Lista de Poemas
Nascido
Jamais me esquecerei,
Que me fizeram,
Nascer um Dia,
Simplesmente,
Infindável.
Lx, 18-7-2000
👁️ 989
Inadaptados
Soltaram os anjos do mal,
Andam à solta em bando,
Aniquilaram os sonhos,
Choram as mães em pranto,
Quando a luz se apagou,
O menino nasceu santo,
A Gomorra foi pousar,
Perdeu-se do rebanho,
Assim que ousou pensar,
Afogado num abismo,
De frivolidades,
Indescritíveis.
À medida que o tempo se esbate,
E se tira o corpo do escaparate,
A alma amarelecida e gasta,
Cansada de voar,
Ousou cantar um dia,
Era noite de luar,
Um hino à sua vida,
Rumo além-mar.
A esperança perdida,
Num jogo de azar,
Deu-lhe guarida,
Até a tristeza chegar,
O destino sentenciado,
Tinha proclamado,
Um herói inventado,
A viver desarmado.
Que desilusão,
O menino abençoado,
Predestinado,
Afinal não era soldado,
Tinha o ouro na mão,
No pescoço um laço apertado,
Vivia numa sala de pânico,
A guardar a porta um cão.
Os dias passam,
Sem vontade,
Os sorrisos acabaram,
Esquecidos,
Só restam os lamentos,
Molhados,
Só resta a melancolia,
Do olhar,
Só resta o vazio,
Do meu pensar,
E a alegria dos outros,
Para invejar.
Lx, 7-7-2007
👁️ 708
Dualidade
O "Eu" brilha mais que o "Ser",
Porque o "Eu" é Livre,
E o "Ser" amordaçado,
O "Ser" é Mundo,
O "Eu" Infinito.
Lx, 19-7-2000
👁️ 889
Sou Filho Do Cosmos
Eu que estive no alvorar da aurora,
Dos elementos primordiais nascidos,
Na charneira da fusão nuclear,
No âmago da gravidade estelar,
Disperso em altivas Supernovas.
Eu que vagueei no espaço vazio,
Numa viagem tão longa e morosa,
Cavalguei cometas gelados,
Fundi em meteoros incinerados,
Deambulei em mares salgados.
Eu que criei os dinossauros,
Voei em bandos de pardais,
Corri em manadas de gnus,
Embosquei em matilhas de chacais,
Encarnei o ar puro da montanha.
E hoje eis-me aqui e agora,
Em mim,
Eu filho do Cosmos,
Caminharei eternamente,
Com Ele até ao fim.
Lx, 10-6-2012
👁️ 851
Masoquismo
Cansam-me de tédio, os seus sonhos e ambições ignóbeis e fúteis, as suas frugais maneiras de viver, os seus valores ignominiosos e banais, os seus comportamentos mainstream bacocos, que toda a humanidade almeja alcançar.
Já me bastam e chegam as minhas vicissitudes intolerantes, que são vazias e inenarráveis, mas são de apenas alguns.
Continuo para bingo, insisto na indigência existencial, calcando-a à mais ínfima insignificância espiritual, a obsessão compulsiva do vazio, do nada, do zero absoluto, só assim consigo dar sentido à minha vida, e à própria essência do estar vivo.
Mantenho-me fiel ao princípio tubular antropomorfizado, a eternização da angústia na consciência da morte.
Não é à toa que as pessoas têm religião, para mitigar essa angústia crónica e primordial, posteriormente exorcizada.
Nós como seres desprovidos de religiosidade, estamos condenados às vicissitudes intemporais da mortalidade.
Não podendo negá-la, só nos resta contemplá-la, ou adorá-la no meu caso, vamos absorver a sua presença de diversas maneiras sensorialmente: na música, na literatura, na imensidão dos grandes espaços quer sejam subaquáticos, ou terrestres, montanhosos ou desérticos.
O niilismo incorpóreo absorto e intransigente, inundou-nos o espírito avassaladoramente, há muito tempo, rendidos ao caos absoluto do relativismo apócrifo vigente.
A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.
Lx, 3-7-2012
👁️ 887
Vida Corrente
O correr dos dias,
Infinitos na juventude,
Precisos na plenitude,
Saudosos no ocaso.
Dias iguais vazios,
Novelas sem fim,
Com desfecho,
Há muito conhecido.
Dias nublados,
Dementes,
Tortuosos e fúteis,
Nunca esquecidos.
Dias de espanto,
A iludirem-se,
Com noites estreladas,
Puro engano.
Dias de sonho,
No princípio,
De enganos,
Pelo meio,
De tédio e dor,
Entretanto,
De alívio,
O último,
Por fim.
Lx, 22-5-2007
👁️ 611
Tudo Deixei
Deixei de sorrir,
Deixei de chorar,
Deixei de ouvir,
Também de falar.
Deixei de contar,
Deixei de valer,
Deixei de perder,
Também de ganhar.
Deixei de amar,
Deixei de fugir,
Deixei de rir,
Também de sonhar.
Deixei a beira-mar,
Deixei o céu azul,
Deixei o sul,
Também o altar.
Deixei as aves voar,
Deixei os montados ao Sol,
Deixei as flores secar,
Deitei lume ao paiol.
Lx, 23-6-2007
👁️ 658
Vazio
Sinto-me vazio,
Sinto-me absurdo.
O silêncio ensurdece-me,
A música enlouquece-me.
Não reconheço face alguma,
Porque me revejo em todas elas.
Todos os vossos pensamentos,
Que me percorreram o espírito,
Jazem incongruentes,
Por mim sonegados,
Em vão.
Lx, 10-6-2012
👁️ 792
Tejo Virtuoso
Translúcido e cristalino nasceste,
Lá longe numa nascente abrigada,
Sublime pelas encostas do monte desceste,
Vigoroso e com jovialidade apurada.
Percorreste por leitos tresmalhado,
Incansável banhaste vales carenciados,
Benemérito sem ouvir nunca obrigado,
Ofereces o néctar da vida aos bocados.
Quando passas por mim cansado,
Devagar ondulas ao vento,
Em busca do mar salgado,
Adormeces feliz ao relento.
Água santa da minha terra,
Inspira poetas e enche telas,
Lavado de lágrimas enterra,
Os marinheiros das caravelas.
Eternas ao meu olhar,
Aguardam solenes o destino,
Serenas e calmas a desaguar,
Gaivotas entoam patriotas o hino.
Lx, 2-7-2004
Lá longe numa nascente abrigada,
Sublime pelas encostas do monte desceste,
Vigoroso e com jovialidade apurada.
Percorreste por leitos tresmalhado,
Incansável banhaste vales carenciados,
Benemérito sem ouvir nunca obrigado,
Ofereces o néctar da vida aos bocados.
Quando passas por mim cansado,
Devagar ondulas ao vento,
Em busca do mar salgado,
Adormeces feliz ao relento.
Água santa da minha terra,
Inspira poetas e enche telas,
Lavado de lágrimas enterra,
Os marinheiros das caravelas.
Eternas ao meu olhar,
Aguardam solenes o destino,
Serenas e calmas a desaguar,
Gaivotas entoam patriotas o hino.
Lx, 2-7-2004
👁️ 720
A Grande Corrida
Corro há tanto tempo,
Sem destino ou rumo,
Corro contra o tempo,
Em desalinho, sem aprumo.
Corro atrás dos cães,
E eles ladram para mim,
As crianças fogem das mães,
Correm comigo para o fim.
Corro por montes e paixões,
Por campinas douradas,
Deixo para trás todos os pavões,
De penas conspurcadas.
Corro ora depressa ora devagar,
Por caminhos estreitos e largos,
Tão cansado sem nada alcançar,
Nem Terra Prometida sem encargos.
Voltei a casa Espírito dormente,
Aventureiro, perdido e demente,
Encarnei o meu corpo pendente,
E com ele adormeci para sempre.
Lx, 10-10-2003
Sem destino ou rumo,
Corro contra o tempo,
Em desalinho, sem aprumo.
Corro atrás dos cães,
E eles ladram para mim,
As crianças fogem das mães,
Correm comigo para o fim.
Corro por montes e paixões,
Por campinas douradas,
Deixo para trás todos os pavões,
De penas conspurcadas.
Corro ora depressa ora devagar,
Por caminhos estreitos e largos,
Tão cansado sem nada alcançar,
Nem Terra Prometida sem encargos.
Voltei a casa Espírito dormente,
Aventureiro, perdido e demente,
Encarnei o meu corpo pendente,
E com ele adormeci para sempre.
Lx, 10-10-2003
👁️ 810
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António Azevedo - Vila do Conde
2024-05-28
Escreveu no jornal ou revista Alma Nova de Espinho em 1919 e 1920 com José Maria dos Reis Pereira que depois iria adoptar o pseudónimo José Régio.
Para Comprar:
http://www.lulu.com/shop/search.ep?type=&keyWords=paulo+gil&sitesearch=lulu.com&q=&x=8&y=9
Reservados Todos os Direitos de Autor
“ Poesia Eterna Parte I”
Registado em www.safecreative.org sob o nº 1208142122416
A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.
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Reservados Todos os Direitos de Autor
“ Poesia Eterna Parte I”
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A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.
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