Lista de Poemas
O Fogo e as Cinzas
Que agradável o cheiro a queimado,
Do fogo não conseguirei sair,
O vento quente a ele associado,
Não me deixará jamais fugir.
As labaredas deixaram-me cercado,
Condenado eu fiquei ao nascer,
Em ter de viver desamparado,
Sem lucidez que me fizesse florescer
Sentir-me sempre a viver ao lado,
E pensar ter já tudo dado,
Não é que me tivesse importado,
Por estes mares já eu tinha navegado.
Já me tinham perguntado,
Se me sentia aprisionado,
Eu respondi infortunado,
Ao mar as cinzas tinha lançado.
. Lx, 8-11-1993
👁️ 655
Sono Eterno
Deixai-me a dormir sozinho,
Um sono eterno e profundo,
Não me deixem sonhar mesquinho,
Na solidão imensa deste mundo.
Lx, 23-3-1995
👁️ 663
Vagabundos
Tão profunda a dor eles sentem,
Morrer é apenas mais um idem,
Desalinhados e pobres pelos becos,
Jamais ouvirão os puros ecos,
Porque as lágrimas não mentem,
Quando pelas faces vertem,
Com a alma presa em paredes,
Corações quebrados dormentes,
Infelizes apenas geram ascos,
Neste mundo pleno em vácuos,
Que pena serem como eu,
Um ingénuo e mero plebeu.
Lx, 23-6-1993
👁️ 609
Introspectivamente
Continuarei sempre a lamentar-me,
Culpando-me sempre do sucedido,
Jamais quererei lembrar-me,
Do tempo que passei entristecido.
As lembranças não me têm movido,
São vazias de poder sentimental,
Já me lembrei de ter morrido,
Mas era sonho de mente serviçal.
Lx, 7-10-1993
Culpando-me sempre do sucedido,
Jamais quererei lembrar-me,
Do tempo que passei entristecido.
As lembranças não me têm movido,
São vazias de poder sentimental,
Já me lembrei de ter morrido,
Mas era sonho de mente serviçal.
Lx, 7-10-1993
👁️ 718
Impaciência
Um barco ao longe vi navegar,
E meu amor nele ouvi cantar,
Não consegui definir o seu destino,
Ficando o meu coração em desalinho,
Para sempre à espera irá ficar,
Até a sua grande paixão retornar,
Até amanhecer um dia vespertino,
E voar no horizonte um passarinho,
Que as boas novas me venha dar,
Regressou o teu carinho além-mar.
Lx, 7-10-1993
👁️ 802
Versos de Lamentação
Contigo nasci para amar,
Sob o leito da dor,
Vou para sempre encarnar,
A dúvida num mito incolor.
A terra a lamentar me chama,
Glorioso de sonhos proclamo,
Não somos mais do que lama,
Lançada pelo vento ao nosso Amo.
Todos nascemos para morrer,
Gozar a vida a sonhar,
Vamos com certeza renascer,
Para divinalmente a utopia adorar.
Ao alvorecer acordamos em busca de alguém,
Objectivamente tentamos esculturar belezas,
Em faces e corpos que julgamos ser do além,
Mas as suas almas há muito caíram nas profundezas.
A chuva cai fria pela madrugada,
Anseio por braços quentes ao meu regresso,
A chuva impiedosa cai desalmada,
Continuo à tua espera sem sucesso.
Uma história inesquecível eu tinha para contar,
Com ela muitos iriam sorrir,
Acabaram por me interpelar,
E perguntar se era verdade o que iriam ouvir.
A noite cai uma vez mais escura,
Com ela a vida parece hibernar,
Para quê torná-la ainda mais obscura,
Se dela não nos podemos alienar.
Lx, 17-12-1990
Sob o leito da dor,
Vou para sempre encarnar,
A dúvida num mito incolor.
A terra a lamentar me chama,
Glorioso de sonhos proclamo,
Não somos mais do que lama,
Lançada pelo vento ao nosso Amo.
Todos nascemos para morrer,
Gozar a vida a sonhar,
Vamos com certeza renascer,
Para divinalmente a utopia adorar.
Ao alvorecer acordamos em busca de alguém,
Objectivamente tentamos esculturar belezas,
Em faces e corpos que julgamos ser do além,
Mas as suas almas há muito caíram nas profundezas.
A chuva cai fria pela madrugada,
Anseio por braços quentes ao meu regresso,
A chuva impiedosa cai desalmada,
Continuo à tua espera sem sucesso.
Uma história inesquecível eu tinha para contar,
Com ela muitos iriam sorrir,
Acabaram por me interpelar,
E perguntar se era verdade o que iriam ouvir.
A noite cai uma vez mais escura,
Com ela a vida parece hibernar,
Para quê torná-la ainda mais obscura,
Se dela não nos podemos alienar.
Lx, 17-12-1990
👁️ 957
O Meu Sonho
Sonho a dormir,
Sonho acordado,
Da consciência sair,
Do mundo acabado.
Sonho com Terra,
Com o Vento e o Mar,
O Sol nunca erra,
De manhã ao raiar.
Sonho com a Noite,
Ao longe a chegar,
Carrega uma foice,
Vem a minha vida cegar.
Sonho com Música,
Arpas e violino,
Só o Silêncio fica,
E o badalar do sino.
Sonho a sonhar,
Com a partida,
Sem nunca chegar,
Só com viagem de ida.
Sonho Eu existir,
Apenas um engano,
Insisto persistir,
Em nódoa de pano.
Sonhei contigo um Dia,
Radiosa e sensual,
Seguias noutra via,
Contrária ao ideal.
Sonhei com algo,
Perdido e vago,
Jogava ao alvo,
Padeceu trespassado.
Sonhei com uma fada,
Sem trono nem luz,
Chorava desalentada,
Pelo Menino Jesus.
Sonhei com Luas distantes,
Num Espaço longínquo a brilhar,
Como gotas de Lágrimas persistentes,
Pousadas na minha face a brincar.
Sonhei com Terra húmida,
Fria de odor pérfido,
Uma cova aberta à medida,
Comigo lá dentro perdido.
Lx, 3-12-2003
Sonho acordado,
Da consciência sair,
Do mundo acabado.
Sonho com Terra,
Com o Vento e o Mar,
O Sol nunca erra,
De manhã ao raiar.
Sonho com a Noite,
Ao longe a chegar,
Carrega uma foice,
Vem a minha vida cegar.
Sonho com Música,
Arpas e violino,
Só o Silêncio fica,
E o badalar do sino.
Sonho a sonhar,
Com a partida,
Sem nunca chegar,
Só com viagem de ida.
Sonho Eu existir,
Apenas um engano,
Insisto persistir,
Em nódoa de pano.
Sonhei contigo um Dia,
Radiosa e sensual,
Seguias noutra via,
Contrária ao ideal.
Sonhei com algo,
Perdido e vago,
Jogava ao alvo,
Padeceu trespassado.
Sonhei com uma fada,
Sem trono nem luz,
Chorava desalentada,
Pelo Menino Jesus.
Sonhei com Luas distantes,
Num Espaço longínquo a brilhar,
Como gotas de Lágrimas persistentes,
Pousadas na minha face a brincar.
Sonhei com Terra húmida,
Fria de odor pérfido,
Uma cova aberta à medida,
Comigo lá dentro perdido.
Lx, 3-12-2003
👁️ 708
Opacidade Emocional
A monotonia de existir,
Logo ao acordar se instala,
O tédio não me deixa dormir,
E já é de madrugada.
A dor abrigou-se na minha alma,
E o silêncio preencheu a minha vida,
Devagarinho e com muita calma,
Sussurrou-me a morte ao ouvido.
Tão cansado de olhar,
Sentir e pensar,
Sonhar acordado,
Em tudo dar,
Como acabado.
Tão abalado fiquei,
Ao persistir e tentar,
Em vão testemunhei,
Sem nunca ter achado,
O segredo maior,
Tão bem guardado,
O céu à noite,
Estrelado.
Lx, 16-7-2004
Logo ao acordar se instala,
O tédio não me deixa dormir,
E já é de madrugada.
A dor abrigou-se na minha alma,
E o silêncio preencheu a minha vida,
Devagarinho e com muita calma,
Sussurrou-me a morte ao ouvido.
Tão cansado de olhar,
Sentir e pensar,
Sonhar acordado,
Em tudo dar,
Como acabado.
Tão abalado fiquei,
Ao persistir e tentar,
Em vão testemunhei,
Sem nunca ter achado,
O segredo maior,
Tão bem guardado,
O céu à noite,
Estrelado.
Lx, 16-7-2004
👁️ 749
Partida
Partirei um dia qualquer,
Triste e dorido com a vida,
Não sei se poderei ousar sequer,
Levar para a morte a alma perdida.
Cedo ou mais tarde estarei de partida,
Levarei comigo o silêncio da vida,
Com certeza lembranças da música ouvida,
O verde dos bosques e o mar de guarida.
Montanhas que ousaram chegar ao céu,
Cobertas de neves eternas geladas,
Contaram-me um segredo quando anoiteceu,
Para lá das nuvens de chuva carregadas.
Que as estrelas todo o dia brilhavam,
Fazendo sempre muita companhia,
Ora duma roda de fogo nasciam,
Ora morriam num buraco negro em agonia.
Com as estrelas irei ter um dia,
Quando o destino reunir a irmandade,
De acordo com tudo o que previa,
Encarnarei um raio de luz em liberdade.
Lx, 1-4-2004
Triste e dorido com a vida,
Não sei se poderei ousar sequer,
Levar para a morte a alma perdida.
Cedo ou mais tarde estarei de partida,
Levarei comigo o silêncio da vida,
Com certeza lembranças da música ouvida,
O verde dos bosques e o mar de guarida.
Montanhas que ousaram chegar ao céu,
Cobertas de neves eternas geladas,
Contaram-me um segredo quando anoiteceu,
Para lá das nuvens de chuva carregadas.
Que as estrelas todo o dia brilhavam,
Fazendo sempre muita companhia,
Ora duma roda de fogo nasciam,
Ora morriam num buraco negro em agonia.
Com as estrelas irei ter um dia,
Quando o destino reunir a irmandade,
De acordo com tudo o que previa,
Encarnarei um raio de luz em liberdade.
Lx, 1-4-2004
👁️ 628
Canta Para Mim
Canta só mais uma vez,
Antes que tombe na valeta,
Quando nascer o Sol talvez,
Quando te der na veneta.
Uma vez mais somente,
Já só ouço o troar lá fora,
Tem piedade de mim doente,
Porque a Lua já cá não mora.
Canta e assobia também,
Não há mais ninguém a ouvir,
Já não enxergo o além,
Para onde hei-de eu partir.
Canta passarinho canta,
Só uma vez mais sem falta,
Sabes que o teu piar encanta,
E a noite já vai longa.
Porque me abandonaste?
É só uma tempestade,
Não me achaste?
E a chuva cai sem piedade.
Lx, 10-10-2003
👁️ 702
Comentários (1)
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António Azevedo - Vila do Conde
2024-05-28
Escreveu no jornal ou revista Alma Nova de Espinho em 1919 e 1920 com José Maria dos Reis Pereira que depois iria adoptar o pseudónimo José Régio.
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Reservados Todos os Direitos de Autor
“ Poesia Eterna Parte I”
Registado em www.safecreative.org sob o nº 1208142122416
A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.
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