Lista de Poemas
SAUDADE EM GOTAS
De repente, as flores se curvam ao tempo
Some o perfume de calorosos sentimentos
E a negra sombra da noite ao ninho invade
Regam agora os olhos, lágrimas de saudade
Não há mais festas de faceiras borboletas
Nem querem as vespas o sabor do seu mel
Tua alegria de primavera se tornou em seca
Nem os teus olhos ousam contemplar o céu
Adorna a tua face o teu choro cristalino
Num pranto de saudade do teu viver ladino
Onde o amor, tu sabes, por certo floresceu
Botões de esperança brotam dentre os ramos
Quem sabe o amanhã afugente os desenganos
E ainda volte o amor a morar nos braços teus
Some o perfume de calorosos sentimentos
E a negra sombra da noite ao ninho invade
Regam agora os olhos, lágrimas de saudade
Não há mais festas de faceiras borboletas
Nem querem as vespas o sabor do seu mel
Tua alegria de primavera se tornou em seca
Nem os teus olhos ousam contemplar o céu
Adorna a tua face o teu choro cristalino
Num pranto de saudade do teu viver ladino
Onde o amor, tu sabes, por certo floresceu
Botões de esperança brotam dentre os ramos
Quem sabe o amanhã afugente os desenganos
E ainda volte o amor a morar nos braços teus
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NÃO QUERO AMAR-TE
Não quero amar-te, tu já bem percebes
O quanto eu blindo e guardo a meu peito
Fortaleza de assombros a dor entregue
Ruínas e vis restos de amores desfeitos
Não quero amar-te, mas não é por covardia
Sou volúvel como a brisa aos teus encantos
Mas é que o amar que me seduz, por ironia
Foge de mim e faz-me réu dos desencantos
Melhor vazio de ilusão estar ao teu lado
De seu carinho a cada dia, ser mendigo
Do que eu ver meu coração apaixonado
Cair no hades ao teu fugir do paraíso
Não quero eu te amar, pra quando fores
E ignorares tudo o que eu sinto por você
E não ver se transformar todas as flores
Somente em ódio e ignomínia do viver
O quanto eu blindo e guardo a meu peito
Fortaleza de assombros a dor entregue
Ruínas e vis restos de amores desfeitos
Não quero amar-te, mas não é por covardia
Sou volúvel como a brisa aos teus encantos
Mas é que o amar que me seduz, por ironia
Foge de mim e faz-me réu dos desencantos
Melhor vazio de ilusão estar ao teu lado
De seu carinho a cada dia, ser mendigo
Do que eu ver meu coração apaixonado
Cair no hades ao teu fugir do paraíso
Não quero eu te amar, pra quando fores
E ignorares tudo o que eu sinto por você
E não ver se transformar todas as flores
Somente em ódio e ignomínia do viver
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VELHO CHICO
Meu rio São Francisco, de longa história
Das antigas dores, das velhas memórias
Do serpentear tristonho entre a caatinga
E do morrer cansado em meio a restingas
Como o velho Chico, assim são minhas dores
O morrer de sonhos e o sofrer de amores
Cesta de amarguras a se arrastar no tempo
Desaguar de lágrimas a rolar sentimentos
Seus sonhos infantes de mil corredeiras
Morrem em Três Marias, amante faceira
Lá começa a sina de sua bancarrota
Amor de menino, paixões por canastras
Vai se ressentindo, vai perdendo a graça
Colhe águas de mágoas para lavar outras
Das antigas dores, das velhas memórias
Do serpentear tristonho entre a caatinga
E do morrer cansado em meio a restingas
Como o velho Chico, assim são minhas dores
O morrer de sonhos e o sofrer de amores
Cesta de amarguras a se arrastar no tempo
Desaguar de lágrimas a rolar sentimentos
Seus sonhos infantes de mil corredeiras
Morrem em Três Marias, amante faceira
Lá começa a sina de sua bancarrota
Amor de menino, paixões por canastras
Vai se ressentindo, vai perdendo a graça
Colhe águas de mágoas para lavar outras
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DIA FUGAZ
Nasce o Sol e assim como a aurora os sonhos
Repleto de ilusão, o amor surge risonho
A luz invade o mundo, já nada é obscuro
A jovialidade desconhece qualquer muro
Caminha rápido o Sol, ninguém percebe
Sua sombra é fugaz, derrete-se a neve
Mui breve toda soberba esvair-se-á no tempo
Como rastros na areia ao respirar do vento
Só quando o Sol se põe é que nós percebemos
O quanto usamos pouco o muito que tivemos
E quando todo projeto na escuridão for nada
Aí sim, entenderemos quão curta é a jornada
Os últimos raios de Sol coram em dor sua tristeza
Rubor de desencanto, dos muitos erros a certeza
Já a jornada é finda, vem com a noite os pesadelos
E na sombra da demência, a paz por esquecê-los
Repleto de ilusão, o amor surge risonho
A luz invade o mundo, já nada é obscuro
A jovialidade desconhece qualquer muro
Caminha rápido o Sol, ninguém percebe
Sua sombra é fugaz, derrete-se a neve
Mui breve toda soberba esvair-se-á no tempo
Como rastros na areia ao respirar do vento
Só quando o Sol se põe é que nós percebemos
O quanto usamos pouco o muito que tivemos
E quando todo projeto na escuridão for nada
Aí sim, entenderemos quão curta é a jornada
Os últimos raios de Sol coram em dor sua tristeza
Rubor de desencanto, dos muitos erros a certeza
Já a jornada é finda, vem com a noite os pesadelos
E na sombra da demência, a paz por esquecê-los
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SAPATINHOS
Tantos sapatinhos vazios
Flores de amor a murchar
Humanos que em desatino
Celebram o poder de matar
Perdem seu verde-esperança
Milhões de sapatinhos de amor
Nas leis que condenam crianças
Em funestos laços de horror
Usam com cinismo e escárnio
Da reprodução o bem-fazer
Tal qual quem joga baralho
Descartam a vida de um ser
Clama e chora a natureza
Sapatos vazios a postar
Denunciando esta torpeza
Orquídeas contra o abortar
Flores de amor a murchar
Humanos que em desatino
Celebram o poder de matar
Perdem seu verde-esperança
Milhões de sapatinhos de amor
Nas leis que condenam crianças
Em funestos laços de horror
Usam com cinismo e escárnio
Da reprodução o bem-fazer
Tal qual quem joga baralho
Descartam a vida de um ser
Clama e chora a natureza
Sapatos vazios a postar
Denunciando esta torpeza
Orquídeas contra o abortar
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PENDÃO DA PÁTRIA
Ah meu pendão da pátria mutilado
Arvora ao céu, procura ar, asfixiado
Maldita podridão, em frente e aos lados
Abutres infestam o céu do meu cerrado
Atraídos pelo mau cheiro putrefato
Que exala entre a câmara e o senado
Pudesse eu arrancar tua bandeira
Arvorá-la bem longe da bandalheira
Desta praça da infâmia brasileira
Arvora ao céu, procura ar, asfixiado
Maldita podridão, em frente e aos lados
Abutres infestam o céu do meu cerrado
Atraídos pelo mau cheiro putrefato
Que exala entre a câmara e o senado
Pudesse eu arrancar tua bandeira
Arvorá-la bem longe da bandalheira
Desta praça da infâmia brasileira
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CASAMENTOS E SONHOS
O casamento dos vinte é apenas uma planta baixa, lá se enveredam os sonhos de jardins suspensos, vista para o mar, suítes aromatizadas e tudo mais que a imaginação juvenil comporta. Lá não faltam os recursos nem a flexibilidade para se adaptar aos diferentes gostos. Só quando se assina o contrato é que se percebe que o projeto é falho. O solo não é suficientemente estável, falta coragem para encarar o duro desafio de estudar, levantar cedo, fazer concursos, etc. Também é a hora que se passa a perceber os materiais desejados têm que vir de longe, que custam caro e que muitos deles são inacessíveis. Aí é que o bicho pega, reduzir sonhos não é coisa fácil. A flexibilidade é boa para a ampliação, mas para contrair expectativas costuma ser indomável como uma mula. A incapacidade ou a falta real de desejo de cada um começa cobrar o preço e o projeto dos sonhos fica no alicerce com os protagonistas acusando um ao ouro pelo insucesso. Mas há também os casos em que um é o constritor e o outro apenas o projetista compulsivo, amplia o projeto a cada dia enquanto o outro se sufoca nas readaptações intermináveis e inconseqüentes. Um dia, a paciência se esgota e a obra para de uma vez por todas.
O casamento dos quarenta é algo mais prático, a casa já está com a laje feita e basta algum esforço para que a mesma seja concluída. O problema está na reforma, cada um dos protagonistas espera mudar o gosto alheio para que a casa venha ser aquela que sonhou na juventude. Um espera que o outro mude suas atitudes, que faça regime, que aprenda a cozinhar, que volte a estudar, que pare de beber, etc. É uma espécie de engodo consentido em que cada m acredita que o seu charme mudará as coisas. Quando a obra recomeça é que se percebe que ninguém muda ninguém, a parestesia da preguiça juvenil continua operante e agora amparada por muito mais desculpas, como cansaço, simplicidade, etc. Mais uma casa condenada ao monturo ou a ser eternamente inacabada pela falta de coragem de se derribá-la para começar uma outra. Assim jazem muitas edificações nas nossas cidades.
O casamento dos cinqüenta costuma ser uma edificação mais modesta. Não há grandes reformas a serem executadas. Já não há torres, adegas, mirantes e aquelas loucuras da inconseqüência juvenil. A reforma só é planejada com os materiais que se tem ao bojo, restos das construções que cada um já tentou edificar. As exigências de acabamento agora são bem modestas e o que importa é que no aconchego da tranqüilidade se possa viver em paz. Os protagonistas agora querem apenas uma janela com blindex de onde possam ver as construções alheias e refletirem como a vida poderia ter sido bem mais simples e a felicidade alcançada nas pequenas coisas.
O casamento dos quarenta é algo mais prático, a casa já está com a laje feita e basta algum esforço para que a mesma seja concluída. O problema está na reforma, cada um dos protagonistas espera mudar o gosto alheio para que a casa venha ser aquela que sonhou na juventude. Um espera que o outro mude suas atitudes, que faça regime, que aprenda a cozinhar, que volte a estudar, que pare de beber, etc. É uma espécie de engodo consentido em que cada m acredita que o seu charme mudará as coisas. Quando a obra recomeça é que se percebe que ninguém muda ninguém, a parestesia da preguiça juvenil continua operante e agora amparada por muito mais desculpas, como cansaço, simplicidade, etc. Mais uma casa condenada ao monturo ou a ser eternamente inacabada pela falta de coragem de se derribá-la para começar uma outra. Assim jazem muitas edificações nas nossas cidades.
O casamento dos cinqüenta costuma ser uma edificação mais modesta. Não há grandes reformas a serem executadas. Já não há torres, adegas, mirantes e aquelas loucuras da inconseqüência juvenil. A reforma só é planejada com os materiais que se tem ao bojo, restos das construções que cada um já tentou edificar. As exigências de acabamento agora são bem modestas e o que importa é que no aconchego da tranqüilidade se possa viver em paz. Os protagonistas agora querem apenas uma janela com blindex de onde possam ver as construções alheias e refletirem como a vida poderia ter sido bem mais simples e a felicidade alcançada nas pequenas coisas.
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PROSA DAS ROSAS
O caminho da saudade tu não deves percorrer
Lá as flores são mortas, tu as deves esquecer
Se as contemplas de volta, vês que murchas estão
Já são resíduos do tempo, adornos doutra estação
Segue em frente a jornada, novas flores hás de ver
Dourados sonhos de encantos esperando por você
O passado é um folclore, nada dele volta atrás
Deixe as vestes de mágoas, a maquiagem refaz
Quem anda de costas, perde o que à frente vem
Se acabrunha em escombros e mofa em desdém
Mais nada belo a frente conseguirá alcançar
Abre um largo sorriso, independente da dor
Vista-se de otimismo, plante e regue uma flor
Alegria infinita em outros olhos hás de achar
Lá as flores são mortas, tu as deves esquecer
Se as contemplas de volta, vês que murchas estão
Já são resíduos do tempo, adornos doutra estação
Segue em frente a jornada, novas flores hás de ver
Dourados sonhos de encantos esperando por você
O passado é um folclore, nada dele volta atrás
Deixe as vestes de mágoas, a maquiagem refaz
Quem anda de costas, perde o que à frente vem
Se acabrunha em escombros e mofa em desdém
Mais nada belo a frente conseguirá alcançar
Abre um largo sorriso, independente da dor
Vista-se de otimismo, plante e regue uma flor
Alegria infinita em outros olhos hás de achar
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O DIA DO DESDÉM
Teu filho querido já vira-lhe as costas
Tua amada abana asas de desdém
Tua voz ecoa mas ninguém se importa
Da solidão tua alma se tornou refém
Adianta velar a quem te menospreza?
E gorjear soturno lamentando a dor?
Quanto mais insistes mais ela se enfeza
E transforma em nojo tua canção de amor
O galanteio é surdo ao coração fechado
E a cortesia soa como uma provocação
Nada mais te resta, oh ser desdenhado
Vá entoar teu canto em outra estação
Tua amada abana asas de desdém
Tua voz ecoa mas ninguém se importa
Da solidão tua alma se tornou refém
Adianta velar a quem te menospreza?
E gorjear soturno lamentando a dor?
Quanto mais insistes mais ela se enfeza
E transforma em nojo tua canção de amor
O galanteio é surdo ao coração fechado
E a cortesia soa como uma provocação
Nada mais te resta, oh ser desdenhado
Vá entoar teu canto em outra estação
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UMA AULA INESQUECÍVEL
Eu estava dando aula de física para uma turma de terceiro ano do segundo grau da rede pública a noite, no ano de 1980. Mal acabara de fazer a chamada, uma dúzia de marmanjos já se dirigia a porta de saída quando eu disse:
- Alto lá, hoje ninguém vai sair da sala, não!
- Que é isso professor! O senhor não sabe que a lei nos garante o direito de sair da sala para fumar a hora que bem desejarmos?
- Claro que sei, mas hoje ninguém vai sair, eu trouxe cigarros para quem quiser e podem fumar na sala à vontade. Alias, a nossa aula hoje será apenas um gostoso bate-papo. Trouxe cigarros, chicletes, revistas da Playboy e da Contigo, podem se servirem a vontade.
A aula virou um alvoroço. Logo todos estavam na maior folia, quando eu interrompi:
- Quem torce pro Flamengo? E pro Bota-fogo? Quem gosta de novelas? Que gosta de jogar uma peladinha? Quem gosta de forró? Quem gosta da feira do priquito? E assim por diante. Cada pergunta era seguida de um coral de adeptos num barulho ensurdecedor. Por fim, já depois de uma meia hora de farra, eu mudei de assunto:
- Quantos aqui têm menos de dezoito anos? Ninguém se manifestou.
- Quantos aqui tem menos de 21 anos?
Apenas duas meninas levantaram a mão. Então, um dos mais afoitos disse:
- Vamos lá professor, desembucha, aqui não tem crianças, podemos conversar sobre qualquer sacanagem.
Então eu prossegui:
- Quantos aqui o papai ou a mamãe veio trazer-los à escola hoje?
_ Qualé professor, tá zoando com a gente?
- Engraçado. Ninguém aqui é criança; todos gostam de mil e uma coisas legais para fazer a noite e, no entanto, vem para a escola para ficar do lado de fora da aula sem aprender coisa alguma. Eu, particularmente, só faço aquilo que gosto, mas não perco meu tempo simulando que quero aquilo que de fato não estou disposto a fazer. Se vocês fossem crianças, eu entenderia, mas como adultos, o que vieram fazer aqui? Estudar com certeza não foi, então não entendo a vossa inconsistência de propósitos.
- Ah professor, nós estamos cansados, Demos um duro o dia todo hoje. Ninguém aqui é filhinho de papai.
- Entendo bem o que vocês dizem, porque também não sou filho de papai. Aliás, eu moro daqui a 50 km, vou sair daqui as 23 horas, vou voltar para casa de ônibus, já trabalhei hoje de tarde outro emprego, faço 24 créditos na Universidade pela manhã onde lá estarei as 7 horas e sou casado, pai de dois filhos. No entanto, toda quinzena eu faço prova sobre algum livro que é muito maior do que este que eu passo um ano aplicando o conteúdo a vocês. O problema não é o berço, meu pai é operário e tenho oito irmãos, minha situação não é diferente da de vocês. A questão é outra, ninguém é culpado de nascer na merda, afinal ninguém escolhe onde nascer. O problema é que vocês gostaram de viver na merda e se deliciam com ela, porque na verdade já são todos uns merdas mesmo. Arranjam mil desculpas para justificarem o porque estão na merda, mas não fazem o mínimo esforço para sair dela. Estão aqui reprovados pela segunda ou terceira vez e, certamente ficarão mais uma porque estar na merda é de fato o desejo de vocês. A aula está encerrada!
- Alto lá, hoje ninguém vai sair da sala, não!
- Que é isso professor! O senhor não sabe que a lei nos garante o direito de sair da sala para fumar a hora que bem desejarmos?
- Claro que sei, mas hoje ninguém vai sair, eu trouxe cigarros para quem quiser e podem fumar na sala à vontade. Alias, a nossa aula hoje será apenas um gostoso bate-papo. Trouxe cigarros, chicletes, revistas da Playboy e da Contigo, podem se servirem a vontade.
A aula virou um alvoroço. Logo todos estavam na maior folia, quando eu interrompi:
- Quem torce pro Flamengo? E pro Bota-fogo? Quem gosta de novelas? Que gosta de jogar uma peladinha? Quem gosta de forró? Quem gosta da feira do priquito? E assim por diante. Cada pergunta era seguida de um coral de adeptos num barulho ensurdecedor. Por fim, já depois de uma meia hora de farra, eu mudei de assunto:
- Quantos aqui têm menos de dezoito anos? Ninguém se manifestou.
- Quantos aqui tem menos de 21 anos?
Apenas duas meninas levantaram a mão. Então, um dos mais afoitos disse:
- Vamos lá professor, desembucha, aqui não tem crianças, podemos conversar sobre qualquer sacanagem.
Então eu prossegui:
- Quantos aqui o papai ou a mamãe veio trazer-los à escola hoje?
_ Qualé professor, tá zoando com a gente?
- Engraçado. Ninguém aqui é criança; todos gostam de mil e uma coisas legais para fazer a noite e, no entanto, vem para a escola para ficar do lado de fora da aula sem aprender coisa alguma. Eu, particularmente, só faço aquilo que gosto, mas não perco meu tempo simulando que quero aquilo que de fato não estou disposto a fazer. Se vocês fossem crianças, eu entenderia, mas como adultos, o que vieram fazer aqui? Estudar com certeza não foi, então não entendo a vossa inconsistência de propósitos.
- Ah professor, nós estamos cansados, Demos um duro o dia todo hoje. Ninguém aqui é filhinho de papai.
- Entendo bem o que vocês dizem, porque também não sou filho de papai. Aliás, eu moro daqui a 50 km, vou sair daqui as 23 horas, vou voltar para casa de ônibus, já trabalhei hoje de tarde outro emprego, faço 24 créditos na Universidade pela manhã onde lá estarei as 7 horas e sou casado, pai de dois filhos. No entanto, toda quinzena eu faço prova sobre algum livro que é muito maior do que este que eu passo um ano aplicando o conteúdo a vocês. O problema não é o berço, meu pai é operário e tenho oito irmãos, minha situação não é diferente da de vocês. A questão é outra, ninguém é culpado de nascer na merda, afinal ninguém escolhe onde nascer. O problema é que vocês gostaram de viver na merda e se deliciam com ela, porque na verdade já são todos uns merdas mesmo. Arranjam mil desculpas para justificarem o porque estão na merda, mas não fazem o mínimo esforço para sair dela. Estão aqui reprovados pela segunda ou terceira vez e, certamente ficarão mais uma porque estar na merda é de fato o desejo de vocês. A aula está encerrada!
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Comentários (2)
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2014-09-07
Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.
2014-09-06
Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço
Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
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