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Lista de Poemas

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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

O ruído da rua

Apesar d'as janelas estarem abertas de par em par,
Todo o ruído lá fora se diluiu, sumido no ar...
Uma criança que chorava breve, o cochichar das velhas
Sobre vidas que não as suas, a indefinição das ruas

Num refrão constante, com todos os sons e notas
Que chegavam aos meus ouvidos, como um respirar
De pautas musicais, escritas nos vitrais abertos,
Lembravam-me místicas visões e novas versões de credos,

Que o não eram, não deparava com magos nas vielas
Nem fadas, nem gnomos nesse mundo de mil celas,
Apenas janelas de imitação em magros corredores de cal,
Mas onde todos os sons soavam para mim de forma original,

Eles, como eu, não durámos para sempre,
Não escolhemos o vento que nos soprava
No ouvido o respirar do universo, como se fosse
Algo que se ouvisse (um pensamento, uma frase...)

Sussurro agora do vazio que tenho no fundo do coração,
Os sonhos que outros já sonharam nesta mesma mansão,
Apenas as surdas janelas continuam ainda abertas,
Mas as velhas da rua não passam , nem consigo mais ouvi-las...

Joel Matos (02/2012)
http://namastibetpoems.blogspot.com
784
5
natalia nuno

natalia nuno

Amor quando me amas

Louca... louca queria ser!
Rio que desliza rumo
ao  mar,
fluir indiferente, sem cessar
Esquecer,
o futuro inverno  cinzento,
esquecer meu desalento.

Meus olhos são rios nascendo,
e  nem sei porque choram!
Talvez porque se estão perdendo
dos teus, que tanto os namoram.

Tão triste porquê, não sei!
O que procuro também  não
Tantas horas já passei
sem saber porque razão.

O tempo me foge e se  perde
A galope sobre meu rosto
Que já foi seara verde
E também luar de  Agosto.

Solta-se a lua sobre as águas
Em meus olhos faz remoinho
A  sombra das minhas mágoas
Se estende p'lo caminho.

E já o mundo  amanhece
Nas fronteiras do meu sonho
Logo o corpo padece
Nem ouve o que  lhe proponho.

Nas minhas mãos nostalgias
Trago no peito  ameaças
Neste amor terna me querias!
Ternura há quando me  abraças.

Ergo-me de fronte ao céu
Nas minhas mãos as  esperanças
Minha alma trago ao léu
Na memória as lembranças.

Corre  depressa meu sangue
no coração a arder,
numa rajada de chamas.
Louca...  louca queria ser
AMOR quando me amas!

natalia  nuno
rosafogo



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Celso Mendes

Celso Mendes

Acalanto para abstinências e vazios

é a falta e a lacuna quem cria

                                              (Paul Valéry)


é para agasalhar ausências que teço este poema

fantasmas não dormem

anseios me esperam


o que urge além do lábio e da palavra

é o mesmo que me trinca o esmalte dos dentes

vindo da lacuna que ocorre no rastro do voo

de cada pássaro que ousei ser

neste não sentir talhado nos ossos

feito rios secos a riscar-me a pele

álveos calcinados 

onde escorrem congelados

a doçura e a tortura

de vozes e olhares idos ou perseguidos

dentro de um pretérito que me bate à cara

ou em um porvir que se me escancara


é para agasalhar ausências que teço este poema

de vazios e de abstinências

e me permito à lagrima

tanto quanto ao riso


(Celso Mendes)


701
5
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Permiti-me ser Triste

Permiti-me que silencie o contentamento
No rosto, se hoje me acenavam
Ainda, foi por bondade ou o oposto,
Pois sorrisos bons, nessas bocas não moram,

Deixai-me, pra que morra,
Sem saudade nem lembrança,
Porque se, a esperança ainda aqui se demora,
Vai abandonar por certo, esta minha praça,

Fico grato a quem me conheceu,
Mesmo que não tenha visto as minhas gotas
De lágrimas, como eu as sinto, caídas do céu,
Que não posso descreve-las, de tão belas...

Nunca fui hábil, na arte de amar o vizinho,
Nem noutra qualquer arte,
Deixai vir a morte, de mansinho,
Pra que também esta, não me "tome de parte",


Permiti-me que, seja o mais triste,
Que o silêncio consente,
Porque, se viver é um "estado de graça",
Em cada dia que passa,

Agradeço a Deus, o aval concedido,
Mas deixai-me por favor, ficar calado,
Apreciando a sorte,
De poder ser triste sendo contente...

Jorge Santos (02/2013)
http://joel-matos.blogspot.com
716
5
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

No bater de Asas de uma simples Borboleta

Quando me envolvo na fractal distância,
Comovo-me como uma borboleta,

Que duvida de si própria;
Sinto-me envolvido
D'uma forma total, embora sem peso
E me lembro d'outra realidade

Que antes não era tão real.
Imagino-me alternando entre neve e incógnita
E o acaso depois governa no cair
O meu ser solvente.

Termino numa terra distante, em tarde branda,
Tento ignorar a presença aleatória
Da consciência;
Perdida que foi a Memoria da névoa.

Farei um poema quando nada restar de seu,
Num universo convicto,
Sem a emoção nem o claro segredo,
Mas cuja realidade revestida, lembrará um luminoso céu.

Quando me libertar, envolver-me-á numa nitidez,
Sem corpo nem espírito
E sossegará o movimento do universo
Com o bater d'asas d'uma simples borboleta...

Jorge Santos (12/2011)
767
5
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Deus que acabe com tudo isto

Deus que acabe com tudo isto! Abra as enclusas,
Anule os alçapões que censuram as águas,
Convoque os trovões da monção e induza o céu em função
Do cargo sublime, que ocupa em toda esta questão,

Desd'que acabe com tudo isto! Com esta sensação falsa
D'infinito de quem não tem expressão na fala
Para confessar arrependimento com convicção.
(Vivemos em constelações de irracionais prenhos de solidão
Isentos de sentido crítico)

Deus que acabe com tud'isto! E esta alheia gente,
"Com um sorriso na cara que nada tem de inocente",
Fingindo felicidade na beira do holocausto,
Sem abdicar todavia do falso título de homem casto,

Por isso escrevi um sermão vulgar, religioso, mas sem religião
Para qualquer um outro Deus, "que termine de vez a missão",
Que pretendia incutir a sensatez do espírito das aguas soltas,
No sentido critico destas pessoas vãs e insensatas.

Joel Matos (02/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
890
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Quase parte natural de Mim

Quase parece um não viver,
Por viver dum outro modo,
De quem passa lado a lado
Com a vida sem a ela se submeter

Quase parece uma aurora breve
Aquele acordar que ainda ontem tive
Tão perto estive de ser quem nela vive
Que nenhuma outra manhã me serve

Sem aquela visão que se tem do imenso cedo
Mas que acaba breve (afinal como tudo)
Como se fosse num parque natural de mim...
Sei que não posso viver assim,

Mas não quero viver d'outro modo,
Que não seja intenso, embora estranho,
Pra quem vive do pouco sonho,
E vive uma meia vida, a medo.

Quase parece um não viver,
Assim ...colado no longe, tentando ver
Prá' lém do que se diz por aí, ser o fim...
Mas que move a parte mais natural de mim.

Jorge Santos (10/2011)
http://joel-matos.blogspot.com
877
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Fernando Cartago

Fernando Cartago

MEDO

De viver e não entender

Tenho medo

De te ver sorrir

E não saber o que fazer

Tenho medo

De quando diz precisar de um abraço apertado

E neste apelo de carinho

Tenho medo

De não conseguir te confortar

Tenho medo

De sozinho ficar

E quando gritar

Tenho medo

De não ser audível

E não existir alguém

Para me socorrer

Tenho medo

Do beijo seu e no doce sabor

Tenho medo sim

Que tudo pra mim não passe de poeira e flor

Medo de tudo e medo do nada

Tudo que uma vida gentil espera seguir

E por não fazer nada me enterrar no vazio

Tenho medo

De estar assim com a alma perdida

E me sentir uma pessoa vazia

Tenho medo

De mim com alguém

Tenho medo

De dormir e não acordar

Tenho medo

De sentir que minha verdadeira força

Está em entender que temer é parte do meu viver.

Fernando Cartago
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

quando eu não tinha

Quando eu não te tinha,
Os meus momentos a sós eram passados no abismo,
Entre o nariz e a boca,
A realidade era outra coisa, menos boa, religiosa, alheia,
E o acordar me dividia,
Entre o lençol e o ir comigo sem mensurável projecto,
Cumprindo um ritual,
Sem dar por nada, sozinho e morto, ausente.

Quando eu não te tinha,
A solidão saía p'los olhos e me intimidava o desejo,
Como uma casa vazia.
A desgraça carpia a minha ausência infiltrada na sombra,
Batendo as horas.
O exílio não era nas hortas e nas nespereiras com frutos,
Os silêncios não eram sagrados
E as rotinas não saradas jamais passariam de básicas e banais.

Quando eu não te tinha,
Não sabia quem eu era, agora não sei quem sou,
Porque te tenho,
Como uma doença benigna e natural, um sopro,
Uma ideia vaga.
Convem conduzir-te p'ra longe da minha inveja,
Mas não sei como.
(Tal é a minha descrença nas teorias da humanidade)

Esperança, quando eu te via nos reflexos d'outros óculos
Era feliz, reconheço-o,
Agora estou ciente que quero o universo inteiro
D'um todo
E nem por isso sou mais brilhante ou autêntico,
Do que outra realidade qualquer.

Joel Matos (02/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
1 126
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Edson Fernandes

Edson Fernandes

Naquele Dia

Do amor que encanta
Daquele amor da infância
Do amor da esperança
Daquele amor de paixão
Do amor que mata
Minha alma sem perdão

Edson Fernandes
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

O que é emoção e o que o não é

Nada mais me provoca emoção, cansei-me da vida que levo,
O fardo que carrego é uma âncora, assim como outra tralha,
Que não se vê mas sente-se, como um estorvo…
Esta vida ausente, este navegar à tona, sem escotilha…

E a gente vulgar que germina onde sente que há bolor,
Mas o pior é quando o céu se tinge de igual cor
E não me deixa ter noção do que há nas flores,
Nos lagos, nas montanhas e bosques com espaços interiores…

Ah,… os poentes que dão vontade de beber de um fôlego,
A sensação e o gozo ao penetrar um corpo de mulher,
A chuva branda, caindo em cordel e a lembrança que albergo,
Do fogo crepitado da lareira, amadorrando o crer…

De tudo isso abdiquei eu, da subversão, do voo,
De exércitos de estrelas suspendidas, dos prados parados
Saindo dos rios e dos peixes, vestidos de quem sou…
Nada mais me suscita a vertigem dos passados tempos,

Assim uma espécie de faina mas com os barcos presos
No cais, visitando ilha após ilha, maré após maré,
Até que a última estrela caia do horizonte leitoso
E eu não precise mais apartar do que é emoção, o que não é…

Jorge Santos (01/2013)
http://joel-matos.blogspot.com
1 578
5
Lua Barreto

Lua Barreto

Não digo mais minha idade

Não digo mais minha idade.
Está decidido.

Sempre achei que as mulheres reduziam seus anos
Por frescura
Ou vaidade frívola
Futilidade
Não é.

As pessoas tratam diferente
Quem passou dos 20, 30, 40 ou 50
E é tênue a linha que separa
O respeito e o preconceito.

Minha idade não me define.
Em dias quentes como hoje tenho 80
Tem dias que acordo aos 50
Me preparando para a terceira idade
Em dias de festa tenho 15.

E em meu corpo cada parte
Tem uma cronologia:
Minhas pernas têm 20
A barriga tem 40
E o coração, apaixonado,
Nunca sai da adolescência.
Apenas quando ferido,
Quando vai para 78,
Já à beira de um infarto.

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Larissa Rocha

Larissa Rocha

A mulher que ama


Como é bela uma mulher que ama!

Tem toda sorte quem pode colher

Nos campos primaveris, os amores

Que desabrocham num seio de mulher!

 

Uma mulher quando falar de amor

É a estrela mais brilhante dos céus,

Tem a voz mais bela que o som das harpas

De um coro de mil anjos de deus;

 

E é tão bonita uma mulher

Que carrega com honra este fado,

Preferia morrer de amor mil vezes

A nunca na vida ter amado!


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Evandro Knowles

Evandro Knowles

♥Amizades♥

''Difícil é ganhar um amigo em uma hora:
Fácil é ofendê-lo em um minuto''.
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Emílio

Emílio

De mim III



tive um "Zé" como vô

pequeno magro e teimoso

tinha um olho castanho outro esverdeado

nutria amor pela república

era laico por fervor

anticristo sem temor

e odiava salazar ditador,

fazia sapatos

plantava couves cenouras e batatas

andou pelas linhas da

ferrovia,

enviuvou d'uma viúva

com quem se juntou

que lhe dizia...Zé faz isto...

faz aquilo...Zé não fazia...

fez-lhe três filhos uma vez

como quem diz...aqui tens...

morreu feliz aos noventa e seis

apertando-me a mão

como quem pede perdão

por males que não fez...

Emílio Casanova, in "Coisas do Coração"
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Mel de Carvalho

Mel de Carvalho

hoje vou editar silêncio

o soalho range sob(re) os pés.
a madeira dói. geme a casa antiga. a casa da língua.
o soalho ainda, tábua a tábua, justaposto paralelo
ressoa nos passos
e nos silêncios.

o teu silêncio. o meu silêncio. e a palavra
retraída na casa da língua. a carne viva, a viva voz...
alegoria neandertal de homem das cavernas.
...

hoje vou editar o silêncio. rasgo-o, desabitado:
- os dedos no teclado
e um barco num porto de mar. e a buza prenúncio de partida.

como uma pálpebra
uma pestana

caída

no seio da madrugada polar
qual flor
acéfala
que cresceu em sítio errado.

hoje
em cada pingo de chuva a respingar caleiras e beirados
poderia decantar
a hemodiálise diurética dum ácido corrosivo que abocanha
estulto
o malmequer perene do teu riso
se, em si maior, ainda, um nome, uma brisa, uma melodia, se eleva
resgatando silêncios do teu peito.

hoje,

talvez ainda te fale de amor ...

por hoje, ainda.

amanhã, quiçá, a geada da noite tenha
definitivamente toldado, um a um, todos os bagos de romã ...

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José António de Carvalho

José António de Carvalho

CABE NUM DIA

(Coletânea "LIVRO ABERTO" - 2024)

CABE NUM DIA 

Cabe num dia,
cabe na mão,
os olhos da madrugada
que o sonho pedia.
O sol das manhãs
em dias de verão,
bem alto a sorrir
no pulsar do coração.

Os lábios da tarde
abrem-se sorrindo
num rio sem destino
lentamente a descer
como plumas de aves
num arco-íris lindo;
não se vendo mais nada
que não seja o entardecer.

A noite em doce rosto
rouba ao crepúsculo
o néctar da alucinação
num calor de agosto,
de lava a queimar
que a noite não refresca,
querendo fugir
mas deixando-se ver,
deixando-se amar
com a lua a beber
contornos de luz
para voltar a viver,
e adormecer…

José António de Carvalho, 19-janeiro-2024

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Petra Correia

Petra Correia

Improviso a dois

Somos destinos raros, alados e entrelaçados,
Conhecemos o mundo e o mundo conhece-nos a nós
Somos ambos destinos a desfazer os grandes nós.

Ali e acolá, acima e abaixo,
Constantes de duas vidas já fora do prazo.
Rotina melancólica, amor inquietante.
Palavras proferidas, guardadas na estante.
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Carla Furtado Ribeiro

Carla Furtado Ribeiro

AS COLINAS DA NOITE

Descem sobre mim as colinas da noite
As pálpebras pesadas do dia sobrevivido
Faltam palavras para dizer a escuridão
O sonho...chegou a hora do sonho....


1 814
5
afonso rocha

afonso rocha

A SAUDADE É UM SONHO ACORDADO

Deitei-me sonhando...
abraçado à saudade
.....................
que teima em queimar
este meu peito
cor de sol
poente
.....................
Nasceu...
e crescendo
ganhou raízes
instalando-se
por todo meu corpo
respirado
.....................
e sonhando...
acordei
em novo amanhecer
com a saudade
a morder-me
os olhos
a dilatar-me as veias
e sair-me
pelos poros
.....................
inundando meu quarto...
em convulsões...
e lágrimas
de pranto

1 727
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J L Silva

J L Silva

Ausência

Na manhã que te levou
Na tarde que não se cala
No beijo que não te esquece
No abraço que ainda aquece
Na noite que te esperou
Na cama onde agora dorme o frio
Na tua ausência doída
Num quarto vago e vazio
A saudade deita seu corpo
Junto ao teu corpo macio
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Regina Maria de Souza Moraes

Regina Maria de Souza Moraes

Dor no peito

Meu peito dói e se oprime.
O coração bate pesado e rouco:

Sino soando a morte de um sonho!
1 026
5
José Roberto Tolentino

José Roberto Tolentino

O Ilhéu

A ilha é uma porção de terra
que desertou do continente.
Eu, desertor, aliei-me à ilha;
condenei-me a morrer de tédio constante
ou de maremoto súbito;
isolei-me sem papel, sem garrafa, sem farol.

Morri na ilha deserta.
Morri qualquer dia desses
(perdi a conta dos dias).

Vivi de sol a sol e de só a só
(nem sei qual o dia em que não morri).

A ilha é deserta.

Decerto o deserto sou eu - só
errando na ilha deserta;
morrendo na ilha deserta;
sem dia, nem hora, nem data; no ermo
desperto cansado - já morto a termo.

Vivo, morri, morro, vivi.

O tempo é deserto e o espaço é agora:
faço versos e sulcos na areia das horas.

Quem lerá os meus versos que o mar apagou?
Quem dirá que vivi, que morri, quem eu fui, como sou?
Quem me conhecerá além de mim?
Quem me amará a partir do meu fim?

Morri, um poeta deserto, e só agora me dei conta disso:
morri num dia qualquer na ilha deserta
e nenhum noticiário falará do meu sumiço.

Minha ilha jamais vai ser descoberta.
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Edgardo Xavier

Edgardo Xavier

Abismo

Abismo





Visto pele diferente

E falas pela minha boca

Rasgo-me na fúria dos teus medos

E sangro a tua solidão em cada
lágrima

De luto me pinto como a noite

E sou escuro

Vou e venho

Procuro



Só te acho amor

No eco do meu choro





in "Corpo de Abrigo"

Edgardo Xavier
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