Lista de Poemas
Prostração Ténue
Nem sempre quis ver o sol raiar,
Minha alma aflita desentronizada,
Decidiu com a pesada existência arcar,
Manter-se para sempre alheada.
Quando eu apenas queria amar,
Encontrei cumes de neves eternas,
Altas e distantes com quem sonhar,
Situam-se tão distantes e serenas.
Ansioso pelo prazer máximo desfrutar,
Neste pouquinho tempo que me resta,
Que tristeza vê-lo pelos dedos escapar,
Afinal o pouco que sobrou não presta.
Não sei como tudo isto aconteceu,
Estendi meus braços e bradei aos céus,
Nas minhas barbas o destino se teceu,
Quando de repente rasguei meus véus.
Porque não florir numa Primavera,
Como todas as flores sumptuosas,
Porque foste para mim tão severa,
Afogar-me em ideias perniciosas.
Minha alma não sabe por quem chamar,
Quando me apetece apenas gritar alto,
Já não consigo ouvir o vento a sussurrar,
Guiando meus passos neste último salto.
Lx, 8-10-1994
👁️ 656
Monotonamente Escrevendo
Farto-me de Ser simplesmente,
De viver o que não quero ser,
De nascer tão fluentemente,
Para no fim morrer sem querer.
Ansioso por vida complexa e completa,
E vergando-me perante o seu peso,
Acabo por ser uma alma discreta,
Liberto-me gritando
Nada me faz andar,
Nada me faz correr,
Continuarei até quando a pensar,
Se continua eternamente a chover.
Lx, 12-6-1994
👁️ 616
Indignas
Não sois dignas dos meus poemas finados sentidos,
Antes deixá-los amarelecer podres aos bichos-de-conta,
Afastai dos meus versos vossos corpos pervertidos,
Não quero vê-los cobiçados como roupa de montra,
São sublimes e luxuriantes como peles de lontra,
Eles são os tormentos pela minha alma auferidos,
Afogados em dor e solidão submergiram numa onda,
Senti-me só e os meus olhos choraram entristecidos,
Quem me dera ser eterno pastor de mitos antigos,
Abandonado ter só a chuva e o vento como abrigos.
Lx, 29-12-1994
👁️ 665
Sociedade Cruel
Mergulhado num ninho de vespas estou,
Aterrorizado com todas as gentes fico,
Sob o peso do mundo minha alma vergou,
O semblante do meu ser desiste pacífico.
As ruas exalam carências sencientes,
Amor gratuito demora a encontrar-se,
Os corações resistem deprimentes,
E a sua jovialidade volátil esvai-se.
Como fantoches pavoneiam-se enfim,
Como bonecos com a corda partida,
Como escravos vagueiam até ao fim,
Até quando rastejar sob gente pervertida.
Lx, 5-11-1994
👁️ 648
Vento Amigo
No vento procuro consolo amigo,
Que ninguém mais me poderá dar,
Murmura-me onde encontrar abrigo,
Onde eu me possa lamentar.
Nas planícies embrumadas eu caminho,
Em busca dum destino meu e só,
Transtornado e em pleno desalinho,
Acabo apenas por lhes fazer sentir dó.
Deixem-me para lá das montanhas,
Sucumbir escoando-me pelo rio,
Construir pequeninas casinhas,
Rodeadas de tumbas em pousio.
Lx, 11-11-1993
👁️ 720
Noctívago
Acordo prostrado como um mal nascido,
Escondo-me nos livros da minha estante,
Acalmo os meus soluços com música perdido,
Estático vegeto consumido e irrelevante,
Só com a noite instalada consigo enfrentar,
A sociedade comigo impiedosa e contrastante,
Do chão mal consigo os olhos levantar,
Sob o luar pálido curo minha dor lancinante.
Lx, 23-3-1995
👁️ 664
Incógnitas Viagens
Pela estrada fora meus olhos cintilam,
Em busca de paragens onde deambular,
À porta do céu azul em espanto ficam,
Esperando contemplar a minha alma voar.
Pelos montes irei sobrevoar emplumado,
Pelas pontes altas saltar até cair,
Jamais um dia me verão embarcado,
Em qualquer onda ao submergir.
Por velhas sombras eu me seguirei,
Estampadas em rostos de pedras graníticas,
Minhas preces pela serra proclamarei,
Aos ouvidos mudos d'almas paralíticas.
Lx, 8-11-1993
Em busca de paragens onde deambular,
À porta do céu azul em espanto ficam,
Esperando contemplar a minha alma voar.
Pelos montes irei sobrevoar emplumado,
Pelas pontes altas saltar até cair,
Jamais um dia me verão embarcado,
Em qualquer onda ao submergir.
Por velhas sombras eu me seguirei,
Estampadas em rostos de pedras graníticas,
Minhas preces pela serra proclamarei,
Aos ouvidos mudos d'almas paralíticas.
Lx, 8-11-1993
👁️ 667
Sonho Benigno
Pelo campo andavas a deambular,
Esquiva pelos beirais em devaneio,
Dei por ti um dia assim ao sonhar,
E logo me ficou o coração cheio.
Cheio com a presença do teu olhar,
Perdido no perfume do teu cabelo,
Louco e apaixonado pelo teu pensar,
Fazes-me viver em tons d'amarelo.
Estou bem quando encantado por ti,
Amanso quando a tua boca sorri,
Só para mim, enfim só por mim.
Deleito-me com a tua contemplação,
Tão servil e pura na minha imaginação,
Tão-somente e sempre, até ao fim.
Lx, 25-1-1994
👁️ 685
Adoração
Idolatrai-me com os vossos olhares,
Castrai-me com os vossos desejos,
Oferecei-me perfumados campos de flores,
Esperai obcecadamente pelos meus ensejos.
Lx, 29-12-1994
👁️ 658
Para Vós
Quem vos dera a liberdade dos pardais,
A coroa real sumptuosa dum rei felino,
Quando é que pela mãe natureza exaltais,
Cantando em uníssono a vida num hino.
Lx, 23-3-1995
👁️ 658
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António Azevedo - Vila do Conde
2024-05-28
Escreveu no jornal ou revista Alma Nova de Espinho em 1919 e 1920 com José Maria dos Reis Pereira que depois iria adoptar o pseudónimo José Régio.
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Reservados Todos os Direitos de Autor
“ Poesia Eterna Parte I”
Registado em www.safecreative.org sob o nº 1208142122416
A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.
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