, mas veja bem
quando as palavras não dizem nada
como conseguir se expressar
quando minha idéia nem sequer me agrada
Como lhe desejar felicidade
se eu nem sei se isso é bom?
onde buscar a inspiração?
como distinguir a verdade da imaginação?
Talvez eu queira só se aparecer
chocar seu coração
e ter sua atenção
ou mostrar que supero tudo isso
anti-romantismo
e classicismo
mas acho que na verdade eu não sei
pra não dizer que é por alguém
bem
Tudo bem
os pássaros ainda cantam
isso eu ouço
e vejo o sol se pondo
e as arvores insistindo em crescer
tamanho é seu esforço
tenho muito que aprender
tudo bem, aceitarei
Descobri
que os pássaros voam
porque sabem que podem voar
E eu aqui
sonhando
não sei se aguentaria lutar
José Roberto Tolentino
Eternamantes
que as quero permanentes
como gema inalterável
como cena no presente
como nó inarredável
como deus onipotente.
Gosto das coisas seguras
que nelas eu adormeço:
mão de pai na noite escura
um colo como endereço
criador e criatura
olhar do santo de gesso.
Gosto das coisas eternas
que as quero sempre antes
como adulações maternas
como anel de diamantes
como toque em tuas pernas...
Gosto de estarmos amantes.
Raimundo Candido
SOLILÓQUIO FLUVIAL
Que sabe do rio a pedra?
Senão ouvir o incessante
e eterno rumorejo
das águas que correm!
Que anseia a pedra?
Senão lançar-se,
seixo impelido ao desejo
de meteorito aquático!
Que fim há na pedra?
Senão cumprir-se
ao ardente e largo
apetite oceânico!
Carla Pedro
Deu-me (para isto)
Fernando Cartago
LOUCURA
Quando vivo todas as minhas vontades, meus desejos, no intuito de realizá-las?
Seria eu um louco,
Por não medir esforços para agradar e ter satisfação ao menos com a iniciativa de simplesmente ouvir?
Seria eu um louco,
Por lutar no meu cotidiano para ser uma pessoa melhor, diferente, bem quista?
Seria eu um louco,
Por falar e fazer o que penso?
Seria eu um louco,
Por sonhar e crer no amanhã sempre melhor?
Seria eu um louco,
Por gostar muito de beijar e fazer sexo?
Seria eu um louco,
Por querer ser lembrado com carinho?
Seria eu um louco,
Por ser HUMANO, e errar com o anseio de acertar?
Seria eu um louco por querer aprender sempre mais?
Esta loucura maravilhosa faz-me crescer, fascina-me, reeduca-me...Transformando-me em simples aprendiz da vida.
Seria eu um louco?
Não. Sou apenas um eterno apaixonado, um romântico, na procura de um amor verdadeiro e incondicional.
(Fernando Cartago)
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