Lista de Poemas
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Jorge Santos (namastibet)
O ruído da rua
natalia nuno
Amor quando me amas
Rio que desliza rumo
ao mar,
fluir indiferente, sem cessar
Esquecer,
o futuro inverno cinzento,
esquecer meu desalento.
Meus olhos são rios nascendo,
e nem sei porque choram!
Talvez porque se estão perdendo
dos teus, que tanto os namoram.
Tão triste porquê, não sei!
O que procuro também não
Tantas horas já passei
sem saber porque razão.
O tempo me foge e se perde
A galope sobre meu rosto
Que já foi seara verde
E também luar de Agosto.
Solta-se a lua sobre as águas
Em meus olhos faz remoinho
A sombra das minhas mágoas
Se estende p'lo caminho.
E já o mundo amanhece
Nas fronteiras do meu sonho
Logo o corpo padece
Nem ouve o que lhe proponho.
Nas minhas mãos nostalgias
Trago no peito ameaças
Neste amor terna me querias!
Ternura há quando me abraças.
Ergo-me de fronte ao céu
Nas minhas mãos as esperanças
Minha alma trago ao léu
Na memória as lembranças.
Corre depressa meu sangue
no coração a arder,
numa rajada de chamas.
Louca... louca queria ser
AMOR quando me amas!
natalia nuno
rosafogo
Celso Mendes
Acalanto para abstinências e vazios
é a falta e a lacuna quem cria
(Paul Valéry)
é para agasalhar ausências que teço este poema
fantasmas não dormem
anseios me esperam
o que urge além do lábio e da palavra
é o mesmo que me trinca o esmalte dos dentes
vindo da lacuna que ocorre no rastro do voo
de cada pássaro que ousei ser
neste não sentir talhado nos ossos
feito rios secos a riscar-me a pele
álveos calcinados
onde escorrem congelados
a doçura e a tortura
de vozes e olhares idos ou perseguidos
dentro de um pretérito que me bate à cara
ou em um porvir que se me escancara
é para agasalhar ausências que teço este poema
de vazios e de abstinências
e me permito à lagrima
tanto quanto ao riso
(Celso Mendes)
Jorge Santos (namastibet)
Permiti-me ser Triste
No rosto, se hoje me acenavam
Ainda, foi por bondade ou o oposto,
Pois sorrisos bons, nessas bocas não moram,
Deixai-me, pra que morra,
Sem saudade nem lembrança,
Porque se, a esperança ainda aqui se demora,
Vai abandonar por certo, esta minha praça,
Fico grato a quem me conheceu,
Mesmo que não tenha visto as minhas gotas
De lágrimas, como eu as sinto, caídas do céu,
Que não posso descreve-las, de tão belas...
Nunca fui hábil, na arte de amar o vizinho,
Nem noutra qualquer arte,
Deixai vir a morte, de mansinho,
Pra que também esta, não me "tome de parte",
Permiti-me que, seja o mais triste,
Que o silêncio consente,
Porque, se viver é um "estado de graça",
Em cada dia que passa,
Agradeço a Deus, o aval concedido,
Mas deixai-me por favor, ficar calado,
Apreciando a sorte,
De poder ser triste sendo contente...
Jorge Santos (02/2013)
http://joel-matos.blogspot.com
Jorge Santos (namastibet)
No bater de Asas de uma simples Borboleta
Jorge Santos (namastibet)
Deus que acabe com tudo isto
Jorge Santos (namastibet)
Quase parte natural de Mim
Fernando Cartago
MEDO
Tenho medo
De te ver sorrir
E não saber o que fazer
Tenho medo
De quando diz precisar de um abraço apertado
E neste apelo de carinho
Tenho medo
De não conseguir te confortar
Tenho medo
De sozinho ficar
E quando gritar
Tenho medo
De não ser audível
E não existir alguém
Para me socorrer
Tenho medo
Do beijo seu e no doce sabor
Tenho medo sim
Que tudo pra mim não passe de poeira e flor
Medo de tudo e medo do nada
Tudo que uma vida gentil espera seguir
E por não fazer nada me enterrar no vazio
Tenho medo
De estar assim com a alma perdida
E me sentir uma pessoa vazia
Tenho medo
De mim com alguém
Tenho medo
De dormir e não acordar
Tenho medo
De sentir que minha verdadeira força
Está em entender que temer é parte do meu viver.
Fernando Cartago
Jorge Santos (namastibet)
quando eu não tinha
Edson Fernandes
Naquele Dia
Daquele amor da infância
Do amor da esperança
Daquele amor de paixão
Do amor que mata
Minha alma sem perdão
Edson Fernandes
Jorge Santos (namastibet)
O que é emoção e o que o não é
Lua Barreto
Não digo mais minha idade
Está decidido.
Sempre achei que as mulheres reduziam seus anos
Por frescura
Ou vaidade frívola
Futilidade
Não é.
As pessoas tratam diferente
Quem passou dos 20, 30, 40 ou 50
E é tênue a linha que separa
O respeito e o preconceito.
Minha idade não me define.
Em dias quentes como hoje tenho 80
Tem dias que acordo aos 50
Me preparando para a terceira idade
Em dias de festa tenho 15.
E em meu corpo cada parte
Tem uma cronologia:
Minhas pernas têm 20
A barriga tem 40
E o coração, apaixonado,
Nunca sai da adolescência.
Apenas quando ferido,
Quando vai para 78,
Já à beira de um infarto.
Larissa Rocha
A mulher que ama
Como é bela uma mulher que ama!
Tem toda sorte quem pode colher
Nos campos primaveris, os amores
Que desabrocham num seio de mulher!
Uma mulher quando falar de amor
É a estrela mais brilhante dos céus,
Tem a voz mais bela que o som das harpas
De um coro de mil anjos de deus;
E é tão bonita uma mulher
Que carrega com honra este fado,
Preferia morrer de amor mil vezes
A nunca na vida ter amado!
Evandro Knowles
♥Amizades♥
Fácil é ofendê-lo em um minuto''.
Emílio
De mim III
tive um "Zé" como vô
pequeno magro e teimoso
tinha um olho castanho outro esverdeado
nutria amor pela república
era laico por fervor
anticristo sem temor
e odiava salazar ditador,
fazia sapatos
plantava couves cenouras e batatas
andou pelas linhas da
ferrovia,
enviuvou d'uma viúva
com quem se juntou
que lhe dizia...Zé faz isto...
faz aquilo...Zé não fazia...
fez-lhe três filhos uma vez
como quem diz...aqui tens...
morreu feliz aos noventa e seis
apertando-me a mão
como quem pede perdão
por males que não fez...
Emílio Casanova, in "Coisas do Coração"
Mel de Carvalho
hoje vou editar silêncio
o soalho range sob(re) os pés.
a madeira dói. geme a casa antiga. a casa da língua.
o soalho ainda, tábua a tábua, justaposto paralelo
ressoa nos passos
e nos silêncios.
o teu silêncio. o meu silêncio. e a palavra
retraída na casa da língua. a carne viva, a viva voz...
alegoria neandertal de homem das cavernas.
...
hoje vou editar o silêncio. rasgo-o, desabitado:
- os dedos no teclado
e um barco num porto de mar. e a buza prenúncio de partida.
como uma pálpebra
uma pestana
caída
no seio da madrugada polar
qual flor
acéfala
que cresceu em sítio errado.
hoje
em cada pingo de chuva a respingar caleiras e beirados
poderia decantar
a hemodiálise diurética dum ácido corrosivo que abocanha
estulto
o malmequer perene do teu riso
se, em si maior, ainda, um nome, uma brisa, uma melodia, se eleva
resgatando silêncios do teu peito.
hoje,
talvez ainda te fale de amor ...
por hoje, ainda.
amanhã, quiçá, a geada da noite tenha
definitivamente toldado, um a um, todos os bagos de romã ...
José António de Carvalho
CABE NUM DIA
(Coletânea "LIVRO ABERTO" - 2024)
CABE NUM DIA
Cabe num dia,
cabe na mão,
os olhos da madrugada
que o sonho pedia.
O sol das manhãs
em dias de verão,
bem alto a sorrir
no pulsar do coração.
Os lábios da tarde
abrem-se sorrindo
num rio sem destino
lentamente a descer
como plumas de aves
num arco-íris lindo;
não se vendo mais nada
que não seja o entardecer.
A noite em doce rosto
rouba ao crepúsculo
o néctar da alucinação
num calor de agosto,
de lava a queimar
que a noite não refresca,
querendo fugir
mas deixando-se ver,
deixando-se amar
com a lua a beber
contornos de luz
para voltar a viver,
e adormecer…
José António de Carvalho, 19-janeiro-2024
Petra Correia
Improviso a dois
Conhecemos o mundo e o mundo conhece-nos a nós
Somos ambos destinos a desfazer os grandes nós.
Ali e acolá, acima e abaixo,
Constantes de duas vidas já fora do prazo.
Rotina melancólica, amor inquietante.
Palavras proferidas, guardadas na estante.
Carla Furtado Ribeiro
AS COLINAS DA NOITE
As pálpebras pesadas do dia sobrevivido
Faltam palavras para dizer a escuridão
O sonho...chegou a hora do sonho....
afonso rocha
A SAUDADE É UM SONHO ACORDADO
abraçado à saudade
.....................
que teima em queimar
este meu peito
cor de sol
poente
.....................
Nasceu...
e crescendo
ganhou raízes
instalando-se
por todo meu corpo
respirado
.....................
e sonhando...
acordei
em novo amanhecer
com a saudade
a morder-me
os olhos
a dilatar-me as veias
e sair-me
pelos poros
.....................
inundando meu quarto...
em convulsões...
e lágrimas
de pranto
J L Silva
Ausência
Na tarde que não se cala
No beijo que não te esquece
No abraço que ainda aquece
Na noite que te esperou
Na cama onde agora dorme o frio
Na tua ausência doída
Num quarto vago e vazio
A saudade deita seu corpo
Junto ao teu corpo macio
Regina Maria de Souza Moraes
Dor no peito
O coração bate pesado e rouco:
Sino soando a morte de um sonho!
José Roberto Tolentino
O Ilhéu
que desertou do continente.
Eu, desertor, aliei-me à ilha;
condenei-me a morrer de tédio constante
ou de maremoto súbito;
isolei-me sem papel, sem garrafa, sem farol.
Morri na ilha deserta.
Morri qualquer dia desses
(perdi a conta dos dias).
Vivi de sol a sol e de só a só
(nem sei qual o dia em que não morri).
A ilha é deserta.
Decerto o deserto sou eu - só
errando na ilha deserta;
morrendo na ilha deserta;
sem dia, nem hora, nem data; no ermo
desperto cansado - já morto a termo.
Vivo, morri, morro, vivi.
O tempo é deserto e o espaço é agora:
faço versos e sulcos na areia das horas.
Quem lerá os meus versos que o mar apagou?
Quem dirá que vivi, que morri, quem eu fui, como sou?
Quem me conhecerá além de mim?
Quem me amará a partir do meu fim?
Morri, um poeta deserto, e só agora me dei conta disso:
morri num dia qualquer na ilha deserta
e nenhum noticiário falará do meu sumiço.
Minha ilha jamais vai ser descoberta.
Edgardo Xavier
Abismo
Visto pele diferente
E falas pela minha boca
Rasgo-me na fúria dos teus medos
E sangro a tua solidão em cada
lágrima
De luto me pinto como a noite
E sou escuro
Vou e venho
Procuro
Só te acho amor
No eco do meu choro
in "Corpo de Abrigo"
Edgardo Xavier
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