Lista de Poemas
ENIGMA I
Ando tentando decifrar-me,
querendo saber quem sou, enfim!
A cada leitura que faço,
conheço menos de mim!
ENIGMAS
SER LIVRE
Ser livre é poder sonhar,
soltar as asas da imaginação...
Voar, voar, voar!
Sem medo de cair,
sem ter medo de acordar.
Ser livre é viajar
pelo mundo azul do ser,
a alma humana desbravar!
É destrinçar a fronteira
entre os sonhos e a realidade
e amar o outro
mesmo sabendo-o
tão diferente de nós.
Ser livre é saber ouvir
as múltiplas vozes
que ecoam no âmago interior.
E saber que a liberdade
é uma construção divina
feita de amor.
(AMOR PRA VIDA INTEIRA)
IN EXTREMIS
Com que este bardo triste um dia sonhou.
Juntos desfrutarmos as bodas do himeneu
que Deus, por nós dois, idealizou.
Que palor é esse que a teu encobre?
De teu semblante roubou aquela cor de cobre
transfigurada, agora, em violácea cor!
Vela por ela, meu Deus, por ela vela
s'esfriou lá no céu peregrina estrela.
Vela por mim, meu Deus, que também morro de amor!
DA OBRA MEUS PRIMEIROS CANTOS, ENCANTOS E DESENCANTOS, DE PEDRO PAIVA
CANÇÃO DA CHUVA III
o hímen virginal da terra.
E a vida regurgita
nos sulcos e veios abertos
pela seiva líquida que escorre,
lavando o ventre deflorado.
BALADAS DE UM LOUCO
Do quarto-Mundo assisto às cenas
da Vida, lá fora, morrendo à toa.
Na clepsidra, o tempo indômito voa
devorando Estrelas num Céu sombrio de tempestades.
A Lua atônita e bêbeda de sangue humano
despencou do último quadrante
e se afoga no Mar de orgias mundanas.
Mas uma Luz fósmea ainda clareia
os terreiros de inóspitas aldeias
de Humanidades anos-luzes perdidas.
Soam as trombetas estrídulas do Armagedon.
Cavaleiros encouraçados marcham descompassadamente
para a Batalha Final.
A Terra inteira ardendo em chamas.
Um rio de sangue deságua na minha rua.
Corpos mutilados agonizam nas sarjetas
no fundo do nosso pequeno Quintal.
No beco sombrio de uma esquina obtusa,
num ponto qualquer de uma rua escura,
ouvem-se tiros, gritos, gemidos, alaridos.
Baques de corpos mutilados caindo no chão!
Sabres agudos e afiados extravasando peitos,
em golpes certeiros e fatais, sem compaixão,
Passa o cortejo frívolo d’almas indigentes,
enterradas nas valas abertas em Magedo.
Nuvens de fumaça sobem,
levando para um céu de chumbo,
o veneno mortífero e letal.
Zumbis cegos e acorrentados quais fantoches -
marcham incólumes para a morte,
ao ritmo do chicote estralando na pele
dilacerada pelo aço do acicate
do “Príncipe-Regente da Pérsia".
E sob às ordens do regente infame, inclemente
despencam nos abismos colossais da ignorância humana.
Sonho dantesco, meu Deus! Será o fim?
Acordo do pesadelo. E o que vejo?
O mundo inteiro ao redor de mim!
LOCUS AMOENUS
Casinha branca com redes armadas na varanda.
As ovelhas balindo, à tarde, no fundo do quintal!
Na campina, a passarada, em bandos, revoando.
O sol pintando o horizonte com os clarões do arrebol!
O som retumbante da água jorrando pura na fonte cristalina.
O canto estrídulo e desafinado da araponga tinindo nas matas!
O mugido triste do gado berrando, ao longe, no pé da colina.
A orquestra dos grilos tritrilando aos murmúrios das cascatas!
No vale verdejante - o baile das mariposas, a festa das cigarras, a pirotecnia dos pirilampos!
A jia queixosa coaxa, geme e estremece lá na beira da lagoa.
O campo florido vai, aos poucos, se vestindo com negro e fino manto
e o aboio saudoso do vaqueiro, tangendo a boiada, pelas serras azuis ecoa.
Silenciosa cai a noite! Sob à luz tênue e delicada de sonolentas lamparinas
lá fora, inunda o branco terreiro o soberbo e indolente luar de prata.
O sertão inteiro dorme embalado por uma canção suave, etérea e divina,
e desperta, na manhã seguinte, com a algazarra dos pássaros em festiva sonata.
No curral da fazenda, a farra matinal na ordenha das vacas leiteiras.
O barulho dos chocalhos e o berregar das cabras sob o albor do céu.
Ao meio-dia, o banho ao morno escachoar das águas descendo na cachoeira,
bebendo no cálice de delicada flor silvestre o mais doce e puro mel!
Ao lado da mais bela morena cujo encanto a natureza ensimesmada, deslumbra e desvela
na paisagem bucólica que o Criador, com o tempo, foi caprichosamente transformando
num lindo e edênico jardim todo encastoado com pérolas e reluzentes estrelas,
gozando as divinas e eternais promessas de vida, felizes, amando.
DA OBRA AMOR PRA VIDA INTEIRA, DE PEDRO PAIVA
ENIGMA VII
Havia trevas na minha vida
até o dia em que os teus olhos
iluminaram o Mundo.
ENIGMAS
CANÇÃO DA CHUVA II
o verde da campina logo resplandece.
Velozes, serpenteando, os fios d'água
o árido e ressequido chão umedecem.
Com avidez a bátega infrene
fecunda da terra-mãe o ventre indene
e a vida, por todo o sertão, pulula, vibra e estremece.
DE VOLTA ÀS ORIGENS
Sou semente e fruto deste chão.
A mãe que um dia me viu nascer;
feliz, me acolherá de volta ao seio!
ETERNO CICLO DO AMOR
Sinto as horas açoitando o tempo que nos resta para amar!
Na cama, ainda quente da noite passada,
um vulto misterioso de mulher ou deusa me acena.
Em ânsias, nossas bocas lascivas se engolem nas lúbricas cenas
e um rio de leite deságua,lavando o perfumado altar.
Alerta-nos o tempo de que já é chegada a hora da partida exclusa
e impõe às nossas almas tíbias, cansadas, nos casulos do amor já reclusas,
partirem saudosas para a eternidade além.
Mas eis que, de repente, o mistério da vida se revela
e do invólucro deflorado irrompem falenas diáfanas e belas
e um novo ciclo do amor recomeça e a vida renasce também.
DA OBRA AMOR PRA VIDA INTEIRA, DE PEDRO PAIVA
Comentários (1)
Meu caro Senhor Poeta...Pedro Paiva...Amor - mistério - e a eternidade ... somente o lado feminino consegue decifrar este enigma . Pois é de se amar mesmo este texto. felicidades. feliz ano novo. para ti e tua familia.
Nascido em Altos- PI. Graduado e Pós-graduado em Letras/Português, Ciências Contábeis, Administração de Empresas, Administração Pública. Pedro Paiva é professor de Portugês, Literatura, Redação, Direito, Economia, Contabildiade, Estatística, Empreendedorismo, Administração Financeira e Administração da Produção dos cursos de Administração, Contabilidade, Comércio e Informática. Exerceu os cargos de Gerente de Suporte do Banco do Brasil S.A, Presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Secretário Municipal de Administração, Secretário Municipal de Educação. Premiado em 1º lugar no I Concurso de Crônicas e Poesias Mário Quintana, promovido pela AABB, de São Paulo. Premiado em 2º lugar no Concurso Mostrando Poesia, promovido pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, campus de Campo Maior PI. Ex-Prefeito. Membro-fundador da Academia de Letras e Línguas Nativas Altoenses - ALLNA, ocupando a cadeira nº 03 que tem como patronesse Josefa de Paiva Macedo. Participação na coletânea CONTOS DE TERROR ALTOENSES. Autor da antologia poética AMOR PRA VIDA INTEIRA (prelo).
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