LOCUS AMOENUS

Pedro Paiva
Pedro Paiva
2 min min de leitura

Casinha branca com redes armadas na varanda.
As ovelhas balindo, à tarde, no fundo do quintal!
Na campina, a passarada, em bandos, revoando.
O sol pintando o horizonte com os clarões do arrebol!
 
O som retumbante da água jorrando pura na fonte cristalina.
O canto estrídulo e desafinado da araponga tinindo nas matas!
O mugido triste do gado berrando, ao longe, no pé da colina.
A orquestra dos grilos tritrilando aos murmúrios das cascatas!
 
No vale verdejante - o baile das mariposas, a festa das cigarras, a pirotecnia dos pirilampos!
A jia queixosa coaxa, geme e estremece lá na beira da lagoa.
O campo florido vai, aos poucos, se vestindo com negro e fino manto
e o  aboio saudoso do vaqueiro, tangendo a boiada, pelas serras azuis ecoa.
 
Silenciosa cai a noite! Sob à luz tênue e delicada de sonolentas lamparinas
lá fora,  inunda o branco terreiro o soberbo e indolente luar de prata.
O sertão inteiro dorme  embalado por uma canção suave, etérea e divina,
e desperta,  na manhã seguinte, com a algazarra dos pássaros em festiva sonata.
 
No curral da fazenda, a farra matinal na ordenha das vacas leiteiras.
O  barulho dos chocalhos e o berregar  das cabras  sob o albor do céu.
Ao meio-dia, o banho  ao morno escachoar  das águas descendo na cachoeira,
bebendo  no cálice de delicada flor silvestre o mais doce e  puro mel!
 
Ao lado da mais bela morena cujo encanto a natureza ensimesmada, deslumbra e desvela
na paisagem bucólica que o Criador,  com o tempo, foi caprichosamente transformando
num lindo e edênico jardim  todo encastoado com pérolas e  reluzentes estrelas, 
gozando as divinas e eternais promessas de vida,  felizes, amando.
 
 DA OBRA AMOR PRA VIDA INTEIRA, DE PEDRO PAIVA
 
 
 
 
 
 
 

383 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.