Lista de Poemas
Réquiem para um amor
Que não brilhem as palmeiras nas manhãs
e nem cantem sabiás pelos pomares.
E que o ar dissipe tudo que falares,
leve longe as tentativas falsas, vãs,
de fazer-me compreender os teus pesares.
Nossas almas já viveram como irmãs
e tivemos muitas horas campeãs,
mas a vida não tem linhas regulares.
Não soubemos preservar o relevante
e um do outro esquecemos, amiúde...
Se a tristeza é nossa sina doravante,
reconheço que não fiz tudo que pude
pelo amor que cada vez vai mais distante,
por desleixos e por falta de atitude.
Nilza Azzi
e nem cantem sabiás pelos pomares.
E que o ar dissipe tudo que falares,
leve longe as tentativas falsas, vãs,
de fazer-me compreender os teus pesares.
Nossas almas já viveram como irmãs
e tivemos muitas horas campeãs,
mas a vida não tem linhas regulares.
Não soubemos preservar o relevante
e um do outro esquecemos, amiúde...
Se a tristeza é nossa sina doravante,
reconheço que não fiz tudo que pude
pelo amor que cada vez vai mais distante,
por desleixos e por falta de atitude.
Nilza Azzi
👁️ 21
Salto
A centelha que ilumina a cada um de nós
e impulsiona com firmeza a nossa evolução,
encaminha a nossa mente além do eu e, então,
nos ajuda a superar a dor de sermos sós.
É difícil de entender, pois de outra dimensão,
veio a Mônada habitar o ser profano e após
completar a experiência e desfazer os nós
que vieram do passado – e aqui e agora estão –
poderá tirar proveito do que aconteceu,
(as lições que necessita) até que o apogeu
desta lida lhe permita alçar-se a grau mais alto.
E da luz que ela concentra, aumenta e perpetua,
faz surgir o entendimento e abraça como sua
a missão de mergulhar no vácuo desse salto.
Nilza Azzi
👁️ 138
Sobre tempestades
Se eu permitisse à chuva que chorava
por sobre a terra a dor do céu ferido
e percebesse haver algum sentido
na solidão – e fosse eu mais brava
e enfrentasse a fera. Se movido
por minha dor, o céu soltasse a trava
e desse a mim aquilo que negava
e descobrisse um mundo colorido...
Se dessa luz, apenas uma gota
um pouco de alegria respingasse,
sobre o tecido desta vida rota,
– que outra impressão poria sobre a face! –
E a chuva choveria mais marota,
até que a dor do céu se abrandasse...
Nilza Azzi
por sobre a terra a dor do céu ferido
e percebesse haver algum sentido
na solidão – e fosse eu mais brava
e enfrentasse a fera. Se movido
por minha dor, o céu soltasse a trava
e desse a mim aquilo que negava
e descobrisse um mundo colorido...
Se dessa luz, apenas uma gota
um pouco de alegria respingasse,
sobre o tecido desta vida rota,
– que outra impressão poria sobre a face! –
E a chuva choveria mais marota,
até que a dor do céu se abrandasse...
Nilza Azzi
👁️ 36
Retrato
Traz a gravata azul, sobre a camisa branca;
o terno, em tom escuro, é sóbrio e elegante
e pode-se entrever, na paz do seu semblante,
a força singular que o espírito alavanca.
A voz se sobressai e mostra o quanto é franca,
a sua inspiração e o grau de seu talante
voltado para o bem — um dom — e isso garante
discurso natural, que aplausos sempre arranca.
Embora a foto seja a forma irrevelada,
pois sobre o ser real, nos conta pouco ou nada,
detalhes da aparência e os trajes de um senhor,
— uma figura humana, envolta em seu mistério —
compõe em seu conjunto, um quadro sedutor,
retrato varonil, de um coração etéreo.
Nilza Azzi
o terno, em tom escuro, é sóbrio e elegante
e pode-se entrever, na paz do seu semblante,
a força singular que o espírito alavanca.
A voz se sobressai e mostra o quanto é franca,
a sua inspiração e o grau de seu talante
voltado para o bem — um dom — e isso garante
discurso natural, que aplausos sempre arranca.
Embora a foto seja a forma irrevelada,
pois sobre o ser real, nos conta pouco ou nada,
detalhes da aparência e os trajes de um senhor,
— uma figura humana, envolta em seu mistério —
compõe em seu conjunto, um quadro sedutor,
retrato varonil, de um coração etéreo.
Nilza Azzi
👁️ 6
Reserva de domínio
O mar é azul e branco, transparente,
na mata, o verde brilha com vigor.
Não há agente externo a se interpor:
− A rude natureza não consente.
A ilha tem segredos a dispor,
a flora é variegada, diferente
daquela que recobre o continente:
− A fauna ali procria sem temor.
Falésias em embates com as ondas,
as praias de uma areia branca e fina,
conchinhas delicadas e redondas...
Olhar a natureza nos ensina
a perceber em nós perpétuas rondas,
seladas pela mesma cromatina.
Nilza Azzi
👁️ 19
Reminiscência
Pela manhã, os campos são mais belos,
a brisa é fresca e o sol ainda não arde.
O dia cresce, vai fazendo alarde
e sob o céu, a vida tece anelos.
Meio do dia! Justo para a tarde,
lá vai o tempo − faço meus castelos.
Assisto ao longe rápidos duelos;
não vejo em mim razão de ser covarde.
Boca da noite! Súbito, o poente,
a luz recolhe a sua cor dourada:
− Minha janela já contempla a Lua.
Quiçá amanhã, no leito indiferente,
venha a lembrar do quanto tu me agradas,
− entanto uma saudade se insinua.
Nilza Azzi
👁️ 10
Charada
Inspirado vou eu ouvir som agoureiro,
se primeiro há em mim a intenção de fruir;
de sorrir pelo céu, esse azul de tinteiro
e me abeiro da paz, brancas nuvens, porvir.
Ao me abrir ao prazer, vejo ao longe um outeiro
e um aceiro contorna um farol a ruir...
Eis me a rir, gargalhar, pois me sinto fagueiro:
sou herdeiro do vento; ele é meu elixir...
A luzir, longe o mar, velas brancas, infladas
e as paradas da espuma a subir pela areia.
E se alteia uma onda, outra logo se quebra
e celebra a visão, alma assim nunca alquebra.
Se requebra esta voz, a balada que anseia,
desenleia este amor das antigas charadas.
Nilza Azzi
👁️ 183
Avença
Habita uma certeza, escancarada, intensa,
anzóis causam rubor –despenca a água – tingem
cascatas e explosão. No lago nada a virgem,
a flor, a pena, a encrenca, até que a mágoa vença
e o cálice repleto, a luz alada, a origem,
destruam de uma vez diques e frágua. Avença...
E o mar mais interior a gruta invada, extensa,
a praia sem calor onde deságua e cingem
em seixos, branca espuma ao derredor, na orla.
Presente ao longe a voz de uma sereia, imanta,
preenche o mar, o céu, de novo espanto. Crasso!
Informe, a ilusão se crê melhor no espaço,
infâmia que penetra e que permeia tanta
descrença de entender esse meu canto: – Borla!
Nilza Azzi
👁️ 180
Seca
A tarde chega ao fim; uma cigarra canta.
O vento leste traz no sopro alguma ajuda,
refresca esse calor, mas quase nada muda,
em relação ao mal estanque na garganta.
Choveu a tarde inteira; a chuva foi miúda.
As folhas derrubou em quantidade – e tanta!
Uma sibipiruna inteira está desnuda,
pois vai vestir a cor dourada que ataranta.
Enquanto não vem água, as plantas, por seu lado,
como último recurso e apelo por socorro,
exibem sem pudor um luxo desvairado:
são flores a explodir o colorido em jorros
– um meio de angariar olhares e cuidados –
na calma do jardim, por tudo que percorro.
Nilza Azzi
O vento leste traz no sopro alguma ajuda,
refresca esse calor, mas quase nada muda,
em relação ao mal estanque na garganta.
Choveu a tarde inteira; a chuva foi miúda.
As folhas derrubou em quantidade – e tanta!
Uma sibipiruna inteira está desnuda,
pois vai vestir a cor dourada que ataranta.
Enquanto não vem água, as plantas, por seu lado,
como último recurso e apelo por socorro,
exibem sem pudor um luxo desvairado:
são flores a explodir o colorido em jorros
– um meio de angariar olhares e cuidados –
na calma do jardim, por tudo que percorro.
Nilza Azzi
👁️ 34
Sal
Um dia, ela soprou ao meu ouvido
segredos, que guardara com cuidado,
de quem cura um tesouro que é sagrado
e traz em si cantares escondidos.
Parou, por algum tempo, lado a lado,
comigo, mas, depois, ah, que perigo,
largou-me só. Confesso: — Não consigo
livrar-me desse laço bem atado.
Procuro a bela dama em todo canto,
sonhando que me queira um outro tanto
e volte a estar comigo (eu bem queria!).
Porém no meu dizer, viva a poesia,
presença e atração tão natural,
que põe na minha vida o doce e o sal.
Nilza Azzi
segredos, que guardara com cuidado,
de quem cura um tesouro que é sagrado
e traz em si cantares escondidos.
Parou, por algum tempo, lado a lado,
comigo, mas, depois, ah, que perigo,
largou-me só. Confesso: — Não consigo
livrar-me desse laço bem atado.
Procuro a bela dama em todo canto,
sonhando que me queira um outro tanto
e volte a estar comigo (eu bem queria!).
Porém no meu dizer, viva a poesia,
presença e atração tão natural,
que põe na minha vida o doce e o sal.
Nilza Azzi
👁️ 30
Comentários (4)
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petrillipoesia
2020-03-23
Belos sonetos!
sergios
2020-01-23
Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!
filipemalaia
2019-12-31
Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.
Maria Lima
2019-08-02
Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!
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