
Lista de Poemas
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Alexandre Rama
EU COM VOCÊ
Meus dias se arrastam como ponteiros de relógios contando infindavelmente os segundos humanos.
Gostaria de ter suas mãos nas minhas.
Gostaria de ter sua pele na minha.
Mas tudo não passa de um tempo verbal, no qual, só tem espaço para ser conjugado num futuro do pretérito.
Como EU gostaria;
TU como querias;
ELE com ELA se uniria;
NÓS um para sempre seríamos;
VÓS comigo estaríeis;
ELES se amariam;
Pode não ser bonito.
Mas meu amor por você, isto sim é.
Marcelo Mardock
Aprendiz
nos encalços dessa alçada
Há de rir de mim a vida,
os algozes na estada,
Há de sorrir quando eu chorar,
por mais cheio de vida, estou vazio
por um tempo, vejo a mal
mas enfrento o meu caminho
vou nascendo,
crescendo,
sorrindo, mas temendo..
um dia a vida me vem denovo e leva tudo embora!
Há de rir de mim a morte
pra mostrar-me a saudade
Há de vir em mim a morte
pra mostra-lhes a saudade
Há de sorrir pra mim a morte
pra dizer da felicidade
e o quanto a vida,
essa sim valeu a pena ser vivida!
Fernando Maia
Entusiasmo imbecil
Roupa no varal sacode
nuvens crescem, folhas caem
batuta de vento ganha força
melodia toma forma
surge coreografia divina
regida por brisa precisa
a chuva desce
António Pereira Vieira Da Silva
A Tua Morte
Aceito o cheiro que não é cheiro do ar,
O veneno de um ardente coração
Que não é música nem tão pouco o luar,
Aceito a fórmula de enregelar a voz
De cheirar o que tu não cheiras,
O que vem de mim, de ti de nós
Sem saber cantar quando choras,
Choro de chorar
E nada choro quando já não sei chorar,
Se morro por amar
Ou se vivo sem te beijar,
Já nada importa se não te cantar
Nada importa se morrer,
Nada faz voltar atrás
Quanto te enterrei e tive de sobreviver.
Sem ti
Apenas sem ti meu amor,
Não sei o que vai ser de mim
Para lá desta dor,
Não te vejo como queria
Não sonho o que sonhava,
Já nada faz magia
Eu pobre sem lume, na rua a vaguear,
Se antes morria por nada
Agora morro por tudo,
Tenho a vida quase acabada
Contigo, levaste o meu mundo.
Marc Santini
Vontade de Você
Agora mesmo.
Te querer me esgota,
Quase perco o controle... o que me salva
é a caneta e o papel...
As palavras saem aos borbotões,
Teu nome e outras tantas que o acompanham
formam histórias, sentimentos,
gestos, ações e desejos...
Caminhos,
Trilhos, trilhas,
Música, sons, gemidos.
Suor, toques, cheiro
Cores,
Mãos, pés, olhos,
boca, abraços, beijos,
olhares.
Comida, pipoca, sorvete.
Cinema, escuro, claridade.
Fome de você.
Longe, perto,
dentro, fora,
sonho, realidade
Amizade,
Virtualidade,
intimidade,
Verdade, envolvimento.
Loucura e sanidade,
Amor, paixão.
Dança,
Sensualidade,
Meu, teu
Nosso corpo,
Corpos,
Nossos...
Praia, sol,chuva.
Lua, estrela,
Cometa.
Noite e dia.
Carona.
Teu beijo gelado,
Nós dois...
Banho de água fria...
Ops!
Basta... é melhor parar por agora,
E esperar que outras tantas palavras
surjam com o caminhar de nossa história.
Déa Villarinho
VERDADE
José de Sottomayor
ILUSÃO
Os meus dedos correm a guitarra
e no teu rosto escrevem a canção,
na tua boca beijo a madrugada
e nos teus braços aperto o coração,
e no teu corpo escrevo uma saudade
com letras da ternura de te amar
palavras que desfolham a verdade
da saudade que de mim te quero dar,
tu foste a minha hora de nascer
tarde que cedo se fez a claridade
e em mim brotáste fonte de emoção,
qual rio imenso que corre p'ra viver
e em ti beijou a foz da realidade
e em ti morreu na voz de uma ilusão.
Emílio
Foste
Partiste na altivez
Porte armado
Olhar certeiro
Anti fagueiro
Contra a paz domingueira
Deixei-te voar
Nesse teu ar seguro
De certeza das causas vencidas
Entreabri conventual portão
Dum amoroso casulo
Coração cansado de heroínas
Cobertas de vento
De espuma
Seguras de recantos
Ressabiados
Amores passados
Emílio Casanova, Coisas do Coração
Raimundo Candido
OS GREGOS
“As palavras são os suspiros da alma.”
Pitágoras
“A esperança é o único bem comum a todos os homens;
aqueles que nada mais têm -
ainda a possuem.”
Tales de Mileto
“Um ponto é o que não tem parte”
Euclides
Um cismar quando absorto
na pele é um profundo mergulho.
A captação do íntimo das coisas
ainda é um segredo da hélade,
época de envolvidas estátuas,
tempo em que seitas ocultavam
o como e o porque de todo brilho
exuberante sob asas dos deuses.
A imensa voragem heroica
delineando o feitio espartano,
sempre com apetite de guerra,
inflava-se sobre um Acrópole
longínquo de Atenas vestida de cal.
De lá, via-se manar a luz homérica
indo iluminar Ulisses na luta de Tróia
e seu regresso cruento na Odisséia.
Iatamyra Rocha
Tuas Horas
para que o perfume
Corroa a água
E quantos aís precisam
Para que nas mãos saia teu cheiro de mágoas
Meus sais,no vidro translúcido evaporam
Minha pele sente o frescor das tuas horas
Meu relógio perene e pulsante
Sente teu âmago febril
Desde o luar que você partiu
Meus aís são rarefeitos
Roucos,loucos e imperfeitos
Sussurram e queimam da tua alma
Ainda levitando em meus desejos
Mudando a cor da minha aurea
Meus sais aos meus aís se misturam
Nessa água nua e pura
Que das minhas mãos escorrem
Sob o brilho da luz que me envolve
Desaguando tuas mágoas e meu ar
Nessa água que te espera
No meu mar.
®IatamyraRocha
Blog Efêmero
http://iatamyra.blogspot.com/
Blog Prisma
http://iatamyrarocha.blogspot.com/
Blog Palavras ao Vento
http://iatamyra.wordpress.com/
Carolina Caetano
A parede, a sua vida
como custaram-lhe as ingratas paciências
e o mês de agosto, não de menos, quando
tolos os meses se antecediam uns aos outros
antes embebia outras datas num só rolo
trouxe até a me pintar toda parede, e a parede
que afaga a colorir seus outros dedos
E suas datas mais próximas apetecem ou descansam
aos arredores da casa sua
a sua vida é besta, a sua vida é besta
e eu deitei-me sob ela
aos arredores da casa sua
a sua vida é besta, a sua vida resvala
escorrendo-me à cabeça
entornando pelas eiras
Se correr à calha a esta altura
a sua vida me aproveita, eu já sou outra parede
a minha vida é besta, a minha vida é besta.
Raimundo Candido
E PETER PAN SE FOI
Quando os heróis habitavam
meu demorado e brando peito,
sorvia a desejada felicidade
como um brinquedo qualquer.
Os Peter Pans moleques
me davam coragem.
Um dia, um súbito flash
obscureceu meu mundo
e todos os guerreiros se foram.
O robusto peito cingiu
como a um moinho.
Agora, surrado, inclino-me
ao sombrio momento
da ausência de ilusões,
sem as galhofas heróicas
que alegravam meus dias.
Discretamente vou sumindo
se o perigo vem chegando
com seu carrossel de fogo
e ninguém me socorre
deste sobressalto terrível
que se apodera de mim.
Thiago Gonzaga
Alma Consumida
que estremecia, ardia, afogava.
quem diria que um dia partiria,
com aquela guria, deixando apenas a agonia.
A alma que me levou, eu ainda sinto falta,
e com ela fora muito mais que isto,
foste também tudo que em mim continha,
ficando apenas o peito vazio, o gosto amargo da saudade,
o fracasso da perda e a carne, corpo, singelo.
Raimundo Candido
DEIXEM O AMOR ENTERRADO!
Não ressuscite o amor
que um dia foi vida,
deixe-o lá: enterrado!
Quando se exuma
algo tão forte
que um dia morreu
ele reflorirá
desbotado
numa flor dorida
na magoada
relva cinzenta
do tempo passado!
LUIZ GONZAGA DE PAULA
pinga boa
Pinga boa
Sempre vou pro bar
De manhazinha antes do sol nascer
Ja tomo uma que é para rebater outras de ontem ai ai
Tomo tudo ali
Pinga no cocô conhaque com limão
E se misturo alcatrão desce macio ai ai.
Tomo na calçada e também bebo no balcao
Esquenta peito, engasga gato táa tubo bem, tá tudo bem
Refrão
Que pinga boa ô ô ô
Que pinga boa
Quase cai na lagoa me segurei num cordão
De vez enqando vou
Lá na capela pra tomar
Uma que o padre guarda lá marva branquinha ai ai
Pego a charrete
E faço curva da estrada intortar
Qualquer desvio que eu tomar me quebra a cara ai ai
Volto a galopar
E faço a curva devagar
De tanto o corpo balançar eu chamo o Juca a vomitatr a vomitat
Fernando Serrate
Quando Realmente Escrevi
Quando Realmente Escrevi
Quando deixei de sorrir em falso,
Quando chorei por uma companhia.
Sempre que me escondia, buscava meu ser.
Preciso realmente viver
sentir que não preciso morrer, esconder-me.
Puxa vida! Corri, corri até cansar,
agora descanso...
Quando realmente escrevi,
Quando realmente chorei,
Quando realmente sorri,
Quando realmente senti a vida.
Peço ora você, ora eu.
Descreves o mar e suas pródigas aventuras.
Pois digo lhe:
escutes o cantar dos pássaros,
o perfume das flores,
o choro entremeado das árvores.
Aí corra, corra campo afora,
deite-se e olhe para cima
e veja as nuvens azuladas
passe a mão envolta e percebas
o macio do tapete verde.
Chorei. Talvez, eu não tenha o mar e a areia...
Mas sorri, porque tenho:
o verde,
os pássaros,
as flores,
a mata
e sua saudade...
Fernando Serrate
Sem Data, mas Eterna
Gabriela Lages Veloso
A ilha de pedra
Precisamos sair da
Ilha para vê-la,
Em sua plenitude.
Daqui observo os telhados,
O traçado das ruas,
O ir e vir de pessoas
Carros e motocicletas.
Daqui enxergo tudo claramente,
O verde quase inexistente,
O ar cinzento,
Os lugares invisíveis.
Daqui vejo a ilha de pedra
Edificada sobre os restos de vida,
Onde todos correm sem destino
E os dias são sempre os mesmos.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema A ilha de pedra. In: As Literatas. MARANHAY - (Revista do Léo ) - 56 - março 2021 - EDIÇÃO ESPECIAL: ANTOLOGIA - MULHERES DE ATENAS, São Luís - MA, 04 mar. 2021.
Matheus Dantas
CARTA AO PASSADO SEM REMETENTE
Como manda os ciclos temporais da vida de cada ser vivente
E em termos consisos,
Digo que o tempo em si foi um período conturbado para mim.
Já que obtive conquistas que foram poucas
Mesmo assim, as considero louváveis.
E derrotas que não pude obter a menção de ver quantas perdi
Mas enfim,
Faz parte do processo da insistência contínua em vida.
Lembro-me tempos atrás do dia que obtive o meu primeiro amor,
E de forma amarga,
A atribuição sentida de nunca ter o beijo daquela que eu amava.
Também recordo-me dos tempos das recaídas depressivas
Destruindo o meu emocional em diversos pedaços
Ao qual estou tentando reconstruir até hoje esses retalhos
Sem ter um sucesso expressivo.
E relembro do mesmo modo,
Das brigas constantes entre família,
No qual sempre eu era considerado o erro daquela relação familiar.
Em suma, vários aspectos aconteceram durante esse tempo de vivência
Ocorrendo acontecimentos significativos
E daqui observo,
Que terei uma vida "longa" pela frente.
Podendo ter amarguras ou satisfações,
A cada passo dado nesse caminho atemporal
Porém, a minha fé tornou-se conivente ao ceticismo
E não tenho mais esperanças do que o futuro pode me oferecer.
Essa correspondência num tom poético não será entregue a ninguém
Nem ao menos a mim mesmo,
Ou seja, apenas servirá como uma epístola servil e sem codinomes.
Apenas restando para ela o mofo e as manchas da antiguidade
A cada badalada do relógio
Que soa, toda vez que o tempo concreto é marcado.
Serei esquecido pelo vento e atraído pelos períodos temporais,
E cada temporada vivida,
Poderá ser uma experiência fragmentada.
Vivendo só por viver,
Sem uma intensidade correlacionada a um aspecto personal
Tornando-me somente um ser comum, normal
Faltante de incrementos e igual a multidão.
São Paulo - SP
18/10/2020.
izasmin
Amarela
É ela,
Nem morena,
Nem branquela.
Singela,
Medo de viver,
No fim amarela.
É aquarela,
Em tom monocromático,
Meio-termo, vivendo por tabela.
Quer ser aquarela,
Mas se perde nas cores,
Deseja uma realidade paralela.
Não é pelo tom loiro ou tom de pele,
Representa apenas a palidez do ser,
É aquela cujo nome você esquece,
Sem ter um porquê de conhecer.
09 de Novembro de 2020.
Ladybird
A menina que queria ser sereia
depois de onde as ondas quebram
lá o mar é manso
por enquanto vive em Atlântida
"a vida é boa aqui no mar"
suas caudas de sereia a levaram
para longe de seus problemas
Não sei quando voltarei ao raso
ela diz
esse mergulho dentro de mim
pode ser demorado
um dia volto pra casa
dpesteves
Nem tento
desperto morto, isolado por dentro
numa ilha entre a terra e mais terra
de alma esmagada
e não reconheço o gigante
esse sonâmbulo que me habita
enfrento os dias como castigo
uma rendição
nas mãos apoucadas
de anti-ansia
nada me existe
além da muda necessidade do amanhã
pergunto
qual deles serei detrás da cortina?
quando mais ninguém existe
quantos perdedores sou?
quantos humanos?
e porque devem ser todos
tão cegos
à janela da existência?
Nem o vento tardio
do beira-rio me refaz
deste sempiterno desistir
sem sombras nas folhas
que eram outrora regozijo
servindo de remédio
ao esquecimento
a morte deve ser
apenas um pouco mais
taciturna e infinita
que este negrume que levo dentro
até as palavras saem tristes
como de outro
pois a minha boia furou
em pleno mar violento
torno-me rígido
pálido
mantendo-me à tona
só flutuam os restos mais verdes
que devem nascer amanhã
porque hoje
este hoje tão pesado
sou um cadáver
sem história ou vontade
sou anomalia
tentando trepar à árvore do adeus
talvez lá encontre
a parte que me falta.
itamarfs
AMOR ONÍRICO
Transbordado de graça, ao ver-te chegar.
Com efêmero riso em sal me inundo,
Ouvindo a porta, ao teu ir, se fechar.
Recorro aos meus sonhos pra te reencontrar,
E no onírico ponto eu quero estancar;
Pois não quero, jamais, que teu único amante
Pereça de enfado a te esperar.
Itamar F S

Ladybird
Para Mari Ferrer e todas nós
de estrelas e de viagens
Ela não queria ser invalidada
pelo corpo dela
Ela queria ser reconhecida
pela sua perspectiva
e não apenas pela roupa
que havia usado na noite passada
Ela não queria ser invalidada
pelo corpo dela
Ela queria ter sua fala representada
quando disse que foi abusada
e não ser atravessada
por uma foto que havia postado
Ela só queria ser respeitada
Ela queria gritar para todos ouvissem
mas seu canto estava mudo
Veja
Ela não queria ser invalidada
pelo corpo dela
Ela só queria ser respeitada
Ela só queria ser escutada
Lagaz
Quintana
Poeta,
versos são flores em um jardim de pedra,
Flores estas, que surgem do
coração,
e hoje ninguém mais observa,
quão lindas ou estranhas possam
ser.
E fazer o que ?
Essa é a vida, vida essa que o tempo consome, como a um poema.
Mas antes,
permita que lhe diga,que em um ímpeto narcisista,
escrevi rascunhos nas páginas do seu livro,
coisa de menino,que inspirado pelo fado
dos versos, ousou que poderia.
Quintana
a vida encanta mais do que se imagina
E você sempre soube
Muito antes de todos nós
Que a imaginação
É uma flor em um jardim de pedra
Pedra está que consome a vida
Como um poema
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