Escritas

Lista de Poemas

ENIGMA XI

Teu nome vibra num timbre agudo,
num som etéreo e cadenciado,
que o tempo borda filigranado,
nas bodas do nosso himeneu.
ENIGMAS

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ENIGMA XIII

Há na pedra um brilho fosforescente 
de um lume errante que se perdeu,
da chama voraz, incandescente,
que reverbera dos olhos teus!
ENIGMAS

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O HOMEM QUE NEGOCIOU COM O DIABO

   CHICO BOCA DE TROVÃO, MORADOR ANTIGO DA RUA CURRALINHOS, bairro São Luís, vendo-se atolado em dívidas e precisão, resolveu se desapegar do único bem que possuía: uma Monark 78.
    Muitas foram as tentativas de venda do objeto no troca troca dos Altos, de João de Paiva. Desesperado pela falta de interesse dos compradores, Boca de Trovão resolveu apelar para a ajuda do maldito. 
    Naquele mesmo dia, à meia-noite bateu-lhe à porta um sujeito esquesito,  alto, moreno, aparentando mais ou menos quarenta anos de idade, de pele lisa e olhos cor de fogo, querendo saber se era ali mesmo onde estavam vendendo uma bicicleta.  Sem questionar o valor cobrado, desembolsou a vultosa quantia de dois milhões de cruzeiros pela magrela.
  De posse da grana, Boca de Trovão pagou  as contas que devia, encheu de comida a despensa da casa e com o restante da dinheirama descambou pra agiotagem, ficando rico da noite pro dia. 
    Anos mais tarde, quando pilotava uma Kasinski preta, Dr. Francisco se ajumentou pra cima dum fusquinha. O pobre coitado escapou fedendo, mas a mula de aço virou adereço de ferro-velho.   
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SIMPLESMENTE MARIA, SIMPLESMENTE JOSÉ

Maria - nome sem nome,
nome sem dono, 
nome qualquer.
Maria se desconhece,
Maria se conhece
numa simples mulher!

Como são as Marias
também são os Josés:
nome sem nome,
nome sem dono,
nome qualquer.
José se desconhece,
José se conhece
num homem simples, humilde, de fé!

São tantas as Marias,
são tantos os Josés.
São muitos Josés de Marias,
são muitas Marias de Josés!

Maria da Glória, de Lourdes, Dolores
Da Penha, das Graças, da Anunciação,
Imaculada, Concebida, das Dores
Do Amparo, Pureza, Socorro, Conceição.
João, Manuel, Antônio
Raimundo, Francisco, Romão,
Geraldo, Miguel, Sinfrônio,
Luiz, Pedro, Joaquim, Bastião.

 
Somos todas Marias,
Somos todos Josés.
Somos Josés de Marias,
Somos Marias de Josés.

Maria da Guia, Das Graças, da Luz,
Santa, Piedade, De Jesus,
Clara, Benedita, Compadecida, de Nazaré.
Zaqueu, Augusto, Felício.
Cipriano, Altino, Simplício,
Tomás, Aquino, Jeremias, Jafé.

 
Somos todas Marias,
Somos todos Josés.
Somos Josés de Marias,
Somos Marias de Josés.

Maria Alice, Júlia, Cecília,
Betânia, Vitória, Emília,
Helena, Beatriz, Valentina, Mazé
Lucas, Expedito, Geraldo,
Jonas, Davi, Aderaldo
Severino, Ageu, Nonato, Zezé.

Somos todas Marias,
Somos todos Josés.
Somos Josés de Marias,
Somos Marias de Josés.

Batista, Tadeu, Malaquias,
Juvenal, Gael, Zacarias,
Isaque, Bento, Jacó, Jessé.
Ana, Abigail, Saraí.
Berenice, Raquel, Noemi.
Rute, Débora, Isabel, Ester.

Toda mulher é Maria, 
Todo homem é José.
Somos Josés de Marias, 
Somos Marias de Josés!

 

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HOJE À NOITE A LUA NÃO VEIO ME VER

Hoje a lua não veio bater na minha janela.
Fiquei a noite toda esperando por ela.
Mas ela não veio! Por acinte?... Talvez!... 
Ou quem sabe por cruel prazer.
Hoje à noite a lua não veio me ver!
 
Na praia deserta, o mar revolto se encrespou.
E a brisa mansa não veio sussurrar-me ao ouvido
segredos de amor!
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
 
A estrela guia no céu brilhante
que piscava pra mim a todo instante?
De desgosto,  no abismo celeste,  se lançou.
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
 
No meu lindo jardim, a idílica rosa
pendida na haste de roseira frondosa, 
sem luz e sem perfume também murchou.
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
 
A fonte perene secou.
O verde-lodo das campinas desbotou.
Triste , a passarada emudeceu.
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
 
A orquestra das cigarras nostálgicas se calou.
Sem pirilampos, o show de luz nem começou
e de negro manto a terra inteira se vestiu.
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
 
Sem ébrios e seresteiros, as ruas ficaram desertas.
Os bares, sem os boêmios,  cerraram as portas.
E os casais de  amantes não vieram se amar na praça.
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
 
Oh, lua de mel!
Em bodas de fel
não me deixes aqui
solitário a sonhar!
Por favor, desce do céu!
Vem à minha janela brincar.
Inunda de luz e de clarão 
meu quarto sombrio, 
meu pobre coração
que triste e  choroso
chama por ti.
E tu bem sabes, ó lua,  porquê.
É que hoje à noite
tu não vieste me ver!

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MULHER

Santo e sagrado templo da poesia.
Musa divina, sacrossanta e bela
em virginal casulo concebida.
Traz nas faces o esplendor do Sol,
nos olhos,  o brilho erradio das estrelas
e na boca, o veneno letal
que ao mesmo tempo atrai, mata e ressuscita.
Ninfa guapa em deusa reificada.
Verve sublime que à alma rega e vivifica,
jorrando pura da fonte castálica da inspiração.
Por ser o deslumbramento da natureza,
a mulher é, com irrefutável certeza,
a obra mais cobiçada de toda a criação.
AMOR PRA VIDA INTEIRA
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DE VOLTA AO ÉDEN

Vou armar a minha tenda
nas planícies de Havilá
às margens do rio Pisom.
Em Cuxe, vou-me banhar
nas águas claras de Giom.

De volta ao Éden restaurado
da Árvore do Conhecimento
colher apenas o fruto do Bem.
Vou subir pela escada de Jacó
até o pórtico da Nova Jerusalém.

Numa arca feita só de nuvens
vou navegar pelo infinito rio azul do céu
até desembarcar no porto santo de Betel.
Andar por ruas de ouro transparente
da gloriosa megálope celestial.
Vou beber no rio da Vida,
da fluídica fonte da eternidade
a água pura e cristalina da imortalidade.

 

 

 

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ESCATOLOGIA

O vento em ondas de  turbilhão, 
ruge e geme nas estrias do portão.
Nas ruas  da Velha Ordem decadente,
os cães ladram convulsivamente.
E a noite dos séculos perdidos
se esvai, letargicamente,
tal qual assombração, 
enquanto, lá fora  passa, 
descompassada e cambaleante
a coorte moribunda dos penitentes.

Cavalga pelo céu sanguíneo, 
em brasas e chamas profusas,  
num árdego cavalo de fogo
e de  poeira cósmica, 
o intemerato cavaleiro do Apocalipse,
trazendo  uma balança de ouro presa à  mão.
E sob o  peso medido do pecado  
almas energúmenas  sucumbem
nos abismos colossais da Grande Tribulação.

Mas eis que,  de repente,  raia 
no horizonte azulado dos novos Céus
a luz profícua da  Nova Ordem.
Glorioso!  Cristo surge com seu séquito divinal.
E se instala na nova Terra
o reinado Milenar.
No trono da Jerusalém Celestial,
toma assento o Ungido de Jeová

Velhos céus e terra
passados agora são
e na Nova Canaã 
a desordem do  efêmero  sistema de  coisas
vai dando  lugar
a infinitos tempos de paz.
Vibram, exultam e cantam
os súditos do Rei Celestial.
Mortos, por toda terra, se levantam.
Não haverá mais dor,
tristeza ou pranto.
Tem cumprimento a promessa divina original!

A PROCISSÃO DOS PENITENTES, DE PEDRO PAIVA.



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CONTRIÇÃO

Ao mal devemos retribuí-lo sempre com o bem.
Beijar as mãos de quem nos fere e açoita-nos as faces
e perdoar ao pecador os danos que ele nos faça.

O exemplo do bom e fiel samaritano
convém-nos, em tudo, procurar imitá-lo
e ao irmão no chão caído, com ternura levantá-lo!

Do Mestre seguir os ensinamentos
de amor a Deus e ao próximo também!
De braços abertos acolher a luz que vem do firmamento
e de joelhos genuflexos e contrito orar também.

Para alívio da alma sofredora e quebrantada, 
curvada ao peso do pecado   e da concupiscência.
Lívidas as mãos, sereno o rosto, para o céu voltados.
deprecar do Soberano Senhor Jeová sua piedade e clemência!

 

 

 

 

 

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ENIGMA IV

Borbulhante a verve fervendo nas veias
do vate vetusto com vênia e volúpia
entrelaçando, na forja, as imbricadas teias
de versos reversos.

Suado. Na lida atroz de todos os dias -
às duras penas - o artífice rude e persistente
vai alinhavando o poema   inconsútil.
E das batidas viris do malho férreo, ígneo e brutal
nasce  inverborrágica canção.

E no vértex da obra já totalmente pronta,
o louco poeta em v vincado
coloca acima, no título, o nome da santa, 
com sangue e suor na oficina talhada
pelo sagrado cinzel do poeta-a

ENIGMAS

 

 

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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-12-31

Meu caro Senhor Poeta...Pedro Paiva...Amor - mistério - e a eternidade ... somente o lado feminino consegue decifrar este enigma . Pois é de se amar mesmo este texto. felicidades. feliz ano novo. para ti e tua familia.