DESERTO
Raimundo Candido
Não há noites frias
Ou dias quentes em frente
As evidências de meu deserto
Nem bonança de Oasis
Ou secura estorricante
Há um suplicante grito
Por uma não existência
Por uma insignificância
Por ser coisa alguma ou
Tudo ser nesta amplidão
Absoluta e só minha
Nenhum deserto ao lado
Que errante me acompanha
Atrai-me tanto quanto
Um ofuscar um obscurecer
Por dissipação por irrisório
Volúvel e risível
No desejo de ser ninguém
Não sei o momento exato
Que me desertifiquei
Sei que minha solidão
O extravasa nesta travessia
Em que entre dias de sol
Há um luar para amenizar
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