Lista de Poemas
ENIGMA XI
Teu nome vibra num timbre agudo,
num som etéreo e cadenciado,
que o tempo borda filigranado,
nas bodas do nosso himeneu.
ENIGMAS
ENIGMA XIII
Há na pedra um brilho fosforescente
de um lume errante que se perdeu,
da chama voraz, incandescente,
que reverbera dos olhos teus!
ENIGMAS
O HOMEM QUE NEGOCIOU COM O DIABO
Muitas foram as tentativas de venda do objeto no troca troca dos Altos, de João de Paiva. Desesperado pela falta de interesse dos compradores, Boca de Trovão resolveu apelar para a ajuda do maldito.
Naquele mesmo dia, à meia-noite bateu-lhe à porta um sujeito esquesito, alto, moreno, aparentando mais ou menos quarenta anos de idade, de pele lisa e olhos cor de fogo, querendo saber se era ali mesmo onde estavam vendendo uma bicicleta. Sem questionar o valor cobrado, desembolsou a vultosa quantia de dois milhões de cruzeiros pela magrela.
De posse da grana, Boca de Trovão pagou as contas que devia, encheu de comida a despensa da casa e com o restante da dinheirama descambou pra agiotagem, ficando rico da noite pro dia.
Anos mais tarde, quando pilotava uma Kasinski preta, Dr. Francisco se ajumentou pra cima dum fusquinha. O pobre coitado escapou fedendo, mas a mula de aço virou adereço de ferro-velho.
SIMPLESMENTE MARIA, SIMPLESMENTE JOSÉ
nome sem dono,
nome qualquer.
Maria se desconhece,
Maria se conhece
numa simples mulher!
Como são as Marias
também são os Josés:
nome sem nome,
nome sem dono,
nome qualquer.
José se desconhece,
José se conhece
num homem simples, humilde, de fé!
São tantas as Marias,
são tantos os Josés.
São muitos Josés de Marias,
são muitas Marias de Josés!
Maria da Glória, de Lourdes, Dolores
Da Penha, das Graças, da Anunciação,
Imaculada, Concebida, das Dores
Do Amparo, Pureza, Socorro, Conceição.
João, Manuel, Antônio
Raimundo, Francisco, Romão,
Geraldo, Miguel, Sinfrônio,
Luiz, Pedro, Joaquim, Bastião.
Somos todas Marias,
Somos todos Josés.
Somos Josés de Marias,
Somos Marias de Josés.
Maria da Guia, Das Graças, da Luz,
Santa, Piedade, De Jesus,
Clara, Benedita, Compadecida, de Nazaré.
Zaqueu, Augusto, Felício.
Cipriano, Altino, Simplício,
Tomás, Aquino, Jeremias, Jafé.
Somos todas Marias,
Somos todos Josés.
Somos Josés de Marias,
Somos Marias de Josés.
Maria Alice, Júlia, Cecília,
Betânia, Vitória, Emília,
Helena, Beatriz, Valentina, Mazé
Lucas, Expedito, Geraldo,
Jonas, Davi, Aderaldo
Severino, Ageu, Nonato, Zezé.
Somos todas Marias,
Somos todos Josés.
Somos Josés de Marias,
Somos Marias de Josés.
Batista, Tadeu, Malaquias,
Juvenal, Gael, Zacarias,
Isaque, Bento, Jacó, Jessé.
Ana, Abigail, Saraí.
Berenice, Raquel, Noemi.
Rute, Débora, Isabel, Ester.
Toda mulher é Maria,
Todo homem é José.
Somos Josés de Marias,
Somos Marias de Josés!
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HOJE À NOITE A LUA NÃO VEIO ME VER
Hoje a lua não veio bater na minha janela.
Fiquei a noite toda esperando por ela.
Mas ela não veio! Por acinte?... Talvez!...
Ou quem sabe por cruel prazer.
Hoje à noite a lua não veio me ver!
Na praia deserta, o mar revolto se encrespou.
E a brisa mansa não veio sussurrar-me ao ouvido
segredos de amor!
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
A estrela guia no céu brilhante
que piscava pra mim a todo instante?
De desgosto, no abismo celeste, se lançou.
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
No meu lindo jardim, a idílica rosa
pendida na haste de roseira frondosa,
sem luz e sem perfume também murchou.
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
A fonte perene secou.
O verde-lodo das campinas desbotou.
Triste , a passarada emudeceu.
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
A orquestra das cigarras nostálgicas se calou.
Sem pirilampos, o show de luz nem começou
e de negro manto a terra inteira se vestiu.
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
Sem ébrios e seresteiros, as ruas ficaram desertas.
Os bares, sem os boêmios, cerraram as portas.
E os casais de amantes não vieram se amar na praça.
Vocês sabem por quê?
Hoje à noite a lua não veio me ver!
Oh, lua de mel!
Em bodas de fel
não me deixes aqui
solitário a sonhar!
Por favor, desce do céu!
Vem à minha janela brincar.
Inunda de luz e de clarão
meu quarto sombrio,
meu pobre coração
que triste e choroso
chama por ti.
E tu bem sabes, ó lua, porquê.
É que hoje à noite
tu não vieste me ver!
MULHER
Musa divina, sacrossanta e bela
em virginal casulo concebida.
Traz nas faces o esplendor do Sol,
nos olhos, o brilho erradio das estrelas
e na boca, o veneno letal
que ao mesmo tempo atrai, mata e ressuscita.
Ninfa guapa em deusa reificada.
Verve sublime que à alma rega e vivifica,
jorrando pura da fonte castálica da inspiração.
Por ser o deslumbramento da natureza,
a mulher é, com irrefutável certeza,
a obra mais cobiçada de toda a criação.
AMOR PRA VIDA INTEIRA
DE VOLTA AO ÉDEN
nas planícies de Havilá
às margens do rio Pisom.
Em Cuxe, vou-me banhar
nas águas claras de Giom.
De volta ao Éden restaurado
da Árvore do Conhecimento
colher apenas o fruto do Bem.
Vou subir pela escada de Jacó
até o pórtico da Nova Jerusalém.
Numa arca feita só de nuvens
vou navegar pelo infinito rio azul do céu
até desembarcar no porto santo de Betel.
Andar por ruas de ouro transparente
da gloriosa megálope celestial.
Vou beber no rio da Vida,
da fluídica fonte da eternidade
a água pura e cristalina da imortalidade.
ESCATOLOGIA
ruge e geme nas estrias do portão.
Nas ruas da Velha Ordem decadente,
os cães ladram convulsivamente.
E a noite dos séculos perdidos
se esvai, letargicamente,
tal qual assombração,
enquanto, lá fora passa,
descompassada e cambaleante
a coorte moribunda dos penitentes.
Cavalga pelo céu sanguíneo,
em brasas e chamas profusas,
num árdego cavalo de fogo
e de poeira cósmica,
o intemerato cavaleiro do Apocalipse,
trazendo uma balança de ouro presa à mão.
E sob o peso medido do pecado
almas energúmenas sucumbem
nos abismos colossais da Grande Tribulação.
Mas eis que, de repente, raia
no horizonte azulado dos novos Céus
a luz profícua da Nova Ordem.
Glorioso! Cristo surge com seu séquito divinal.
E se instala na nova Terra
o reinado Milenar.
No trono da Jerusalém Celestial,
toma assento o Ungido de Jeová
Velhos céus e terra
passados agora são
e na Nova Canaã
a desordem do efêmero sistema de coisas
vai dando lugar
a infinitos tempos de paz.
Vibram, exultam e cantam
os súditos do Rei Celestial.
Mortos, por toda terra, se levantam.
Não haverá mais dor,
tristeza ou pranto.
Tem cumprimento a promessa divina original!
A PROCISSÃO DOS PENITENTES, DE PEDRO PAIVA.
CONTRIÇÃO
Beijar as mãos de quem nos fere e açoita-nos as faces
e perdoar ao pecador os danos que ele nos faça.
O exemplo do bom e fiel samaritano
convém-nos, em tudo, procurar imitá-lo
e ao irmão no chão caído, com ternura levantá-lo!
Do Mestre seguir os ensinamentos
de amor a Deus e ao próximo também!
De braços abertos acolher a luz que vem do firmamento
e de joelhos genuflexos e contrito orar também.
Para alívio da alma sofredora e quebrantada,
curvada ao peso do pecado e da concupiscência.
Lívidas as mãos, sereno o rosto, para o céu voltados.
deprecar do Soberano Senhor Jeová sua piedade e clemência!
ENIGMA IV
Borbulhante a verve fervendo nas veias
do vate vetusto com vênia e volúpia
entrelaçando, na forja, as imbricadas teias
de versos reversos.
Suado. Na lida atroz de todos os dias -
às duras penas - o artífice rude e persistente
vai alinhavando o poema inconsútil.
E das batidas viris do malho férreo, ígneo e brutal
nasce inverborrágica canção.
E no vértex da obra já totalmente pronta,
o louco poeta em v vincado
coloca acima, no título, o nome da santa,
com sangue e suor na oficina talhada
pelo sagrado cinzel do poeta-a
ENIGMAS
Comentários (1)
Meu caro Senhor Poeta...Pedro Paiva...Amor - mistério - e a eternidade ... somente o lado feminino consegue decifrar este enigma . Pois é de se amar mesmo este texto. felicidades. feliz ano novo. para ti e tua familia.
Nascido em Altos- PI. Graduado e Pós-graduado em Letras/Português, Ciências Contábeis, Administração de Empresas, Administração Pública. Pedro Paiva é professor de Portugês, Literatura, Redação, Direito, Economia, Contabildiade, Estatística, Empreendedorismo, Administração Financeira e Administração da Produção dos cursos de Administração, Contabilidade, Comércio e Informática. Exerceu os cargos de Gerente de Suporte do Banco do Brasil S.A, Presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Secretário Municipal de Administração, Secretário Municipal de Educação. Premiado em 1º lugar no I Concurso de Crônicas e Poesias Mário Quintana, promovido pela AABB, de São Paulo. Premiado em 2º lugar no Concurso Mostrando Poesia, promovido pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, campus de Campo Maior PI. Ex-Prefeito. Membro-fundador da Academia de Letras e Línguas Nativas Altoenses - ALLNA, ocupando a cadeira nº 03 que tem como patronesse Josefa de Paiva Macedo. Participação na coletânea CONTOS DE TERROR ALTOENSES. Autor da antologia poética AMOR PRA VIDA INTEIRA (prelo).
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