Escritas

Lista de Poemas

APOLOGIA AO CONCURSEIRO

Concurseiro que tanto estuda, mas à política é indiferente
Veja bem que as vagas tuas, são dos políticos e seus parentes.

Veja quantos cargos comissionados foram criados pelo PT
Pra cupinchas e apadrinhados que ocupam vagas sem nada saber.

Louca esperança de quem estuda, num pais regido pela torpeza.
Enquanto a voz dos jovem for muda, reinará a burrice e a safadeza.
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AMOR A LOUCURA

Amo-te loucura minha,

Que a mim liberta, que rompe as correntes.
Que me alucina, mas me faz ser gente

Que não aceita regras, nem se adéqua aos mandos
Que a dor não se entrega, nem aceita os danos

Que não venera o medo, nem os preconceitos
Que só obedece a alma no que lhe é direito

Que não se incomoda se é errada ou certa
Mas nada vê de longe, tudo apalpa e aperta

Que não vê o dolo em conhecer a vida
Nem aos desaforos, ampara ou abriga

Que não conhece cercas para a liberdade
Mas vive livre e plena em sua insanidade

Se alguém a condena, critica e apedreja
Não passa de escravo, a morrer de inveja
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MORRE ROMA

Quando o trabalho é descartado por despojos
E a violência é cultuada em versos e coro
Quando o sangue dos oprimidos já não importa
O desamor passa a habitar dentro das portas

Quando a justiça e a moral fogem dos trilhos
Os pais morrem pelas mãos dos próprios filhos
E quem ensina a alçar poder a qualquer custo
Cedo defronta com o vil punhal do filho Brutus
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LEMBRO-ME DE TI

Não nos presentes que recebi, sem regar datas ou horas
Nem no atrelar de mãos em jornadas fúteis mundo afora
Nem nos cabelos sedosos que acariciavam meu corpo
Nem na beleza daquele olhar, que jamais vi num outro

Nem na sonora voz do teu clarim a acordar-me a alma
Nem na serenidade tua, que a toda a angústia acalma
Nem as faceiras noites de amor a dar inveja à lua
Nem nos delírios néscios ao ver-te linda e nua

Nem nos abraços ternos quando a esperança era vazia
Nem no silêncio seco e austero de quem a dor partilha
Nem nos olhos cansados e tristes em vigília de mágoas
Nem no secar do pranto que em lágrimas desagua

Nem no sorriso desvairado que me tirava do sério
Nem no adornar do quarto em doces ritos de mistério
Nem nos sonhos construídos em dunas de cumplicidade
Mas no abismo deixado por um triste vazio de saudades
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A FILHA DA BABÁ

A menina da babá nasceu em casa
Seu pai e mãe têm vidas ocupadas
Nasceu em berço de ouro, é abastada
Mas afeto só recebe da empregada

Novinha, este mês fez cinco anos
Com massa corporal sobrepujando
Em chiclete e sanduíches viciada
Pronúncia e dicção na forma errada

Já dança o funk, o axé e o pisadinho
Sabe tudo das novelas e do Ratinho
Adora ver TV e ouvir música brega
Conhece fast-food e o disk-entrega

Ninguém em casa diz que a filha é dela
Mas brinca, come e dorme só com ela
Seu sotaque, trejeito e voz espelha
Já em alma, gosto e jeito é a Marcela
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A DANÇA DA HIPOCRISIA

Vestimentas de sangue, na violência a dançar
Cospem e zombam da vida, quem vai se importar?
Legalistas hipócritas, assassinos de irmãos
Fingem que repudiam, mas não mexem suas mãos

É um menor de idade, está o hipócrita a falar
Só porque hoje a vítima, não saiu do seu lar
Mas já chegou hoje o dia em que a nossa nação
Gasta mais com bandido do que com o cidadão

É uma dança de e escárnio, orquestrada no paço
Quem tem medo da forca, nunca faz bem o laço
Pouco importa quem morre, ou quem sofre a dor
Legislam para os bandidos, pois lhes devem favor

Quem apoiou sua campanha, quem pagou os seus votos
Se os diabos do inferno, a eles já se fez devoto
Vendem a vida dos homens e a esperança de infantes
São escórias de homens a vestir togas e turbantes
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FLORES AO VENTO

Tudo são flores no coração da menina
Tão linda, tão meiga, nada de mal imagina
Enlouquece a família, incendeia a campina
Já seus rastros farejam, lobos em cada esquina

Quem consegue livrá-la, da tragédia eminente?
Como enfim desviá-la desta água corrente?
É fogo de capoeira em um relevo ascendente
Só no fim da queimada é que escuta a gente

Quantos sonhos perdidos em ações levianas
Quantas belezas mortas, sem sair do pijama
É tão triste ver ninas, sem sorrir virar madres
Pois legislam iníquos que decência não sabem
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LAMPEJOS DE VIDA

Tenho medo,
Não da dor, a esta sempre suportei resignado
Não da velhice, ela é para poucos privilegiados
Não da deformidade, nunca pousei de manequim
Não dá solidão, há muito aprendi a andar sozinho
Não da debilidade, ela ensina-nos o que de fato somos
Não da morte, minha vida em Deus tem o seu dono

Temo muito,
Deixar de ser quem sou por vis lampejos
Partir antes da hora por de alguém desejo
Ao nojo que sempre sucede aos interesses
De que a fé que me sustenta, eu a perdesse
As companhias que são mantidas a contragosto
Ser aos que amo, um peso e os seus desgostos

Admito,
Respeito o abutre que da carne podre come a carcaça
Mas enoja-me o carcará que a carne viva estraçalha
Prefiro despacho abrupto a estancar rios de sonhos
Que a partida lenta regada em gotas de desengano
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FINAL DO DIA

A dor sempre foi mal educada, não pede licença, invade a casa. Mas, quem abriria a ela as portas? A dor e vento sempre entram pelas frestas. Assim é a vida, os ventos que trazem os netos são os que levam os avôs. Poeira nós somos, como a poeira voamos e aos poucos ao pó nos integramos. Dói em nós saber quão curta é a vida, mas, por mais a espichássemos talvez ainda não desse em nada, pois não é o tempo que é pouco, talvez sejamos nós que nos apequenamos demais e não conseguimos desfrutar toda beleza da jornada. A gente pode em pouco viver muito ou em muito viver nada. Confiemos em Deus, não abramos espaço ao lamento, pois muitos dos que veem a tarde preferiam ter partido cedo. Meus sentimentos aos entes e lágrimas de solidariedade.
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RETROSPECTIVA

Hoje eu retiro de mim toda palavra muda
Sentimentos ocultos, quais eu nunca escrevi
Volto lá na infância pra liberar toda a culpa
Amarguras e erros dos quais nunca esqueci

Me desfaço da carga que carrego nos ombros
Pesadelos e assombros do que não pude fazer
Me desgrudo do mito, para ser só o homem
Que mesmo trôpego e insano, viveu por você

Quase nada eu fiz certo e eu erraria de novo
Se ao sair do meu ovo, eu voltasse a te ver
Pois não há homem esperto e tão cauteloso
Que resista a este charme que habita em você
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Comentários (2)

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2014-09-07

Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

2014-09-06

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço