Pedro Paiva

Pedro Paiva

n. 1962 BR BR

n. 1962-06-29, Altos - Pi

100 762 Visualizações

AS ROSAS

Quando soberbas, as rosas são lindas.
Se delicadas, são charmosas.
Belas, as rosas não são vaidosas.
Elas são cheias de ternuras infindas.

Banhadas de orvalhos, abrem as pétalas sorrindo.
Meigas se rendem às blandícies de mãos carinhosas.
Rosas noctívagas, oh, noctívagas rosas! 
pelas noites  perfumes vão espargindo.

Mesmo sendo lindas, têm espinhos as rosas 
e podem ferir os corações incautos, descuidadosos
ao  toque mais sutil e indelicado.

Assim como as rosas também me inclino
às carícias amorosas, ao afago divino
das mãos e beijos cálidos da mulher amada.

 

 

 

 

 

Ler poema completo

Poemas

87

ETERNO CICLO DO AMOR

Sinto as horas açoitando o tempo que nos resta para amar!

Na cama, ainda quente da noite passada,

um vulto misterioso de mulher ou deusa me acena.

Em ânsias, nossas bocas lascivas se engolem nas lúbricas cenas

e um rio de leite deságua,lavando o perfumado altar.


Alerta-nos o tempo de que já é chegada a hora da partida exclusa
 

e impõe às nossas almas tíbias, cansadas, nos casulos do amor já reclusas,

partirem saudosas para a eternidade além.

Mas eis que, de repente, o mistério da vida se revela

e  do invólucro deflorado irrompem falenas diáfanas e  belas

e um novo  ciclo do amor recomeça e a vida renasce também.

DA OBRA AMOR PRA VIDA INTEIRA, DE PEDRO PAIVA

2 054

DE VOLTA ÀS ORIGENS

Sou um grânulo de areia
Sou semente e fruto deste chão.
A mãe que um dia me viu nascer;
feliz, me acolherá de volta ao seio!
324

NAQUELA RUAZINHA DE ANTIGAMENTE

Naquela ruazinha triste
noutros tempos cheia de vida,
cheia de luz, repleta de amor!
Velhos casarões festivos
abriam sorridentes para os anos vindouros
os janelões com umbrais cobertos de flores.

Hoje, naquela ruazinha de antigamente,
está tudo, mas tudo tão diferente!
Já não é mais a mesma ruazinha de outrora.
De repente, nela tudo mudou.
E desde o dia em que tu te foste de lá,
aquela ruazinha ficou ainda mais triste:
perdeu o brilho,
ficou sem vida,
não tem mais luz,
perdeu a cor!

E daquela ruazinha outrora palpitante,
feliz, alegre, soberba, regurgitante.
Agora solitária, deserta, silenciosa, errante.
Dela, só a saudade foi o que restou!
Lá as horas se arrastam dissolutas no tempo,
escorrendo por entre ponteiros enferrujados
de relógios senis, sonolentos, bocejantes
que arquejam agarrados às paredes trincadas
de antigos casarões que contam séculos e séculos de histórias.

E dali...Não muito distante dali
ainda dar pra se ouvir
o apito plangente do trem da saudade
se dissipando volátil pelo ar
enquanto velozmente passa
a geringonça de aço
puxando os comboios atafulhados de solidão.
E nos trilhos vibráteis da mente,
a locomotiva fantástica sobre os dormentes,
se contorce ligeira tal qual serpente
levantando o pó e a vítrea poeira
do meu tempo de criança!

 
É lá naquela ruazinha erma e sem vida
nas estantes empoeiradas, esquecidos,
de velha e provecta biblioteca,
livros e compêndios amarelos de preguiça
cochilam horas e horas à espera de leitores
que nunca aparecem para lê-los.

 
Ah, saudade daquela ruazinha modesta
onde criança eu brinquei, amei e fui feliz!
No colo de minha pobre mãezinha;
lembro-me... Fazia festas
coberto de carícias maternais.
Ah, tempos que não voltam nunca mais!

Ainda me lembro daquelas noites fagueiras,
brincando ao redor das crepitantes fogueiras
acesas no terreiro do velho casarão
onde morávamos a tudo indiferente e a tudo alheio!
E quando eram noites de lua cheia,
rolava contente nos alvos bancos de areia
 e de bruços me deitava no chão.
 
Hoje, naquela ruazinha nada mais resta.
A não ser o silêncio de calçadas desertas,
quebrado pelo ranger lânguido e triste
de cadeiras decrépitas, monótonas e vazias
onde o tempo e a solidão, de mãos dadas, juntos se balançam
contemplando atônitos, com indiferença e apatia
o luar cataplético de minha dourada infância!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 409

TARDES DE QUINTAIS

Foi numa tarde... Eu me lembro
com voz baixinha e tremendo
me disseste: amor, eu te amo!
Naquela hora, eu não sabia,
se te abraçava ou saía
louco de amor gritando.

Eram tardes de quintais!
Eu sufocava os teus ais
com um longo beijo meu.
O tempo foi-se passando
e noutra tarde chorando
tu me disseste: adeus!

Vários anos sem notícias.
Sinto no corpo as carícias
quando, em ânsias, me abraçavas.
E ainda hoje eu escuto
aquela voz dissoluta
repetindo que me amavas.

 

 

 

 

 

 

 
296

ESTRANHAMENTE PERDIDO EM TI, PERDIDAMENTE ESTRANHO EM MIM

Desconheço todos os pedaços de mim,
quando me tranco e me atravanco 
no escuro labirinto do teu ser.
Dissimulo que me acho,
se ando estranhamente perdido em ti 
fazendo as mais depravadas arruaças de amor.

Estranho o beijo que insulta  nossas línguas.
com o gosto e o desejo despudorados 
de possuir, por inteiro,  o teu corpo 
e de me encalacrar na tua alma.
E então, entontecido e louco de teu amor,
eu já me acho todo perdidamente estranho dentro de mim.
DA OBRA AMOR PRA VIDA INTEIRA, DE PEDRO PAIVA
3 026

TELA

Entre afagos e beijos tão ardentes
ela se banhava e se aquecia.
Nas tardes de outono cinzas e quentes,
junto ao ocaso, ela também morria.
 
Para ressurgir mais encantadora e bela
na noite fria, de perfume amena.
Como se fosse uma linda estrela
ela regurgitava de amores, plena.
 
Curiosa! Até a lua no céu se inclina
para ver na praia, lá de cima,
a minha deusa nua em tela cheia.
 
E eis que, entre cores, surge um lindo busto.
Fico extasiado, e logo tremo de susto:
manchou-me à tela grânulos de areia!
320

CONFIDÊNCIAS

Deus fala ao poeta em silêncio
num cantinho escondido no céu.
Poesia?! Mensagem divina!
Poeta?! Arauto de Deus!
3 835

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Meu caro Senhor Poeta...Pedro Paiva...Amor - mistério - e a eternidade ... somente o lado feminino consegue decifrar este enigma . Pois é de se amar mesmo este texto. felicidades. feliz ano novo. para ti e tua familia.